The Prophecy

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Heey! Ia postar só amanhã mas resolvi postar hoje...

Thalia não trocou uma palavra comigo. Aquilo me magoou, afinal eu ficara três dias ao lado dela, ansiosa para que ela acordasse. Não ligava para nenhum sonho ou profecia, ligava apenas para ela.

Estávamos indo em direção da Casa Grande, ela mal tinha acordado e a notícia se espalhou pelo Acampamento, então Quirón convocara uma reunião para explicações do que tinha acontecido.

Thalia se sentou ao meu lado, tentei várias vezes iniciar uma conversa, mas não obtive resposta. Ela estava com o olhar distante, como se nem prestasse atenção ao o que ocorria a sua volta.

Os presentes na reunião eram os mesmos daquela noite, tirando o fato de um irmão de Annabeth estar presente agora, mas ele se isolou de todos nós, ficando quieto num canto então não dei muita importância a presença dele. Aparentemente não queriam fazer alarde com a situação então não convocaram os conselheiros de todos os chalés.

Todos esperavam que Thalia começasse a dizer algo, Quirón declarou a reunião aberta oficialmente e ela suspirou.

– Eu passei três dias em coma. Querem mesmo discutir a causa disso logo agora? – ela resmungou parecendo mau humorada

– O que quer dizer com isso? – Percy perguntou

– Que preciso descansar.

– Três dias apagada não foram o suficiente? – Clarisse rebateu

– Sabe o que quis dizer. – Thalia murmurou – Só quero organizar meus pensamentos.

Todos olharam para Quirón em busca da resposta final.

– Pode ir descansar, Thalia. Mas não podemos adiar essa reunião, hoje a noite a quero todos aqui, após o jantar. – ele disse e todos assentiram

Thalia se levantou num salto e praticamente correu para sair da Casa Grande. Eu a segui, ela tomava o caminho em direção aos chalés.

Queria tocá-la, abraça-la, beija-la. Mas ela nem olhava para mim. Isso só aumentava em mais a sensação ruim.

Quando finalmente percebeu que alguém a seguia ela se virou, sua expressão estava séria.

– Mais tarde, Rachel, agora não estou com cabeça para conversar.

– Mas...

– Mais tarde. – ela repetiu e seguiu para o chalé de Zeus com passos firmes e determinados

Mesenti mais desanimada ainda. Ela não queria a minha presença, eu queria tanto cuidar dela, acalma-la e agora ela não deixava.

Olhei ao redor e alguns campistas me observavam, principalmente alguns filhos de Afrodite que devem ter percebido a mágoa que estava em mim.

Me virei sem rumo e corri para o primeiro lugar que passou pela minha cabeça. Atravessei a floresta tropeçando em alguns galhos, e até caindo algumas vezes. Tentava esvaziar a minha mente, mas isso era impossível devido aos fatos ocorridos recentemente.

Somente parei de correr quando cheguei numa pequena clareira. O local continuava o mesmo, as mesmas ruínas e a mesma fonte em homenagem a Eros. Me sentei em um dos bancos me lembrando do dia que estive ali com Thalia, onde nos declaramos uma para a outra.

Por que ela estava agindo dessa forma estranha? Entendo o fato de ela não querer compartilhar o que aconteceu, mas e eu? Ela nunca escondia nada de mim. Era sua ouvinte, melhor amiga... Namorada. Ela não confiava em mim o suficiente? Se fosse isso, era quase impossível nos darmos bem, confiança era essencial num relacionamento.

Esses pensamentos só aumentaram ainda mais a agonia que eu estava sentindo, lutei contra aquilo desde o momento que ela ignorou quando acordou. Mas agora eu estava sozinha, então deixei que um grito de desespero passasse por meus lábios e desabei em choro.

Soluçava como se isso pudesse afastar todos os problemas, meu corpo tremia a cada onda de lágrimas.

A insegurança dentro de mim só aumentava. Sentia medo. E arrependimento, por não ter alertado alguém sobre o meu sonho antes... Ah como eu queria ter analisado esse sonho para poder entendê-lo.

Chorei até conseguir me acalmar, estava desolada. Abracei meus joelhos e fiquei pensando no que havia ocorrido. Essa preocupação não iria me deixar.

O sol estava alto no céu. Devia ser meio dia ou mais, não sentia fome então resolvi não retornar para almoçar.

Perdi a noção do tempo, eu precisava disso para organizar as idéias na minha mente.

– Sabia que estaria aqui. – uma voz feminina me despertou do meu transe

Encarei a dona dela. Thalia estava próxima as árvores e resolveu se aproximar, atravessando a pequena clareira. Vestia uma roupa diferente da que estava pela manhã, estava com a tradicional camiseta de banda, um jeans azul marinho e tênis de cano médio. Mesmo estando magoada não pude deixar de notar no quanto ela ficava linda vestida daquele jeito.

– Rachel eu... – ela começou, erguendo o olhar para me encarar, mas parou assim que viu minha expressão – Você chorou?

Não respondi e desviei meu olhar. Então ela iria agir normalmente?

– Amor... – Thalia me chamou mais uma vez e se sentou no banco, consequentemente na minha frente porque eu estava com os pés no banco – Você teve alguma visão ou profecia?

Continuei com os olhos fixos no nada. Ela sabia que não era aquilo.

– Está brava comigo? – ela perguntou mudando o tom de voz para um mais carinhoso

Era golpe baixo, eu não conseguia ficar brava com ela.

– Por que quando você acordou hoje nem se importou comigo? Você simplesmente acordou. Não disse nada, nenhuma palavra carinhosa, nem um “está tudo bem, foi só um susto”. Thalia você tem ideia do estado que você chegou aqui naquele dia? – não tinha percebido, mas eu já tinha voltado a chorar – Do quanto me deixou preocupada? Você chegou aqui como se tivesse visto a coisa mais assustadora do mundo e entra em coma por três dias. Thalia durante todo o tempo eu não saí do teu lado, pode perguntar aos outros. Eu estava preocupada, só queria que você acordasse. Queria cuidar de você...

– Rachel...

– Mas você acordou e não expressou absolutamente nada. Quando fui atrás de você, praticamente disse que não queria a minha presença. Quando tudo o que eu mais queria era ficar ao seu lado e...

Parei de falar quando senti o corpo dela contra o meu. Me puxando para mais perto, como se quisesse que eu me unisse a ela.

Deixei que ela me abraçasse e escondi o meu rosto no pescoço dela, inalando seu perfume.

– Desculpa. – ela sussurrou, senti a sinceridade na voz dela – Eu sou uma idiota... Ah, meu amor, me desculpa.

Passei meus braços pela cintura dela, a abraçando também. Não respondi, não era necessário, ela sabia a resposta. Depois de alguns minutos ela aliviou o aperto e se afastou o suficiente para unir os nossos lábios.

Um beijo calmo, demonstrei nele todo o amor que sentia por ela. Foram apenas três dias sem ela, mas sentia uma saudade enorme, aquilo me torturava. Thalia nos afastou um pouco, mas eu retomei o beijo, ela sorriu entre o beijo e retribuiu da mesma forma.

Só nos separei quando foi necessário respirar.

– Nunca, nunca mais suma assim do nada sem dar uma explicação pra alguém. Não deixou só eu preocupada, mas grande parte de seus amigos também.

– Desculpa... Eu só estava tentando... – ela interrompeu a frase e balançou a cabeça como se tentasse esquecer o tinha na mente dela – Eu não quero falar sobre isso agora.

Levei minha mão até o rosto dela e a acariciei, fechando os olhos ela suspirou. A puxei e dei um beijo na testa dela.

– Tem certeza?

– Sim, mais tarde você vai saber.

Ela suspirou e voltou a se aconchegar no banco. Thalia acabou deitando sobre ele, apoiando a cabeça no meu colo. Comecei a passar a mão pelo cabelo curto dela, que fechou os olhos apreciando o carinho.

– Posso só perguntar uma coisa? – ela resmungou em resposta e decidi prosseguir – Tem algo haver com o meu sonho? Você sabe qual...

Ela não respondeu, mordeu o lábio e hesitou, já imaginava qual seria a resposta.

– Acho que o seu sonho foi uma previsão...

Thalia deixou a frase morrer, fiquei tensa e ela percebeu isso, sua mão procurou a minha e as entrelaçamos.

– O que está acontecendo? – sussurrei

– Algo muito ruim Rachel... E isso podia ser evitado! Eu tinha que evitar! Mas não fui forte o suficiente, eu fui muito burra! Eu piorei tudo... – ela parou de falar, senti a raiva dela na voz

O corpo dela irradiou uma espécie de energia, o que acontecia quando ela perdia o controle. Mas ela respirou fundo e a energia diminuiu, ela estava conseguindo se controlar.

Não compreendi o que ela disse, mas não queria que ela se irritasse de novo e decidi que seria melhor ouvir toda a história com os outros.

– Eu estou com você. Estamos juntas nessa, amor. – disse e voltei a mexer no cabelo dela

Thalia continuou de olhos fechados, mas agora sua expressão estava tensa. Não consegui identificar se ela estava com medo ou apenas irritada. Decidi esconder a confusão de sentimentos que me assolavam e tentei transmitir tranquilidade para ela.

Não me importava com o perigo desde que ela estivesse comigo.

Notas finais
E aí, estão gostando? Comentem, quero saber o que estão achando.