The Prophecy
19 Capítulo 19
Notas iniciais
– Annabeth perguntou se não era bom nos dividirmos entre os prédios... – disse para Will
– Não, nosso número diminuiria e nos tornaríamos alvos fáceis. Temos arqueiros com flechas de longo alcance, acho que conseguimos cobrir toda a área de batalha. – Will respondeu
Assenti mantendo o meu posto. Estávamos a uma altura de um prédio de três andares, tinha uma visão ampla de todo o local, os semideuses se aglomeravam nos corredores entre os prédios, formando uma linha de defesa no Acampamento, o gramado na nossa frente estava vazio, imaginava que outras equipes ocupariam aquele espaço durante a batalha. Dali de cima, pude ver as ruínas do muro que antes cercava o Acampamento, fora destruído no ataque de ontem, então entendi que aquele gramado que era o nosso campo de batalhava ficava fora dos limites do Acampamento.
O medo percorria meu corpo, esses acontecimentos foram muito rápidos, estávamos perdidos. Os deuses interfeririam? Ou deixariam nós lutarmos até perdemos?
Meu estômago roncou, quando foi a última vez que fiz uma refeição descente? Acho que há mais de vinte e quatros horas. O local da minha cicatriz no meu abdômen queimava, aquilo era um mal sinal?
– Você está bem? Parece que vai desmaiar a qualquer momento. – a garota ao meu lado perguntou, era uma semideusa romana, não a conhecia, mas carregava um sorriso amistoso
– Estou bem. Acho que a fome está me afetando. – respondi
– Entendo. Pega aqui... – ela me passou uma barra de cereal que tirou do bolso do jeans – Um filho de Hermes conseguiu atacar o depósito de alimento e distraiu os Lares. Eles queriam diminuir a quantidade de comida para nós.
Aceitei a barra e agradeci, depois de tanta briga entre os Acampamentos era bom ver gregos e romanos unidos, como se fossem um Acampamento só. Eu estava bem no meio da amurada frontal, na esquerda ouvia os comandos que Clarisse gritava para suas tropas, mas não conseguia ver a filha de Ares.
Annabeth estava na frente do prédio, apontava o gramado na nossa frente e conversava com um semideus romano, como se estivesse passando ordens a ele. Uma tropa de semideuses saiu do corredor e se posicionaram no gramado, era um grupo pequeno se for levar em consideração a grandeza do local.
Saí do meu posto e fui para o lado esquerdo da amurada, procurando uma semideusa na multidão, Will me seguiu, como se estivesse procurando alguém também. Encontrei uma armadura dourada e um manto roxo na multidão, era Reyna, atrás dela estava Jason, que era seguido por Thalia. Tive que me controlar para não descer daquele prédio e ir abraçá-la
Mesmo aquela distância pude ver que estava linda. Vestia uma armadura preta com alguns detalhes em azul, realçando sua pele e seus olhos. O cabelo estava bagunçado como sempre, ela carregava um semblante sério e parecia estar preocupada demais para notar os detalhes a sua volta. Só notei que Jason me olhava quando ele se virou para sussurrar algo no ouvido da irmã, Thalia nem disfarçou, olhou na minha direção imediatamente.
Nossos olhares se cruzaram, sua expressão suavizou ao me ver, mas ela não sorriu, permaneceu séria.
– Conseguiu encontrar quem queria? – perguntei para WIll, mas permaneci olhando na direção da filha de Zeus
– Não. Acho que ele não está aqui. – ele respondeu desanimado
– Vamos voltar para o nosso posto, já achei quem eu queria. – disse e quebrei aquela conexão, enquanto caminhava, olhei para trás, a tempo de ver Thalia desviar o olhar com uma expressão profundamente magoada
Voltei para o nosso posto, Will continuou procurando alguém, agora a frente do prédio tinha mais semideuses ali no campo de batalha, vi Reyna, Jason e Thalia ali na frente, Percy se juntou a eles. Iriam liderar a luta, me preocupei com Thalia, ela estaria de cabeça quente pelo modo que eu estava agindo, torcia para que ela não fizesse nenhuma besteira.
– Temos pouca gente. – a garota ao meu lado disse e Will perguntou
– Já foi difícil vencer ontem, imagina agora. – ele concordou
– Tivemos muitas baixas? – perguntei
– Algumas. A maioria eram semideuses novos, sem experiência. Foi um erro nosso deixarmos eles lutarem. – a menina respondeu de um jeito pensativo
Olhava aquela multidão de semideuses, era muitas pessoas, mas seríamos fortes o suficiente para aguentar as forças do Tártaro?
Meus pensamentos se dispersaram quando trombetas ressoaram pelo Acampamento. Aconteceu depressa demais, as conversas e ordens que eram gritadas se silenciaram. O grupo de semideuses que estavam na frente do prédio se alinharam, com espadas e escudos em mãos. Mas eles recuaram essa formação, ficando em frente a rua paralela em que guerreiros liderados por Legionários lutariam, aquele grupo seria o que menos sofreria ataque de monstros.
Thalia, Percy, Reyna e Jason formaram uma linha perfeita, essa formação ficava a frente do nosso posto, exatamente na direção do prédio que estávamos.
O silencio se instalou sobre todos nós.
– Os filhos de Hécate, tanto gregos quanto romanos estão liderando esse grupo da frente. – Will explicou sussurrando – Eles uniram um grupo de semideuses cujo os pais lutaram ao lado dos Titãs na batalha de Nova York. Outros são filhos de deuses menores, vários ali eu nunca tinha ouvido falar, vão lutar na linha de frente. Eles querem provar com esse ato de coragem que são tão valiosos quanto todos nós. Já os filhos de Afrodite e os demais semideuses quiseram aquela primeira rua para provarem o quanto são corajosos, para esfregarem na cara de todos aqueles que os subestimaram. Nossa maior concentração de semideuses está ali, vai ser onde vão atacar com todas as forças. Quirón também está ali.
Fiquei pensando no quanto isso devia incomodar aqueles semideuses, o fato de serem filhos de deuses menores, raramente as pessoas os levavam a sério.
As trombetas soaram mais uma vez, e através da neblina da manhã, pudemos distinguir uma figura a nossa esquerda. Caminhava solitário, vestia um manto completamente negro, cobrindo o rosto.
Ele parou há uma distância grande de nós, antes de chegarem até a rua em que os filhos de Afrodite e outros semideuses cobriam. Alguns filhos de Atena saíam de sua rua para gritar ofensas para o recém chegado.
– Traidor! – um garoto gritou antes que Annabeth pudesse puxá-lo para dentro do limite da rua
O recém chegado retirou o capuz exibindo aqueles cabelos loiros. Ele ergueu o olhar para nós, nisso uma dor aguda atravessou a minha cicatriz na barriga, tive que me segurar para não gritar de dor, minha vontade era pegar uma de minhas flechas e atirar nele.
Mas da mesma forma que sua chegada atraiu nossa atenção, outra coisa nos desviou dele.
Um barulho de cavalgada chegou até nós, não sabíamos de onde vinha, nossa visão estava limitada pelo mau posicionamento do campo de batalha. Mas então os semideuses voluntários para frente de batalha abriram a formação, se dividindo em duas equipes.
Entre elas passou uma biga de guerra, mas em vez de se puxada por cavalos, era puxada por esqueletos de cavalos. Fiquei boquiaberta. A biga era inteiramente preta com detalhes e rodas douradas. As três Benevolentes que serviam a Hades estavam na biga, como se quisessem proteger seus condutores. Eles eram Nico Di Angelo, Hazel Levesque, e Hades, o senhor do Mundo Inferior, embora o deus não parecesse satisfeito em estar ali.
Alguns semideuses romanos recuaram, até eu senti um certo tremor de medo percorrer o meu corpo.
A biga continuou andando até chegar um pouco atrás da equipe de Thalia. Nico fez sinal para eles se colocarem atrás da biga e os semideuses que estavam na frente de batalha obedeceram.
Nico estava com uma armadura preta, lembrava muito a de Thalia, mas a do garoto parecia ter sido feita com ferro Estígio e escuridão do Mundo Inferior. Hazel tinha uma armadura igual, mas a da garota tinha alguns detalhes em dourado.
Hades vestia sua roupa de batalha, estava com seu Elmo das Trevas e segurava um bastão negro com uma caveira preta na ponta. Eles irradiavam poder e medo. Olhei para Will Solace que via aquela cena com um sorriso orgulhoso no rosto.
O deus olhou para Nico e em sua expressão eu pude ver a frase:
“Eu tenho mesmo que fazer isso?”
Nico manteve a postura firme e assentiu, Hades suspirou e apontou para Aaron, ou Tártaro, já que eram um só agora. Todos os semideuses ali presentes ficaram atentos.
– Tártaro! Lado mais sombrio do meu mundo. Você está sobre os meus domínios. Ordeno que pare essa guerra, ou vai sofrer as consequências!
Hades gritou, jurava que não conseguiria ouvir daquela distância, mas a voz do deus era tão potente que alcançava qualquer um num raio de quilômetros. Aaron por outro lado abriu um sorriso cruel, como se nem tivesse sentido medo.
– Eu nunca estive sobre seus domínios, filho de titã! – Tártaro respondeu, a voz dele se difundia com a de Aaron – Sou algo muito mais forte e poderoso. Todos esses milênios estive trabalhando e você sequer notou. Não pode impedir a força da escuridão!
Essa última parte ele gritou. Coloquei minha mão sobre a cicatriz e soltei um suspiro, ao meu lado, os filhos de Apolo pareciam aturdidos. Então aquilo era mesmo uma ligação com o deus.
Hades olhou para os filhos com uma expressão como se dissesse:
“Eu avisei.”
– Os Olipianos não podem interferir. Eu e minha irmã, Gaia, declaramos guerra contra os semideuses. Suas corjas gregas e romanas serão destruídas, sem o auxílio deles vocês não serão capazes de se defender sozinhos, será o fim da era dos deuses. Os filhos do Caos reinarão de novo!
Nisso o nosso exército de semideuses não ficou calado. Os filhos de Ares começaram a bater as espadas nos escudos, como uma provocação. Ouvi o mesmo som vindo dos outros corredores. Os semideuses dos desuses menores no campo de batalha repetiram o gesto. Reyna, Thalia, Percy e Jason também se contagiaram.
Como não tínhamos escudos, começamos a dar socos no peito no ritmo das batidas, aquilo não machucava, o colete de couro diminuía o impacto.
Aaron observava aquilo incrédulo, então percebeu que estávamos dispostos da lutar, se ele venceria, teria dificuldades nisso.
– Os deuses não vão interferir, sabemos que nossos filhos são fortes o suficiente para aguentarem a pressão sozinhos! – Hades gritou, fazendo sua voz se sobrepor ao barulho dos escudos
Aaron abriu um sorriso desdém, e ergueu o braço direito e o abaixou na nossa direção.
– Ataquem! – gritaram Aaron e Tártaro ao mesmo tempo
A equipe de semideuses da frente de batalha começaram a se deslocar, se aproximando da equipe de Thalia.
Eu e os outros filhos de Apolo preparamos os arcos na direção de Tártaro. A neblina foi se dissipando aos poucos, mostrando milhares de monstros, aquilo era um plano deles para maquiar a quantidade de monstros que estavam nos aguardando para atacar.
– Não, ele não vai fazer isso. – Will murmurou
Segui seu olhar, até Nico Di Angelo. Hades olhava o exército de monstros com os olhos arregalados, a neblina também havia enganado o deus. Nico aproveitou aquela distração e puxou o bastão negro das mãos do pai.
O filho do submundo saltou da biga, as benevolentes tentaram impedi-lo, mas o garoto foi mais rápido.
– Eu, Nico Di Angelo, filho de Hades, Embaixador de Plutão e Rei Fantasma os convoco! Exército expectral que serve ao meu pai, agora deve me servir! – gritou e fincou o bastão na terra
A caveira negra soltou algumas faíscas verdes. Hades encarava o garoto perplexo, como se duvidasse que o filho criou coragem para fazer aquilo.
Então da terra surgiu mais ou menos quatro centenas de combatentes. Alguns vestiam armaduras gregas, outros romanas, outros armaduras medievais, e alguns usavam roupas de Exércitos atuais. Eram todos mortos, um exército de zumbis.
Quando voltei meu olhar para o Tártaro ele começava a desaparecer entre seu exército de monstros.
Os semideuses na frente de batalha, que agora estavam atrás do exército de zumbis, soltaram um grito e correram em direção dos monstros.
Nico já estava de volta a biga, o garoto usou as rédeas dos cavalos esqueletos e eles trotaram em direção a batalha. O exército de zumbis já lutava contra os monstros.
Alguns conseguiam passar e chegavam nos primeiros corredores. No corredor a minha esquerda os filhos de Ares esperavam ansiosos para lutar.
Dois pégasus passaram pelo alto de nossas cabeças, precisamos nos abaixar para as patas dos animais nos acertarem. Eles voaram na direção da batalha e Percy montou em Blackjack, Reyna montou em outro, os dois foram em direção dos monstros pelos ares. Naquela confusão consegui ver Thalia lutando com seu irmão, de costas um para o outro.
– Arqueiros! – Will gritou e todos nós preparamos nossas primeiras flechas, os mais experientes prepararam três de uma vez – Agora!
Lançamos nossas flechas na direção daquele mar de monstros que havia lá embaixo.
Vi a minha flecha cravar no peito de um monstro, que se dissolveu em cinzas após isso.
A batalha tinha começado, torcia para que Thalia e meus amigos ficassem bem. E torcia para que os semideuses nos corredores não deixassem monstros passarem para o perímetro do Acampamento.
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