The Prophecy

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Hey! Olhem quem voltou... Boa leitura.



Pov. Annabeth Chase


– Rachel! – chamei, não fazia ideia de quantas vezes eu tinha gritado aquele nome na última meia hora

Ouvia os passos de Clarisse atrás de mim, ela estava quieta, pelo menos não abria a boca para reclamar, mas estranhava aquela atitude. Ela carregava a lanterna iluminando tudo na minha frente, já vasculhamos aquela floresta e até agora nada.

– Rachel! – chamei mais uma vez

Clarisse estava iluminando as árvores ao nosso lado e prestei atenção no feixe de luz, mas acabei tropeçando em uma raiz de árvore que se elevava do solo, tentei recuperar o equilíbrio, mas Clarisse foi mais rápida e me segurou antes que eu caísse.

Seus braços me envolviam fortemente, automaticamente segurei seus ombros, ela havia derrubado a lanterna e seu rosto estava parcialmente iluminado.

– Presta atenção por onde anda, Chase. – ela resmungou, usando o tradicional tom provocador, mas ela sorriu indicando que estava brincando

Consegui arrumar forças para me soltar e fingi estar irritada.

– Então ilumine o caminho, e não as árvores. – rebati usando o mesmo tom e retribuí o sorriso

Continuamos caminhando, quase pedi para ela conversar sobre alguma coisa, aquele silêncio só fazia o tempo se arrastar.

– Se você fosse Rachel, para onde iria? – perguntei parando de caminhar um pouco

– Sei lá. – Clarisse deu de ombros e olhou o relógio de pulso – Já vai fazer uma hora e nada... – ela parou e me encarou por alguns segundos, como se estivesse tendo uma ideia – Algum lugar especial.

– O que? – perguntei

– Silena uma vez me falou, que quando alguém está chateado com a pessoa que ama, procura um lugar especial para as duas. – ela explicou

Aquilo era verdade, nessas últimas duas semanas eu fui na maioria dos locais que compartilhei com Percy aqui no Acampamento.

– Sabe de um lugar que seja especial para elas? – Clarisse perguntou

Revirei minha mente, apesar de Thalia ser minha amiga ela não contava muitos detalhes da relação dela. A não ser...

– O primeiro beijo delas, foi numa espécie de clareira no meio da floresta, lá tem uma fonte em homenagem a Eros.

– Eu sei onde é. – Clarisse respondeu animada e foi na frente

Ela dava passos grandes e rápidos, me esforcei para acompanhá-la. Passamos mais uns dez minutos andando na mata.

– Era mais fácil pegar outra trilha, assim o caminho ficava mais curto, mas teríamos que voltar ao Acampamento. – ela murmurou quando chegamos em um local onde a mata se abria

– Como conhece esse lugar? – perguntei

– Uma vez segui Silena até aqui. – ela disse naturalmente e deu de ombros, ao ouvir o nome da filha de Afrodite eu senti uma pontada de ciúmes

Ciúmes?

No local havia algumas ruínas em volta de uma fonte com a estátua de Eros, logo na frente dela tinha um banco.

No banco havia uma pessoa deitada, encolhida por causa do frio, isso me fez me aconchegar ainda mais no casaco de Clarisse.

Nos aproximamos ainda mais, era Rachel ali, respirei aliviada, eu não seria morta eletrocutada pela minha melhor amiga.

– Será que faz tempo que ela está aqui? – Clarisse sussurrou iluminando o banco com a lanterna

– Não sei, peça para alguma ninfa aqui perto mandar a mensagem que a encontramos e que é para suspenderem as buscas. – pedi e ela assentiu, deixando a lanterna comigo e voltando para a trilha para encontrar uma ninfa

Me aproximei do banco, Rachel estava de olhos fechados, seu corpo tremia e seu rosto estava contorcido numa expressão de dor.

– Rachel. – sussurrei

Ela parecia que estava dormindo, mas pelo estado em que se encontrava devia ser um pesadelo horrível. Rachel vestia apenas uma camiseta e uma bermuda, não sei como ela estava suportando o frio da noite. Encostei em seu braço estava muito gelado e molhado por causa do sereno, talvez ela estivesse delirando por causa da baixa temperatura.

– Thalia... – ela choramingou ainda de olhos fechados, nunca senti tanta pena de alguém

– Não, sou eu. Annabeth. – respondi – Abra os olhos.

Ela não obedeceu, um tremor percorreu todo o corpo dela e uma lágrima solitária escorreu pelo rosto dela.

– Rachel, acorda! – pedi e a cutuquei

Aos poucos ela foi abrindo os olhos e se sobressaltou, se afastando de mim.

– Calma! – pedi e a segurei pelos pulsos – Está tudo bem. – garanti

– Thalia... – ela sussurrou e começou a olhar em volta, a confusão estampada em seu olhar – Thalia... Cadê ela?

– Ela não está aqui, está passando um tempo com as caçadoras, lembra? – perguntei e ela me encarou por alguns segundos

– Ela prometeu que sempre estaríamos juntas. — Rachel sussurrou mais para si mesma do que para mim

Nisso Clarisse retornava, Rachel no encarou como se perguntasse o que tinha acontecido, ela secou a lágrima que tinha escorrido e então seu lábio começou a tremer, ela deixou um suspiro escapar. Clarisse encostou na testa dela e arregalou os olhos.

– Deuses! Você vai morrer congelada. – ela exclamou e me encarou – Vamos levar ela de volta e acabar com isso de uma vez.

– Vem, Rachel. – chamei enquanto Clarisse já se afastava

A ruiva assentiu e se levantou, ela passava a mão pelos braços para se aquecer. Entramos na trilha e mais ou menos na metade do caminho ouvi um soluço, virei para trás e Rachel havia parado de andar.

Ela estava de cabeça baixa com a mão sobre o rosto, seu corpo estremecia por causa dos soluços. Ouvi Clarisse suspirar e ela mandou para mim um olhar que dizia:

“Vai lá”.

Voltei alguns passos e sem dizer nada abracei Rachel. Não tinha consolo para falar, quem tinha que dar um fim nisso era ela mesma. Seu corpo frio foi relaxando aos poucos, mas ela não tirou a cabeça do meu ombro.

– Eu sinto falta dela, Annie. Isso me sufoca, mas não consigo chamá-la de volta. – ela murmurou ainda abraçada a mim, mas não conseguia pensar em nenhum conselho

– Vamos logo, Rachel. – pedi – Tem um monte de gente preocupada com você.

Ela assentiu e se afastou, aceleramos um pouco mais o passo, mas ainda conseguia ouvir Rachel fungando. Ao chegarmos na área do Acampamento vários semideuses nos cercaram, Clarisse teve que abrir caminho para passarmos, levamos Rachel até os chuveiros femininos enquanto uma filha de Apolo ia até o quarto dela pegar roupas mais quentes.

Empurrei Rachel para dentro de um dos box ainda vestida, logo ouvi o barulho do chuveiro ligando, seguido de alguns soluços. Odiava ver pessoas chorando, nunca sabia o que fazer.

Eu e Clarisse nos entreolhamos e ela inclinou a cabeça na direção da porta e a segui, saindo do vestiário.

– Avisaram Thalia? – sussurrei para as pessoas que estavam ali. Nico, Will, Quirón e Clarisse

– Não. – Will respondeu – Ela vai surtar.

– Com certeza. – respondi

Dali de fora ainda era possível ouvir os soluços de Rachel, nada do que fizéssemos iria adiantar. Ela mesma estava se magoando.

– x-

– Ela o que?! – Thalia gritou através da mensagem de Íris

Estávamos na sala da Casa Grande, eu, Clarisse, Will e Nico. Teoricamente éramos as “babás” de Rachel enquanto Thalia estava fora.

– Por que não acabam com essa briga idiota? – Clarisse rebateu usando seu tom irritado – Volta para o Acampamento de uma vez!

– Eu não posso, disse para ela que voltaria só quando ela pedisse! – Thalia gritou, a conhecia o suficiente para notar a agonia em sua voz, disfarçada de raiva

– E daí? – Clarisse respondeu – Ela nem vai se lembrar!

– Eu não posso quebrar outra promessa! – gritou e isso calou todos nós, Thalia passou a mão pelo rosto e suspirou – Onde ela está agora?

– No quarto dela. – Nico respondeu

– Duas irmãs minhas vão ficar lá até ela dormir. – Will completou

Thalia assentiu, eu precisava falar com ela a sós, fiz sinal para os outros saírem e não hesitaram em fazer isso, não queriam ouvir mais um surto daqueles.

– Você acha que ela ainda gosta de mim? – Thalia perguntou

Ela tinha mudado a postura com a saída dos outros, agora podia ver como ela estava de verdade. Desanimada, cansada e sem esperanças.

– Ela te ama. – respondi

– Duas semanas, Annie. Até agora nada, eu não suporto ficar longe dela. – Thalia sussurrou e abaixou a cabeça

– Thalia. – chamei e ela voltou a me encarar – Ela estava pode não ter falado com você diretamente, mas estava te chamando, vi a confusão que ela está sentindo, se você continuar esperando ela não vai te chamar. Só você pode acabar com isso. – respondi, não era boa em sentimentos, mas era boa na razão, e aquilo era algo óbvio para mim

– Mas...

– Nada de “mas”. Pense nisso Thalia, você sabe que eu tenho razão. – ela me encarou por alguns segundos e assentiu

– Desculpa por ter gritado com vocês. – sorri, mas ela não retribuiu

– Eles te entendem. – respondi antes de passar a mão sobre a neblina, fazendo a mensagem se disspiar

Thalia e Rachel não eram as únicas que estavam confusas. Meus pensamentos me levaram de volta para aquele momento em que eu e Clarisse nos aproximamos no lago... Deuses, o que está acontecendo?

Notas finais
E aí?