The Precious Blood

50 O INÍCIO, O FIM


Notas iniciais
HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.... DUAS RECOMENDAÇÕES! TO HISTÉRICAAAA!!!!
COMO AGRADECIMENTO: AMANDO, BELLA SWAN23, ESTE É PRA VCS (antes da hora)!!!

MUITO, MUITO OBRIGADO, AMEIIIIIIIII!!!!!

Bora ler!

“Uma sombra perpassa, toda vagarosa,

pelo campo amargo do acônito e cicuta.

Ela abre largas asas de carvão e oculta

um corpo cor de medo na veste ondulosa.

Todo o seu grande ser, belo como um lenda,

tem perfumes subterrâneos de argila e avenca.

Nas suas mãos frias e embalsamadas de óleos

há dez unhas agudas que vazam os olhos.

Ela traz asfódelos e heléboros bravos

em torno dos cabelos negros como víboras.

Ela ri sempre: e o seu riso de dentes alvos

brilha como um punhal mordido entre as mandíbulas.

Os homens fortes sorriem quando ela chega:

os poetas, à sombra ilustre da árvore grega;

os heróis, sob as asas de ouro da vitória.

— Porque ela talha as estátuas e a engendra a glória!”

(Guilherme de Almeida)

Na base das costas, quase na curva de seus quadris, um beijo quente foi depositado. Ela sorriu. Outro beijo, mais acima, no meio das costas, seguindo a curva da coluna.

_ Jake! – Ela murmurou, sorrindo preguiçosa. – Deixa eu virar! – pediu.

_ Quieta! Continue de costas! Só eu beijo. – Ele ordenou, sua voz mais imperativa. Ela riu, mas estremeceu quando os beijos chegaram em sua nuca. – Vire-se. – ele sussurrou, quando já estava completamente entorpecida com os beijos nos ombros e nuca.

Obedeceu.

Ele voltou para os pés dela, e tal como fez com a parte de trás, beijou cada parte do corpo de Sarah. Beijou os pés, subiu para as pernas, coxas, virilha. Riu quando ela suspirou um audível “ah” quando ele lambeu seu sexo, mas prosseguiu com o caminho de beijos, pela barriga, pelos seios, onde ele foi lento e minucioso. Beijou gostosamente cada mamilo entumecido, envolveu o seio firme com seus lábios de forma carinhosa… Era exatamente isto, um carinho manhoso que ele fazia, após incontáveis horas de amor. Ela ronronou sob os lábios dele.

_ Relaxada? – Ele sussurrou, quando finalmente chegou a boca e começou a lamber e morder os lábios de Sarah, levemente.

_ Hummmmm... – foi a resposta. Ele riu abertamente em seu ouvido.

_ Gostosa… — ele disse provocante, enquanto lhe apertava as coxas e nádegas. Ela riu.

_ Gostoso… — Ela respondeu, lhe beijando mais ousadamente, acariciando a boca dele com sua própria língua. Jacob fechou os olhos e prendeu a respiração para melhor degustar.

Ele se virou e a puxou para cima dele, para se deitar. Ficaram um momento assim, sem nada dizer. Ele fazia de tudo para que ela ficasse relaxada, calma. E foi assim, enquanto lhe acariciava os cabelos, que ele tocou no tão temível assunto.

_ Que tal me explicar um pouco mais sobre esta coisa de gravidez da Leah? – a voz dele não passava de um murmúrio suave, mas imediatamente ele sentiu o corpo dela enrijecer. Puxou a cabeça dela em direção a sua, beijou-a até que ele próprio ficasse sem folego e sorriu, um sorriso de confiança.

Compartilhar… Era aquele o pedido que as atitudes de Jacob denotavam.

_ A criança de Leah é um verdadeiro milagre. Uma concessão dos espíritos de sua tribo. Mais crianças fortes como ela virão. – Ela disse, enquanto alisava o peito largo de Jake e entrelaçava mais as pernas nuas nas dele.

_É mesmo? – Jacob comentou, levemente, sem parecer se abalar. – O quão forte ela será?

_ Muito…nestes tempos, os genes lupinos se manifestarão logo na puberdade. Eu vi isto e eu sei disto. Quando eu toquei na barriga de Leah eu senti uma força poderosa naquela criança, ela me permitiu ver mais, sentir mais de si. Então eu senti a mesma onda vigorosa de magia élfica que sinto quando você se transforma em lobo. Coisa que não sinto em nenhum outro lobo da alcateia. A criança tem a alma muito pura ainda, por isto mesmo é mais forte. – Sarah parou de falar, engoliu em seco, logo sentindo o abraço de Jacob se estreitar, oferecendo mais conforto. – Eu senti que ela poderá ser tão mais poderosa quanto o alpha.

Jacob riu, uma risada estrondosa. Sarah arregalou os olhos e se ergueu para melhor encará-lo.

_ Então quer dizer que o pirralho de Leah pode roubar meu lugar é? – Ele disse, divertido.

Sarah o encarou impaciente, voltou a se deitar, porém mais afastada dele.

_ Talvez, ele venha justamente para isto… para ficar no seu lugar. – Sarah sussurrou e Jacob percebeu de imediato a melancolia em seu tom de voz. Tornou a puxá-la para cima de seu peito.

_ Por que você diz isto? Nem Leah e nem Embry descendem de alguma linhagem de Alpha. Ao contrário do que acontece com os meus sobrinhos. Não seria natural que eles ficassem em meu lugar? – Jacob procurou disfarçar o desconforto que sentia enquanto conversava sobre aquilo, como se presumisse o que aconteceria depois de sua própria morte. Ele conseguiu disfarçar bem, porém Sarah não.

Ela se levantou em um rompante, nua como estava, e se meteu no banheiro, levando consigo uma peça de roupa qualquer que encontrou no chão.

_ Não Jacob, eles não teriam a sua preponderância como alpha, ainda que se transformassem, justamente por sua causa. Você nasceu e requisitou a posição de alpha com uma impetuosidade maior do que o comum. E toda a magia que havia em seu sangue foi direcionada a você, nesta geração. Só pode ser isto, do contrário suas irmãs teriam se transformado assim como Leah. Mas nenhuma delas se desenvolveram nesta magia como você, consequentemente, os seus sobrinhos nunca seriam tão fortes quanto os seus próprios… filhos. Os genes lupinos são melhor transmitidos de pai para filho, principalmente quando se trata do alpha. – Nas ultimas palavras, a voz dela saiu em um murmúrio mínimo, Jacob quase não pode ouvi-la.

A voz de Sarah estava apertada, agoniada, enquanto atravessava as paredes do banheiro e chegava aos ouvidos de Jacob. Ele sentiu um certo amargor quando Sarah mencionou a palavra “filhos”, como se ela invejasse a posição de Leah, ou como se lamentasse não estar gravida. Ele respirou fundo, procurando reordenar sua mente, pedindo auxílio aos espíritos dos seus para ilumina-lo. Mas continuou com o assunto, algo em si o impulsionava a saber mais, e Sarah parecia ter adquirido a sabedoria reservada aos elfos sobre a magia que envolvia sua linhagem.

_ Você viu ele no meu lugar? Foi isto? – Ele perguntou, surpreendentemente mantendo a calma. Sarah, no entanto, não respondeu. Jake pode ouvi-la suspirar arduamente e permanecer quieta. Ele se recostou na cabeceira da cama e esperou até que Sarah finalmente saísse do banheiro vestindo sua camiseta.

Ela não lhe olhou, se dirigiu com uma postura rígida para a sacada e olhando para o mar de La Push começou a falar, com uma voz fria, como se estivesse distanciada de tudo aquilo.

_ Eu não vejo tudo claramente… o que eu vi é que ele poderia ocupar o seu lugar em certo momento… eu não sei o quando. Não tenho a experiência de Quendra ou de qualquer um dos outros elfos pra desvendar o que sei, eles tiveram milênios para isto. São informações esparsas, cabe a nós interpretá-las. – Disse, simplesmente.

_ Então, quer dizer que você pode estar errada em algumas coisas? – Jake voltou a perguntar, se aproximando dela.

_ Sim… há uma possibilidade remota… de eu estar errada. – Ela disse, a voz rouca. Apertou os olhos. – Mas aquilo que mais me apavora, é o que se mostra mais claramente a mim.

Jacob não ousou perguntar mais sobre aquilo. A abraçou por trás, e beijou-lhe o ombro.

_ Jacob… tem gente que enxerga demais na redondeza e você está completamente nu. Saia desta janela, ok?

Ele riu e não se moveu... apenas endireitou o corpo dela na frente do seu.

_ Você já pensou na possibilidade que você pode estar presa sempre ao pior lado? Interpretando tudo da pior maneira?

Não, ela não tinha pensado naquilo.

_ Talvez… — Ela disse, relaxando mais nos braços dele.

Ele a virou, fazendo-a ficar de frente pra si. Ela, por sua vez, o empurrou para longe da sacada.

_ Vamos combinar o seguinte. – Jacob disse, sorrindo. O peito de Sarah se apertou: como poderia haver vida sem aquele sorriso? – Vamos viver um dia de cada vez… Não se esforce pra entender mais nada além do que o que acontecer no agora. A vida é maior do que tudo isto… talvez ela nos surpreenda. Ela sempre nos surpreende.

Sarah se concentrou no conforto dos dedos quentes dele retirando a sua franja dos olhos.

_ Vou tentar… — sussurrou.

Ele lhe beijou a testa.

_ Você sabe que é preciso mais empenho que isto.

_ Tudo bem. – Disse, engolindo em seco. Jacob percebeu que não conseguiria mais nada além daquilo.

_ E no agora… que tal se você me ajudasse a tomar um banho… — ele lhe mordeu a orelha. — …me vestisse… — desceu a mão pelas costas dela até chegar a bunda e apertar. — … porque eu tenho que visitar o pavilhão e ver os lobos de perto.

Foi fugaz, mas não passou despercebido a hesitação de Sarah por um segundo. Ela se conteve rapidamente.

_ Você tem mesmo que ir? Vai seguir com a oficina? – Ela perguntou, como quem não queria nada. Mas Jacob sabia que ela queria, na verdade, lhe manter atrelado a ela o tempo inteiro.

_ Não é a mesma coisa a oficina… eu não tenho mais a preocupação que deveria ter com toda esta coisa de trabalho. Mas ela foi uma boa distração para Seth nestes dias. Ele trabalhou bastante e isto evitou que ele enlouquecesse. Tem alguma… utilidade. – Jake fez uma careta. — Vou seguir com tudo… até onde der.

Ela entendia muito bem o que Jacob dizia. Foi exatamente assim que se sentiu quando entrou no hospital. Não parecia mais fazer sentido seguir com um trabalho tão … humano.

_ E você não poderia adiar isto mais um pouquinho, pra ficar comigo? – Ela fez uma carinha linda de criança pidona. Jake riu e fez que não com a cabeça.

_ Sarah… nós não vamos adiar nada. – A voz dele foi um pouco mais firme desta vez, finalizando aquela discussão.

A morena engoliu o bolo na garganta e sorriu.

_ Te ajudo a tomar banho se eu puder tirar uma casquinha. – Ela sussurrou, deslizando os dedos pelo peito nu de seu marido.

Ele estreitou os olhos e logo mordeu o lábio inferior, fazendo uma cara safada.

_ Esta era a intenção.

Sarah riu.

_ Eu também queria saber das meninas… como elas estão. Principalmente Milla. – Ela disse, enquanto já se encaminhavam para o banheiro.

_ Não tem possibilidade de você estar a pelo menos um quilometro de distância da casa dos Cullen! Eu posso até confiar na Nessie e na Milla perto de você, mas eu tenho certeza absoluta que qualquer um dos outros Cullens saltaria no seu pescoço na primeira oportunidade. – Jake despejou tudo carrancudo, fazendo Sarah o encarar com uma sobrancelha arqueada.

_ Ei, calma! Os Cullens são meu menor problema. – Então ela fez um careta. – E eu meio que cometi um deslize… não é bom eu estar perto de qualquer um deles agora.

Jacob parou a meio caminho.

_ Deslize? – Perguntou. Sarah fez uma cara de culpada.

_ Eu me descontrolei esta tarde, era muita coisa na minha cabeça e… quando eu vi eu quase tinha arrancado a cabeça do Carlisle. – Ela confessou, se encolhendo quando a expressão de Jacob se convertia em um completo espanto.

_ Você… merda! Eles vão ficar malucos. Todos eles!

_ Jake, todos os Cullens, principalmente Edward, sabem que eu não sou uma humana qualquer. Eles não vão ficar completamente espantados com a minha habilidade em decepar um vampiro. E eu acho que as meninas podem controlar uma possível… revolta deles.

Jacob rolou os olhos.

_ Acho difícil conter os ânimos deles. Você é a segunda Black que chega muito perto de arrancar a cabeça de um Cullen. O primeiro foi eu mesmo. E eu pensei que você estava empenhada em fazer uma política de boa vizinhança com eles… como vai ser agora?

Sarah sacudiu a cabeça e soltou uma espécie de rugido.

_ Podemos pensar no banho? – Ela finalmente disse, apontando o chuveiro.

_ Como pensar no banho, Sarah? – Jacob vociferou, como se repreendesse Sarah duramente. Ela imediatamente recuou, assustada, pensando que ele finalmente havia sucumbido a toda a avalanche de tensão que pairava ao redor deles. Mas logo o rosto dele se modificou, e com uma carinha meio melancólica, meio safada, ele disse: — Tudo o que eu menos quero fazer neste banho é pensar.

Então, com um rosnado que estremeceu cada milímetro da pele, Jacob avançou para Sarah a encarcerando em seus braços com um desejo animalesco. De certa maneira, aquele era um jeito de sucumbir a tensão.

*************

Ele só precisava de um momento a sós. Ordenou que todos os lobos se destransformassem. Havia silêncio em sua mente, havia silêncio dentro, mas não havia paz. O lobo alpha estava próximo a beira mar, sentia o cheiro de maresia em suas entranhas, o vento frio do mar penteava os seus pelos. Como animal tudo lhe parecia mais claro, mais simples.

Jacob se lembrava bem de como deixou Sarah em casa, do sorriso sofrido que ela lhe deu, de seu olhar que parecia querer tatuar cada um de seus traços na retina dela. Doía ver ela assim. Ele não tinha medo por si mesmo. Ali, como lobo, isto parecia fácil. Ele lutaria para proteger os seus, até o fim. Era o seu dever, sua condição de vida... e ele, como criatura mística que era, sabia que chegava o momento em que isto seria tão necessário como jamais foi em toda sua vida de transmorfo. Ele não era mais um menino que maldizia a sua sorte, a sua condição.

O grande lobo, no entanto, não podia suportar o medo claro nos olhos da sua amada. Ele olhou pra cima: que Deus lhes concedesse forças... a ele e a ela. Suspirando pesadamente ele sacudiu a cabeça, voltando a se recordar em coisas mais amenas, do que havia passado durante aquela tarde. Tudo pareceu quase normal.

Depois do que parecia décadas, ele voltou a pisar em sua oficina, que durante muito tempo, havia sido o seu sonho... O sonho do menino Jacob, que fuçava em qualquer ferro velho tentando fazê-lo funcionar. Ele havia deixado tudo aquilo que finalmente havia construído nas mãos dos garotos mais jovens da tribo, de antigos colegas de trabalho de Seattle e de Embry. Estava tudo a pleno vapor, ele não parecia fazer falta, Seth parecia o ter substituído perfeitamente. Durante todos aqueles dias ele passava a maior parte de suas horas lá, debaixo de um carro ou com a cara em um motor. Acabou aprendendo muitas coisas por si só, e em pouco mais de dois meses, fazia muito mais do que qualquer trabalhador de lá. Com tudo isto eles haviam entregue a encomenda dos chineses, a primeira da oficina, duas semanas antes do prazo.

Quando Jacob chegou na oficina, Seth estava mexendo no motor de três motos Kawasaki. Ele viu Jacob, o viu conversar com todos, viu a pequena comemoração que teve com Embry, que havia descoberto que seria pai, mas não se mexeu do lugar em que estava. Seus olhos completamente centrados no que fazia, sua mandíbula cerrada, ele mal murmurou um parabéns para Embry.

Durante o restante do tempo, Jacob foi para o lado de Seth e se pôs a trabalhar silenciosamente, o tempo todo. Quando estavam de saída Seth lhe deu um meio sorriso e um sussurro mínimo:

_ Obrigado por cuidar dela. – Foi só o que ele disse, antes de virar as costas e ir embora.

O lobo castanho soltou um latido-risada ao se lembrar disto. Seth sempre teria aquela alma boa e grata. Não importava pelo que passasse.

O vento frio sacudiu seus pelos em uma rajada mais forte, mudando de direção. Com o vento, veio uma sensação desagradável a Jacob... a sensação estranha de que estava sendo observado. A fera se levantou, em um movimento sutil, rondando o local com os olhos estreitados, inspirando qualquer cheiro distinto.... nada! Mas a sensação continuava. Apertou os olhos negros, aquilo poderia ser uma paranoia, sua mente brincando consigo devido a tensão. Voltou a se sentar observando o fim do pôr do sol, porém mais desconfortável do que antes.

Logo isto se aliviou, quando ele pode sentir alguém que conhecia se aproximando. O passo dela era quase imperceptível, estampado em seu rosto havia um sorriso brando de reconhecimento... Ela parecia uma aparição dos céus, tão linda que estava. Os cabelos arrumados, parecendo recém cortados, roupas finas: um jeans justo, uma jaqueta de couro que deveria ser muito cara. O lobo soltou uma baforada... ela tinha realmente, entrado para a família Cullen.

Depois de certa tensão, agora praticamente superada, Milla chegou perto de Jacob e lhe acariciou os pelos.

_ Pensando sentado nas patas cachorro? – Ela brincou, suave.

A criatura bufou largamente, Milla riu.

_ Perdeu as calças no caminho! – Milla disse, tirando de trás das costas e sacudindo o que o lobo reconheceu ser sua calça jeans, que ele pensou estar amarrada em sua pata.

Um leve rugido e ele abocanhou a peça entre os dentes, se metendo atrás de algumas arvores. Não demorou muito ele voltou sob dois pés, os cabelos completamente desgrenhados.

_ Que roupa é esta sanguessuga? E esta cara de Patricinha? – Ele perguntou, fazendo uma careta engraçada.

_ Gostou? – Ela deu uma volta em torno de seu eixo. – Coisa de uma baixinha espevitada e uma loiraça arredia.

_ Sanguessuga Alice e chupa sangue Rosálie. – Jacob disse, como se traduzisse o que Milla havia dito. Novamente ela riu, sem que, no entanto, este riso lhe iluminasse os olhos.

_ Tem se dado bem lá? – Ele perguntou, cruzando os braços. Um leve relâmpago de angustia brilhou nos olhos dela, ainda vermelhos.

_ Eles são bons... me receberam com carinho... podem se tornar minha família uma dia. Mas é que... eu ainda não sinto como se o fossem. – Ela apertou os olhos. – Eu não queria estar lá Jake, não queria estar assim. – Ela fez um gesto, apontando para si mesma.

Jacob exalou.

_ Mas você está Ludmilla.... e você é exatamente isto. Nós não podemos mais mudar o passado, ninguém pode. Não nos tornaremos fortes, tão pouco aprenderemos a viver se a gente perder tempo lamentando tudo o que gostaríamos de ter e não temos.

Milla estreitou os olhos e depois abaixou a cabeça.

_ Eu... eu sei. – A voz dela saiu engasgada.

Jacob praguejou baixinho. O que ele estava fazendo?? Ela era uma criança! Milla só tinha recém completados 17 anos! Ele andou rapidamente em direção a ela, não se importando com mais nada e a apertou no meio dos seus braços. Ela não recuou, recebeu de bom grado o abraço. Um sentimento fraterno invadiu o coração de Jacob naquele momento, como se os céus atestassem o fato de que Milla fazia parte dos seus.

_ Você terá uma nova família, Milla... e se sentirá bem com ela. Você tem a mim e a Sarah... não sou tão velho, mas você pode nos considerar seus segundos pais... ou irmãos mais velhos! – Ele sussurrou, Milla sacudiu a cabeça em seu abraço.

_ Sim… sim. – Ela disse.

Jacob se apertou mais no abraço, tentando confortar e ser confortado ao mesmo tempo. Mas eis que, repentinamente, Milla enrijeceu em seus braços. Jacob sentiu o peito dela, estranhamente quente, aquecer ainda mais em contato com sua pele.

_ O que foi? – Ele perguntou. Ela se afastou rápido de mais, se curvou como uma fera acuada e rosnou.

_ Não estamos sós.

Jacob imediatamente prendeu sua atenção no ponto da floresta em que Milla tinha os olhos fissurados. Um arrepio frio atravessou sua espinha e, antes que pudesse tomar qualquer atitude, ou perceber alguma coisa que fosse, Milla já tinha desaparecido, se embrenhando na mata. Imediatamente ele explodiu em lobo e uivou, com todo o seu folego. Maldita hora que ordenou que todos se destransformassem.

Rapidamente ele seguiu para o lugar onde Milla desapareceu, devorando o chão com suas patas velozes. Não demorou muito ele percebeu a primeira mente se conectar a sua. Uma sensação de pânico lhe invadiu.

_ Sam?

Era Sam! Sam tinha voltado a se transformar! Não era possível! Jacob vasculhou a mente de seu antigo alpha, enquanto outros lobos se uniam a eles, igualmente espantados por ver Sam ali.

Sam simplesmente havia explodido em lobo, de forma dolorosa, mais dolorosa como jamais foi uma de suas transformações, assim que ouviu o uivo alto e forte de Jacob. Mas não havia tempo para pensar em porquês. Os lobos ouviram o rugido alto e nervoso de Milla e logo depois uma gargalhada fria.

_ MALDITA! – Milla gritou, a ninguém em especial, enquanto perseguia a sua presa.

A jovem vampira, com sentidos únicos, captou algo que dificilmente outra criatura sobrenatural perceberia. Aquela coisa, aquela criatura! Milla se lembrou dela nitidamente... das suas garras, de seu riso maldito... aquela criatura que lhe segurou o corpo e a voz enquanto um vampiro lhe tirou a vida... o sangue. Era ela!

Milla corria, ao máximo de sua velocidade, uma velocidade que nem mesmo ela sabia que tinha... os lobos jamais a alcançaria. Mas a coisa a sua frente era mais esperta, arredia... e até mais veloz. Sumia quase tão rápido quanto luz se propagando no espaço.

Milla rugia, gritava, xingava, esticava as mãos para alcançar os tentáculos malditos que saiam horripilantemente daquela cabeça. Mas não podia... não podia pegar! A criatura desgraçada ria, fazia chacota de cada um de seus fracassos.

Tarde demais Milla percebeu que a criatura lhe guiou novamente para onde a matilha dos lobos corria... eles as circulavam. Alguns corriam pelo norte, outros vinham pelo sul... Tão claro quanto um raio de sol, Milla sentiu o cheiro de Seth vindo do leste e o cheiro de Jacob vindo do oeste. A criatura seguia para o centro, onde os lobos se encontrariam. Ela corria para os lobos.

Milla arregalou os olhos... se ela não podia pegar aquela coisa… os lobos não teriam chances… Céus!

Desesperada ela forçou mais os pés, até ver o primeiro lobo, negro, sombrio, aparecer arrancando arvores enquanto despontava na frente das duas. A coisa diminuiu seu passo, Milla não, passou tão perto dela, tanto que sentiu sua pele rígida tremer, e foi direto para o lobo, o jogando para longe das duas. Mais arvores vieram abaixo, o vento bateu forte em seu rosto…

_ Nessie! – Ela sussurrou tendo percebido o cheiro da hibídria, enquanto se virava e, finalmente, agarrava os tentáculos secos que saia da cabeça da coisa. Gritou, suas mãos queimaram, imediatamente ela soltou aquilo. Suas palmas ardiam como o inferno!

Voltou os olhos para a sua oponente, com medo que ela desaparecesse.

_ Jacob! – Ela suspirou quando viu o corpo do grande lobo castanho saltar na direção da criatura. – Não!

Pulou na direção dele, logo ouvindo som de diamante arranhando mármore. Ela pulou na frente de Jacob, levando o golpe que era pra ser dele. As garras lhe raspavam as costas. Com um pouco de dificuldade, empurrou o lobo, que caiu praticamente em pé na sua frente. Voltou a correr em direção ao ser bizarro... estranhamente a velocidade dela havia diminuído… parecia perdida.

Então a silhueta de Nessie surgiu por entre as arvores… Uma visão! Nessie havia conseguido manipular a mente da coisa!

Milla sorriu, armou o punho fechado para acertar as costelas da criatura. Estava a meio de segundo de alcançar seu intento quando a coisa se virou, sorriu e avançou.

Milla sentiu um baque no peito antes que pudesse bloquear, ficou tonta... ouviu o grito de Nessie, os uivos ferozes dos lobos. Se levantou em meio a escombros de floresta e… não havia mais nada! A coisa havia sumido!

_ Oh Deus! Onde está? – Nessie perguntava, desesperada. Havia um corte profundo em seu queixo, o que fez sua roupa se manchar de sangue.

_ Não sei! – Milla sussurrou, com o máximo de cuidado a cada suspiro que a floresta emanava. – Calem a boca! – Ela rugiu, uma raiva que não era sua a fez gritar com os lobos que rosnavam incessantemente. Ela agarrou esta raiva de seu instinto predador pra fugir do apelo que seu coração fazia ao sentir os olhos de Seth mais fixos nela do que em qualquer outra coisa.

“O que era aquilo?”

“Pra onde foi?”

“Que diabo de velocidade destas sanguessugas! Nunca vi algo assim.”

“Aquela coisa era horrenda!”

A mente dos lobos era um caos. Jacob inflou o peito, rosnou baixo, amedrontador e ordenou.

“FOCO!”.

A ordem do alpha fez os lobos se aquietarem e vasculharem com todos os seus sentidos tudo ao redor.

“Frios!”. Julia, a loba mais nova da matilha, ladrou.

“São os Cullens”.

_ Nessie! Filha! Oh, meu Deus!

Jacob viu Bella parecer esquecer de todo o caos ao seu redor — lobos ferozes, uma vampira com olhos letais para os recém chegados, uma floresta abaixo – e correu para sua filha, ensanguentada.

_ Agora não! – Nessie bradou, a voz mais grave e densa que o comum, a expressão de uma fera que Bella jamais viu na filha... Ela recuou.

_ O que é isto? – Carlisle perguntou. Ninguém lhe respondeu.

_ Ela está aqui… eu sei que está… ela está perto. – A voz de Milla estava gutural.

“Separem-se… em grupos …” Jacob rapidamente montou outra estratégia em sua mente, passando a matilha. Os grupos se ordenaram sem demora. vasculhem tudo… e protejam-se…”

Os lobos partiram, Milla seguiu o grupo de Seth, Nessie o de Jacob. O dom de Renesmee se fez pavorosamente útil para os Cullens... imediatamente ela transmitiu todas as suas lembranças para a sua família, que também se desenfrenharam em uma busca alucinada por um inimigo desconhecido.

Incansavelmente eles correram, correram e correram… mas nada encontraram. Milla, no entanto, continuava a teimar que a “maldita” estava ali. Ela sentia a criatura os espreitando, como se planejasse algo. Seu coração se espremia... ela sentia uma angustia tremenda, uma necessidade de, no meio da caçada, se aproximar do grupo que Jacob liderava.

Não demorou, tanto ela, quanto Nessie, perceberam que a angustia delas era dupla… Sarah sentia algo, embora todos estivessem muito longe de La Push, ambas podiam sentir isto. A ligação selada pelo sangue unia o coração das três.

“Vamos voltar!” Cansado, Jacob ordenou. Desistiram... Em passadas mais lentas todos eles, lobos e vampiros, retornaram para casa… Forks, La Push. Só na volta perceberam o quão longe estavam. Se aproximando de seu destino, os lobos encontraram os companheiros que ficaram com a proteção da reserva. Embry imediatamente foi em direção a Leah, que tinha se transformado mesmo com as suas restrições.

“Vão todos para casa… Eu, Sam, Paul, Seth e Julia ficaremos na ronda até o amanhecer. Seremos substituídos por Brad, Embry, Caleb, Jared e Quil. Depois eu pensarei no resto. Vão!” Jacob deu as coordenadas e se meteu em meio a um arbusto alto para se destranformar, nos dentes, as calças que pegou na pata de Quil, as suas haviam se perdido na transformação.

_ Jacob! Era ela! – A voz de Milla se sobressaiu em meio aos murmúrios nervosos dos Cullens assim que Jacob apareceu pra si.

_ Ela quem? – Dez vozes perguntaram ao mesmo tempo, os Cullens, Nessie e Jacob.

Milla agarrou os braços quentes de Jake, os olhos dela não eram mais os de uma predadora letal. Eram assustados, os olhos de uma menina assustada.

_ O monstro… a coisa... Ela estava lá, foi ela que me pegou, ela estava com ele!

_ Milla, se acalme... não estou entendendo. Respire. – Jacob disse, enrugando a testa. – Ela estava com quem? Onde?

_ Com o vampiro que me mordeu! – Ela soltou em um engasgo, estremecendo. – Eu me lembro.. posso me lembrar agora!

_ Você já viu aquela coisa antes? – Ele perguntou, tenso.

_ Sim, Jacob! Sim! Ela estava lá, junto com o vampiro que me transformou! Eu me lembro agora, de cada detalhe! Ela estava lá… eles estão juntos!

Aquilo poderia ser mais grave do que Jacob pensava. Aquela criatura bizarra estava rondando o local a muito tempo... se o que Milla estivesse dizendo era verdade…

Jacob se lembrou dos ataques, da sensação antiga de que alguém espreitava os lobos, dos recém-criados sempre vindo diretamente para La Push… Um estalo se fez na mente de Jacob. Aquela criatura asquerosa em que se depararam poderia estar perto deles há muito tempo. E havia o agravante de que Sarah havia dito que o vampiro que mordera Milla era o mesmo que sabia o que o sangue dela significava… o único vampiro que sabia do poder que corria pelas veias de sua esposa.

Jacob empalideceu.

_ Você pode senti-la? Pode alcança-la? – Jacob passou a perguntar desesperado para a garota vampira.

_ Posso, posso. Mas ela… ela é mais forte do que eu… eu… — Milla engoliu em seco. – Eu estou com medo. – A menina confessou.

_ Jacob… eu acho que devemos unir forças agora. Há um inimigo maior do que nós aqui. Está na hora de dizer o que nos esconde, só assim poderemos ajudar… e queremos ajudar! – Carlisle disse, seu semblante sério. Jacob sabia que ele falava de Sarah. Edward olhava para Jacob com a mesma expressão que o chefe de seu clã, Bella, abraçada a Renesmee, parecia confusa, tal como o restante dos Cullens.

_ Carlisle… eu sinto muito pelo que aconteceu, mas… eu não posso. – Ele respondeu.

_ Jacob! Trata-se da segurança de todos…

_ Silêncio! – Nessie pediu repentinamente. A tensão que emanava ao redor de todos fez o pedido ser acatado imediatamente. Nessie apenas olhou para Milla, que tinha um olhar alucinado. Jacob sabia que naquela altura, as duas eram as únicas mais sensíveis ali, as únicas que poderiam captar coisas que passavam despercebidas por eles.

Todos passaram a observar as duas, como se ambas fossem, por aquele segundo, o centro do universo. O choque tomou conta aos poucos da expressão de Milla, ao mesmo tempo que os olhos de Nessie se encheram d’agua.

_ Não… — Milla sussurrou. Seguido de seu sussurro, ecoou pela floresta uma gargalhada sinistra. Milla se lembrou, a mesma gargalhada que ouviu após a morte de sua mãe… o prenuncio de um desastre. A vampira cambaleou sobre seu eixo, Nessie sacudiu a cabeça e disparou para longe dali.

Dez segundos depois o que ecoou foi o grito de Nessie, penetrando a floresta como um lamento agourento… de morte. O grito dela tirou todos do topor, fazendo-os seguirem a direção do som. Estava perto, muito perto.

Um a um todos chegaram e estacaram ao lado de Nessie, que soluçava diante da aterradora visão. Jacob foi o ultimo a chegar, seu peito se dilacerando a cada passo. Ele não teve força, ao menos, para explodir em fera. O alpha sabia o que tinha acontecido… ele, mais do que qualquer outro, sentiria aquilo. Eles correram, perseguiram, mas nenhum deles foi capaz de impedir o pior, impedir que aquilo que há tempos parecia rondar La Push, acontecesse.

Todos deram espaço para que Jacob passasse, o cheiro de sangue nobre e sagrado banhava o lugar. Na pequena clareira, a um quilometro da área residencial de La Push, jazia o corpo do jovem lobo Caleb. Em seu peito, um grande rombo: o coração havia sido arrancado do corpo.

O alpha se ajoelhou ao lado dele, da criança, do menino, tão jovem… Seu grito retumbou por todos os cantos, grito de dor, grito de raiva… grito de vingança!

Notas finais
Amores, eu postei este capítulo antes da hora, porque eu fiquei muito feliz por ter ganhado duas recomendações dpois da ultima postagem!!

Então já sabem, querem me deixar assim, é só recomendar!!! kkkkk

Mas minha felicidade contrasta totalmente com o conteúdo deste capítulo... né? Tensoooooo... o que vcs acham que será agora??? Duvidas? Posta no comentário que eu respondo! hehehe...

Haaaa... meu capítulos prontos estão acabando e eu não to tendo muito tempo pra escrever.... talvez, mais pra frente, as postagens fiquem mais esporádicas, mas é só por falta de tempo mesmo... okay?

Mas enquanto eu tenho uns prontos, vamos aproveitar!

Comente, recomende, leia, se lambuze!

AMO MUITO TUDO ISTO! Bjsss....