The Quarterback
12 Capítulo 11 - Vai uma pizza?
Notas iniciais
– Que porra está acontecendo aqui?
A voz repleta de raiva nos fez parar subitamente. Meu rosto estava mais vermelho que um pimentão, ser pega numa situação como essa não era algo lá muito legal. James empurrou meu corpo para longe e se levantou, ajeitando seu cabelo emaranhado e sorrindo amarelo.
– Eu perguntei que porra está acontecendo nesse vestiário, James Parker.
Enquanto colocava minhas roupas, observava James gaguejar como uma menininha.
– Senhor treinador, é, hm... Me desculpe, é... Eu só estava... Hm... Estava...
– Vergonhoso James, simplesmente vergonhoso. O vestiário é um lugar para homens, não para agarrar putinhas quaisquer.
– Ei! – a raiva tomou conta de mim. – Olha só como fala de mim seu monte de músculos flácidos.
– E quem é você? – ele apontava o dedo na minha cara como se fosse meu pai.
– Eu sou... hãm... Nina.
– Tem certeza? Você parece meio em dúvida.
James não conseguiu conter o riso e deixou escapar uma risadinha que me fez ter vontade de cortá-lo em mil pedaços. Belisquei suas costas e dei um sorriso sem abrir a boca.
– Sim, tenho certeza.
– Ótimo. Saiam daqui agora, uma cama é melhor para terminar o que começaram.
O treinador saiu e fechou a porta à suas costas. Eu ainda estava vermelha, porém muito aliviada. Pelo menos não tinha sido pega pelo treinador também. Se isso acontece, com certeza eu estaria fora do time.
– Vamos para sua casa.
As palavras de James interromperam meu blá blá blá interno.
– Como é?
– Vamos para a sua casa agora. Precisamos terminar isso.
– Não.
– Oi?
– Não vamos para minha casa.
– O treinador ainda está por perto. – ele sorriu maliciosamente.
– Minha casa, aqui vamos nós – falei entusiasticamente, o que o fez rir.
Toda essa história de chantagem e servir talvez desse certo, até porque dar uns amassos em James não era nada mal. Não me entendam do jeito errado, não gostava dele me manipulando. Mas talvez pudesse segurar as pontas por um tempo.
O caminho para minha casa foi tenso e silencioso. Caminhávamos lado a lado, mas sem nos tocar. Lembrava-me a todo o momento da cena no vestiário e cada vez ficava mais constrangida. Como James Parker conseguia me controlar com um simples toque? Quando estava com ele, era como se eu estivesse no céu. O que é bem irônico, já que um inferno é mais apropriado para o que está acontecendo comigo. Vez ou outra nossos braços roçavam e ele pigarreava e chegava mais para longe, como se ficar perto de mim fosse um sacrifício insuportável.
– Aonde você quer chegar com isso? – perguntei olhando para o céu a minha frente.
– Eu não sei, só quero me divertir um pouco.
– E você pretende fazer isso às minhas custas?
– Não se faça de ingênua Noah – ele tinha um sorrisinho bobo nos lábios, coisa de James Parker. – Eu sei que você quer isso tanto quanto eu, afinal pra você não foi difícil ceder aos meus encantos no vestiário.
E eu ri. Ri até minha barriga doer e eu ter que sentar no meio da rua. A coisa toda simultaneamente passou a ser tão engraçada para mim que eu não consegui me controlar. Eu ria tanto que até James riu. Ria tanto que todas as pessoas que passavam por nós na rua olhavam assustados, mas não conseguiam esconder o sorriso. Meus olhos encheram-se de lágrimas e eu definitivamente chorei de tanto rir, pela primeira vez em muito tempo.
– Chega Noah, por que você está rindo tanto? – agora James também gargalhava.
– Eu... não... sei... – tentava encontrar as palavras no meio das gargalhadas.
James sentou no meio fio ao meu lado e rimos mais um pouco, até que as gargalhadas passassem a ser um riso solto e depois só um sorriso. Eu estava com a mão em um de seus braços e o outro dele estava em volta de mim, como uma capa de proteção.
– Sabe James, nós podemos fazer tudo isso dar certo.
– Você tem razão, mas não se esqueça de que eu guardo seu pequeno segredinho. – e piscou.
Tentei não deixar a raiva me levar, então me levantei e comecei a andar sem esperar por ele. Como James era estupidamente maior do que eu, suas largas passadas logo me alcançaram e ele se pôs ao meu lado. Quando chegamos a frente de minha casa, destranquei a porta e joguei minha bolsa no sofá, tentando me preparar para o que estaria por vir.
– Cory! – gritava por ele enquanto andava pela casa. – Pitters!!!
– Parece que a casa está vazia. – James tinha aquele sorriso convencido no rosto novamente.
Precisava de tempo. Não queria nada com James agora, até porque não queria correr o risco de me apaixonar. Ou ficar grávida. Ou pegar sífilis!
– Com fome? – peguei o telefone e disquei o número da pizzaria.
Após três toques, uma moça com a voz fanha atendeu.
– Boa noite, quero uma pizza gigante metade calabresa e metade – olhei para James que fez com os lábios a palavra ‘’queijo’’ – e metade quatro queijos. Rápido por favor, duas crianças subnitridas precisam de uma boa pizza.
Desliguei o telefone de costas para James e fui até a cozinha, onde peguei duas cervejas e lhe entreguei uma.
– Não sabia que você gostava de cervejas.
– Qual é James, eu jogo num time de futebol americano com vários caras musculosos e eles me batem como se eu fosse um deles. O que você esperava de mim?
James ficou vermelho de repente.
– O que foi? – comecei a ficar preocupada.
– Lembrei que também bati em você várias vezes durante os jogos. Desculpe-me, eu não sabia que você tinha isso. – disse ele fazendo um gesto em si mesmo indicando os seios.
– Tudo bem, não é sua culpa. – dei uma risadinha tímida.
– Então quer dizer que você e Cory não têm nada mesmo? Quer dizer, vocês não...?
– Não, Cory está com uma garota qualquer e tudo o que eu quero é passar longe de confusão. – fiz minha típica cara de nojo. – Além do mais, a garota é feia e azar o dele.
James riu e por um segundo vi doçura no seu olhar.
– O burro é ele de te trocar por ela, ele nem sabe o que perde.
Olhei para James e sorri de orelha a orelha, porque pela primeira vez em muito tempo ele estava sendo um cara legal comigo.
– Obrigada James, de verdade.
Ding dong.
– Campainha de merda, sempre tocando nos piores momentos. – ouvi James falar baixinho enquanto eu ia até a porta.
Quando a abri, dei de cara com um homem de uns dois metros que usava dreads e tinha uma cara totalmente suspeita, mas ao sorrir foi como se ele virasse um bichinho de pelúcia.
– Boa noite senhorita. – ele tinha um sotaque que não consegui identificar. – Dá vinte e quatro e noventa e cinco.
Quando coloquei a mão no bolso procurando pelo meu dinheiro, James apareceu e estendeu o braço para dar ao entregador o dinheiro.
– Valeu cara. – o cara de dreads falou e nos entregou a pizza.
– Ei, — chamei-o quando ele estava subindo na moto. – Adorei os dreads.
Fechei a porta e olhei diretamente para James, que estava distraído observando a televisão.
– Você não precisava pagar pela pizza.
– É o mínimo que eu posso fazer, não pense que minha mãe criou um marmanjo sem educação.
Isso me fez sorrir. James Parker na verdade era um cavalheiro, poderia dizer até que era sensível. O que está acontecendo? Eu... Eu não posso me sentir assim, James é o inimigo!
Parker pegou a caixa das minhas mãos e abriu-a na mesinha de centro, sentando no pequeno espaço disponível no sofá lotado de coisas. Sentei-me no chão e logo ele fez o mesmo, ficando ao meu lado.
Comemos a pizza toda num tempo recorde, e no final sobrou apenas um pedaço. James olhou para mim, eu olhei para James. E então aconteceu muito rápido. James pegou o último pedaço de pizza e enfiou mais da metade na boca, rindo enquanto mastigava.
– Tudo bem, eu nem queria mesmo. – dei de ombros me fazendo de dissimulada.
– Toma.
Ele estendeu a mão com um pedaço pequeno de pizza até a minha boca e eu o mordi, encarando James nos olhos. Enquanto mastigava o que viria a ser o melhor pedaço de pizza de todos, James pegou o que sobrou em sua mão e comeu.
– Você não é tão acéfalo como pensei que fosse. – disse enquanto limpava a boca com um guardanapo.
– E você não é idiota como pensei que fosse.
– Isso pode dar certo.
– É, pode. – James veio em minha direção e me deu um beijo calmo.
Desfiz-me do beijo e levei a caixa de pizza até a cozinha. Quando voltei, James não estava mais na sala. Subi as escadas imaginando onde o encontraria, mas quando entrei no meu quarto ele não estava lá também.
Passei pelo quarto de Cory e ouvi ruídos e risadas, e ao abrir a porta me deparei com James sem camisa deitado no tapete. Na sua mão tinha uma manete de videogame. Ótimo, pensei comigo mesma, trocada por um videogame. Ao seu lado, Cory usava os mesmos trajes, ou a falta deles, ele falava alto enquanto segurava a outra manete.
– E aí Noah, entra aí... – ao terminar a frase o rosto de Cory se assumiu completamente roxo. – Ahn, quer dizer, entra ai Nina.
Minha vontade era de rir muito e contar tudo o que acontecera a Cory, mas o olhar claro de James de faça silêncio me impediu de contar.
– É Nina, entra aí. – ele fingiu de propósito não reparar o que Cory falou, e este suspirou aliviado.
Entrei e deitei na cama de Cory, prestando atenção apenas nos primeiros cinco minutos de jogo. Logo meus olhos ficaram extremamente pesados e me rendi ao sono certa de que acordaria logo.
As risadas abafadas seguidas pelo barulho de uma pancada no armário me fizeram abrir os olhos. James e Cory estavam de pé, James um pouco curvado por ter batido a perna no armário. Os dois poupavam risadas enquanto olhavam para mim, com maquiagem e chantilly nas mãos. Filhos de uma égua desalmada.
Sem falar nada, me levantei e fui até o espelho, e o que vi me fez pular de susto. Os dois mosqueteiros haviam pintado toda a minha cara e coberto meu cabelo com chantilly.
– CORY PITTERS – minha voz estava estridente. – JAMES PARKER! Como ousam fazer isso comigo?
Mas ao entrar de novo no campo de visão dos dois, as risadas explodiram. Cory se deitou no chão para rir enquanto se contorcia, e James estava apoiando no armário rindo igualmente escandaloso. Não resisti e comecei a rir também, lembrando-me da imagem bizarra que tinha visto no espelho.
– Quantos anos vocês tem? – disse em meio às gargalhadas. – Cinco?
Saí do quarto e fui até o banheiro, onde liguei o chuveiro para tomar uma longa ducha. Quando olhei meu reflexo novamente no espelho, dei uma risada sem graça e me despi. A água morna ajustou meus pensamentos e esqueci-me desse episódio hilário/desastroso. Pelo visto James Parker não era aquilo tudo que eu achei que fosse.
Ao terminar o banho, percebi que novamente (como sempre, vocês podem perceber) esqueci minha toalha. Não me aventuraria a ir ao quarto novamente depois do episodio passado com Cory.
– Cory. – gritava da porta do banheiro. – James. Alguém ai?
Nenhum ruído. Eles estão querendo me pregar uma peça novamente. Peguei a toalha de enxugar o rosto, e ela era minúscula, diga-se de passagem, e fui andando até o quarto sorrateiramente. A toalha mal me cobria, mas dava para disfarçar. Quando entrei no quarto, olhei embaixo da cama e em outros possíveis esconderijos. Realmente estava tudo vazio.
Coloquei uma roupa qualquer e penteei meus longos cabelos sem cuidado nenhum, abri a porta e fui até o quarto de Cory. Estava vazio, o videogame ainda ligado. Desci as escadas e fui parar na sala, onde tudo estava deserto também. Na cozinha a mesma coisa. Já estava me assustando quando ouvi vozes vindas do meu cômodo preferido. A sala de jogos vulgo lugar de não fazer nada estava inundada de vozes femininas sensuais e risadas masculinas.
Com medo do que fosse encontrar, andei até a porta o mais silenciosamente possível e puxei a maçaneta de leve. Esta se abriu sem nenhum ruído, e fui adentrando igualmente silenciosa. Olhei para a mesa de sinuca recém-comprada por Cory e vi duas mulheres sentadas nela, uma em cada canto, enquanto Cory e James davam um trato em ambas. Se é que você me entende. O nojo tomou conta de mim e percebi que realmente não podia confiar em James. O que eu esperava? Que ele fosse exclusivo e nos casássemos e fossemos morar em um castelo? Tola.
Estava fechando a porta quando tropecei em uma maldita lata de lixo e o barulho estrondoso que se seguiu fez todos eles olharem para mim de olhos arregalados. Fechei a porta rápido e segui para o meu quarto mais rápido ainda, enquanto ouvia James fechando a porta da sala de jogos e seguindo atrás de mim.
– Noah... Noah porra, espera. – ele me alcançou e puxou o meu braço.
– O que foi? Não quero atrapalhar a diversão de vocês. – disse com um sorriso cínico.
– Você realmente não pensou que eu seria seu, ou pensou? Eu estou te usando para diversão, e apenas isso. Você não entendeu o jogo. Eu mando, você obedece. E assim vai ser até eu me cansar e contar tudo para o treinador.
– O que deu em você? – afastei meu braço e fui andando para o quarto sem olhar para trás.
Fechei a porta e sentei na minha cama, a raiva transbordando. O que são isso nos meus olhos? Lágrimas? Mas Noah Collins nunca chora, nem mesmo por um garoto.
Meu celular apitou e eu fui checar. Uma nova mensagem daquele mesmo número desconhecido.
‘’Você é maravilhosa, não deixe que te digam o contrário”
Sorri ao fechar o visor.
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