The Queen - Interativa
1 Capítulo I: The Prince and The Shy One
Alphonse observou-se novamente no espelho.
Não podia evitar com seu TOC, algo que seus pais nunca pareciam entender. Felizmente, mas não surpreendentemente, estava impecável. Seus cabelos ruivos alinhados, terno passado, sapatos engraxados e figura que radiava poder. Nada diferente de como era diariamente; mas quando se alcança a perfeição todo dia não dá para mudá-la.
Seus pais estavam nervosos com seu aniversario de dezenove anos, mas o mesmo não entendia o motivo. Para ele, a Seleção era uma grande piada. Trinta e cinco garotas competiam pelo poder de ser uma rainha (não via como elas poderiam querer algo além da coroa, nem o conheciam) e apenas a mais qualificada permanecia. Claro, não foi o caso de seu pai (não o leve a mal, Alphonse amava sua mãe, mas haviam candidatas muito mais adequadas para serem a rainha. Sua mãe tinha um bom coração e se esforçava, mas ele nunca conseguiu entender a escolha do pai). Por sua visão da Seleção, não estava preocupado.
– Al! – A voz açucarada de sua melhor amiga (única amiga, na verdade) ecoou pelo quarto, enquanto a mesma abria a porta. Seus cabelos loiros estavam presos em duas tranças e seu vestido rosa claro combinava com seu tom de pele alvo. – Você tem que tem que vir logo se quiser chegar quinze minutos mais cedo.
– Estou me encaminhando, Mary. – Comentou, indo em direção a porta. Mary sorriu, lhe dando um abraço.
– Feliz aniversario, Al. – Alphonse sorriu levemente. Mary Woodwork era a única que o fazia sorrir tão facilmente. – Agora vamos! Seria horrível se você se atrasasse em chegar cedo!
– Não acho que suportaria a dor. – Brincou, sentindo-se aliviado. Por algum motivo, conversar com Mary era mais fácil do que conversar com sua mãe. Talvez pela mesma já estar conformada com a personalidade cínica do rapaz.
Conseguiram chegar até a porta antes de Mary tropeçar no vestido, sendo que Alphonse teve que apoiá-la para não cair. Os dois andaram pelos corredores até chegarem as portas do salão principal, onde já estava acontecendo a festa de aniversario do Príncipe Alphonse Schreave. Pela fenda entre as portes, eles puderam ver as luzes que iluminavam o salão, a mistura de cores entre os vestidos das damas que dançavam e podiam ouvir a música misturada com o barulho da conversa de pessoas poderosas.
Alphonse adorava isso. Saber que tantas pessoas poderosas com quem ele poderia fazer acordos, alianças, aumentar a influencia de Illéa sobre o mundo o deixava arrepiado de prazer. Mary apertou com força seu braço, já que não desfrutava de socialização e festas; mas ia para dar suporte ao seu melhor amigo e representar a família Woodwork em homenagem à Marlee e Carter. O príncipe não conseguia deixar de apreciar os apoio da mesma.
– Bem, eu vou primeiro, Al... – Mary murmurou, engolindo o seco. – Sabe, para os outros não pensarem que estamos ju-juntos...
Com isso, Mary Woodwork desapareceu em um borrão de rosa e loiro para dentro do salão. Alphonse entendia o ponto que a garota havia feito. O príncipe já tinha contemplado várias vezes colocar o nome da amiga como uma Selecionada e se casar com ela no final. Ele amava Mary. Claro, não sabia se era uma amor fraternal ou romântico, mas não sabia como diferenciar os dois; mas não se importaria de passar o resto da vida com sua melhor amiga.
Enquanto contemplava isso, sentiu um toque em suas costas. Era seu pai, o Rei Maxon Schreave acompanhado da Rainha America Singer Schreave. Alphonse retomou a posição séria de antes após perceber que sorrira ao pensar em Mary. Alphonse não queria ser mais reservado que seus pais, mas os mesmos eram bastante liberais comparados à outros reis e rainhas, por isso o mesmo queria mostrar que isso não era necessário. Seria um rei perfeito, seguiria as regras perfeitamente, arrumaria uma rainha perfeita. Acabaria tudo perfeitamente.
– Oh, Al, como você cresceu... – Sua mãe, com seus olhos azuis gentis (gentis a pontos de serem tolos, em sua opinião) veio o abraçar; sem medo de amassar seu vestido dourado.
– Mãe, meu nome é Alphonse. – Respondeu sério, sentindo uma irritação inexplicável borbulhar em seu estomago. A única mulher que podia o chamar de “Al” era Mary; mas isso não era motivo para ficar com tanta raiva de sua mãe. Talvez fosse a irritação que sempre sentia quando seus pais agiam tolamente?
Provavelmente sim.
– Sim, claro. – Ele pode ver a magoa nos olhos de sua mãe e sentiu uma pancada de culpa. Mas o que ele podia fazer com o fato de que o futuro rei de Illéa sendo chamado por um apelido infantil em publico por sua mãe seria ridículo?
– Filho, gostaria de me assegurar que você já está pronto para a sua Seleção. – Seu pai falava formalmente, mas seus olhos e sorrisos eram calorosos. Ele sim havia nascido para liderar.
– Eu estou pai, não há necessidade de preocupação. Ficarei bem. – Alphonse lhe deu um sorriso confiante, praticado várias vezes em frente aos espelhos e a Mary (mais com Mary, porque ela gargalhava toda vez que os sorrisos ficavam ridículos).
– Tem certeza que não está nervoso? – América se pronunciou novamente à seu filho, recusando-se a sumir da conversa. – Porque podemos conversar sobre isso.
– Não me sinto nervoso mãe. – Respondeu mais gentilmente dessa vez, ainda sentindo a culpa o corroer por magoar sua mãe. – Afinal, papai achou você; então quer dizer que há mulheres maravilhosas pelo reino.
A rainha lhe deu um sorriso estonteante, o que o fez sentir-se ainda mais culpado por mentir. Não concordava que a mãe era a melhor opção para ser rainha (impulsiva demais); mas não podia dizer isso a ela, partiria seu coração.
– Tenho certeza que conseguirá achar alguém tão maravilhoso quanto você, meu amor. – Sua mãe lhe olhou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, o que sabia que; aos olhos ela, ele era. – Bem, irei me posiciona para entrarmos, por isso se apressem.
Rainha América foi em direção a porta se ajeitando para a entrada enquanto Alphonse e Rei Maxon a observavam. Logo, o homem retornou o olhar para seu filho, colocando a mãe em seu ombro.
– Alphonse, eu gostaria de lhe oferecer as palavras de incentivo do meu pai, mas elas não foram as melhores. – Seu pai lhe ofereceu um sorriso apologético. – Mas as de minha mãe nunca saíram da minha cabeça: “Eu espero que você possa achar alguém da qual você não consiga viver sem. Realmente espero. E espero que também não tenha que tentar viver sem ela”. Pode parecer um pouco tosco, mas essas palavras nunca saíram da minha cabeça. Espero isso para você também, meu filho.
Após isso, meu pai foi para o lado de minha mãe na porta, ambos me olhando para acompanhá-los. Não iria decepcionar meu pai ou Illéa. Eu iria encontrar uma rainha, quer eu a ame ou não.
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