The Queen
4 Capítulo 3 — Welcome to France
Notas iniciais

Marie-Claire nunca fora uma Rainha exagerada. Nunca fora rodeada por exuberâncias ou perdera seu tempo em conquistar bens materiais. Para ela, as riquezas conquistadas durante seu governo deveriam ser usadas para o bem do povo e não apenas para diversões e caprichos dos mais altos nobres da atual sociedade. Este era o único motivo para que a jovem Majestade não carregasse uma grande quantidade de malas para sua carruagem, a qual estava posicionada desde o início da tarde, pronta para começar sua viagem até o país vizinho.
Seu caminhar era calmo, quase flutuante. Um sorriso se mantinha fixo em seu rosto, mesmo com as constantes preocupações políticas que a atormentavam desde a hora que fora acordada. Sua visita a França seria a oportunidade de salvar seu país da fome e conhecer um possível pretendente a casamento. Christophe Bourbon, o qual tinha apenas alguns meses de vantagem contra Marie, era o sucessor ao trono francês e uma grande oportunidade de incluir Navarre em uma das maiores potências europeias, aumentando suas riquezas, seu poder e suas fronteiras. Esta viagem seria decisiva para seu futuro, assim como o futuro de uma nação.
Infelizmente, quando entrou na cabine aveludada, descobriu que não teria nenhuma companhia para a longa, cansativa e desconfortável viagem além do cocheiro e dos guardas que acompanhariam-na a cavalo. Suas damas de companhia e melhores amigas haviam saído minutos antes em uma carruagem separada, assim podendo dar privacidade para sua Rainha.
— Ao menos poderei esticar minhas pernas. — Murmurou para si mesma, erguendo um pouco o vestido para conseguir esticar melhor seu corpo dentro da cabine onde passaria as próximas longas horas.
— E não precisará se preocupar se roncar, não é mesmo, Majestade? — Antoine entrou na carruagem, empurrando a irmã assustada indelicadamente para o lado.
— O que pensa que está fazendo aqui? — Ela cruzou os braços abaixo dos seios, abaixando suas pernas de imediato, envergonhada. — Eu achei que ficaria para controlar nossa mãe, sabe como ela toma decisões indevidas quando a nomeio regente.
— Perdoe-me, irmãzinha, mas foram ordens dela. — Ele apontou para a espada em sua cintura e sorriu, esticando as próprias pernas em cima do banco, desleixado. — Fui promovido a seu segurança particular, um guarda a mais para garantir que volte sã e salva para casa.
— Vocês dois são tão previsíveis! — A Rainha bufou, batendo duas palmas, indicando para o cocheiro que já estava liberado para partir. — Tenho certeza que Henrietta tinha tudo planejado. Provavelmente irá tentar algo com os Ingleses enquanto tem a regência em meu país e você, que só seria um empecilho, está sendo enviado para me proteger. Precisarei ser rápida em minha negociação com os Franceses, fortalecerei nossa aliança. E enviarei uma carta enviada a nossa mãe, terei que ameaçá-la se quiser salvar todos nós da guerra que ela está prestes a formar. Não deixarei que meu país seja a causa da carnifícia que seria um combate entre a França e a Inglaterra.
Toda a carruagem balançou e o som do casco dos cavalos batendo contra o chão era ouvido. O estresse no rosto da Rainha agora era estampado, principalmente ao não receber a resposta de apoio que esperava de seu irmão, tendo que aceitar uma disfarçada revirada de olhos no lugar. Se não fosse uma governante, provavelmente estaria xingando toda a sua família. Porém, como não podia perder a compostura, apenas cruzou as pernas e pegou o livro que carregava no colo, começando a lê-lo, impaciente para chegar logo ao seu destino.
A viagem fora tranquila, sem nenhuma tentativa de destruição dos rebeldes ou complicações com sua carruagem ou instalações durante a noite. Grace Höes Wittelsbach Bourbon, Rainha da França, estava prostrada a poucos metros de onde as carruagens pararam. Uma quantidade consideravelmente grande de servos pareciam prontos para descarregar as bagagens e atender as necessidades dos convidados da realeza que haviam acabado de chegar ao país. Pelo semblante sério de seus receptores, não parecia ser um dia animado ou com alguma festividade para os franceses.
A primeira porta aberta revelou as quatro belas damas, que desceram formosamente até alcançarem a grama congelada. Os saltos afundaram um pouco na terra macia, mas elas não parecera se desequilibrar. As quatro reverenciaram a Rainha francesa, que se manteve completamente inexpressiva. Seus lábios apenas sorriram quando a segunda porta fora aberta, revelando Antoine e Marie-Claire. Os trompetes começaram a tocar, revelando a presença real no castelo, e todos a reverenciavam.
— Marie, há quanto tempo! — Grace andou até a garota, ignorando todos os seus acompanhantes e a tomando em um abraço apertado. — O Rei pede perdão por não comparecer a sua chegada, ele acabou preso em uma reunião muito importante.
— Não se incomode em inventar desculpas, minha querida amiga. — A morena sorriu ao liberar sua voz sarcástica. — Eu sei que não gosta que o Rei se envolva politicamente comigo e nem que se aproxime de minhas damas. Principalmente ao se mostrar tão apaixonado...por meu país.
A feição da Rainha tornou-se assustadora, afastando-se da jovem rapidamente e de forma agressiva. Deu um passo para a esquerda, deixando o caminho livre para que os Navarrienses continuassem seu caminho para o interior do castelo, onde poderiam se instalar com grande conforto e depois seguirem para seus compromissos. Antoine parecia segurar o riso ao seguir a irmã, tanto da conversa que ouvira sem querer entre as duas Majestades, quanto para galantear as belas garotas que os seguiam. Marie-Claire parecia satisfeita, sentia um prazer inigualável ao ter confrontado a Rainha Francesa, uma inimiga criada a partir de uma antiga rixa. Elliot Bourbon havia se apaixonado por uma das damas da garota em sua primeira viagem a França, Rosalinda, a tornando sua amante oficial perante o reino. Desde então, Grace tornou-se amarga com Navarre e todos os seus moradores, desprezando sua Rainha por ter apresentado ao seu marido a garota que fora o fruto para a destruição de seu casamento.
Assim que atravessaram as portas principais, um grito ecoou pelo corredor, chamando a atenção de todas. O tecido verde esvoaçava enquanto a garota se aproximava rapidamente, de braços abertos para as amigas, as envolvendo em um abraço quando finalmente se encontraram.
— Rose, que saudades! — Disse Genevieve, a abraçando com força, fazendo a jovem amante fazer uma careta de dor. — Como você está?
— Esmagada. — Ela riu, se soltando do abraço e fazendo uma reverência a Marie-Claire. — Eu senti muito a falta de vocês. O que fazem na França?
— Com certeza não é pra ficar conversando atoa, não é mesmo, Rosalinda? — A voz masculina interrompeu a conversa antes que qualquer uma das garotas pudessem respondê-la. A antiga dama de companhia recuou, indo para o lado de seu amado. — Espero que Marie-Claire esteja pronta para discutir os benefícios de nossa aliança e que esteja pronta para reforçá-la, pois eu tenho muito o que fazer. Além de que recebi informações ligeiramente interessantes sobre o interesse de Navarre com nossos inimigos ingleses.
O silêncio tomou conta das garotas antes animadas, todas reverenciando o Rei francês. Elliot mantinha o semblante sério ao encarar as jovens, mas sorriu ao receber o cumprimento rápido de Marie-Claire. O interesse de ambos seria decidido em apenas uma conversa.
— Ele está certo. — A Rainha disse em um tom grave, virando-se para as quatro garotas. — Terei uma conversa com o saudoso e amigável Rei agora mesmo. Vocês estão dispensadas, mas acredito que nossa velha amiga poderá ajudá-las a se acomodarem no castelo.
Assim que as cinco mulheres se afastaram, sendo seguidas por uma quantidade grande de servos, Elliot começara a caminhar em direção ao exterior do castelo sem dizer uma palavra sequer. A Rainha de Navarre, contrariada, o seguiu, apressando o passo para poder ficar lado a lado com seu mais forte aliado.
— Perdoe-me pela recepção fria de minha esposa. — Ele disse assim que colocaram os pés na grama verde e coberta por neve novamente, encarando o horizonte. — Mas não é isso que importa, não é mesmo? Temos assuntos muito importantes a tratar.
— Como o meu casamento com Christophe. — Marie-Claire suspirou, observando as feições rudes do líder que estava a poucos metros de si. O homem sorriu satisfeito. — Era isso que planejava o tempo todo, não é mesmo? Suas reações sobre o contato de minha mãe com a Inglaterra não foram catastróficos porque você sabia que poderia exigir uma firmação de minha aliança com o seu país. Você sempre soube que eu nunca teria outra opção a não ser casar com seu primogênito, o próximo na linha de sucessão.
— Agradeço a Deus que você é uma garota inteligente, Vaillancourt. — Ele retirou as luvas, colocando as mãos nos bolsos do longo casaco de couro que utilizava. — Acredito que esta noite será perfeita para anunciar o noivado entre você e meu filho. Agora já pode dispensar os outros pretendentes que tinha, porque eu acabei de facilitar a sua decisão.
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