The Precious Blood

60 O oculto se desvela - parte ii


Notas iniciais
Olá meu amores! Não me matem! Eu demorei, mas estou aqui, com a segunda parte do capítulo!!! Espero que gostem! E quem será que poderá desvendar a nossa querida Quendra, hã?? Bora ler!

A bela elfo franziu o cenho quando escutou a humana, Mary, acordar. Claro, a influência de Sarah tinha acabado, agora que ela jazia ao chão, sem forças, como a principiante incontrolada que era.

Se levantou e deixou-se ver. A humana andou até a pequena sala e arfou quando viu a criatura lindamente bizarra que se erguia no meio de seu apartamento. A elfo capturou o olhar da ruiva e ordenou:

_ Durma e esqueça-te de tudo. – Os olhos da humana piscaram, sonolentos, mas ela não acatou a vontade de Quendra, a elfo soube. Principalmente no quesito esquecer.

Livre arbítrio!” Quendra pensou, irritada. Mas acontece que Quendra sabia formas de burlar aquilo. A humana deu dois passos pra trás quando viu os olhos da criatura a sua frente enegrecerem completamente, de uma forma macabra. Mas ainda assim, não pode escapar de ser “presa” pelo olhar medonho.

_ Durma e esqueça-te de tudo. – A elfo ordenou novamente. Com um sorriso, percebeu os olhos verdes da humana ficarem opacos, perderem o brilho, no exato momento em que sua mente era limpa de tudo. Dez segundos depois, a humana jazia adormecida em sua cama.

Lá de baixo, Quendra ouviu o grito de Jacob novamente, desta vez mais forte. Depois ouviu a voz do outro lobo dizendo:

_ Calma cara. Ela deve estar se recuperando. Vamos ter que esperar ela descer. Não tem outro jeito.

Sim, não tem outro jeito”, a elfo pensou. Voltou sua atenção a Sarah, ainda desmaiada. A pobre ainda não sabia como lidar com tanto poder, mal sabia ela que colocou em risco outras vidas ao ousar tanto. A elfo se curvou sobre ela e inspirou, sentindo o seu cheiro: muito mais forte, muito, mas muito mais vigoroso e poderoso. Seus olhos se turvaram. Recuperando-se, a elfo chegou próxima ao ouvido de Sarah e murmurou:

_ Desperte.

Os olhos da morena tremeluziram até que se abrissem aos poucos. Sarah somente abriu os olhos, mas não se moveu. Com a visão turva ela vislumbrou Quendra agachada a sua frente. Esta lhe pegou delicadamente entre os braços, erguendo-a, depois tirou algo das vestes, parecia uma fruta de formato oval e da cor púrpura.

_ Coma. – Ela disse, colocando a “fruta” frente ao lábios de Sarah. A morena franziu o cenho e espremeu os lábios, sentindo o estomago se contorcer ao sentir o cheiro cítrico daquilo. Quendra sorriu. – É só um alimento que te dará a força suficiente. É das nossas terras.

A elfo explicou, e como “nossas terras”, Sarah entendeu que ela falava do lugar oculto ao qual os elfos se refugiavam. Restava saber como ela entrou lá pra pegar aquilo – já que a fruta parecia fresca – se os elfos diziam que estava desaparecida.

Quendra espremeu um pouco a fruta. Um líquido doce e, conforme o cheiro, cítrico, escorregou por entre os lábios de Sarah, agora entreabertos. Era algo forte, incomum. Imediatamente Sarah separou mais os lábios e mordeu a fruta misteriosa oferecida pela elfo, sentindo que só ela parecia capaz de revigorar seu corpo, de forma imediata.

_ Você não deveria se esforçar tanto na magia. Se eu não estivesse aqui, poderia ter ficado horas e horas desmaiada e ninguém poderia te ajudar. – Quendra explicou, parecendo preocupada.

Conforme ganhava forças, Sarah pegou a fruta das mãos da elfo, se sentou, e se pôs a comer mais, apenas concentrada naquela ação. Quendra apenas ficou a observá-la, sentada ereta a sua frente. Sarah terminou de comer e se sentiu muito melhor com aquilo, mas continuou sentada. Então, a primeira coisa que disse foi o que rondou sua mente por todos aqueles dias.

_ Onde esteve? – Sua voz ainda estava fraca.

Quendra suspirou.

_ Onde disseram que eu estava? – Ela rebateu com outra pergunta.

_ Os outros elfos me mostraram. Sentiram que você estava em… Voltera.

A elfo desviou o olhar.

_ Sim. Eu estava lá. Eu estava com ele.

Ele. Marcus Volturi.

_ Por que? – Sarah perguntou, a garganta fechada. Quendra tardou a responder, abaixou os olhos e não voltou a encarar Sarah. A morena passou a se incomodar com isto. – Olhe pra mim!

Os olhos castanhos de Quendra se voltaram imediatamente pra ela.

_ Marcus é muito mais perigoso do que pensa. – A elfo disse, parecendo angustiada. Ela foi evasiva e direta na resposta. Por um momento Sarah ficou confusa, só respondendo depois de alguns segundos.

_ Só se ele conseguir meu sangue. – Disse, querendo ter mais certeza a respeito daquilo.

_ Nós duas sabemos que ele não vai desistir e cedo ou tarde vai conseguir. Quanto mais tentar impedir, pior será.

Sarah sentiu um arrepio diante das palavras murmuradas da elfo.

_ Ele não será o único vampiro com meu sangue nas veias.

Então um brilho estranho passou pelos olhos da elfo, ela sorriu, amarga.

_ E você acha que qualquer uma das suas meninas, Renesmee ou Ludimilla, poderão fazer frente a ele?

_ Por que não fariam? – Sarah perguntou.

_ Por que ele é o vampiro de origem. O veneno da maior parte dos vampiros de hoje vem dele. Todos os outros são menores que ele. E mesmo que você Sarah, se torne a criatura mais poderosa da Terra, Marcus é o mal que pode te fazer frente.

Quendra disse aquilo com voz tensa, com uma certeza tamanha que só serviu pra deixar Sarah confusa. A morena procurou por a cabeça em ordem. Quendra havia dito “vampiro de origem”, mas o que aquilo significava? Até onde Sarah se lembrava, o primeiro vampiro havia sido uma criança… e esta havia transformado muitos outros, não somente Marcus. Ou será que ela se equivocou em alguma parte desta história?

_ Mas você me disse uma vez que aquela criança vampira, a primeira, havia transformado muitos… muitos outros. – Sarah disse, se lembrando do momento em que a elfo havia lhe contado a história da origem dos vampiros. – Disse que por isto eles se alastraram rapidamente e vocês não puderam ter controle de mais nada. – prosseguiu recordando.

Quendra percebeu que aquele era o momento de Sarah saber o que ela tinha lhe ocultado aquele dia, quando se propôs a contar como os vampiros surgiram. No passado, não muito distante, ela havia omitido diversos fatos, mas sabia que hora ou outra teria que revelá-los. O momento era aquele.

_ Mas ele foi o primeiro. O primeiro a ser transformado pela criança. O primeiro a receber toda a carga de veneno Diamper e todo o peso nefasto da magia que corrompeu a alma humana de um inocente. – A elfo fechou os olhos. Como uma armadilha perfeita do demônio, havia sido ele, o seu Marcus, que recebeu o pior de tudo.

A morena engoliu em seco. Apesar de se sentir um pouco zonza e enjoada, colocou de lado o estado frágil de seu corpo e forçou a sua mente a trabalhar em alta velocidade, para acompanhar cada mínima informação que a elfo lhe dava. E se Quendra tivesse razão, se Marcus foi o primeiro a ser mordido e recebeu toda a primeira carga de magia funesta… então…

_ Mas se fosse assim, ele já é tão ou mais poderoso que todos os outros. Não precisa do meu sangue. – Concluiu.

Quendra sorriu.

_ Seria… Ele seria… — Ela suspirou, fechou os olhos e foi como se voltasse há séculos atrás, quase dois mil anos haviam se passado desde então. Ainda de olhos fechados a elfo murmurou: — Mas Lairon interferiu. Foi a única vez, o único momento em que seu pai tomou posse do reinado que lhe pertencia. E ele usou isto contra Marcus.

De repente a curiosidade de Sarah estava extremamente aguçada, quase ao ponte de fazê-la se curvar para frente.

_ Fale! Fale tudo! – Ela não pediu, ordenou que Quendra lhe dissesse tudo. A elfo titubeou diante da ordem. Por um milésimo de segundo Sarah viu ela estreitar os olhos e travar a mandíbula, como se tentasse resistir. Mas logo em seguida, voltou ao normal.

_ No começo Marcus era incontrolável, insaciável e irracional. E, acima de tudo, absolutamente consciente dos poderes que tinha. Quando ele se descobriu uma criatura poderosa, ficou maravilhado com aquele poder, pouco se importando com o que aquilo significava, realmente. Ele tinha a capacidade de dominar e imperar sobre os humanos, de influencia-los, de forçá-los a permanecer fiel a ele… Eram como brinquedos para ele e ele gostava disso. Gostava de ter este controle sobre os outros, desde seus tempos de humanos.– Sem disfarçar, a elfo travou a mandíbula.

Só depois de um momento prosseguiu. Sarah sequer respirava, atenta:

_ E ele tinha outros talentos especiais. Descobriu que tinha a capacidade de desenvolver muitos outros. Mas o que mais fazia uso era o de submissão. Sua influência sobre qualquer um era letal e sua vontade imperava acima de qualquer outra. Porque esta era a sua principal característica humana: manipular as vontades dos que estivessem a sua volta, fazer com que o seguissem cegamente. Era de sua natureza querer ter absolutamente tudo sob o seu controle. E por isto ele mesmo, Marcus, caçou cada vampiro que tinha sido transformado por aquela criança e os destruiu. Por um momento, só por um momento, nós elfos pensamos que ele estava nos ajudando… — “…fazendo aquilo por mim”, Quendra completou em pensamento. — … e o deixamos continuar com aquilo enquanto matávamos a criança e corríamos atrás dos outros transformados pelos primeiros vampiros. Tudo isto durou anos, décadas. Tarde demais fomos perceber o plano de Marcus. Ele matou os outros vampiros de origem, aqueles que foram transformados diretamente pela criança e por isto eram mais poderosos. Ele matou também muitos “descendentes” destes vampiros, enquanto transformava muitos outros, outros que eram facilmente subjulgados por ele. Marcus dificilmente poderia ter controle sob os vampiros que não descendiam dele, mas já com aqueles que compartilhavam o seu veneno… estes nunca escapavam da força de suas vontades.

“…enquanto transformava muitos outros, outros que eram facilmente subjulgados por ele.”

“nunca escapam da força de suas vontades”

Aquela ultima frase ecoou nos ouvidos de Sarah, fazendo sentindo aos poucos. Ela sabia que isto tinha algum significado maior do que parecia, mas tardou a perceber o porque. Como se soubesse do seu medo, Quendra parou de falar, como se esperasse o raciocínio de Sarah completar-se. Mas não demorou muito e ela juntou as peças. E foi com extremo pânico que Sarah percebeu o seu mais perigoso erro: Milla!

_ Milla foi transformada por Marcus! — Disse em um esgar.

Seu coração se acelerou de maneira absurda, ela se levantou de maneira brusca.

_ ELE SABIA! Sabia que eu ia tentar reverter a situação dela! Sabia que ela era preciosa pra nós! Sabia do grau de envolvimento dela com um lobo! Sabia sobre o imprinting! – Rapidamente a mente de Sarah começou a trabalhar. – E ele pode… ele pode… — O coração da morena se espremeu, seus olhos se arregalaram. — … ele pode ter controle sobre ela!

Aquilo não podia ser verdade! Não podia! Olhou pra elfo, buscando explicação, mas o que ela lhe disse piorou ainda mais suas conjecturas.

_ Ele mantém os lobos sob vigia há um bom tempo. – Quendra lembrou-lhe.

Sim! É claro! Jacob começou a suspeitar disto há um bom tempo também! Mas era incapaz de imaginar que ele tivesse obtido tantas informações. Quendra continuou a falar o que sabia.

_ E quando Edward foi pleitear em defesa de Renesmee, quando fizeram uma pequena rebelião pra afirmar que Renesmee era híbrida e não uma criança vampira, por um momento ele permitiu que Aro visse toda a sua mente. Edward forneceu informações preciosas sobre os lobos. Aro é incapaz de esconder coisa alguma de Marcus, seu criador. – A elfo tornou a dizer, incapaz de se conter e revelando absolutamente tudo a Sarah, conforme a ordem que esta tinha lhe dado.

Sarah sentiu sua cabeça rodar. Se sentou no sofá vermelho que havia ali.

_ Por que não me disse antes? Por que não falou que a atitude dele ao transformar Milla era muito mais do que algo para me aterrorizar? – Sarah acusou.

As informações começaram a se juntar e ela começava a perceber o quão ardiloso seu inimigo era.

Nenhum lobo pode matar o objeto de imprinting de outro lobo.

Era a lei mais elevada entre eles. E eles se sujeitariam a Milla e não a matariam mesmo que corressem risco de vida. E esta sim foi a verdadeira razão de Jacob não ter podido matar Milla durante sua transformação! Não foi por causa do pedido de Sarah! Não! Foi por causa do poder incontestável daquela magia e a irmandade legítima entre os lobos.

_ Quando decidiu levar ela para aquela ilha, eu tentei contestar. – A elfo a recordou de mais um fato, uma nota de rancor transparecendo em sua voz.

Sim. Realmente, Quendra havia lhe dito não em um primeiro momento. Mas Sarah estava obcecada e foi ali, pela primeira vez, que usou seu poder sobre Quendra e fez a elfo lhe obedecer. Teria se precipitado?

_ E agora? – Murmurou, com terror.

_ A forma como você fez, a pureza que imprimiu ao ato de doar seu sangue, pode anular o poder dele sobre ela. Mas, independente disto, tudo dependerá somente da garota. Ela terá que travar batalhas contra si mesma e contra a sua nova natureza. Marcus sabe que agora não terá poder para subjulgar Milla a sua vontades. Mas se ele recuperar o seu poder e se isto vier da mesma fonte que veio o poder de Milla… poderá ter mais chances.

As doses de pânico que recebia com cada informação dada pela elfo a fazia se sentir pior a cada segundo. Sentia uma dor incomoda na nuca.

_ Controle sua pressão, Sarah. Novo descontrole seu pode ser… perigoso. – A elfo disse, apenas observando Sarah.

_ Você diz “recuperar o seu poder”… Disse que meu pai interferiu no poder dele… Como? – Sarah se inclinou no sofá e tentou manter o controle. Estava difícil, mas ela não podia enfraquecer agora. Sabia que Quendra estava sendo absolutamente sincera e verdadeira sobre tudo, sabia porque tinha certeza que agora a elfo não era capaz de lhe esconder nada. – Continue! – E uma vez mais ela usou seu tom de ordem que descobriu que Quendra não podia resistir.

A elfo ficou em silêncio por poucos segundos antes de voltar a falar.

_ Quando descobrimos o que Marcus fazia fomos até ele. Éramos somente eu e Lairon, já crescido, mas ainda jovem. Fomos só nos dois porque… — Ali Sarah percebeu que Quendra hesitava, como se não quisesse falar. Mas por fim soltou. – Porque Lairon sabia que Marcus iria se comportar diferente comigo perto. Pois quando humano… — Nova hesitação. -… quando humano eu sempre estive muito próxima a ele, cuidando dele…

_ Tão próxima quanto meu pai esteve de minha mãe? – Sarah sondou, sabendo muito bem o tipo de relação que o pai e a mãe tiveram. Quendra voltou a ficar circunspecta, silenciosa. – Fale! – Sarah voltou a ordenar, com mais impaciência e vigor.

_ Quase! – A confissão escapou entre dentes, do mais intimo da elfo. Desta vez ela não escondeu o brilho raivoso de seus olhos castanhos. Ela não queria revelar aquilo, mas tinha um dever para com Sarah.

Sarah se desencostou do sofá e voltou a olhar para a elfo. Então, Quendra quase se entregou para Marcus? O que a impediu?

_ Évora. – A elfo respondeu a pergunta oculta que dançava pelos olhos de Sarah. Prosseguiu. — E depois Lairon.

Era a primeira vez que Quendra mencionava o nome da rainha legítima diante de Sarah. E a pronuncia do nome dela também saiu com notas de rancor. Quendra prosseguiu.

_ Seu pai me fez encontrar Marcus, atraí-lo para perto, porque sabia que eu poderia fazê-lo ficar vulnerável. E de fato eu fiz! E neste momento Lairon tomou posse de seu reinado e atingiu Marcus.

_ Por que não o matou? Por que meu pai não o matou ali e acabou com tudo? – Sarah perguntou e os olhos da elfo se voltaram furiosos para ela. A morena não recuou, imediatamente entendendo. – Você não permitiu. – Disse, com voz acusatória.

Quendra abaixou a cabeça.

_ Eu disse a Lairon que havia algo bom nele. Disse a Lairon que ele me amava. E se era assim, algo o salvava da miséria. Disse que ele tinha sido vítima de tudo.

E o pai de Sarah teve compaixão. E por compaixão errou. Cometeu o mesmo erro que sua avó cometeu ao não matar a criança. Cometeu o mesmo erro que Sarah ao dar seu sangue e todo o seu poder a Milla, não uma, mas duas vezes. O quanto sua família erraria? Como poderiam concertar a sucessão catastróficas de erros?

_ Então ele disse a Marcus que mataria a nós dois se ele não desse provas do que eu estava falando. Lairon pediu que ele abrisse mão de parte substancial do seu poder, recusando sua habilidade sobrenatural de dominar, de eliminar o livre arbítrio dos outros, e cuidasse para ocultar os da sua raça dos humanos. Disse que Marcus teria que garantir que os vampiros nunca, jamais, rompessem com o equilíbrio e a supremacia do mundo humano e que cuidasse para que nenhuma outra criatura mágica maligna andasse sobre a Terra. Esta seria a prova de amor que ele daria a mim e assim mereceria viver.

_ Marcus aceitou. – Sarah afirmou.

_ Sim.

_ E este acordo também impediu que os elfos continuassem a dizimar os vampiros?

_ Não. A prova de amor incitou nos elfos a esperança de que as almas dos vampiros não seriam completamente corrompidas. Eles poderiam sentir, poderiam amar. E o amor é nosso bem mais sagrado. Não podemos macular algo, por mais pecaminoso que pareça, se houver um mínimo resquício de amor nele. O amor é a melhor armadura contra os elfos. Quando Marcus se sacrificou por mim ele deu provas disto e acabou por proteger não somente a ele, mas todos os outros da sua raça. Eles se tornaram diferentes de todas as outras criaturas que dizimamos ao longo dos séculos, porque os vampiros, de alguma forma, ainda eram capazes de amar. – A elfo continuou sua série de confissões de forma submissa.

_ Mas Marcus se arrependeu do que fez. Ele não me parece mais preocupado em manter equilíbrio algum. Por que? Descobriu que não te amava tanto assim?– A morena perguntou.

_ Não! Foi… foi porque ele pensou que, depois de tudo, eu permaneceria ao lado dele. Que deixaria o reinado élfico e que ficaria com ele. – Era notável o pesar que Quendra sentia diante de tudo aquilo.

_ Mas não foi assim.

_ Não. Não foi assim, Sarah. Seu pai, depois daquele momento, me deu o trono novamente, e me incumbiu o dever de garantir que tudo permanecesse assim, como retribuição por ele ter poupado a vida de Marcus e acatado meu pedido. E depois, ele me cobrou este dever novamente, me fazendo prometer que deixaria você viver, mesmo que nossa lei dissesse o contrário, mesmo que eu sentisse que deveria fazer o contrário, e que cuidaria de você, até que estivesse… segura.

_ E você fez tudo isto Quendra, por causa da chantagem do meu pai? O tempo todo? Durante todos estes anos? – Havia uma angustia no peito de Sarah, um pesar repentino.

A elfo curvou a cabeça e continuou em silêncio, em sua assustadora postura de submissão. Era deprimente vê-la daquela forma. Aos poucos um sentimento de culpa foi atingindo Sarah aos poucos. Quendra nunca tinha agido por vontade própria? Esteve sempre sujeita a vontade ora de Évora e ora de Lairon?

_ Eles não eram qualquer um, Sarah. – Quendra sussurrou. – Eram os meus soberanos. Obediência nunca foi uma escolha.

_ Mas me diga agora! O que você quer? O que você realmente quer pra ti?

A elfo sorriu.

_ Sarah! Eu sou uma elfo. Os elfos jamais desejam. Coisa alguma.

_ Mas você desejou! Você desejou estar com Marcus, você desejou poupar a vida dele, você não deseja vê-lo morto! Minha avó também desejou amar um humano, assim como meu pai. Vocês não são imunes a isto.

_ Mas deveríamos ser. Desejo… — A elfo tornou a sorrir daquele jeito amargo. — Isto é um regalo das criaturas humanas, Sarah. Conviver em meio a eles, perto demais, nos contamina.

Sarah bufou irritada, era impossível fazer Quendra falar, a não ser que desse nova ordem. Mas não queria fazer isto. Não mais.

_ E eu sei que é meu dever colaborar para que você consiga fazer aquilo que eu impedi o seu pai de fazer. Marcus descumpriu sua promessa, não deve mais existir. – Ela continuou.

_ Mas você não deseja vê-lo morto.

_ E por isto vai poupar ele mais uma vez, Sarah? Como o seu pai fez?

A cabeça de Sarah latejava, ela se curvou e colocou-a entre os seus joelhos, numa posição fetal. Sentiu o carinho dos dedos delicados da elfo em seus cabelos.

_ Você sabe que não é o certo. Sabe que se permitir ele se tornará incontrolável. Independente dos nossos desejos, devemos fazer o certo.

Sarah ergueu os olhos e se deparou com a elfo chorando ao dizer aquelas palavras, as lágrimas cristalinas inundavam os olhos castanhos os deixando límpidos e ainda mais brilhantes.

_ E você está disposta a fazer isto mesmo? – Sarah perguntou, sondando.

A elfo exalou, apertou os olhos e deixou os lábios tremer.

_ Jamais! Nunca estarei disposta. Nunca conseguirei fazer por mim mesma. Porque nem ao menos terei o alento de saber que a alma dele descansará em paz.

Sarah se comoveu ao sentir tanta sinceridade emanar da elfo, ela tinha se mostrado frágil naquele momento, sem a armadura de “elfo” que vestia. E como para demonstrar isto, aos poucos as características elfo dela foram desaparecendo: os desenhos na pele, a cor azulada dos cílios, sobrancelhas e também da pele. Logo ela parecia apenas uma humana muito bela, com a pele branca e as faces rosadas. Os cabelos continuavam brilhantes e loiros platinados.

Quendra e Sarah se mantiveram em silêncio por um tempo.

_ Eu tentei! Eu estive com ele durante este tempo, tentei convencê-lo a abandonar tudo isto, tentei recuperar um pouco do que ele tinha, mas… Não pude!– A elfo respirou fundo. – E agora você precisa fazer o certo. Tem que destruí-lo antes que ele possa tomar o controle de tudo e eu não posso mais te impedir… o meu dever é… te ajudar nisto.

Sarah percebeu o quanto era difícil para Quendra admitir aquilo, propor aquilo. Por um segundo, começou a pensar que talvez pudesse haver uma chance de Marcus permanecer “vivo”. Mas não podia se deixar levar. Um dia seu pai havia cometido o mesmo erro. Marcus não tinha salvação.

_ Suponho que não será tão simples destruí-lo. Ele não vai permitir isto tão facilmente. Não vai se colocar em uma situação de risco. – Sarah murmurou.

_ Não. Não vai. Ele nunca foi imprudente. – A elfo resmungou. – Mas tem-se que encontrar um jeito.

_ Sim.

E agora era isto. Ela tinha que destruir Marcus e sabia que nenhum outro ser seria capaz disto além dela mesmo. Então, ela teria que matá-lo pessoalmente. E isto não era um risco somente pra ele, mas sobretudo pra ela. Sarah poderia ser muito poderosa, mas sabia que não tinha a mente ardilosa de Marcus. Ele estava há muito mais de mil anos a sua frente.

Sem que pudesse controlar, um resquício de medo se apoderou de seu coração. O que aconteceria se ela falhasse?

_ Ele vai precisar ser atraído até mim. Mas não virá por qualquer coisa.

_ Não. Mas eu sei o que o trará a você.

_ O que? – A moça perguntou, apreensiva.

_ Nesta guerra, eu irei trair um dos lados. É importante que Marcus pense que estou traindo você.

Sarah entendeu.

_ Você fará parecer que tudo se trata de uma armadilha pra mim? – Sua pergunta foi quase uma afirmação.

Quendra concordou com um gesto e disse:

_ Será só você Sarah. Você e ele. É importante que esteja preparada e segura para isto. E é preciso que… você tenha assumido o trono élfico. Você não poderá controlar todo o seu poder enquanto não for a rainha legítima.

_ E como tomarei o trono, definitivamente?

Quendra passeou os dedos longos pela face de Sarah.

_ Quando estiver mais forte que isto. O processo é doloroso e… desgastante, principalmente para alguém que não é completamente elfo. Você mesma terá de me dizer quando e onde ocorrerá, longe de tudo e de todos.

_ Tudo bem. – Sarah murmurou. – Onde você estará?

Quendra não respondeu, apenas a olhou profundamente. É claro, ela estará com Marcus.

_ Em Voltera. – Quendra respondeu o que Sarah já tinha inferido. – E para que eu possa falar com você enquanto estiver longe é preciso que você permita.

_ Como assim? – A morena ficou confusa. Quendra nunca teve problema para falar com Sarah. Quando ela menos esperava a voz da elfo retumbava em sua mente. Simples e fácil. Sempre foi assim.

Quendra sorriu.

_ Você tem a mente bloqueada há tempos, Sarah. Desde o dia em que Jacob quase foi morto, ninguém pode invadir sua mente sem sua permissão. Isto é reflexo da sua posição. Somente quem tem o poder e o sangue real pode fazer isto.

Sarah ficou surpresa com aquilo, nenhum dos outros elfos haviam comentado isso com ela. Mas talvez isto explicasse o fato de que os outros elfos não conseguiram se comunicar corretamente com Quendra enquanto ela se manteve afastada. A própria elfo poderia estar bloqueando o acesso deles.

_ E como eu posso controlar isto? – perguntou.

_ Basta querer, em seu intimo. Você só precisa criar consciência daquilo que deve bloquear e do que deve permitir. É muito simples. Você me dá acesso a sua mente?

_ Sim. Sim, eu permito. – Ela disse, tentando imprimir sinceridade às suas palavras. Imediatamente sentiu um leve formigamento nas têmporas. Os olhos da elfo estavam fixos nela.

“Bom”.

Sarah ouviu a voz de Quendra em sua mente. Tinha funcionado. Quendra lhe sorriu,um sorriso triste, e pegou em suas mãos.

_ Vamos confiar que dará tudo certo? – Lhe disse, brandamente. Sarah apertou as mãos macias.

_ Sim, vamos. – Confirmou, mesmo sentindo um certo desassossego no peito. Quendra sorriu, complacente.

_ Então vá. Creio que Jacob lhe espera ansioso lá embaixo. Voltarei assim que me chamar, tudo bem?

Sarah se levantou, testando a firmeza de suas pernas. Ainda se sentia zonza diante de tudo aquilo. Quanto tempo ela havia passado conversando com Quendra, afinal? Quanto tempo Jacob lhe esperava?

_ Você vem comigo? – Perguntou a elfo, embora já soubesse a resposta.

_ Não. Não é seguro.

Sarah sabia que ela não iria. Sabia que Quendra retornaria para onde estava: ao lado de Marcus. A morena apenas suspirou e acenou com a cabeça. Sem dizer uma palavra ela deu uma ultima olhada em Mary, verificando que ela dormia profundamente e se encaminhou para saída.

Silenciosa, Quendra caminhou do seu lado até que ambas estivessem no hall. Encontrou o porteiro adormecido em seu lugar.

_ Ele parecia assustado com algo, achei melhor tranquilizá-lo. – Quendra disse.

Sarah se voltou para a elfo.

_ Quando estiver pronta, Sarah. Eu voltarei imediatamente. Basta me dizer quando. Não vou me comunicar com você enquanto você não me der um sinal. Não é seguro. – Quendra lhe disse, com a voz grave.

_ Tudo bem.

Sarah imediatamente se voltou para a saída assim que ouviu a voz de Jacob. Ele parecia conversar com outra pessoa.

_ Vá em frente, tenho que ir. Até breve, Sarah.

Sarah se voltou a tempo de ver Quendra desaparecer em um farfalhar de roupas. Fitou o vazio do átrio por um tempo, pensando em quando ela mesma teria a capacidade de se transportar assim. É certo que ela quase conseguia, em alguns momentos. Naquele dia, por exemplo, conseguiu vir de La Push a Seattle em pouco menos de dez minutos, correndo.

Atraída pela voz de Jacob, mais uma vez ela se voltou para as portas de saída e caminhou muito lentamente para fora. Ainda se sentia fraca, parecia pisar em nuvens, sem a ajuda da gravidade para firmar os pés no chão. Sua cabeça parecia leve demais e suas vistas um tanto embaçadas.

_ Sarah! – Jacob se levantou do asfalto em que estava sentado assim que a viu sair do prédio. Franziu o cenho, ela estava pálida.

Ela estacou na escadaria de entrada e lhe ofereceu um sorriso trêmulo. Sem pensar Jacob se precipitou para frente, mas foi repelido pela magia assim que encostou no portão. Sarah franziu o cenho ao perceber que a sua magia tinha alcançado aquele ponto.

Com as pernas cada vez mais trêmulas ela caminhou para fora, só enxergando os braços de Jacob, ansiando por seu aconchego. Mal se deu conta de que outros lobos estavam ao lado dele.

Ela só conseguiu caminhar até que estivesse a meio metro de distância de Jacob, depois disso, sentiu o peso de sua fraqueza voltar e ela simplesmente despencou em direção ao chão. Foi imediatamente amparada pelo marido, que lhe apertou em meio ao calor de um abraço desesperado.

_ Sarah, o que foi? – Jacob colocou a mão em sua testa, ela estava fria.

_ Jake, cara, ela não parece nada bem. – Paul disse.

_ Estou bem. – Ela murmurou. Mas não estava, sua cabeça parecia dar voltas inteiras, seu estomago parecia querer saltar pra fora. Ela precisava de outra fruta daquela que Quendra lhe tinha dado.

_ Eu disse! Disse que você não poderia se esforçar mais! – A voz de Jacob era uma mescla de raiva e preocupação.

Sarah abriu os olhos e o encarou. O castanho de suas íris estava mais límpido e resplandecente do que Jacob se lembrava de alguma vez ter visto. Se calou, sentindo algo nela o tragar para perto… cada vez mais perto. Seus lábios encostaram nos dela, escovando-os com suavidade. Sentiu um choque em todo o seu corpo, Sarah resmungou e abriu os lábios, uma deliciosa tentação para que Jacob a beijasse. Ele se esqueceu de tudo então e mergulhou a boca nos lábios dela e então se sentiu ser tragado.

Sarah fincou as unhas em seus ombros, o prendendo em seu abraço com o máximo de força que podia. Jacob sentiu os joelhos ceder e caiu ao chão com ela em seus braços. O breve choque que sentiu ao tocar os lábios dela se triplicou ao ponto dele sentir que tinha a energia de todo o seu corpo saindo dele de forma quase dolorida. Soltou um esgar por entre os lábios de Sarah, sem fôlego, mas não conseguiu despregar as bocas.

Seu coração passou a bombardear sangue mais de pressa, todos os músculos de seu corpo passaram a tremer enlouquecidamente enquanto estava preso ao beijo que lhe roubava energia, força e lhe concedia um prazer inexplicável.

Então as mãos de Sarah abrandaram o aperto, a boca deixou de ser exigente, a intensidade do beijo diminuiu até regressar ao sutil escovar de lábios. Jacob respirava com exaustão imensa, como se tivesse permanecido muito tempo sem ar.

_ Da próxima vez façam isto em um quarto. Assim… só um conselho. – Brad murmurou.

Jacob mal deu atenção. Se sentia cansado, mas ficou maravilhado ao ver as faces de Sarah novamente coradas, ao senti-la mais quente. Sorriu assim que ela se sentou no asfalto parecendo confusa, mas com o mal estar subitamente curado.

_ O que foi isto? – Ela perguntou, encarando Jacob que ainda tremia. Com a visão novamente apurada, Sarah podia ver os músculos de Jake pulsarem sob a pele.

Ainda sorrindo, como se o que tivesse acontecido fosse muito hilário, ele lhe disse:

_ Acho que acabei de ser atacado por uma vampira de energia. – Depois curvou a cabeça pra trás e riu. – E ela é minha própria esposa.

Sarah elevou as mãos a boca, espantada. Então, já que ela estava sem força, ela simplesmente foi lá e roubou a de Jacob, sugando-a com um beijo tão…?

_ Meu Deus!

_ Se ela fez isto com um beijo… — Paul começou. — eu não quero nem imaginar o que ela pode fazer com você quando…

_ Cala a sua boca! – Jacob rosnou, se levantando devagar e puxando Sarah consigo, como se tentasse ampará-la. Mas acabou que foi Sarah quem lhe deu uma ajuda para permanecer de pé.

_ Eu não pretendia fazer isto, mas foi algo que… droga! Você está bem? – Os olhos castanhos estavam preocupados ao encarar o índio, mas Jacob, com sua incrível capacidade de achar humor em situações tensas, apenas sorria, divertido.

_ Imagine, amor. Foi um prazer! – Ele lhe dirigiu um olhar safado, que foi seguido de assovios e murmúrios insinuantes de Paul, Brad e Jared.

Sarah rolou os olhos.

_ Vamos embora! – Disse, dando um tapa sutil no braço do marido. Mas Jacob cambaleou com aquilo e riu de novo.

_ Hey Sarah, acho que você sugou uma parte do cérebro dele também. – Jared disse, fazendo uma expressão preocupada. Aquilo quase convenceu Sarah, se ela não tivesse percebido um brilho de riso no olhar do lobo.

_ Okay. Acabou a graça. – Jacob voltou a sua pose de alpha costumeira, embora ainda se apoiasse mais que o comum no braço que Sarah o agarrava. – Os vampiros saíram fugidos de Seattle, mas podem ter ido se abrigar nas redondezas, temos que ir pra casa.

_ Como assim? Os vampiros fugiram daqui? – Sarah perguntou, interessada.

Jacob afirmou com a cabeça e Paul lhe respondeu:

_ Pois é. E foi você que fez isto, com aquela magia louca. Quase obrigou a gente a correr daqui também, se a gente tivesse força pra continuar na forma lupina, teríamos conseguido escapar.

_ O quanto a magia se entendeu? – A morena voltou a questionar.

_ Acho que por toda Seattle, não havia um lugar que a gente olhasse que não estivesse coberto com aquela nuvem brilhante. – Foi Jared quem lhe respondeu então. – Cada um de nós estava em um ponto da cidade quando aconteceu. Eu vi dois ou três vampiros saindo em completo desespero da cidade, quase não podiam caminhar e gritavam como se estivessem sendo torturados. Foi assustador até pra mim.

Brad e Paul murmuraram em concordância e Jacob voltou a ficar com o semblante sério.

_ Mas isto foi só no ponto alto, enquanto Sarah estendia a magia. Se nós lobos já conseguimos caminhar pelas ruas sem sentir desconforto significa que os vampiros podem voltar. Acho que só as casas estão protegidas mesmo. – Jacob explicou, enquanto ouvia o coração de Sarah bater apressado. – Mas acho que isto vai afastá-los por um tempo, pelo menos. É seguro voltar pra La Push agora e descansarmos por uns dias, vigilantes, mas um pouco mais calmos.

_ Sim… eu acho que sim. – Sarah confirmou. Depois encarou Jake com expressão de culpa. – Pode correr?

Jacob sorriu.

_ Não tanto. Mas suspeito que nenhum de nós possa, já que estamos um pouco indispostos pra nos transformar depois de sofrer o impacto da sua magia. Vamos seguindo um pouco mais calmos.

Sarah encarou os quatro lobos, inclusive Jacob, como se pedisse desculpas. Paul ignorou aquilo rolando os olhos, Jared lhe sorriu e lhe deu um tapinha amigável no ombro, Jacob lhe fez uma carranca e lhe murmurou um “não seja tola”.

Já Brad, o mais jovem deles, lhe deu um monte de parabéns e lhe bombardeou de perguntas, como: Onde aprendeu aquilo? Como fez aquilo? Você pode fazer mais magias igual aquela? Pode matar quantos vampiros por vez com o seu poder?

Ele só parou quando Jacob lhe deu uma bronca e envolveu o braço forte ao redor dos ombros de Sarah. Eles se encaminharam para La Push correndo, mas não a toda velocidade que podiam. No caminho, sentiram o rastro de alguns vampiros, mas por sorte eles tinham se dirigido para além de Port Angles, Forks e La Push. Demoraram cerca de uma hora antes de, finalmente, chegar aos limites de Forks. E mal deram dois passos para que um furacão ruivo surgisse em sua frente, bloqueando o caminho.

_ O que aconteceu Sarah?

Era Nessie. Ela lhe encarava com os olhos estatelados, assustada e extremamente preocupada.

_ Calma, Nessie, tá tudo bem. – Jacob respondeu, com uma careta.

_ Não! – Nessie quase gritou, assustando Jacob e os outros lobos. Ela se voltou pra Sarah. – Eu senti, Sarah! Senti o seu mal estar. Eu e Milla! O que diabos aconteceu?

Encarando Sarah, Nessie percebeu algo estranho nublar os olhos da morena antes que ela perguntasse:

_ Onde está Milla?

_ No lugar de sempre: vigiando a costa. – Nessie respondeu, estranhando a expressão de Sarah ao fazer esta pergunta. A morena afirmou gravemente e voltou a caminhar em direção a sua casa.

_ Espera! – Com um único movimento, Nessie voltou a se colocar em sua frente. – Vocês precisam me dizer o que aconteceu! Você está bem?

_ Não precisa se preocupar tanto, Renesmee. Está tudo bem agora. – Jake respondeu, mas Nessie lhe ignorou grandemente.

_ Por favor, me diga que está tudo bem com você. – Nessie se aproximou de Sarah e lhe agarrou as mãos. Os lábios vermelhos da menina tremiam, ela parecia realmente preocupada. Mas por que tamanho desespero? Sarah pensou. Nessie não lhe via ali, a sua frente, perfeitamente recuperada?

_ Já disse que está tudo bem. Só me exauri demais em uma magia nova.

Nessie lhe apertou as mãos, ainda parecendo angustiada.

_ Tome cuidado, por favor. – Lhe disse, parecendo ter uma razão vital em saber que Sarah ficaria segura.

Por um momento, Sarah estranhou aquilo, até que sentisse um formigamento em suas mãos e um impulso absurdo em proteger e acalmar a menina híbrida. Saiu dos braços de Jacob e se agarrou ao corpo pequeno e falsamente delicado de Nessie, lhe acariciando os cabelos. No mais profundo de si, sentiu uma emoção forte lhe irradiar o corpo inteiro, seus olhos se umedeceram e lhe abrasou a certeza de que Nessie era importante…

“Muito importante” Uma voz lhe soprou no fundo d’alma.

Em meio ao abraço, Nessie se acalmou, finalmente.

_ Está tudo bem. – Sarah murmurou, se desvencilhando da ruiva aos poucos e voltando aos braços de Jacob, que observava a cena silencioso.

Definitivamente, ele nunca poderia acompanhar os mistérios que rondavam as reações de sua esposa.

Notas finais
Entãooooo... esta parte do capítulo foi difícil de escrever, pois estou fazendo uma série de "amarrações" com detalhesinhos que ficaram láááá pra trás! Portanto se alguém estiver confuso, ou achar alguma contradição na história, é só dizer nos comentários. E por falar nos comentários, eu consegui responder praticamente todos, vcs viram só? kkkkkkk Entãooooo sobre este capítulo, estou louca pra saber o que vcs acharam da dona Quendra. E aí? Contem-me tudo! hahahaha bjssss... até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.