The Potter Lost In Time.
14 Tarde em Hosgmead
Notas iniciais
Os raios de sol invadiram a janela e eu abri meus olhos alegremente. Não sei por que parecia feliz, já que o meu par estava se comendo com uma japa ridícula. Sentei-me na cama e passei a olhar o estado deplorável de minhas amigas. Levantei-me e me deparei com uma pilha enorme de presentes ao lado de minha cama. Aquilo tudo era meu? Encarei mais de perto, vendo um vulto verde e grande me espiando. Assustei-me e a coisa também. As caixas caíram em um baque surdo, revelando uma criatura de olhos e orelhas grandes. A coisa parecia envergonhada. Aos poucos, me refazendo do susto, estendi a mão para ele, que a aceitou de bom grado e levantou. Sua pele era fria, mas fria de um jeito bom.
– Quem é você? – perguntei.
– Sou Dobby. – a criatura respondeu com uma voz esganiçada. – Dobby, o elfo.
Ah! Já tinha ouvido falar nesses pequeninos. Hermione descobriu que eles trabalham na cozinha de Hogwarts, por isso fundou o FALE, quer dizer, o F.A.L.E., sinceramente, eu nem sabia qual era realmente a sigla, mas era algo que falava da proteção dos elfos-domésticos. Harry era o tesoureiro, eu e Rony éramos encarregados de cuidar dos associados, que eram pouquíssimos. Mas já eram um começo.
– E o que você está fazendo aqui no quarto das meninas, Dobby? – perguntei pra ele.
– Dobby veio apenas ver o motivo de todas as noticias boas em Hogwarts. – ele respondeu.
– E quem seria? – arqueei a sobrancelha.
– Você, Catherine Potter. – ele respondeu.
Fiquei rosa, enquanto encarava Dobby. Ele tinha os olhos mergulhados em lágrimas, como se eu fosse a sua tábua da salvação.
– De onde você me conhece, Dobby? – perguntei.
– Eu nunca conheci a senhorita, Catherine Potter. – disse. – Conheço seu irmão, Harry Potter. – respondeu. – Ele é meu amigo.
Ah! – mais uma vez – Me lembrei dele. Dobby fora o elfo que entrara na casa dos Dursley para impedir que Harry fosse à Hogwarts porque a Câmara Secreta estava para ser aberta. Sorri para Dobby, que também sorriu.
– Sente-se Dobby. – disse sentando-me à cama.
Dobby fez o mesmo. Sentamo-nos e ele não parava de me encarar como se eu fosse sua tábua da salvação.
– Dobby quer dar um presente para Catherine Potter. – disse. – É singelo, mas de coração.
Estendeu-me uma caixa simples, onde continha um cachecol simples e roxo, minha cor favorita. Ele parecia agradável. Dentro da caixa, tinha um bilhete com uma escrita em garranchos. Pelo que parecia, era de Dobby. Puxei o bilhete e me dispus a ler.
Para a senhorita Potter,
Este presente é simples, mas de coração. Obrigado por ajudar o seu irmão a salvar o mundo.
Dobby.
Encarei-o com lágrimas nos olhos e o abracei. Dobby parecia chocado. Muito chocado. Separei-me dele e fitei. Ele começou a chorar e pegou o meu troféu de balé – que ganhei aos dez anos – e começou a se bater com ele.
– Dobby, o que está fazendo?! – perguntei assustada tirando o troféu de perto dele.
– Nunca nenhum bruxo abraçou Dobby, senhorita. – ele disse uma vez refeito.
– Vai ter que se acostumar, pois não largarei de você nem com macumba.
Rimos.
♥
Dobby me levou para comer na cozinha. Ela era ótima. Tipo, os elfos me engordaram muito mesmo. Eu estava ao lado de Harry, entre ele e Hermione. Conversávamos unicamente sobre... Krum. Mione dizia que o lance que ela tinha com ele era mais físico. Riamos muito, enquanto falávamos disso.
– Harry? – uma voz tão odiada chamou meu irmão.
Harry, que nada sabia sobre ele, virou-se um pouco afetado. Ele podia não saber de sua covardia, mas estava com ciúme por ele ter levado a sua irmã para o baile, né?
– Sim. – disse ainda afetado.
– Bem, você me ajudou com os dragões, então eu acho mais prudente lhe oferecer uma ajuda minha. – disse ele, encarando-me.
Virei a cara, enquanto eles cochichavam. Assim que ele terminou, Harry voltou para o meu lado.
– Está graciosa hoje, Cathy.
Virei para ele.
– Para você, é Potter, pois agora eu não sou mais sua amiga, e sim, sua arque-inimiga. – respondi fumegando. – Seu viado perdedor.
Dei-lhe uma tapa na cara e saí andando.
♥
– Hey Cathy, você quer ir à Hogsmead comigo? – Fred perguntou sentando-se à minha frente numa mesa da biblioteca.
– Você pensa que por que me ajudou demos uma trégua? – foi engraçado ver sua cara frustrada.
– Achei que sim. – foi sincero.
– Eu aceito. – disse fechando o livro.
Estava um lindo dia de natal. Eu e Fred saímos escondido dos outros faladores e fomos por uma passagem secreta, que saía dentro de uma loja que vendia trecos esquisitos. Ele saiu primeiro e me estendeu sua mão para que eu pudesse sair do buraco – ok, isso é estranho.
– O que é isso? – perguntei olhando para o lugar todo.
– Isso, minha cara, é a Dedosdemel. – respondeu.
– Isso é algum tipo de lojas de doces bruxos? – perguntei reconhecendo o nome de algum lugar.
– Exato.
Rimos e Fred me levou para junto de algumas prateleiras, onde escolheu algumas guloseimas e se direcionou ao caixa. Pagou e me levou para fora do estabelecimento. Andamos por alguns minutos na neve e uma voz me fez virar abruptamente.
– Ela está ali! – era a voz de Hell, eu podia conhecer.
Ela usava um gorro na cabeça e roupas quentes. Ao seu lado, a nossa mãe estava também muito bonita, com roupas de frio. Arregalei os olhos, pelo menos quase cinco meses que eu não a via. Olhei para Fred, confirmando se era verdade ele assentiu e eu corri para abraçá-la. Ao sentir os braços da loira me rodeando eu chorei de saudade, mas foi bem pouco, pouco mesmo.
– Mãe! – gritei. – Que saudade.
– Eu também estou com saudade, meu amor. – ela disse.
– Helly! – disse a abraçando.
– Oi manola. – abraçou-me apertado.
– O que fazem aqui? – Hellen olhou para mamãe com cautela, isso me deixou um pouco alerta.
– Viemos visitar uma conhecida. – mamãe respondeu.
– Posso ir com vocês? – me ofereci.
– Claro que não! – devia me importar com isso? – Você está no meio de um encontro! Não posso simplesmente te alugar.
Ela piscou para Fred.
– Agora vá. – disse. – Me encontrará em Hogwarts quando menos esperar.
Elas foram se distanciando e então, eu caminhei desconfiada até Fred. Ele não falou nada, apenas encontrava-se em um estado pensativo. Eu queria quebrar o gelo, mas não sabia como fazer. O que fazer?!
– Estamos em um encontro? – me surpreendi quando ele quebrou o silencio, perguntando atônito.
– Não! – disse rápido, o olhando. – Somos amigos. Acho que amigos não tem encontros...
Ele assentiu.
– Vem. – disse enquanto passávamos pelo três vassouras. – Vou te mostrar um lugar maneiro.
– Não vamos ao três vassouras? – perguntei assustada.
– Não. – ele disse animado. – Vamos fazer um piquenique.
– Sério? – perguntei animada também.
– Sério.
Andamos por Hogsmead, sob o olhar de vários curioso, não ligamos, é claro. Somos amigos. Somos amigos. Chagamos até o local desejado por Fred. Era uma árvore, que ficava em frente a uma casa. Era meio velha, não era uma paisagem paradisíaca, mas era bonita. O visgo estava descendo pela árvore, tornando-a ainda mais aconchegante. Fred estendeu uma toalha xadrez – típica de piquenique – e pôs as guloseimas compradas na Dedosdemel dispostas nela, mas deixando um espaço para sentarmos. Assim fizemos, um de frente para o outro.
Fred olhava para mim com os olhos semicerrados, parecia analisar alguma coisa errada em mim. Ficou de joelhos e arrumou minha touca na cabeça. Senti as bochechas arderem, mas supus que fosse o frio.
– O que foi? – questionei.
– Sua touca estava errada na cabeça. – respondeu sentando e dando de ombros. – Seria esquisito te olhar com uma touca atravessada na cabeça.
Ri.
– Ok. – Fred disse esfregando as mãos uma na outra. – Vamos começar. – disse. – Primeiro, eu quero que você abra esta caixa e com cuidado, tente pegar o sapo antes que ele fuja.
Peguei a caixa que ele apontou. Ela era roxa e tinha escrito em ouro Sapo de Chocolate. Abri lentamente e quase tive um enfarte ao ver o sapo enfeitiçado sair da caixa. O agarrei com a mão esquerda, ouvindo o som ritmado de meu coração aumentar ainda mais as batidas. Fred parecia orgulhoso de minha proeza.
– Boa. – falou.
– O que é isso? – perguntei.
– Sapo de Chocolate. – respondeu. – É um feitiço que faz o sapo pular. Mas ele só pula uma vez. E vem com uma foto de algum bruxo. Coma e veja.
Levei o sapo à boca e senti o fantástico gosto de chocolate. Retirei de dentro da caixa a foto de uma mulher ruiva. Seus olhos eram verdes e magníficos. Ela sorria e seus cabelos voavam. Não sei por quê, mas ela me dava uma sensação de paz. Abaixo de sua foto lia-se Lilian Evans. E então, a vi sumir, mas era normal em fotos bruxas.
– Tirei Lilian Evans, conhece ela? – perguntei.
O sorriso de Fred aumentou aos poucos e depois ele suspiro.
– Sim. – disse. – Eu tenho uma coleção dela. Você a conhece.
Aquilo não fora uma pergunta, podia ser visto.
– Eu não a conheço Fred, se conhecesse, não teria perguntado.
Fred riu. – Olhe para a foto Catherine.
Fiz o que ele pediu, vendo-a sorrir novamente. Ela me parecia muito com alguém que eu conhecia com a palma da mão. Eu mesma. Olhando-a assim, ela tinha os mesmos olhos que eu tinha, o mesmo formato do rosto, o mesmo jeito de sorrir. Na verdade, se não fosse alguns traços de meu pai, eu seria igual a ela, sendo que com os cabelos negros. Ela não seria...
– Ela é minha mãe?
– Sim, ela é. – disse Fred sorridente.
Sorri com lágrimas nos olhos. Era a minha mãe. Pela primeira vez eu a via.
– Obrigada. – disse me ajoelhando e depositando um beijo em seu rosto.
Voltei a sentar.
– Ok. – disse. – Agora abre esta caixa.
Ele me estendeu uma caixa que se lia Feijãozinhos de Todos os Sabores. Abri e peguei um cor-de-rosa e pus na boca. Tinha um gosto bom e memorável.
– Que sabor é? – Fred perguntou.
– Cereja. – respondi. – Agora é a sua vez.
Ele colocou um vermelho vivo na boca. Acompanhei suas reações desde o início. Primeiro ele arregalou os olhos, depois, aos poucos, ele foi ficando vermelho, até que começou a abanar-se. Minha reação instantânea foi rir. Fred bebeu quase toda a água que tínhamos e depois se dispôs a rir junto comigo. E assim, passamos o tempo. Durante aqueles minutos, comecei a descobrir que o gêmeo mais velho não é tão ruim assim.
♥
– Prova esse – disse ele. – Tenho certeza de que vai gostar.
Não gostei nada de sua cara inocente, mas mesmo assim peguei. Era o último feijãozinho e já estávamos bem animadinhos. Depois de inventarmos um jogo meio esquisito, que eu ganhei, começamos a enganar um ao outro. Pus o feijãozinho na boca e quase vomitei. Tinha um gosto horrível de...
– Meleca!
– Eca! – Fred disse se contorcendo em uma careta. – Você alguma vez já provou meleca, Catotenta?
Encarei o cabeça de cenoura que agora estava levantando da toalha e corri atrás dele pronta para descer-lhe o cacete, porém, escorreguei no gelo e acabei o empurrando. Caímos com um estrondo e ficamos nos encarando intensamente. Mais uma vez naquele dia eu me perdi no mar marrom, mais uma vez eu descobri uma nova cor nele, mais uma vez pude notar o quão vermelha fica uma carne exposta ao gelo. Naquela hora, eu já não pensava, já não era mais a Cathy rabugenta e chata. Eu queria beijá-lo.
Aproximei um pouco mais de seu queixo e toquei a ponta de meu nariz nele. A barba recém aparada ainda era sentida ali, suavemente, ergui-me mais um pouco estava quase lá. Mas... E se ele recusasse? Foda-se! O que importava agora era o que eu queria.
Então... O sino tocou, indicando que nosso passeio tinha chegado ao fim e a minha loucura também. Saí de cima de Fred e o ajudei a arrumar as coisas, assim, voltando para Hogwarts. É claro, que durante o trajeto, comecei a pensar que loucura fora aquela.
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