The Princess & Me
4 Capítulo 4: Sentiu minha falta?
Notas iniciais
Depois de passar a tarde toda conversando com Regina, estar sozinha no quarto parecia estranho para Emma. Era a primeira noite naquele lugar onde agora ela passaria mais tempo que em sua casa. Jogada na cama, Emma encarava a foto onde aparecia junto com sua irmãzinha Megan e Neal. Sempre fora apegada à família e sentia um embrulho no estômago ao pensar em vê-los apenas em alguns finais de semana. Pensou nas potenciais futuras amigas e sorriu ao lembrar de Regina. Sentia-se tão a vontade com a morena, mais até que com Ruby. Ruby foi a primeira pessoa que falou com ela, mas Regina foi a única com quem Emma realmente sentiu uma ligação. A única que poderia ajudar a superar a distancia de sua família. Exausta, Emma adormeceu logo. Pelo menos, admitiu a si mesma antes de dormir, a cama era infinitamente melhor que a de sua casa.
– Bom dia! Achei que você ia perder o café da manhã. — Ruby disse ao ver uma Emma atrasada e sonolenta sentar-se ao seu lado. A loira bufou, se debruçando sobre a mesa dramaticamente.
– Tá muito cedo. Quero dormir. – Ruby riu, dando uma mordida em sua maçã enquanto a amiga começava a comer. Atenta, a morena percebeu quando os olhos de Emma varreram o salão de maneira ansiosa.
– Sua amiga não veio ainda. – Informou. Ao sentir o tom amargo de Ruby, Emma suspirou.
– Ruby, eu sei que você a Regina tem seus problemas e eu não quero me meter neles, de verdade. Mas eu realmente não tenho nada contra ela e agradeceria se você parasse de falar desse jeito.
– Eu só disse que ela não veio.
– Não é o que diz, Ruby. É como diz. – Emma encolheu os ombros. – Sei lá, isso me incomoda.
Ela viu a morena apertar os lábios, e depois revirar os olhos.
– Tudo bem, Emma. Vou tentar me controlar. Mas depois não diga que eu não te avisei sobre ela.
Emma sorriu, balançando a cabeça. Ela tentava prestar atenção ao que Ruby falava, mas seu foco era a porta, onde mantinha o olhar fixo. Até o momento que as duas terminaram de comer e foram para a aula, Emma ainda não havia visto Regina.
Com a mesma ansiedade do café da manhã, Emma esperou a princesa no almoço e a procurou pelo colégio à tarde. Não é como se estivesse desesperada, tentava dizer para si mesma, só queria ver a morena e conversar com ela.
Emma já estava em seu quarto quando seu coração disparou ao sentir o celular vibrar.
– OI! – a empolgação era tanta que ela nem leu o número que ligava.
– Oi, amor! – ela pôde sentir seu sorriso se desfazer ao ouvir a voz de Neal.
– Ah, é você… — murmurou, sem se preocupar em esconder a decepção em sua voz. Ela quase podia ver a cara de confuso do namorado.
– Pelo visto você gostaria que fosse outra pessoa.
Emma suspirou, sabia o quão sentimental ele podia ser e odiava fazê-lo sofrer.
– Não, amor. Eu só não posso falar muito, meu celular está quase sem bateria.
–Sei… Eu só liguei pra te desejar boa noite e dizer que te amo!
– Você é um fofo! – Ela sorriu. – Eu também te amo!
– Eu tenho que desligar também. Amanhã te ligo com calma pra você me contar como vão as coisas.
– Ok. Boa noite, amor. Amo você.
– Eu também amo você, Ems.
Depois de desligar o telefone, Emma se jogou na cama, torcendo para que não demorasse a dormir. Céus, aquele dia parecia não acabar nunca.
Emma sempre achou completamente inexplicável o bom humor que algumas pessoas conseguiam ter pela manhã. Ruby era justamente uma dessas pessoas e agora não parava de perguntar o que Emma achara de sua colega de quarto. A loira não queria ser indelicada, mas realmente estava sem paciência para a amiga. Viu seu celular piscar em cima da mesa ao receber uma mensagem e bufou. Só faltava ser um bom dia apaixonado de Neal. Será que ela era a única pessoa que só funcionava a partir do meio dia? Com um biscoito em uma mão e o telefone em outra, Emma abriu a mensagem.
“Ora! Veja só quem acorda mal humorada! Espero que esse biscoito de chocolate consiga lhe alegrar, senhorita Swan! Uma dama sempre deve sorrir cordialmente para as pessoas.”
Regina quase riu ao ver os olhos de Emma se estreitarem e de repente cruzarem com os seus. A morena se encontrava do outro lado do salão, e sorriu ao acenar para a loira que agora tinha um sorriso radiante. Ao ver Emma vindo em sua direção, a princesa se colocou de pé, tentando não parecer ansiosa demais. Por um momento, Regina se permitiu esquecer até mesmo dos dois seguranças que a escoltavam e, em vez de apertar cordialmente a mão de Emma como sempre fazia com as outras pessoas, ela passou os braços ao redor do pescoço da loira.
Emma poderia ficar abraçada em Regina para sempre. A princesa tinha um perfume tão maravilhoso que ela não conseguia nem descrever a sensação que sentia. Emma não fazia o tipo de pessoa carinhosa que dá abraços a todo instante, mas o único dia que ficou sem ver a amiga, pareceu uma eternidade. Era como se precisasse se certificar que ela estava realmente ali.
– Parece que o chocolate lhe fez bem, Swan. Além de sorridente, está amável. Gostei disso. – Regina disse ao sair do abraço e se sentar à mesa. Emma sorriu, imitando-a.
– É, doces me fazem bem. – Respondeu, dando de ombros.
– Só os doces? Por um momento, cheguei a pensar que isso tudo foi graças ao meu charme. Você quase me iludiu, senhorita Swan.
Emma não sabia se ela estava brincando ou não. Regina tinha esse dom de deixar as pessoas na dúvida. Não era fácil interpretá-la. Ela viu a princesa delicadamente levar a xícara aos lábios.
– Ontem eu não vi você pelo colégio. – Comentou, torcendo para que soasse indiferente.
– Minha mãe exigiu minha presença em alguns compromissos importantes. – Sorriu de canto ao arquear uma das sobrancelhas. – Sentiu minha falta?
Emma tomou um gole de café, fugindo da pergunta. É óbvio que ela sentira falta de Regina. Mas quão vulnerável isso a tornava? Por mais que já considerasse a princesa uma amiga, só havia estado com um dia com ela.
– Precisava de alguém para me ouvir reclamar de Kathryn.
Regina franziu a testa.
– Perdão?
– Kathryn. Minha colega de quarto. Sério, Regina, aquela menina é um saco! – Revirou os olhos de forma quase teatral, fazendo a morena rir. Era incrível como tinha sido quase insuportável ficar o dia anterior sem rir das palhaçadas da loira. Era incrível como era fácil para Regina Mills gostar tanto de Emma Swan.
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