The Quarterback
22 Capítulo 21 - Um Parker incomoda muita gente, dois Parkers incomodam MUITO mais.
Notas iniciais
– O que você quer?
– Por que você não atendeu minhas ligações? Eu estava desesperado – a voz de James ao telefone soava abafada.
– Eu não vi, estava ajudando Nicholas a arrumar minha casa. – menti – Aconteceu alguma coisa?
– Aconteceu.
Um silêncio interminável se estendeu pelo telefone. Quando estava prestes a formular uma pergunta sensível e que não fizesse James explodir como um vulcão em erupção, ele soltou rapidamente a frase que tanto o atormentava.
– Meu irmão está vindo do Brasil. Chega amanhã.
Minha vontade de rir foi reprimida com esforço. Por que tanto desespero por conta de algo tão simples?
– Por que tanto desespero por conta de algo tão simples? – repeti a pergunta que ecoava em minha mente.
– Você não conhece o Jason, Noah, não conhece mesmo. Ele é infernal.
– Isso que é amor de irmão. – sorri
– Você não entende, eu estou falando sério.
– Uma vez você me disse que ele extremamente parecido com você
– E é – James parecia frustrado. – Esse é o problema. Um James já causa muito estrago, não precisamos de mais um deles.
– Vamos fazer o seguinte. Me encontra naquele café perto da universidade e podemos sentar lá para conversar com mais calma.
– Não, não quero conversar em locais públicos. Se arruma que eu passo na sua casa daqui a dez minutos.
Desliguei o telefone e subi as escadas dois degraus por vez, encabulada pelo estado emocional de James. O que poderia haver de tão ruim com a vinda de Jason Parker? Ele devia ser legal, não devia? Bom, se fosse parecido com James, nem tanto...
Meus pensamentos foram interrompidos ao chegar perto do meu quarto e ouvir gemidos vindos de seu interior. Não bastava Erin e Cory estarem transando, ainda tinham que fazer isso no meu quarto. Fui até o quarto de Cory em busca de qualquer roupa apresentável para que eu pudesse sair e achei uma calça jeans tão velha quanto a minha avó e uma blusa da seleção de basquete do Miami Heat, que era de Pitters. Peguei ambos e vesti por ali mesmo, me sentindo cada vez mais incomodada com os gemidos.
– Noah. – o grito de Jared do andar de baixo me fez despertar. – James Parker está aqui.
– Estou descendo. – me apressei ao me lembrar do episódio entre James e Jared no pátio da escola.
Ao pé da escada, podia enxergar o rosto vermelho de James e a cara de espanto dos meus dois amigos, que a essa hora deveriam estar levando uma bronca daquelas.
– James, você decidiu entrar. – minha voz tentava apaziguar o ambiente. – Como você está?
– Bem. – ele disse com a voz carregada de raiva. – O que esse moleque está fazendo aqui?
– O Jared? Bom, ele está ajudando o Nick com umas coisas. – enfatizei a palavra Nick
– Então agora ele tem livre acesso a sua casa?
– James, ele é gay. Pare de surtar. – não me contive
Jared assumiu uma vermelhidão imediata e Nicholas se pôs ao lado dele, em defesa do seu novo seja lá o que fosse.
– Me desculpe, não quis ser grosseira. – corei – Vamos James.
– Poxa cara, foi mal. Não sabia que você jogava no mesmo time do Nick.
James balançou a cabeça e saiu da casa antes de mim, segurando a porta com uma das mãos. Saí e puxei a porta às minhas costas com força, batendo-a.
– Você ficou doido?
– Desculpa, eu não sabia que ele era viado.
– Mais respeito, olha o palavreado que você está usando. Coitado do menino deve estar morrendo de vergonha.
– Deixa isso para lá e entra no carro. Temos muito que conversar.
Obedeci-o sem hesitar, e entrei na grande caminhonete que nos esperava.
– Joga na rodinha. – falei assim que sentei
– Joga na rodinha?
– É, fala, desembucha, solta o verbo, me conta que merda de errado tem seu irmão fazer uma visita.
– Vamos deixar pra conversar sobre isso quando eu soltar o volante. Como você está?
– Bem, enjoada talvez.
– Motivo?
– Erin e Cory transando na minha cama.
– Melhor queimar os lençóis depois.
– Já estava pretendendo fazer isso.
O resto do caminho foi silencioso, mas nem foi tão longo assim. Cinco minutos depois estacionamos na frente de um lindo prédio, com seis andares.
– Deixa-me adivinhar, você mora na cobertura?
– Bingo. – James recolheu as chaves do carro e abriu a porta do motorista.
Desci do veículo e senti o frio congelar meu cérebro. James segurou um dos meus braços e me conduziu para dentro, cumprimentando o porteiro que ajudara ao abrir a porta.
– Você sente muito frio. – James debochava do meu corpo trêmulo.
– Olha o seu tamanho e olha o meu. Você é uma montanha de músculos.
O elevador chegou rapidamente ao sexto andar e descemos. Não preciso dizer o quão chocada eu fiquei ao ver o apartamento maravilhoso de James Parker, novamente digno de novela. Uma grande varanda se estendia pela sala, trazendo uma luminosidade gostosa ao ambiente. Fotos de James em jogos estavam espalhadas em quadro pelas paredes. Seu pai ocupava um deles, com os braços cruzados e a expressão séria.
– Quando você vai parar de me trazer para esses lugares de tirar o fôlego?
– Quando você tiver conhecido todos os imóveis da minha família. – James deu de ombros.
– Você não acha nada demais, não é? Essa vida de luxo que você leva.
– Eu me acostumei, não acho que seja algo de luxo. E também eu não ligo para o poder aquisitivo de uma pessoa, ligo para o caráter.
– Nem sabia que você sabia o significado da palavra aquisitivo. Um ponto na minha escala, Parker.
James foi até a cozinha e abriu a geladeira.
– O que você quer beber?
– Tem refrigerante? Pode ser qualquer um.
James voltou trazendo uma lata de coca cola em uma das mãos e uma garrafa de New Castle na outra.
– Você bebe New Castle? Um fardo dessa cerveja vale mais do que a minha vida.
James riu e deu de ombros novamente. Como uma pessoa podia ter tanto e não se importar com nada?
– Vamos ao que interessa. – James se sentou e indicou um lugar para que também me sentasse
– Agora você pode jogar na rodinha.
– Não entendo de onde você tira essas gírias tão estranhas.
– Jogar na rodinha não é uma gíria estranha.
– Tem razão. É uma gíria bizarra.
– Vai continuar com a discussão ou vai jogar na rodinha?
– Jogar na rodinha parece uma boa. – James riu – O problema do Jason vir para a Inglaterra é que tudo o que ele vai fazer é querer ser melhor do que eu em tudo o que eu faço.
– E o que isso tem demais? Você sabe da sua capacidade.
– Isso envolve a minha vaga no time, na faculdade, a casa da minha mãe que agora está em minhas mãos e envolve mais uma coisa.
– Que seria...? – deixei a pergunta morrer no ar
– Você. Envolve você, Noah Collins.
– Seja mais específico.
– Ele vai querer te tirar de mim. Não é novidade, já aconteceu outras vezes. Jason sempre foi muito competitivo, mais competitivo que eu.
Peguei-me sorrindo como uma boba.
– Então esse é o problema? Medo de me perder?
– É mais uma pequena certeza, entende? Não estou dizendo que você vai me largar por ele, nem que vai ter um caso. Só que o Jason mexe muito com as mulheres.
– Você também mexe muito com as mulheres.
– Você sabe por que eu virei tão cafajeste, Noah? Porque o Jason me roubou a única mulher que eu amei minha vida toda. Foi por isso que ele foi para o Brasil. Para fugir com ela.
Fiquei sem saber o que dizer por um momento. James parecia realmente frustrado, de um jeito que eu nunca tinha visto. Isso significava que ele gostava de mim ao ponto de me comparar a única mulher que ele amou?
– James, o que você sente por mim?
– Eu gosto para caralho de você Noah, e eu não quero te perder.
– E você não vai. Eu vou ser educada com o seu irmão, tratá-lo bem, mas vou manter distância. Eu não quero outro Parker na minha vida, um já está de bom tamanho.
– Falando assim parece fácil.
– James, eu não vou te trocar. Lide com isso.
– Espero.
James se aproximou e colou nossos lábios, me fazendo sentir o gosto de cerveja. Minhas mãos deixaram a lata na mesa de centro e se uniram em torno do seu pescoço, puxando seu corpo para junto do meu. Depois de me deitar no sofá, James repousou seu corpo em cima do meu e passou a acariciar meus seios. O ar fugia dos meus pulmões com seus toques, me fazendo arfar. James segurou minha cintura e me puxou para cima, me fazendo sentar em seu colo. Com um movimento rápido, minha camisa foi arremessada do outro lado do recinto e suas mãos envolveram meus seios com desespero. Prendi seus lábios nos meus em um beijo eufórico e pressionei meu quadril contra o seu, fazendo James soltar o pequeno gemido. James estava prestes a tirar meu sutiã quando seu telefone residencial tocou.
– Deixa tocar, vai cair na caixa postal.
Prosseguimos até que uma voz muito semelhante à de James soou e ambos congelamos.
– Qual é irmãozinho, acabei chegando cedo demais à velha Inglaterra. Você pode pedir para o seu porteiro louco me liberar? Já estou aqui no seu prédio.
– Já estou indo. – James disse em voz alta para o telefone. – Se veste e se prepara para o inferno.
James saiu apressado me deixando sozinha na sala de estar, temendo meu encontro com mais um delicioso Parker.
Fale com o autor