Notas iniciais
Bem, é a primeira vez que escrevo algo ~assim~, então espero que gostem e espero que deixem review com críticas construtivas pra eu poder me animar e escrever mais.
Boa leitura. :3

O vento soprava frio naquela madrugada. Os passos calmos atravessavam a trilha de folhas secas que ficava entre a cidade praticamente deserta e àquela mansão que a primeira vista parecia abandonada. Com o assovio do vento, sorriu. Seria aquela noite que o destino se cumpriria e todos os seus desejos seriam realizados.

Aqueles sussurros em sua mente lhe diziam que estava certo, sempre esteve. Desde o momento em que pôs os olhos naquele visitante intruso de sua cidade. Sim, sua cidade. Era assim que pensava depois da grande devastação que um grande terremoto causou. Ficando praticamente só em uma cidade onde restava apenas destruição.

Os olhos bem delineados avistaram a imponente mansão, uma das únicas moradias que havia resistido ao tremor de terra de grande escala, talvez começasse a acreditar que havia algum tipo de maldição para deixar tudo aquilo ainda em pé, sem um arranhão sequer.

Empurrando as grades do portal de entrada, ouvindo o tão conhecido rangido, adentrou o enorme jardim sem flores, sem árvores, sem vida. Os olhos percorreram todo o local, enchendo os pulmões de ar, soltando lentamente. Era daquele ar gélido e sombrio que gostava, adorava atmosfera carregada que aquele lugar possuía. Mais à frente viu o antigo chafariz que já não funcionava mais, e um belo corvo descansava em cima da grande estátua de uma mulher seminua onde uma das mãos estava esticada como se quisesse alcançar algo impossível. Sorriu, e logo assoviou, vendo o belo corvo voar e pousar em seu ombro.

─ É hoje que a profecia irá se cumprir mais uma vez, Hoko-chan. – Logos os longos dedos acariciavam a cabeça do pássaro negro enquanto chegava à enorme porta de madeira talhada, a abrindo sem pressa. Sabia que estava no tempo certo, tudo sairia perfeitamente como o planejado.

Deixou o grosso e longo casaco negro que usava no cabide ao lado da porta, após fechar a mesma. Deixou que seus passos o guiassem para o andar de cima, subindo a monumental escadaria coberta por um carpete aveludado em tom de carmesim, que abafava os passos dos sapatos negros bem lustrosos.

Adentrou a grande biblioteca, os olhos sempre bem atentos brilharam ao ver o que tanto almejavam. O corpo mais baixo, porém escultural do rapaz que invadira a cidade, em pé fronte a uma das grandes janelas que havia no local com um livro em mãos.

─ Gosta de tragédias, Shiroyama-san? – Os olhos chocolates encontram a escuridão que havia nos olhos alheios, sempre atentos, sempre vivos, diferentes de si.

─ Eu... Desculpe-me por... – E o dedo indicador fino e pálido logo se posicionava em frente aos lábios grossos do outro, o fazendo calar.

─ Por vir até aqui e entrar em minha residência? Eu sabia que viria, Yuu.

─ Mas como? Quem é você?

O menor dos dois já estava assustado. Havia ido àquele lugar sem saber por quê. Simplesmente fora guiado por seus próprios pés, tendo em mente que queria apenas descobrir mais sobre o lugar para publicar uma matéria na revista à qual trabalhava.

Hoko, que até então estava sobre o ombro do maior voou, assustando o moreno que deu um passo à trás, fazendo um sorriso misterioso surgir nos lábios bem desenhados do mais novo.

─ Takashima Kouyou, e isso é tudo que precisas saber por enquanto. Aceita uma taça de vinho?

─ Eu aceitarei.

Não sabia explicar, o maior tinha um encanto sobre si, algo que o faria dizer sim a qualquer coisa que o outro pedisse. Inexplicavelmente não havia se surpreendido pelo outro saber seu nome. Uma sensação estranha se apossou de seu corpo assim que aqueles olhos caramelos encontraram os seus. Não podia negar que havia se sentido atraído, o outro exalava luxúria por onde passava, atraindo o olhar de Yuu para si, como um imã.

Takashima possuía um ótimo senso ao se vestir. Trajava uma calça social preta assim como sua camisa. As mangas dobradas até os cotovelos, e alguns botões abertos, revelando parte da pele alva, porém uma cicatriz podia ser vista em seu pulso. Um cordão de prata fino com um pingente de corvo adornava seu pescoço, e nos pés os sapatos negros de sola vermelha.

Kouyou serviu duas taças com vinho, dando uma delas ao moreno que o fitava com certo interesse excitação.

─ Fiquei sabendo que é fotógrafo, você realmente sempre gostou de imagens. – O mais alto falou aquilo mais para si, do que para o moreno que estava à sua frente.

Os olhos negros o fitaram com curiosidade, tomando um longo gole do líquido rubro, sentido um gosto levemente conhecido, fazendo seu paladar aguçar. Não se importava de estar na presença de um estranho, parecia que o conhecia há anos, e talvez não estivesse tão errado assim.

─ Você parecer saber bastante sobre mim, Takashima-san. Andou pesquisando sobre minha vida?

─ Me chame apenas de Kouyou. Eu sei o suficiente por cem anos, Yuu.

E aquelas palavras pareciam tão sem sentido, mas ao mesmo tempo coerentes. Shiroyama percebeu que Kouyou era um homem misterioso, uma contradição em forma de pecado carnal. Via-se perdido, via-se sem saída. Sentia-se enfeitiçado.

Andou em direção a uma das enormes prateleiras cheias de livros que ali havia, colocando o que havia pegado no lugar, dando uma olhada rápida nos outros títulos, todos misteriosos, sombrios.

─ Essa biblioteca é enorme, deve ter demorado anos para conseguir tantos livros assim, Kouyou.

E ouvir seu nome daquela maneira, vindo daquela pessoa o fez arrepiar. Esperava por esse momento de tempos em tempos, esperava ser amado novamente, e toda vez que acontecia temia que fosse a última. Nunca sabia o que aconteceria cem anos depois.

─ Você acha que quantos anos seriam suficientes para montar uma biblioteca desse tamanho, Yuu?

─ Eu demoraria uns trezentos anos, eu acho. – Riu-se, vendo o mais alto rir também.

─ Quase isso. Para ser mais exato, demorei trezentos e sessenta anos. Sabe, todos os anos são lançados livros novos e realmente interessantes, eu não poderia perder a oportunidade de não tê-los.

─ Você só pode estar brincando.

O moreno que estava surpreso levou uma das mãos para seus cabelos, ajeitando-os para trás. Uma mania que tinha desde que havia conhecido Kouyou, desde que havia morrido pela primeira vez. Sentiu a mão gélida do loiro tocar a sua, com certa delicadeza misturada a gentileza.

─ Venha comigo, sei que gosta de histórias, talvez possa gostar dessa.

E sem alternativa – não que quisesse ter – deixou-se levar pelo mais alto, ambos deixando as taças que antes possuíam em cima de uma mesa com alguns papéis em cima.

Logo estavam em um amplo corredor, com iluminação baixa. Várias portas podiam ser vistas, mas percebeu que a do final era seu destino, a porta que mais se destacava dentre as outras, logo entraram por esta, e Yuu pode se deparar com um belo quarto, tão grande quanto os outros cômodos da imensa casa.

O quarto assim como a biblioteca possuía móveis escuros. Uma cama com espaço não para duas, mas sim para umas quatro pessoas, estava posicionada em frente a uma das paredes, coberta por lençóis de seda brancos. Uma grande porta de vidro dava vista ao jardim, e em frente a ela, estavam posicionadas duas poltronas vermelhas, com uma mesinha redonda entre elas. Prateleiras adornavam paredes opostas à cama, e perto delas havia uma porta onde não sabia dizer se era um banheiro ou closet.

Kouyou soltou sua mão, pedindo com um gesto delicado que se sentasse em uma das poltronas, e assim o fez, vendo o loiro fazer o mesmo na poltrona a sua frente, os olhos fixos no jardim, vendo Hoko novamente sobre o chafariz, como se esperasse alguém chegar.

─ Você acredita em maldições, Yuu?

─ Eu não sei, mas algo me diz que sim.

─ O que você acharia de ver alguém que você ama de cem em cem anos? – E mais uma vez os olhos se cruzaram fazendo um frio percorrer a espinha do moreno, ele sabia que aquilo significava algo, e que não sairia ileso.

─ Eu acho que morreria...

─ E se para permanecer vivo, você dependesse do sangue da pessoa que ama, e assim poder vê-la apenas cem anos depois?

─ Eu a mataria não para ficar vivo, mas poder vê-la novamente.

E o brilho nos orbes negros fizeram Kouyou ter certeza de que aquela noite seria bem sucedida, e que teria seu amor mais uma vez.

─ Então vou contar-lhe uma história, Yuu. – Um aceno positivo de cabeça do moreno foi o suficiente para que prosseguisse. ─ Há muitos anos atrás, eu diria mais de seiscentos e oitenta anos, um jovem estava andando por um vilarejo quando entrou em uma rua que não devia e viu um corpo caído, coberto de sangue com um livro preso entre os dedos. Curioso como era, o jovem pegou o livro e começou a folheá-lo, vendo inúmeros nomes ali escritos sentindo um vulto passar atrás de si. Naquele mesmo dia o rapaz voltou para casa, trancando-se em seu quarto, lendo nome por nome que naquele livro havia.

“Até que um dia saiu de sua casa para dar uma volta, e um homem começou a lhe perseguir. O jovem saiu correndo quando viu que o homem não iria sair de trás, e então avistou uma bela casa, com um belo jardim e um belo chafariz no meio. Entrou pelos portões que já estavam abertos e foi esconder-se dentro da enorme casa, e quando finalmente alcançou a porta, o homem veio atrás de si e disse para que entrasse, teriam muito sobre o que tratar.

Descobriu que o homem se chamava Shibata Matsumoto, e estava atrás do livro que levava consigo a todo lugar. Foi quando o homem lhe disse “Me entregue este livro agora ou então irá se arrepender.” Mas o brilho que viu nos olhos de Shibata não lhe fez querer entregar o livro, o que deixou o outro furioso. O jovem então foi empurrado, caindo no chão e vendo seu livro sair de sua bolsa, escorregando até os pés daquele maldito. O rapaz soube naquele momento que sua vida estava nas mãos daquele estranho.

Shibata que estava com o livro em mãos, pegou uma pena negra e então se aproximou do jovem, pegando um de seus pulsos e o cortou com a ponta da pena peculiar, molhando a mesma em seu sangue, para então escrever o nome do rapaz naquele livro misterioso. As palavras seguintes fizeram o rapaz estremecer, temendo que o pesadelo fosse realidade. “De agora em diante Takashima Kouyou, sua vida não será mais a mesma, e se quiseres sobreviver terás de matar aquele que mais ama de cem em cem anos. Terá de presenciar a morte daquele que seria metade de si, presenciar tragédias e a mudança do mundo. Terá de se acostumar a acordar sem a esperança de ter um bom dia. Seu nome, Takashima, está marcado neste livro e deste livro jamais irá sair, e o único modo de ser feliz é escrevendo o nome daquele que mais ao lado do seu, mas para isso primeiro terá de achá-lo, e depois, terá de me procurar. Mas não se esqueça: você só o verá uma vez a cada cem anos, e se quiser que ele sobreviva juntamente a você, terá de ter o livro em mãos quando for vê-lo mais uma vez, o que eu não sinto dizer, é praticamente impossível.”

E o homem saiu, deixando o jovem com uma de suas mãos segurando o pulso ensanguentado, com o coração palpitando e com lágrimas nos olhos. Ali ele teve certeza de que seu destino estava traçado por pelo menos cem anos.”

Finalizou, olhando diretamente para Yuu que estava com uma expressão estranha, não de perplexidade, nem de medo, era algo que Kouyou não sabia decifrar.

─ Esse rapaz ainda está vivo, Kouyou?

─ Sim, ele está.

─ Então durante todos esses anos ele conseguiu encontrar a pessoa que ama?

─ Sim, ele conseguiu.

─ Quantos encontros já tivemos, Kouyou?

─ Este é o sexto encontro, meu amor.

─ Mas como? Quero dizer... Eu não fiquei vivo durante esse tempo todo, mas eu sinto como se lhe conhecesse há muitos e muitos anos.

─ Você reencarna, Yuu. De tempos em tempos você reencarna, e de tempos em tempos eu consigo encontrar você. É como se tivéssemos uma ligação que não pode ser cortada.

─ E você ainda não conseguiu achar Shibata para pegar o livro, não é mesmo?

─ Ainda não, ele se esconde no mundo como um grão de areia se esconde na praia, Yuu. Há seiscentos anos eu lhe faço a promessa de conseguir achar Shibata e pegar o livro, e há seiscentos anos venho falhando, me desculpe.

O olhar magoado do loiro fez o mais baixo sentir um aperto no peito. É como se soubesse que o amor deles era maior do que qualquer coisa, e então teve certeza de que iria fazer a coisa certa, pela sexta vez em seiscentos anos.

─ Eu sei que um dia você irá conseguir, Kou. Eu acredito em você. – Pegou uma das mãos do maior, a beijando. Sabia que estava fazendo a coisa certa, podia apostar sua vida naquilo, o que não era muito diferente do que estava fazendo.

─ Há seiscentos anos que você me diz isso, Yuu. E há seiscentos anos isso me faz ter mais forças para ir atrás daquele maldito para conseguir nossa eterna felicidade.

─ Então me deixe saber que você é meu pela sexta vez, Kou.

Os olhos castanhos foram direto para os lábios grossos, o fazendo levantar da poltrona onde estava, vendo Yuu fazer o mesmo. Os corpos quebrando a distância em poucos segundos e ambos iniciando um beijo calmo, um beijo que puderam perceber estar cheio de saudades. Saudades estas que duraram um século.

Sentir os lábios grossos nos seus parecia surreal. Doía no fundo de sua alma ter apenas uma noite para aproveitar o amor de sua vida, para saber mais uma vez que nem tudo estava perdido, que mesmo que a chance fosse pequena dos dois ficarem juntos, ela ainda existia.

As mãos desesperadas do loiro foram parar nos cabelos negros do outro, puxando-os levemente, fazendo o menor gemer entre o beijo, fazendo-o se agarrar em Kouyou, arranhando seu pescoço, deixando a pele marcada.

Foram a passos trôpegos à cama, caindo sobre a mesma. Kouyou em cima do moreno, que ofegava tentando buscar o ar que havia lhe faltado. As mãos ágeis do mais alto retirando a camiseta escura que o outro usava, deixando a pele um pouco mais escura que a sua a mostra. Mordeu o lábio inferior com a visão privilegiada que teve, gravando mais uma vez cada detalhe do corpo escultural, que sabia ser somente seu.

Começou a retirar a própria camisa, sendo impedido por Yuu, que colocou uma de suas mãos sobre a sua.

─ Eu quero fazer isso. – Sorriu ao entender o que o outro queria, deixando-se ser virado na cama, invertendo as posições.

Sentiu os dedos do moreno irem ao primeiro botão fechado de sua camisa, o retirando de sua casa, fazendo o mesmo com o restante, deixando o tecido negro escorregar pela pele alva, para em seguida a jogar longe. Fez o mesmo com a calça do loiro, deixando-o apenas com a peça íntima, que assim como as outras peças era negra.

─ Você é lindo, Kouyou. Tão lindo que eu não quero ter de reencarnar somente cem anos depois para poder desfrutar de tamanha beleza. – Tocou o volume que já se formava dentro da boxer do mais alto, fazendo-o suspirar em deleite.

─ Não pense nisso agora, quem irá sofrer mais sou eu. Apenas, apenas me faça seu mais uma vez.

E assim como lhe foi pedido, o moreno decidiu pensar somente na figura que estava em baixo de si.

Acariciando o membro do maior sob o tecido escuro, adorou ver a expressão extasiada do amado, que mordia o lábio inferior, tentando abafar os gemidos.

Querendo tanto ouvir seu nome saindo em forma de pecado por aquela boca pecaminosa, retirou a boxer do outro, fazendo toda sua excitação ficar aparente, e os olhos do moreno brilhar. Kouyou era realmente lindo, e era realmente uma maldição que pudesse ver ele de séculos em séculos somente.

Molhando os lábios fartos com a própria língua, abaixou-se o suficiente para lamber toda a extensão do membro do maior, para no momento seguinte o colocar por inteiro em sua boca, começando lentamente com as sucções.

As mãos de Takashima seguraram o tecido branco do lençol, fazendo com que seus dedos apertassem ali. Era realmente bom aquele toque, aquela sensação. Sentia-se no paraíso. Shiroyama aumentou a velocidade, fazendo o loiro arfar. Momentos depois, o maior se desfazia e Yuu engolia todo o sêmen do loiro, limpando os cantos da boca, com um sorriso.

─ Você tem um gosto bom, Kou. – Debruçou-se sobre o maior, vendo o sorrir com a respiração ofegante.

─ Você sempre foi bom nisso, Yuu. – E não deu tempo para que o outro respondesse, logo estavam em mais um beijo acalorado, a temperatura subindo cada vez mais, deixando ambos os corpos com suor, mas eles não se importavam, eles só queriam aproveitar.

Yuu retirou a própria calça e depois a própria boxer, vendo Kouyou se ajeitar melhor na cama, em uma posição privilegiada para si. O mais alto estava deitado com as pernas abertas, deixando tudo bem à mostra, fazendo a ereção do moreno pulsar ainda mais. Shiroyama levou um de seus dedos até a boca de Takashima, que o lambeu lentamente, fazendo o menor morder os lábios com tamanha excitação.

Colocou o dedo na entrada de Kouyou, o fazendo entrar lentamente. Viu que o maior ficou levemente incomodado, mas mesmo assim começou a movimentar o indicador e depois de um tempo quando percebeu que o outro já havia se acostumado, colocou o segundo dedo, o forçando contra a entrada, movimentando mais uma vez.

─ Não demore muito... Yuu. Eu... Eu estou pronto.

Depositou um beijo nos lábios bem desenhados do loiro, posicionando-se entre as pernas dele, penetrando-o lentamente.

A dor o invadiu, e então fechou os olhos sentindo o incômodo apossar-se de si, mas não queria que parasse, pelo contrário. Assim que percebeu ter passado tempo suficiente, moveu-se indicado para o menor que podia prosseguir, e assim como foi pedido, foi feito. O moreno começou a se movimentar devagar, tendo todo o cuidado possível para não machucar o loiro.

Aos poucos a sensação incômoda foi dando espaço ao prazer. Queria mais, queria sentir Shiroyama inteiramente dentro de si, necessitava daquilo.

─ Yuu... Ma... Mais rápido! Eu preciso de mais...

─ Como... Como você quiser U...Uruha.

E os olhos chocolates se abriram, com uma expressão de surpresa estampando seu rosto. Era verdade mesmo?

─ Você... Você lembrou-se do... Do meu apelido, Yuu...

─ Cem anos não são suficientes para esquecer tamanha perfeição. Uruha sempre combinou com você, Kou. – Depositou um beijo cálido no pescoço alvo, voltando a estocá-lo com vontade, e cada vez mais rápido, vendo o corpo maior arfar.

Sentia-se no céu, Shiroyama o penetrava com vontade, fazendo o prazer tomar conta de si cada vez mais. Ambos estavam vermelhos e suados, sentindo que o ápice estava perto.

Foi então que Yuu se desfez no interior do maior, que logo o seguiu, deixando ambos sujos de sêmen. O moreno esperou um pouco para então se retirar do interior do outro, deitando ao seu lado na cama espaçosa.

─ Eu não queria que isso chegasse ao fim. – Takashima falou virando-se para Yuu, que assim como ele, estava com a respiração descompassada.

─ Não é como não fossemos mais nos ver, Kou.

─ Eu não vou mais lhe ver por cem anos Yuu, cem malditos anos!

─ Então, para que possamos nos ver daqui a um século meu amor, acabe logo com isso antes que o sol apareça. Não são todos os dias que as nuvens chegam para nos acalmar e chorar por nós.

─ Tem vezes que temos que fazer isso por nós mesmos... Você me disse isso há muito tempo atrás, Yuu. – Sorriu melancólico, levantando-se e pegando sua boxer, a vestindo e indo em direção à porta que ficava ao lado das prateleiras com livros.

Pouco tempo depois voltou ao quarto, com uma lâmina comprida em mãos, com lágrimas nos olhos.

─ Eu não queria que fosse assim, Yuu. Desculpe-me, me desculpe por lhe fazer sentir dor de século em século, por lhe fazer morrer de amor. Eu só espero que daqui a cem anos você possa me amar.

─ Podem passar milênios Kou, eu sempre vou amar você. Você sempre irá me reconquistar. Eu poderei não me lembrar, mas meu coração irá sentir que ele é somente seu.

─ Eu te amo, Shiroyama Yuu.

─ Eu te amo Takashima Kouyou. Te amo hoje, te amarei daqui a cem anos, te amarei por todas as minhas vidas, até que possamos ficar juntos pela eternidade.

E antes que o sol despontasse no horizonte, um corte foi desferido contra o pescoço do moreno, fazendo mais uma vez Uruha chorar e gritar de ódio, ódio daquele homem que cruzou seu caminho e amaldiçoou sua vida. Mas iria se vingar, iria escrever o nome do amado ao lado do seu naquele livro, iria ser feliz pela eternidade.

Passou a língua no líquido rubro que saia do outro, tomando o sangue e sentindo o gosto enferrujado tomar seu paladar. E a profecia se cumpria mais uma vez, e jurou para si mesmo que seria a ultima.

Notas finais
Espero que tenham gostado, espero comentários também, como qualquer autora.
Pedradas, facadas, tiros, tijoladas, abraços, beijos, qualquer coisa será bem recebida, menos cuspe, então. :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!