The Princess Of The Basquet.

1 Capítulo 1: Promessas quebradas e recomeço.


- Papai, papai – A garotinha abriu um sorriso – Olha o que eu sei fazer – Pulou o mais alto que podia e arremessou a pequena bola de borracha na cesta de brinquedo.
- Nossa, Mey! – O Homem fez uma exagerada expressão se surpresa – Você é muito boa! Só podia ser minha filha!
- Quando eu crescer – Inflou as bochechas rosadas, com orgulho – Quero ser uma jogadora de basquete como você, papai!
- Pode deixar que o papai vai te ensinar tudo sobre basquete! – Ergueu a menina ruiva no ar, a girando.
- Ebaaa! O senhor é o melhor pai do mundo!
- Haha – Colocou ela no chão – Você que é a melhor filha do mundo!
- Você promete que vai me treinar pra sempre, então? – Perguntou, os olhos verdes brilhando.
- Prometo!
- Promete, também, que vai assistir todos os meus jogos!
- Claro, claro, prometido – Fez um cafuné nela.
- Faz promessa de dedinho?
- Faço – Cruzou o dedo mindinho com o dela – Prometido!

O som estridente do despertador ecoou irritantemente pelo recinto, fazendo com que a garota se cobrisse ainda mais com o edredom e resmungasse alguns xingamentos em um tom inaudível. Socou com força desnecessária o aparelho indesejável e, lenta e mecanicamente, se levantou e dirigiu-se até o banheiro, fazendo sua higiene matinal.
Bufou, com raiva, enquanto se enfiava no uniforme – que ela particularmente não gostava –, uma blusa branca com o emblema da escola, Kaijo, um tipo de blazer azul marinho e uma saia de pregas da mesma cor. Peteou os longos cabelos ruivos cobreados e calçou os sapato.
- Bom dia, mãe – Murmurou, sentando-se na mesa com seu café da manhã já servido.
- Bom dia, filha – A mulher de cabelos ruivos caprichosamente presos em um coque sorriu, bebericando um pouco do café – Dormiu bem?
- Dormi – Mentiu, mordendo sua torrada.
Tinha sonhado novamente com as lembranças do pai, mas isso era algo que absolutamente não poderia ser revelado á mãe, não a queria ver com a expressão triste e nostálgica que ela fazia sempre ao se lembrar do falecido marido.
- Eu tive um sonho estranho – A mãe colocou as mãos no queixo, desviando o olhar – Sonhei que estava comendo sorvete e uma abelha gigante vinha atrás de mim para tentar me picar, dai eu pegava o sorvete e corria dela... Hn... – Fez uma cara pensativa – Não sei não, mas acho que isso é uma premonição.
- Premonição? – Tinha vezes em que May sinceramente não conseguia acompanhar o raciocínio da mãe – Como assim? – Bebeu seu suco de uma única vez.
- Tenho certeza que hoje alguém vai tentar roubar o meu sorvete – A Senhora Takenari balançou a cabeça positivamente e deu mais uma golada em seu café– É, isso mesmo. Alguém vai tentar roubar o meu sorvete. Ninguém rouba meu sorvete, ninguém – A mãe a olhou como se suspeitasse de algo – Filha, mamãe te ama, mas fique longe do meu sorvete.
- Mãe! – Reclamou, com uma gota – Eu não vou roubar o seu sorvete!
- Sei... – Estreitou os olhos – Todo mundo é suspeito. Todo mundo.
Com um suspiro de rendição levantou-se da mesa.
- Já tá na minha hora – Jogou a mochila sob as costas – Tchau, tenha um ótimo dia.
- Tenha um ótimo dia também, filha – Sorriu – E, May, querida! – A chamou quando ela já estava quase saindo – Fique longe do meu sorvete!
- Mãe! Eu não vou roubar o seu sorvete! – Antes que genitora exclamasse mais alguma coisa saiu.
...
De fato May Takenari não gostava de estudar na Kaijo. Era uma academia elitizada com foco, principalmente, nos esportes e esse fato pessoalmente a massacrava, era inevitável se lembrar dele sempre que estava naquela maldita escola. Os alunos de lá eram daqueles tipicamente egocêntricos, se achavam a ultima bolacha do pacote por terem dinheiro e status.
Aliais, pelo que ela percebia, só se importavam com dinheiro e status, mesmo.
- Tch – Segurou a alça da mochila com força.
Com passos lentos e robóticos se dirigiu até sua sala – que, vale ressaltar, devido a imensidão da instituição ficava consideravelmente longe da entrada. Entrou no prédio do primeiro ano, ignorou alguns alunos os quais incomodamente cochicharam algo assim que á avistaram e, com um longo suspiro, se preparou psicologicamente para mais um dia de aula.
Ainda com gestos robóticos (e provavelmente eles continuassem assim até ela sair da escola) entrou na sala 1B e dirigiu-se a sua carteira, localizada no ultimo lugar da ultima fileira, ao lado da janela. Como de praxe colocou seus fones de ouvido para despistar eventualmente algum inconveniente que tentasse puxar conversa com ela – e isso, felizmente, devido a anos de experiência quase não acontecia mais – e começou a ler “Orgulho e Preconceito”, seu livro preferido, até que o professor chegasse e inicia-se a aula.
Sinceramente, após um extensivo período de prática, a ruiva tinha aprendido a ignorar os comentários maldosos, e até mesmo olhares, hora ou outra dirigidos a ela. Realmente não se importava com opinião alheia. Sabia que a consideravam estranha por falar somente quando necessário e repelir aproximação de quem quer que fosse, mas isso não a incomodava.
Depois te ter se acostumado ela chegara á conclusão de as coisas eram até mais fáceis assim para ela.
Não queria muito contato com pessoas, quanto mais se afastassem tanto melhor.
- Bom dia alunos – O professor, com uma expressão severa, entrou na sala – Façam silencio e sentem-se em seus lugares, a aula já vai começar – May rapidamente guardou os fones e seu livro.
O silêncio foi absoluto, todos os alunos que estavam em pé, conversando, se sentaram. O professor de literatura, Yamata, era particularmente severo e os estudantes não ousavam irritar ou contesta-lo.
- Então, como na ultima aula...
- Ah, desculpe o atraso, professor – Kise Ryouta entrou na sala, suas bochechas estavam levemente coradas e arfava devido a aparente corrida para chegar ali.
- Ryouta – O professor balançou a cabeça em desaprovação – Quantas vezes terei de alerta-lo sobre as consequências de se chegar atrasado? Essa é a terceira vez na semana! Na próxima não vai poder entrar.
- Desculpe, desculpe – O loiro deu um sorriso amarelo.
- Vá logo para o seu lugar e não interrompa mais a aula.
Não querendo mais prolongar a conversa o jogador rapidamente se dirigiu ao seu lugar, que coincidentemente ficava ao lado de May e sentou-se.
A ruiva, definitivamente, não gostava do modelo. Ele sempre atrapalhava sua concentração na hora da aula, seja puxando conversa ou pedindo algum material emprestado, e o sorriso dele, por algum motivo que ela não saberia explicar, á irritava profundamente.
A aula transcorrera normalmente, sem interrupções.
- Para a próxima aula quero um trabalho em grupo. Um resumo sobre o livro que analisamos hoje – Trabalho em grupo? Takenari conteve o impulso de levantar a mão e perguntar se podia faze-lo sozinha – Quero que vocês façam dupla com a pessoa ao lado direito de vocês – Os alunos, agitados, começaram a murmurar – Silêncio, sem reclamações! Por hoje é só.
...
Um misto de alegria e alivio atingiu May assim que a campa indicando o final das aulas tocou, soando maravilhosamente bem em seus ouvidos. Rapidamente se levantou e saiu do local.
Ela tinha o hábito de sempre passear na praça ao termino das aulas. O ar fresco, as árvores e o silencio, as crianças brincando, tudo era convidativo para ela. Após admirar a vegetação direcionou-se, calmamente, a parte do parquinho. Sentou-se num banco e ficou observando a brincadeira infantil.
Uma garotinho chorando chamou sua atenção, ele tinha aparentemente sete anos de idade e estava um pouco afastado. Observou para ver se alguém iria até ele e após verificar que não, preocupada, andou em direção ao garoto.
- Tudo bem, garotinho? Está machucado – Agachou-se para ficar na altura dele.
- N-não estou m-machucado – Soluçou.
- Então porque está chorando?
- É-é que e-eu n-não co-consigo acertar a bo-bola na cesta – Ainda chorando apontou para uma pequena cesta infantil, onde havia uma pequena bola jogada no chão.
- Hora, não chore – Sorriu – Onde estão são pais?
- E-eu vim c-com meu ir-irmão – Respirou fundo, tentando não chorar – Ele foi bem ali com a namorada.
Então, voltou a chorar.
May suspirou.
- Não chore, viu? Eu te ensino a acertar.
- Serio? – Engoliu o soluço e esfregou os olhos, a olhando com esperança.
- Serio – Afagou a cabeça dele.
Aquilo era tão nostálgico. Sentia uma dor de aguda e um nó na garganta só de lembrar.
Papai...
Balançou a cabeça em uma tentativa de espantar as lembranças. Foi, com o menino, até onde estava a bola e a cesta e novamente se agachou. Pegou a bola e olhou para ele.
- Primeiro você tem que flexionar os cotovelos assim – Flexionou – E depois é só jogar a bola. Tente.
O menino flexionou os ombros e jogou a bola. Acertou a sexta.
- Consegui! – Sorriu.
Papai, você não cumpriu a sua promessa...
Você não foi em todos os meus jogos...
Você não me ensinou tudo de basquete...
Aquilo lhe machucava.
Porque estava ajudando o garoto, mesmo?
...
Mai Takenari havia esquecido sua mochila.
Era por isso que agora Kise se encontrava na praça onde ela geralmente ia depois das aulas com o objeto nas mãos. Ele não ficava a observando de longe e nem nada do gênero, mas de vez em quando gostava de ir na praça para esfriar a cabeça e sempre a via ali.
Não era de se surpreender muito, mas nunca esperava ver aquela cena. A garota ruiva com a expressão sempre fechada estava com um sorriso doce nos lábios enquanto aparentemente ensinava um garoto a jogar basquete.
O loiro era jogador, sabia identificar alguém que jogasse e tivesse potencial. E a garota tinha. Ele poderia afirmar isso com toda certeza, bastava olhar para a postura dela com a bola na mão.
- Oe, Takenari-san! – Gritou assim que ela se despediu do menino.
A ruiva foi em sua direção em questão de minutos.
- Ryouta-san? – Lhe encarou com um misto de duvida e surpresa, a voz fria.
- Você esqueceu sua mochila – Entregou para ela, que pegou automaticamente.
- Ah... – Ela ainda tinha um quê de duvida no rosto. Ele sabia que aquilo não explicava tudo – Obrigada.
Silêncio.
- Eu vi você com o garotinho – Deu um sorriso constrangido – Você joga basquete, não é?
- Hn... – Ela deu um passo para trás. Seus olhos estavam vazios e indecifráveis – Eu jogava. Não jogo mais.
- Você é boa, eu pude perceber isso só de te olhar ensinar, Takenari-san – A olhou animado – Deveria voltar a jogar! Posso te apresentar ao clube de basquete feminino, tenho certeza de que elas...
- Não – O cortou, rangendo os dentes – Eu odeio basquete.
- Como? – Kise a encarou, espantado e curioso – Porque?
- Realmente não é da sua conta – Virou as costas para ele e saiu correndo.
O que?
... Mas que merda tinha acontecido ali?
Kise realmente estava curioso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.