The Proposal: Swan Queen
5 Uma surpresa para Regina
Notas iniciais
Não muito tempo após de adormecer, Emma foi rudemente despertada pelo som de um celular tocando, ela sabia que não era o dela, só podia ser o de Regina. Numa última tentativa de continuar dormindo ela colocou o travesseiro sobre sua cabeça na tentativa de abafar o ruído, o que pareceu ser inútil, o som parecia estar mais alto, suspirando ela abriu seus olhos verdes que se ajustaram lentamente a escuridão do quarto, ela avistou a silhueta de sua chefe curvada ao lado da cama, ela não podia negar que era uma bela visão, mas mesmo assim ela ainda estava irritada por ter sido acordada pelo maldito aparelho.
– Onde está? Onde está? – Regina resmungou procurando o celular.
– Está na sua bolsa, Regina – a voz dela ainda estava rouca, o tom de irritação era evidente.
A morena circundou a cama e se inclinou procurando sua bolsa enquanto Emma a assistia, quando a morena finalmente encontrou o aparelho, ela olhou a tela, querendo saber quem estava lhe telefonando tão cedo, na tela de seu iphone, ela viu o nome “Archie”.
– Apenas desligue isso de uma vez – disse Emma colocando as cobertas sobre a cabeça.
Regina revirou os olhos em resposta e atendeu a ligação.
– Alô? – ela não conseguia escutar o escritor do outro lado da linha – Alô? – ela falou mais alto.
Emma atirou os cobertores e reclamou – Eu estou aqui tentando dormir, mulher!
Regina a ignorou – Archie?
– Regina!
A morena suspirou e vestiu seu robe e saiu do quarto ainda com o telefone grudado na orelha.
Emma então pode finalmente dormir e continuar sonhando que era um cavaleiro em busca de uma bela rainha de cabelos castanhos e olhos castanho chocolate.
_______________________________________________________________________
Conforme Regina ia para a varanda ela ficou satisfeita em perceber que a recepção do sinal tinha ficado melhor, ela estava tão distraída que não notou o pequeno filhote de dálmata a seguindo pela porta que ela deixou aberta.
Pongo, era o cachorro da casa, tinha sido resgatado de um abrigo para animais, ele era um animal dócil, mas não parecia ter se dado muito bem com a morena.
Regina escutava todas as inseguranças do escritor quando ela olhou para uma árvore e viu uma águia pousada no galho, ao mesmo tempo em que o filhote aparecia em cena e começava a latir.
– Cachorro, eu estou no telefone! – ela resmungou e viu a águia levantando voou se aproximando do filhote.
Então ela se lembrou do que Nina tinha dito.
– Oh não! — a vovó tinha alertado que a águia ia pegar o cachorro, só agora ela percebeu que a mais velha tinha razão.
– Você não acha que eu vou me dar bem na entrevista da Oprah? – a voz do outro lado da linha chamou a atenção dela.
– Archie, você pode esperar só um... Droga!
Ela não pode impedir a águia de pegar o pequeno animal em suas garras – Não, não – ela correu, ela sabia que precisava agir rápido, ela então olhou para o telefone e sem pensar ela jogou na águia que soltou o cachorro que caiu em seus braços.
Ela suspirou aliviada com o cachorro nos braços – Archie? Me desculpa, eu...
Ela olhou para o céu de novo a águia estava voando na direção dela, então a morena correu com o filhote em um braço e o telefone na mão, o pássaro alcançou ela, a morena levantou a mão que estava segurando o telefone.
Ela suspirou aliviada quando viu que a ave estava se afastando, mas só então ela percebeu que o pássaro estava levantando voou com seu iphone nas garras – Não, não – ela levantou o pequeno animal oferecendo ele a águia – Pega ele, pega o cachorro!
O animal desapareceu no céu enquanto Regina ainda tentava inutilmente fazer a troca, o cachorro pelo telefone, ela olhou para o filhote que estava com a língua de lado e parecia estar sorrindo, Regina então imaginou que ele tinha entendido o que tinha acabado de acontecer e estava rindo dela.
– Bola de pelos!
Um latido foi a resposta.
Ela continuou com o pequeno animal nos braços enquanto olhava para o céu desiludida, em luto pelo aparelho perdido. A morena não sabia que estava sendo assistida por Mary e Nina.
– Ela tem jeito com animais – Mary comentou quando viu a morena “brincando“ com Pongo.
– Eu achei que esse cachorro odiava ela – Nina comentou – Ele late só de ouvir o nome Regina.
Emma sorriu se aproximando das duas, com uma caneca de chocolate quente com canela na mão.
– Bom dia, vocês viram a... – ela perguntou se aproximando da janela e viu Regina e Pongo, a loira não pode evitar o sorriso que se formou em seus lábios.
– Emma, vai lá e avisa a sua noiva que nós vamos sair, nós planejamos um dia inteiro com ela e ela precisa se arrumar!
– Tudo bem, nana.
– Diga que temos uma grande surpresa para ela – Mary acrescentou.
Emma deixou a caneca de lado, abriu a porta e foi ao encontro de sua noiva.
– Regina – ela disse ao se aproximar, Pongo latiu em resposta e saiu correndo para dentro da casa.
– Emma a águia!
– O quê?
– A águia, ela tentou pegar o cachorro, dai eu salvei o cachorro só que ela pegou meu telefone, Emma você precisa encontrar a águia e pegar meu telefone de volta – ela falou sem pausas para respirar enquanto Emma olhava para ela confusa – Você pode usar o cachorro com moeda de troca, cadê ele?
– Você está bêbada? – Emma perguntou sorrindo e Regina revirou os olhos – A essa hora? Regina eu acho que você tem um problema com a bebida.
– Emma, é sério eu perdi meu telefone, Archie vai ligar para ele e... – ela continuou resmungando.
– Tudo bem, a gente compra um novo telefone com o mesmo número – Emma falou e isso pareceu acalmar a morena.
– Tá bom – ela respondeu.
– Agora, você precisa se arrumar, você vai sair com a mamãe e as garotas – Emma disse com um sorriso, Regina não parecia nenhum pouco empolgada com a ideia.
– Eu não quero ir!
– Fazer compras, olhar a paisagem e tem uma surpresa!
– Você sabe que eu odeio surpresas!
– Você vai adorar!
– Eu vou odiar!
– Você vai!
– E por que você não vai? – Regina perguntou avançando no espaço pessoal dela com os braços cruzados.
– Está brincando? Eu odeio fazer compras, e sabe Deus o que minha vó e minha mãe planejaram para você, sem chance!
– E eu preciso ir?
– Sim, Regina, você vai.
– Eu não vou!
– Vai sim, agora vem cá – ela envolveu a cintura da morena e a puxou para os seus braços, os lábios de Emma se pressionaram contra os dela por um momento, o beijo terminou tão rápido como começou, as duas se afastaram e trocaram um olhar.
– Você sabe, nós não podíamos deixar elas pensarem que estávamos brigando – Emma quebrou o silêncio.
– E você precisa me beijar por causa disso? O que voc- ela não concluiu a frase por que a boca de Emma encontrou a dela novamente efetivamente a calando, o beijo dessa vez foi mais demorado, apesar de resistir a principio Regina retribuiu o beijo na mesma intensidade que ela estava recebendo, as mãos de Emma fizeram o caminho da cintura até a bunda da morena.
Regina então pareceu voltar a si – Tire sua mão agora se ainda pretende continuar com ela – ela ameaçou com uma voz baixa e perigosa.
Emma tirou a mão com um sorriso malicioso nos lábios, a sua respiração ainda estava descompassada, aquele beijo a deixou querendo mais, com uma rápida olhada para Regina a loira imaginou que ela sentia o mesmo, os olhos castanhos estavam visivelmente escurecidos.
Ela estendeu a mão para Regina que a pegou e as duas caminharam de volta para a casa, dando bom dia as duas mulheres que as assistiam, o casal feliz foi de mãos dadas até o quarto, onde Regina precisava se arrumar para o passeio e a surpresa que ela tanto temia.
_____________________________________________________________________________
Essa foi a segunda vez que Regina desejou abandonar toda essa farsa e voltar para o Canadá, mas novamente, não foi a última.
Ela sempre adorou fazer compras e não podia negar que a mãe e a avó de Emma eram simpáticas e estavam fazendo tudo para que ela se sentisse bem, ao pensar nisso ela sentiu um aperto no coração, ela mal podia se lembrar da última vez que alguém tinha se preocupado com ela.
Qualquer afeição que começava a crescer pelas duas mulheres foi extinta quando as luzes do lugar onde elas estavam se apagaram e seus olhos se fixaram no palco em busca do dito maior tesouro de Sitika.
O lugar estava escuro exceto pela luz que iluminava a cadeira que estava no centro do palco, Regina então percebeu do que aquilo se tratava, aparentemente sua sogra e a mãe dela tinham planejado uma despedida de solteira para ela, enquanto esperava o que apareceria atrás daquela cortina Regina imaginou que até morrer seria melhor do que estava por vir, poucos segundos depois, ela viu que estava certa.
A música começou a tocar, quando a luz se fixou acima do palco onde estava um homem de cabelos claros e olhos azuis, seu bronzeado era anormal para uma pessoa com a pele clara como a dele, olhando mais fixamente Regina o reconheceu, ele tinha sido um dos garçons da festa de boas vindas.
Ao redor dela as mulheres aplaudiam, assobiavam com a aparição dele, Regina momentaneamente imaginou o que havia de errado com elas.
O loiro bronzeado desceu até o palco e começou a dançar.
– O Whale é o único dançarino exótico dessa ilha – Belle que estava do lado da mãe de Emma comentou.
– Whale! – as mulheres gritavam empolgadas.
Então ele arrancou a frente de sua camisa expondo seu peitoral cabeludo, Regina virou o rosto.
– Você vai perder o show – disse a vovó que era uma das mais empolgadas da turma.
Ele jogou a camisa que caiu no colo de Regina, os olhos da morena se arregalaram enquanto ela se livrava da peça.
– Ele quer que fique com você! – A vovó entregou a camisa suada de volta para Regina, naquele momento a morena desejou mais uma vez desistir de tudo, mas aquela ainda não seria a ultima vez.
Nina segurou várias notas e chamou Victor para a mesa delas, Regina assistiu abismada a vovó de noventa anos colocando as notas dentro da calça de Whale e mal registrou Mary colocando um véu de noiva sobre sua cabeça.
Então Whale estava chamando por ela – Oh Deus, faça isso parar – ela sussurrou enquanto o homem peludo com a pele brilhando a óleo de coco continuava chamando por ela.
– Vai lá Regina – Nina incentivou com um sorriso.
– Vamos Regina!
– Eu não... – ela suspirou, sabia que não tinha jeito, com uma expressão nada feliz ela pegou a mão de Whale enquanto imaginava todas as formas que ia fazer Emma pagar por isso.
Ela foi levada ao centro do palco e ficou estática e horrorizada enquanto Whale fazia sua dança exótica ao redor dela, ela foi guiada a se sentar e assistir Whale arrancar a calça e exibir suas pernas peludas e sua tanguinha minúscula de oncinha, ela desejou que um buraco se abrisse no chão e a tirasse dali, até mesmo que uma nave espacial aparecesse e a abduzisse, ela não se importava.
A dança continuava, Regina assistia Whale rebolando e fazendo movimentos “ sensuais” para ela, Whale pegou a mão dela e a colocou na boca, o rosto de Regina se contorceu em desgosto enquanto imaginava o quantos banhos de álcool ela precisava tomar para se livrar do cheiro do óleo de coco do Whale.
Justamente quando ela achava que aquela situação não poderia piorar, sua sogra e a mãe dela e as outras meninas da mesa estavam insistindo para que ela desse um tapinha na bunda de Whale.
– Oh Deus, o que eu fiz para merecer isso? – pensando mais uma vez em voltar para o Canadá ela deu um tapinha na bunda dele e afastou sua mão rapidamente.
– Já posso descer? – ela saiu do palco, e ao invés de voltar para a mesa ela foi para a porta que dava acesso a varanda, ela precisava respirar um ar que não estivesse contaminado pelo cheiro de óleo de coco.
Ela tirou o véu da cabeça e suspirou olhando a vista.
– Oi – Belle se aproximou dela – Então, você gostou?
– Gostei sim – Regina forçou um sorriso.
– Eu entendo às vezes os Swans exageram um pouco – a mais nova sorriu para ela.
Elas continuaram conversando até que o assunto Emma Swan surgiu, Regina então percebeu o quanto a relação de Belle e Emma tinha sido séria, que namoraram por muito tempo, que a loira tinha pedido ela em casamento e explicou por que elas tinham terminado, Emma queria fugir conhecer o mundo, Belle queria continuar naquela cidade onde ela era conhecida e conhecia todo mundo.
– Você tem muita sorte, a Emma é a melhor pessoa que eu conheço – Belle falou sem olhar para ela – Você provavelmente já sabe disso, não é?
Os olhos de Regina se fixaram no horizonte, o castanho de seus olhos estava mais claro e suave, quase um chocolate derretido, ela não precisava ouvir isso de Belle, ela sabia que Emma era uma boa pessoa, ela sabia que a loira estava arriscando tudo por ela.
– Ela é sim, não sei o que fiz para merecer alguém como ela – Regina respondeu.
– Ela te ama, dá para notar pelo jeito que ela olha para você, ela costumava me olhar assim – Belle disse com um sorriso – Então eu desejo felicidades para vocês.
– Obrigada – Regina respondeu, a mais nova sorriu para ela e a deixou sozinha, Regina fechou os olhos, e tudo que ela via era Emma em sua memória, seu sorriso enorme, seus cachos loiros e os olhos verdes que pareciam pedras preciosas, ela abriu seus olhos, mas o conflito interior continuava, ela sabia que não deveria se sentir assim em tão pouco tempo, foram raras as vezes na sua vida que ela se permitiu sentir e foi machucada cada uma delas, ela suspirou e voltou para a casa e por mais que ela tentasse esquecer seus pensamentos estavam focados em Emma o tempo inteiro e as palavras de Belle se repassavam várias vezes na sua mente enquanto ela imaginava se a loira se podia um dia ama-la.
– Regina? Está tudo bem? – Nina perguntou, a morena sentiu um aperto no coração, nenhum pouco habituada a ter alguém que se preocupe com ela.
– Sim, estou bem – ela sorriu apesar de tudo e viu seu sorriso ser retribuído pela mais velha.
– Regina, você precisa beber isso – ela ofereceu o drink a morena que sorriu o aceitando, Mary e Nina agiam como se ela fosse parte da família, e pela primeira vez em muitos anos Regina imaginou com seria ter uma família novamente.
Fale com o autor