The Princess & Me
7 Capítulo 7: Eu sei que você me quer.
Notas iniciais
Emma olhou o espelho mais uma vez. Ela estava realmente vestida para uma festa, com um vestido preto de couro que ia até metade das coxas e um sapato alto. Prendeu o cabelo num meio rabo de cavalo e terminou de se maquiar. Não sei pra que tudo isso, pensou, seriam só ela e Regina. Aquilo deveria acalma-la, mas por alguma razão, Emma ficou ainda mais nervosa.
–Relaxa, Swan. — disse para si mesma em voz alta. — Não é como se fosse um encontro ou algo do tipo. É só a Regina.
Emma saiu de seu quarto de hóspedes e caminhou por um longo corredor, o quarto de Regina era o último. A morena insistiu que a festa fosse em seu dormitório. Segundo ela, não tinha a necessidade de abrir um salão só para aquilo e seu quarto era grande o suficiente. Nisso ela tinha razão. Quando Emma esteve lá, mais cedo, ficou chocada ao ver que o quarto da princesa era tão grande que deveria caber sua casa inteiro dentro. A casa inteira era um exagero, mas que era quase isso, era sim. A loira parou em frente a porta, alisou o vestido e respirou fundo antes de bater.
–Boa noite, senhorita Swan. — Regina cumprimentou com um sorriso ao abrir.
Emma ficou paralisada. Não sabia se sustentava o olhar para encarar a morena ou se admirava o jeito como o vestido azul realçava perfeitamente o corpo desenhado da princesa. Regina estreitou os olhos, estudando as reações da amiga e mordeu o lábio inferior, tentando conter sua satisfação.
– Sabe, querida. — Ela começou, a voz se sobressaindo a música, mesmo sem gritar. — Eu achava que era impossível você ficar mais linda. Mas eu nunca tinha lhe visto em um vestido.
Emma engoliu seco, pega de surpresa pelo discurso tão direto.
– Bem, é porque você nunca me viu em uma festa. — Disse,tentando relaxar. Depois de respirar fundo, ficou mais fácil formar frases completas. — Você também está linda. -
A loira nem se esforçou para esconder a admiração e recebeu um sorriso encantador em troca.
– Vem, vamos entrar. — Regina fechou a porta atrás de si e ficou parada olhando Emma que deu uma volta, observando tudo ao seu redor.
–Uau! Como conseguiu tudo isso? — Swan exclamou ao ver a decoração do quarto. Depois sacudiu a cabeça, rindo. — Deixa pra lá. Esqueci que você tem milhões de empregados.- Regina riu também, indo até o pequeno bar que havia num canto e pegando uma bebida para cada uma.
– Então, a senhorita especialista em festas não dança? — Emma revirou os olhos, mas sorriu, pegando na mão que a princesa estendia para ela.
Havia uma pista de dança muito bem improvisada no meio do quarto, com um equipamento de som automático muito potente e um jogo de luzes e laser. Por um bom tempo, as duas dançaram de forma inocente, apenas duas melhores amigas se divertindo. Regina gritava as estrofes das musicas de uma forma tão empolgada que fazia Emma rir. Em pouco mais de um mês de convivência, ela nunca havia visto a morena se divertir tanto. Aliás, Regina parecia ser o tipo de pessoa que não se divertia nunca. A música estava mais alta e a medida que ambas bebiam, os passos de dança ficavam mais provocantes. Principalmente por parte de Regina que estava muito mais sóbria que a amiga e sentia o ar faltar toda vez que Emma mordia os lábios ao olhar para o decote da morena. Ela já tinha perdido a conta de quantas e quais doses Emma tinha ingerido.
–Swan, você não acha que já bebeu demais, não? — Gritou, a fim de ser ouvida pela amiga. Emma a puxou para perto e falou mais baixo.
– Regina, você não acha que bebeu de menos, não? — implicou rindo. Ela viu Regina respirar fundo e achou que fosse de irritação, não poderia imaginar a tensão que percorreu o corpo da princesa ao sentir a respiração da amiga em seu ouvido. Ela apertou mais o corpo da morena contra o seu.
–Relaxa, eu nem dirijo. — sussurrou. — Vou dormir aqui, esqueceu?
–Não, eu... — Regina deu dois passos para trás e um sorriso surgiu no canto de seus lábios. — Eu não esqueci.
–Então pronto. — sorriu vitoriosa. — Vem, vamos dançar.
Como se fosse planejado, na hora em que Emma puxou a mão de Regina, as batidas foram substituídas por uma música calma e romântica. Que clichê, pensou a princesa sacudindo a cabeça. Ela sentiu o corpo de Emma se afastar do seu e a encarou confusa.
–O que foi? Não quer dançar abraçada comigo? Eu não mordo. — disse de forma provocante. — A não ser que você peça.
Ela arqueou uma sobrancelha, esperando uma reação da outra garota. Emma encarou o chão por alguns segundos e foi se sentar um banco. Regina a seguiu, sem entender.
– Essa é a música preferida do Neal. — Ouviu ela choramingar, dando outro gole em sua bebida. Regina tirou o copo de sua mão e o colocou sobre a mesa.
– Ah, não... Agora não é hora de pensar no Neal. — disse, ajoelhando-se em frente a amiga e segurando a mão dela.
A princesa sabia o quão frágil a loira ficava quando o assunto era seu namoro, desde que Emma entrara no colégio, ela acompanhava de perto a crise e as brigas do casal. Tinha um lado de Regina, o lado egoísta, que gostava quando os dois brigavam, quando Emma vinha até ela procurando consolo e se afastava de Neal. Mas uma parte da princesa não suportava ver a amiga tão vulnerável e triste. Ela sempre fazia o possível para tentar anima-la.
– Vem cá. — a morena disse, se colocando de pé e estendendo a mão para ela. — Dança comigo.
– Regina...
– É uma ordem, Swan. Obedeça sua princesa. — Emma riu se dando por vencida e se pôs de pé, segurando a mão de Regina.
Regina abraçou Emma pela cintura, que passou os braços envolta do pescoço da morena. As duas se moviam lentamente como se não houvesse mais ninguém no mundo. Emma deitou a cabeça no ombro de Regina e respirou fundo. Ela se sentia tão bem quando estava com a princesa, tão protegida. Regina era tão linda que Emma poderia... Não! Não poderia nada! A loira se repreendeu em pensamentos. Ela levantou a cabeça, aquele cheiro de maçã que a morena tinha era completamente inebriante. As duas se olharam e Regina sorriu recebendo outro sorriso em troca.
– Ora, veja só! — a morena disse em voz baixa, aquela voz rouca que causava sensações estranhas em Emma. — Posso não ser o Neal, mas pelo menos a faço sorrir, senhorita Swan.
Emma fechou os olhos. Seu coração estava disparado e sua cabeça rodava. Provavelmente era graças à quantidade de álcool em seu corpo, mas a loira poderia jurar que era a proximidade entre as duas. Estavam tão perto que ela podia sentir a respiração de Regina a medida que ela falava.
– Você definitivamente não é o Neal. É muito melhor que ele. — Sussurrou, acariciando o rosto da amiga.
Ela viu o pequeno sorriso que Regina tentou segurar enquanto fechava os olhos. A princesa suspirou. Se Emma soubesse o que estava fazendo, onde aquilo poderia parar. Ela fechou os olhos e sentiu a loira se aproximar ainda mais.
– Emma... — suspirou sem forças, quase entregue. Emma a segurou pela nuca e respirou fundo, como se para aquilo precisasse de toda a coragem que possuía. Regina a empurrou de leve, por mais difícil que fosse.
– Emma, não...
– O que foi? — a loira abriu os olhos e a encarou completamente perdida. — Achei que você quisesse... Que gostasse de mim. — disse num fio de voz.
– Eu gosto. — Regina confessou. Ela apertou os olhos e respirou fundo ao se afastar um pouco. — Eu gosto muito de você, Emma. Você não faz ideia do quanto.
– Então... — a garota estava confusa, Regina sentiu seu coração se apertar. — Qual é o problema?
Ela se aproximou novamente, segurando a mão da princesa.
– O problema é que você bebeu demais. Você não quer isso. — a morena piscou, tentando afastar as lágrimas. Quando foi que ela tinha ficado tão vulnerável? Ela não era fraca assim. Como Emma podia ter aquele poder sobre ela?
– Quando você estiver sóbria, você vai se arrepender, Emma. E eu... Eu não vou agüentar. — a ultima frase não passou de um sussurro.
Emma devia se afastar. Regina tinha razão, afinal. E se ela se arrependesse? Não queria fazer sua melhor amiga sofrer, sabia o que Regina sentia por ela.
– Você nunca me chamou pelo nome. — ela disse meio aérea, fazendo Regina dar uma risada fraca ao olhar para o chão. Ela usou o dedo indicador para levantar o rosto da morena de forma delicada. Era a primeira vez que via esse lado da amiga. Tão frágil... Tão encantadora.
– Emma, quão bêbada você está? — questionou, olhando diretamente nos olhos verdes. Por um momento, ela sentiu que Emma queria aquele beijo tanto quanto ela. Aquilo não era tão errado, era? Ela viu a loira morder os lábios e seu coração vacilou. Emma parecia hesitante. Regina se preparou para o baque, mas a resposta da garota a surpreendeu.
– O suficiente pra saber que não vou me arrepender.
Regina não teve tempo de pensar em nada. Num piscar de olhos, os lábios de Swan estavam nos seus.
Regina havia esperado tanto por aquele beijo e agora não sabia o que fazer. Contrariando todas as expectativas da morena, Emma tinha total controle da situação. Enquanto uma mão da loira passeava entre os cabelos da princesa, a outra a puxava firmemente pela cintura. O beijo que começou calmo, ficava cada vez mais urgente. Regina correspondia de forma entregue, mas parecia ainda não acreditar no que estava acontecendo. Mesmo que sempre provocasse a amiga, nunca achou que Emma poderia ceder um dia. Agora elas estavam ali e um misto de excitação e apreensão tomava conta de Regina. Ela estava em êxtase, mas também estava chocada. Sem pensar em muita coisa, Emma apenas se deixava levar por aquele momento. Céus, como os lábios de Regina eram macios! Chegava a ser inacreditável a forma como se encaixavam perfeitamente nos seus. Ela deu uma leve mordida no lábio inferior da morena que deixou escapar um gemido baixo. E aquilo pareceu fazer Regina reagir. Mostrando que era mais experiente que a amiga, a princesa a guiou até sua cama, e sem parar de beija-la, deitou por cima dela. Elas se separam por alguns segundos e Emma viu os olhos negros brilharem de excitação. Regina deu um sorriso feroz e voltou a beija-la.
– Regina... — Emma tentou dizer, mas sua voz saiu em um gemido fraco ao sentir Regina beijar seu pescoço, enquanto subia a mão por sua perna. Ela respirou fundo com muito dificuldade e tentou mais uma vez. — Regina, é melhor a gente parar. — Murmurou.
As mãos hábeis da princesa já estavam no zíper de seu vestido de couro.
Não. — ela sussurrou no ouvido de Emma, a deixando paralisada. — Duvido que você queira parar agora.
Ela não queria mesmo parar, Regina estava certa. Mas também não estava pronta para aquilo. Era muito para uma noite.
– Regina. — pediu de novo. — Por favor.
A princesa suspirou e sorriu de forma compreensiva. Ela beijou Emma calmamente e saiu de cima dela, se jogando na cama. Respirou fundo algumas vezes, tentando se controlar. Seu corpo inteiro tremia, por vários motivos: felicidade, excitação, medo, surpresa. Ela não podia acreditar no que havia acabado de acontecer. Ela não podia acreditar no que quase aconteceu. Não conseguiu evitar a frustração e soltou um longo suspiro, passando as mãos pelo rosto.
– Desculpa parar, é que eu... — Emma começou nervosa, a voz trêmula. Regina sorriu e sacudiu a cabeça.
– Tudo bem. Eu só preciso respirar. — Disse ofegante. A loira fez menção de se levantar, mas a princesa a segurou pelo braço.
– Fica aqui. — pediu de forma doce. Emma nunca tinha visto os olhos de Regina brilharem tanto. — Dorme comigo, por favor.
A loira assentiu sorrindo e voltou a se sentar. Tirou os sapatos e deitou-se na enorme cama de Regina. Ela não sabia muito bem o que tinha acontecido, nem o porque. Mas sabia que havia gostado, e muito. O fato de ter gostado tanto a deixava ainda mais confusa. Ela se lembrou de Regina dizendo que ela iria se arrepender e sorriu, olhando para o teto. Emma estava sentindo muitas coisas, mas arrependimento definitivamente não era uma delas.
– Emma? — Regina chamou, com a voz manhosa. A loira virou-se e deitou de frente para ela. — Boa noite. — disse sorrindo.
Ela sorriu de volta antes de responder, com os olhos já fechados.
– Boa noite, Regina.
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