The Queen Bee
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo I
Dezembro, 22 — Depois
Faltava pouco para o Natal, eram 7h da manhã o sol brilhava naquela manhã cinzenta e a brisa era geladinha. Melissa levantou meio apressada, calçou as botas pantufas de pelúcia, vestiu o seu casaco e correu para o banheiro. Ligou o app de músicas e deixou no aleatório, foi coisa rápida: banho, escovar os dentes, maquiagem e arrumar o cabelo em uma trança falsa, ela realmente amava tranças no cabelo. Desceu as escadas correndo pegou a torrada no prato, bebeu o café no gole pegou a bolsa e sumiu porta a fora.
Jonnh : — Melissa já foi trabalhar ?
Chester: — Sim e atrasada !
Ambos: — De novo!
Faltava 15 min para o expediente e ela ainda estava muito longe do trabalho, era uma boa loja de “Café e Gibis”, ela podia ler todos o gibis que pudesse, tomar café o quanto podia. Ela adorava o emprego! E chegar atrasada não era uma opção ~ Tudo bem que ela sempre acordava atrasada , pelo menos 5 em 4 vezes! Era período de férias e ela pegou esse turno cedo para poder ensaiar com a banda. Depois daquilo tudo que aconteceu , o pai , o Chester o padastro e a banda eram seu porto seguro, foi com eles que ela pode esquecer tudo aquilo. Ela odiava ter que pensar naquilo tudo que aconteceu, mas tudo aquilo voltava como a onda vem beijar as areias na praia.
Melissa se sentou no banco que estava a três passos e contou cinco segundos
— Um, dois , três , quatro, cinco e BOO! — Com uma careta muito feia
— Ai Melissa que susto! — Disse Carter com a mão no peito
— HAHA — Olá Cartoon
— Hey, o que eu disse sobre me chamar assim?
— AH, QUAL É CARTER
— Vamos te dou uma carona!
— AMO VOCÊ
— É eu sei ! Aliás por que vocês está sempre atrasada ?
— Eu não estou sempre atrasada! Só um pouco de vez em quando. — Disse Melissa pegando o capacete e colocando na cabeça.
— Aham
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Era um dia muito frio, e o ar condicionado do “ Café Loja de Gibis “ estava ligado no ar ambiente e tudo estava tão quieto que se caísse um algodão no chão daria pra ouvir. De repente aquilo tudo virou um grande tumulto, todos gritavam muito alto e eram risadas maléficas , pessoas apontavam para Melissa e riam , ela se olhou no espelho, estava quase careca!
— O que?! Ela assustava agarrava os cabelos que caiam de sua cabeça
Tudo estava familiar, aquela cena, aquelas pessoas, aquilo tudo estava voltando. Lá estava aquele trauma de volta, ela não entendia e tudo girava girava, era como se fosse um daqueles carrosséis que o pai a levava quando era criança e então …
— Melissa ? Melissa? Você está bem ?
— Hã ? O que eu …
— Você desmaiou! Let’s go já acabou seu expediente
— Hã?
— Wow! Você está muito pálida! Quer um pouco de água?
— Não, não, eu só … Só … Hã , hum foi um pesadelo, um pesadelo.
— Tá então, os meninos estão esperando, vamos ?
— Vamos, vamos.
O vento frio passava no nariz e o congelava levemente, tudo estava branquinho coberto pela neve da noite passada. Aquele caminhar do café até o estúdio do seu melhor amigo Carter a fazia pensar naquele pesadelo, o que ele significava e ainda por que aquilo estava voltando a sua mente ? Seus pensamentos foram interrompidos por Carter que a olhava com uma cara de curiosidade:
— Melissa? O que aconteceu ? Você parece tão distante ultimamente.
— É, talvez. São os sonhos que ando tendo …
— Me conte, o que aconteceu com você no Café ?
— Hum, não é nada, só coisas que estão vindo à minha mente e …
— Me conte ué. Sou seu melhor amigo esqueceu?
— É eu sei — ela o empurrou com o ombro — vamos sentar naquele ponto e esperar o ônibus , preciso passar em casa antes de ir ao estúdio, prometi ao meu pai levar essa revista sobre Decoração de Jardins.
— Não sabia que seu pai se interessava em decorações para jardim
— Bem, nem eu — ela deu com os ombros e soltou uma risada e abaixou a cabeça pensando.
— Me conte o que está acontecendo
Ela respirou fundo e começou
— Tudo começou há alguns anos atrás, era eu, o papai e ELA …
Nós éramos felizes, ELA trabalhava todos os dias praticamente e o papai trabalhava como artista em casa. ELA trabalhava tanto tanto que nunca estava em casa e sempre que estava ficava muito afastada de mim e do papai. O papai sempre foi incrível, me dava tudo que eu precisava, sempre estava presente e sempre me fez feliz, mas um dia era muito tarde da noite eu e o papai chegamos de um aniversário , a casa escura e pelo que parecia ELA ainda não havia chegado. O papai me colocou na cama como de costume e foi pra sala a esperar, ELA chegou bêbada, cambaleando com outro homem, meu pai era traído sempre e só descobriu naquele dia. Ele foi embora pra sempre.
—- Melissa e Carter entraram no ônibus e ela se sentou na janela --
O cara se mudou para nossa casa, eu cresci sendo odiada por ele e por ELA.
Ela me dava trapos para vestir, eu ficava com fome e pelo decorrer da minha infância e da minha adolescência eu sofria bullying pelo o que eu vestia e pelo o que eu era — uma ninguém . Pelo menos eu tinha uma amiga, desde criança eu e a Lola éramos as melhores amigas! Eu só tinha ela e ela a mim. Apesar que a Lola era a típica menina normal. Mas com a Lola eu podia contar. A minha vida era rotina, acordar, escola, balé e casa — arrumar casa, cuidar de tudo, fazer comida e lavar louça — a única coisa que eu gostava era ir pro balé e ficar com a Lola , eram os poucos momentos felizes que eu tinha.
—- Pera, — interrompeu Carter — Você fazia balé? Nossa!
Melissa levantou a sobrancelha
— Continua — Carter com um risinho
— A noite eu chorava até dormir, eu nunca mais tive contato com meu pai e mesmo que eu procurasse algum ELA me impedia e ele me maltratava — Não podia piorar? Podia sim, eu lembro que as meninas populares cobriam o cabelo de tinta colorida, era a moda daquela época , eu tinha 14 anos. A Lola comprou um spray e pintou o cabelo e pintou o meu tb, não me recordo tanto mas estávamos tão estilosas! A Cláudia a mãe da Lola comprou roupas iguais para nós duas e fomos para escola, ELA ficou sabendo e no final da aula me pegou pelos cabelos e cortou ele todo , me bateu na cara, me chutava e segurava meu cabelo e praticamente arrancava da minha cabeça, ela me jogou no chão quase me deixou nua e todos riam e olhavam aquilo — eu entrei em pânico!
Depois daquilo eu desmaiei eu acho, eu não lembro — acordei no hospital e meu pai estava do meu lado. Ele deu um basta naquilo tudo.
Pouco depois daquilo tudo meu pai me contou que conheceu Chester e acabou se descobrindo e descobriu o amor também. Então se mudaram para Londres e ELA descobriu sobre isso e com todo seu preconceito e todo seu ódio nunca o deixava me ver ou tentar a guarda pra ficar comigo. ELA sempre alegava coisas ruins sobre ele. E ele nunca soube o que acontecia comigo, a sorte que o Paulo amigo e pai da Lola conseguiu entrar em contato com ele e informou o que estava acontecendo e naquele dia ele foi me buscar. Ele me levou para Londres e eu conheci o Chester e na mesma hora o considerei da família , ele era um ponto de apoio. Tratei de uma depressão e crises de pânico e tudo passou.
—- Melissa pega a mão de Chester e coloca na cicatriz atrás do pescoço
— Mas, eu ainda tenho a cicatriz para provar que aquilo nunca foi nada da minha cabeça e que esse filme de terror aconteceu.
—- Ela olhou pra cima e com uma cara de curiosa, levantou a sobrancelha e continuou
— Se eu pudesse escolher naquela época eu tinha saído da escada e ido embora com meu pai, ninguém soube que eu vi tudo.
Mas esses pensamentos estão vindo à tona e tenho sonhados com esse pesadelo de novo! Como se algo fosse acontecer!
—- Eles desceram do ônibus, Melissa prendeu o cabelo em um coque e passou o seu cachecol lilás pelo pescoço.
Carter a encarava sério e ela deu um sorriso e disse:
— Fica tranquilo! Tudo passou! O que poderia acontecer agora ?
Ela abriu a porta de sua casa tirou as botas cheias de neve, o corredor cheirava a chá de laranja e margaridas ( o seu preferido), acertou o quadro torto no corredor, pegou a revista a abraçou e então correu pra sala. De repente parou e derrubou a revista. Carter correu assustado em sua direção, olharam para o sofá e …
— MÃE ? — Melissa disse assustada e em pânico
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