The Races

7 Capítulo 6 - Os Legados


Notas iniciais
Tá aí o 6° capítulo de The Races. Espero que gostem do que preparei e prometo que em breve as coisas vão esquentar kk'

Uma semana se passou desde o dia em que Caio salvou a Sarah e eu. Durante todo este tempo, ele nos contou histórias de como era a sua vida na Zona dos Seres. Eu nunca tinha entendido o porquê deste nome até o conhecer. Segundo ele, algumas pessoas de sua Zona já tinham descoberto os seus poderes assim como aconteceu comigo e infelizmente elas foram mortas pela Capital.

Pensar que a minha própria natureza pode causar a minha morte me causa dor e pânico, mas ao menos por enquanto eu estou seguro aqui nessa caverna no meio do nada.

Segundo as histórias que Caio nos contou a vida na Zona dos Seres era tenebrosa. As ruas eram feitas de paralelepípedos e cheias de buracos nos quais viviam larvas que nunca mudavam e que só de imaginar já sinto nojo. Assim como na Zona do Fogo, o tempo passa um ar de tristeza, o céu vive nublado e o frio toma conta do lugar. Além das larvas e dos humanos que vivem naquele lugar, não existe nenhuma outra forma de vida animal e por isso, várias pessoas estavam morrendo de fome, já que os vegetais estavam se tornando cada vez mais escassos. Ele ainda nos contou que quando alguns representantes da Capital foram até a sua Zona para verificar se tudo estava “em ordem”, ele os enfrentou. O que é proibido, mas também o que todos querem fazer. Viver em um lugar sem alimento, sem água, em situações precárias enquanto a Capital finge que tudo está bem, as pessoas da ONM devem ser psicopatas. Enfim, se não fosse a sua incrível habilidade, ele poderia estar morto ou preso (sendo torturado).

E é graças a esta habilidade que ele convenceu a mim e a minha irmã de que temos que treinar, pois, mesmo que demore, um dia seremos descobertos e a ONM não deixará dois adolescentes que já descobriram os seus poderes soltos pelo seu planeta, correndo o risco de serem desafiados.

Hoje o tempo deu uma trégua. A chuva forte parou e posso ver alguns raios do sol, coisa que nunca havia visto antes, ou pelo menos não me lembro de ter visto. Sarah preferiu permanecer na caverna, pois ainda sente fortes dores de cabeça. Continuo triste e me sentindo culpado por ter deixado a minha irmã ser atingida daquela maneira pelos soldados. A deixo descansando um pouco mais e sigo Caio para fora da floresta.

Estou vestindo a mesma roupa desde que cheguei aqui e ela não está em um bom estado. A camisa cinza está com vários rasgos e marcas de queimaduras. Minha calça a esta altura se transformou em uma bermuda e o resto de minha roupa não existe mais. Já Caio aparenta estar muito bem afinal, ele vive aqui há muito tempo e tem algumas roupas separadas. Ele é um pouco mais alto que eu. Deve ter 1.70m ou algo assim. Tem a pele clara, mas não como as pessoas da Zona do Fogo e um olhar que geralmente dá um pouco de medo, mas ainda assim o acho irritante em grande parte do tempo. Ele está apenas com uma pequena faca presa ao lado de sua calça escura e caminha a paços largos pela floresta, desviando de vários galhos. Eu preciso me adiantar para alcança-lo.

– Por que a gente tem que ir tão rápido? – Digo enquanto preciso dar uma pequena corrida. Mas devo ter cuidado, o chão é extremamente escorregadio e qualquer paço em falso e eu caio de cara no chão.

– Eu acho que você não vai querer esperar para ver o que estou prestes a fazer. – Ele me responde rindo, como sempre, e corre um pouco até uma pequena clareira na floresta. Eu corro mais uma vez gritando para que ele me espere. – Aqui! Este lugar é perfeito. – Continua dando uma volta ao redor do corpo.

Eu paro e admiro a beleza do lugar. Parece um círculo perfeito no meio da mata e logo o medo toma conta de mim. Se uma das aeronaves da capital passar por aqui, com certeza eles irão nos ver e aí estará tudo acabado. Mas provavelmente isto não irá acontecer então tento me acalmar. Caminho até mais perto de Caio que continua em pé examinando o lugar com os olhos. Eu me sento em uma pedra perto dele.

– Então? O que é que eu tanto quero ver? – Pergunto enquanto finjo estar morrendo de tédio.

– Você veio da Zona do Fogo e consegue controlar o fogo, correto?

– Isso aconteceu uma vez, não sei se conseguiria de novo. – Digo enquanto ele me levanta e me interrompe imediatamente.

– Claro que consegue. Todos nós temos esses poderes que estão escondidos em nosso DNA. Os membros da ONM são uns retardados e fracotes. Só estão no comando por terem muito dinheiro. Mas isso não vem ao caso. Agora eu quero te mostrar o meu poder. – Ele diz e se afasta um pouco de mim. – Está pronto pra isso? – Ele me pergunta abrindo os braços.

– Sim, claro, mas vai logo metido! – Digo rindo e então o meu sorriso se transforma em espanto. Neste momento o meu queixo deve estar tocando os meus pés. Meus olhos devem estar do tamanho de uma bola de tênis e essa não deve ser uma boa imagem. Mas qualquer um que visse o que eu tinha acabado de ver teria a mesma reação. Ah, claro, eu também gritei. Gritei muito.

Caio havia acabado de se transformar em uma águia gigante na minha frente. O seu corpo, corpo de um ser humano, se transformou em questão de segundos em um animal selvagem de dois metros de altura e eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo. Só podia ser mais um dos meus sonhos estranhos. Mas não era, estava acontecendo na minha frente. Mas durou pouco, quando eu comecei a gritar em histeria, ele voltou ao seu corpo normal e começou a rir mais do que desde o dia em que nos conhecemos.

Alguns minutos foram necessários para que eu retornasse ao meu estado mental normal e então pude entender tudo. Ele vinha da Zona dos Seres. Ele podia se transformar em qualquer animal, incluindo os mutantes. Pelo menos foi o que ele me disse pouco tempo depois.

Depois que eu tinha entendido tudo, começamos nosso treinamento. Primeiro eu tive que criar uma fogueira e enquanto ele trazia lenha, eu tentava criar o fogo em um bolo de folhas secas. Mas não adiantou. Talvez eu não consiga mais controlar o fogo como fiz há uma semana, mas Caio insiste que eu devo continuar me esforçando.

A tarde passa tão rápido que mal consigo perceber, mas, tirando o susto/descoberta, foi um dia improdutivo. Com a noite chegando, temos que voltar para a caverna e nada aconteceu comigo. Não consegui criar nem uma pequena faísca. Talvez eu precise me esforçar e tentar mais, talvez eu tenha perdido esses tais poderes da minha Zona. Não importa, já estamos chegando à caverna quando vejo Sarah. Provavelmente ela estava melhor, pois estava chegando também.

Ela havia ido à busca de alimento. Fico feliz por ver que ela teve uma rápida melhora e mais feliz ainda por saber que depois de tanto esforço e cansaço, teremos o que comer durante a noite. Depois disso, só nos resta dormir.

Notas finais
Obrigado por ter lido, se quiserem deixar um review com qualquer crítica, tô aceitando o/ kk' Até a próxima o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.