The Prophecy
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Pov. Annabeth Chase
O barulho das espadas se chocando ecoava pela Arena, me defendia dos golpes da melhor forma possível, mas espada nunca foi a minha arma preferida. Minha mente estava distante daquela luta e minha oponente conseguiu me desarmar, mas não esperava que ela passasse uma rasteira e me derrubasse, resmunguei ao sentir o impacto do chão nas minhas costas.
– Saia do mundo da lua e preste mais atenção na sua guarda, Chase. – Clarisse resmungou apontando a espada dela para a minha garganta, depois sorriu e estendeu a mão para me ajudar a levantar
– Não precisava me derrubar. – rebati enquanto ela me passava a espada
– Isso vai te ajudar a se lembrar que precisa fechar melhor a sua guarda. Como sobreviveu aquela batalha desse jeito? – ela perguntou enquanto eu massageava as minhas costas no local da queda
Comecei a andar sentindo a dor nas minhas costas e fui até um dos bancos que tinha ali, Clarisse me seguiu e ficou na minha frente enquanto eu me sentava.
– Eu te machuquei? – ela perguntou, seu tom de voz estava diferente, aquilo era.... Preocupação?
– Não. – respondi ainda de cabeça baixa – Só não estou disposta pra treinar. – murmurei
Na verdade não estava disposta a fazer nada hoje. Fazia duas semanas do nosso retorno para o Acampamento. Percy era uma das causas do meu estado emocional, a principal delas era o que eu passei naquele templo, aquilo mexeu muito comigo, mas nos primeiros dias não tive tempo para pensar, agora que a guerra tinha passado isso me atormentava.
– O que você tem? – Clarisse perguntou enquanto cruzava os braços, parecendo estar impaciente
– Esquece. – pedi – Eu já te incomodei demais com meus problemas.
Clarisse estava me surpreendendo, ela estava diferente, como se estivesse controlando o seu gênero impulsivo, ela estava sendo uma amiga incrível, coisa que pensei que nunca seria. Ela se sentou ao meu lado e suspirou.
– Não vou sair daqui até você falar. – ela rebateu
Entrei naquele jogo, fiquei quieta esperando para ver até quando ela aguentaria. Clarisse estava fazendo desenhos no chão poeirento com a ponta da espada, cansei facilmente daquilo e suspirei, percebendo que venceu, Clarisse abriu um sorriso.
– Naquele templo, o que você teve que enfrentar no seu corredor? – perguntei e vi a expressão de Clarisse endurecer
– Eu tive que enfrentar a arrogância. – ela me encarou – Tive que lutar contra mim mesma.
Esperei que ela continuasse, mas ela aguardava uma resposta, então apenas assenti.
– É difícil derrotar você mesma, principalmente eu, precisava encontrar alguma fraqueza em mim, mas não queria admitir que tinha uma. Aquilo acabou com minha mente, mas então me concentrei em algo e consegui vencer a “Clarisse” que o templo havia criado.
Imagino como aquilo deve ter sido horrível para ela, de alguma forma queria voltar no tempo, apenas para poder ajudá-la.
– Por que perguntou isso agora?
– Eu queria conversar com alguém sobre isso. Tentei tocar nesse assunto com Nico, mas ele ficou tenso demais e desisti. Tentei Rachel, mas ela apenas falou que era um jogo mental, está difícil falar com ela nesses últimos dias. – Clarisse concordou – E não queria falar com você sobre isso, pois você perceberia como aquele templo mexeu comigo, e me acharia fraca.
Ela negou.
– Você uma das semideusas mais fortes que conheço. – disse sorrindo, mas então fechou a cara – Nunca vai me ouvir dizendo isso de novo. – acabei rindo para quebrar a tensão – O que você teve que enfrentar?
– Emoções. – respondi – O túnel criava alguém para representar cada emoção, não tinha como vencer sendo racional, a pior coisa para um filho da deusa da sabedoria é deixar a razão de lado. Eu só podia derrotá-los usando emoções.
Falei, mas não era totalmente verdade. Na realidade, as pessoas que representavam emoções eram rostos conhecidos. Percy para mim representava a mágoa, mas Clarisse para mim representava o amor. Não entendia aquilo, minha mente sempre trabalhava para buscar algo racional.
Tinha pesadelos com isso todas as noites.
– Quer conversar sobre isso? – ela perguntou, mas acabei negando
– Não precisa. Só de saber que não sou fraca por ter deixado isso me afetar, fiquei feliz. – respondi forçando um sorriso
Clarisse se levantou em um salto parecendo feliz por ter deixado aquela conversa de lado, ela também não sabia lidar com emoções.
– Quer voltar a treinar? – perguntou e fiz uma careta
– Acho que por hoje chega. – respondi e ela riu
–x –
Depois do jantar Clarisse me chamou para dar uma volta com ela. Nem fomos para a fogueira, saímos para andar pelo Acampamento direto. Ela me levou até o lago, nos sentamos ali na pedra e ficamos admirando o reflexo da lua na água.
A brisa fria causava arrepios em mim, estava só com a camiseta alaranjada do Acampamento e abracei meu corpo para tentar manter o calor. Clarisse percebendo esse gesto, tirou o casaco camuflado dela e passou pra mim.
– Não é porque me preocupo com você, mas sim porque você iria me culpar se ficasse com gripe. – ela resmungou enquanto eu colocava o casaco, mas pude notar a mentira em sua voz
Ficamos em silêncio novamente. A jaqueta já era grande para ela, para mim ficava enorme. O perfume de Clarisse era algo diferente e único.
Ela suspirou e quebrou o silêncio.
– Você ainda pensa nele? – ela não me encarou então não pude decifrar sua expressão
– Você pensou muito em Cris quando vocês terminaram? – devolvi a pergunta
A luz da lua batia na pele clara dela, seus olhos castanhos agora estavam tão escuros quanto o céu. Observei o contorno do nariz dela até a boca. Nunca tinha reparado naquilo, Clarisse era linda.
– Eu nunca gostei do Cris. – ela respondeu – Éramos apenas amigos, ele estava carente, e eu queria esquecer uma pessoa. Então ficamos juntos, mas nunca o amei, por isso não me importei quando ele se apaixonou por aquela mortal e resolveu ir embora do Acampamento.
– Conseguiu esquecer quem queria? – perguntei me surpreendendo com aquela revelação
– Não, eu amava essa pessoa, e não amava Cris, então não dava para esquecer.
– Um dia vai me contar quem é essa pessoa? – perguntei, ela ficou em silêncio por alguns segundos e suspirou
– Silena.
Clarisse não me encarava, quando Silena era viva, correu um boato sobre as duas no Acampamento, mas não cheguei a dar ouvidos. Sabia que Clarisse já havia ficado com outras garotas, uma vez vi ela com uma filha de Hermes. Mas aparentemente nenhuma garota chegava aos pés de Silena.
– Acha que vai conseguir esquecê-la um dia? – perguntei
– Já consegui, eu gosto de outra pessoa agora. – ela respondeu – Ainda gosta de Percy? — voltou a perguntar
– Não sei. Não tenho pensado nele ultimamente. – ela me encarou e abriu um sorriso
Um sorriso lindo, faria de tudo para ela sorrir daquele jeito novamente.
– Então é porque você já está gostando de outra pessoa. – ela respondeu
– Não sei.
– Você pode não saber, mas o seu coração sabe. – ela respondeu
Parecia outra pessoa ali, e não Clarisse, ela estava... Calma. Nem imaginava que ela conseguia manter essa postura, a expressão serena e aquele brilho no olhar.
Clarisse veio para mais perto de mim, colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e me encarou. Não consegui quebrar aquela conexão, algo me atraía para perto dela, não sentia medo, pelo contrário, nunca estive tão segura.
Abri a boca para dizer algo, mas nada saiu, nossas respirações se misturaram conforme ela se aproximava.
Mas um barulho atraiu nossa atenção e ela se afastou, voltamos a nossa posição original, ainda estava com o coração disparado, tenho certeza que ela também estava assim.
Dois garotos apareceram na escuridão da noite, Will Solace e Nico Di Angelo. Ouvi Clarisse resmungar algo ao meu lado.
– O que querem? – ela perguntou no seu tradicional tom de irritação, a Clarisse atenciosa já tinha ido embora
– Ela sumiu. – Will disse com olhos arregalados e respiração pesada, se apoiou em Nico que apoiava as mãos nos próprios joelhos
– Ela quem? – perguntei
– Rachel. – Nico explicou também com falta de ar por ter vindo correndo – Thalia pediu para cuidarmos dela, mas ela se trancou no quarto dela o dia todo.
– Deixamos comida para ela na hora do almoço, e ficamos de olho o dia inteiro, ela não apareceu para jantar e quando fomos levar algo para ela comer o quarto dela estava destrancado, a comida do almoço estava lá ainda, e na escrivaninha tinha um monte de desenhos relacionados a Thalia. – Will concluiu
– Já fizemos buscas em todos os chalés, nas plantações de morangos, Casa Grande, e na plantação de uvas do Sr.D . – Nico falou – Só falta a floresta, estamos reunindo o máximo possível de semideuses para explorar a floresta.
Clarisse e eu nos levantamos e seguimos os dois garotos.
Nós quatro estávamos nervosos, antes de partir, Thalia nos fez prometer que ficaríamos de olho em Rachel. Eu mandava mensagens de Íris todos os dias para a minha amiga para informá-la do estado de Rachel.
Se alguma coisa acontecesse com Rachel, Thalia nos mataria.
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