Notas iniciais
Voltei! - Leitores: Percebi ¬¬

– O que você tem na cabeça. Merda? – perguntei irritada para Harry, assim que ele desceu da vassoura, a qual me carregara junto.

– Eu não tenho nada na cabeça além de meu cérebro. – ele retrucou “inocentemente”.

– Ah é? – perguntei sarcástica, pegando um pano e dobrando ele até que ficasse bom o bastante para doer. – Você foi imaturo. – dei uma bordoada leve em sua perna direita.

– Ai Cathy! – ele se contorceu.

– Ai nada! – eu dei outra no mesmo lugar. – Você me deixou preocupada. – dei uma em seu braço e o ovo caiu. – Achei que você tinha morrido! – taquei o pano em um lugar qualquer e terminei a minha citação com uma tapa fraquinha em seu braço.

– Desculpe-me. – ele me abraçou.

– Ok. – eu disse. – Vamos.

Andamos juntos até a barraca, onde Madame Ponfrey andava de um lado para o outro, murmurando coisas desconexas como “esses garotos!”, “mais feridos”, “como são loucos de criar um evento suicida”. Atrás de nós, vinha Hermione e... Rony? É sério isso?

– Oi. – Rony disse. – Tudo bem Cathy? – arqueei a sobrancelha. – Er... Harry... Não importa quem colocou o seu nome naquele cálice, você não seria maluco de fazer isso.

– Acreditou, não é? – o ruivo assentiu, as orelhas estavam vermelhas. – Demorou muito. – e por fim, eles se abraçaram, retornando a amizade.

– Meninos! – eu e Hermione dissemos juntas, revirando os olhos.

♥

Estávamos em um grande salão. Meninas de um lado, meninos de outro. Ao meio, estava Minerva, junto com uma “radiola” muito esquisita. Quem controlava ela era Filch.

– O baile de inverno é uma tradição milenar do Torneio Tri... – ela começou, mas foi interrompida pelo zelador sequelado. – Como ia dizendo... O baile de inverno é uma tradição milenar do Torneio Tribruxo – a mulher fuzilou o zelador com olhos. –, a casa de Godric Griffindor é a casa mais respeitada deste baile. Como representantes desta casa, temos que mostrar que somos os melhores. E não agirmos como Babuínos, Bobocas, Balbuciando em bando... Em cada garota há um cisne, pronto para alçar voo e dentro de cada garoto, há um leão pomposo, pronto para se exibir.

– Existe um leão pomposo dentro do meu irmão, só que ele tem medo da própria sombra. – Nat comentou, fazendo com que eu abafasse uma risada.

– Concordo. – afirmou Fely, atrás de mim.

Na posição em que eu me encontrava, pude ouvir Fred dizer para Jorge “tenta falar isso cinco vezes seguidas”. Natalie, Hermione, Gina e eu reviramos os olhos. Minerva os fuzilou com o olhar e parou no meio.

– Senhor Weasley – chamou Rony, que apontou para si mesmo. –, isso mesmo. Venha até aqui. – Harry murmurou algo parecido a “não deixe que ele esqueça isso”, para os gêmeos, que responderam “nunca”. – Ponha as suas mãos ao redor da minha cintura.

– Aonde? – ele perguntou atordoado.

– Na minha cintura. – todos riram, mas os gêmeos se superaram. – Já que acha tanta graça, senhor Weasley, por que não tira a senhorita Potter para nos acompanhar na dança?

Ela disse isso para quem eu estou pensando que disse? Sim. Ela disse para Fred. Ele arregalou os olhos, mas não deixou de obedecer à diretora da Grifinória. Contornou os outros alunos e parou em minha frente, estendendo a sua mão. A única escolha que tive foi aceitá-la.

Ela era tão macia, tão delicada, mostrava que ele estava tão seguro de si... Argh! Minha mão era tão pequena em comparação com a dele. Na realidade, eu era muito baixinha em comparação à ele, pronto, falei. E tinha outra coisa. Eu não sei dançar!

– Não sei dançar – murmurei para ele assim que chegamos ao meio do salão. –, o que eu faço?

Ele me encarou com seus olhos marrons – indefinidos. –, suas narinas se dilataram em uma risada nasal.

– Confie em mim. – aquilo era sério?

Assenti, quando a música suave começou a tocar. Lembre-me de tapar a boca deste ruivo idiota quando ele inventar de caçoar o Roniquinho. Ele vai ver só.

Fred e eu giramos lentamente no mesmo lugar. Ele conduzia tudo e eu, bem... Eu era conduzida. – tipo, não me diga! – Irônica, não? Que merda! Eu não quero parecer uma palhaça diante de todos!

– Ok. – disse Minerva. – Todos vocês, arranjem um par e dancem. – e eu achando que a dança iria terminar.

Nós dançamos pelo salão novamente. Eu me recusava a olhar nos olhos do meu “parceiro de dança”, mas era impossível. Ele tinha uma espécie de imã, sempre algo me prendia a ele. Mas o quê?

Eu hein, que papo esquisito.

Ele me rodopiou, e, assustada, eu quase gritei, mas seus braços me ampararam quando eu achava que iria cair. Em seus olhos, o brilho deles denunciava que se não tivesse mais ninguém aqui, estaríamos fazendo uma coisa que – acho eu – desejamos desde que nos vimos...

Malícia né?

A música parou.

– Andem arranjem logo seus pares! O baile será no Natal. – Minerva falou e eu me soltei de Fred.

– Er... – ele começou. Será que ele vai me convidar? Ah será que ele vai? – Para quem não dança você até que sabe dar alguns passinhos.

Assenti. – Ah... Ok. Er... Obrigada Frederico. – afastei-me dele, mas depositei um pequeno beijo em sua bochecha.

E se ele tivesse virado? Qual seria a minha reação? Por que eu me importo de ele não ter me convidado? Mas que droga, ele é só o irmão irritante de meus melhores amigos. Ah! Maldito Weasley!

♥

Estávamos na aula de poções, que era conjugada com os alunos de todas as casas e todas as turmas, por isso, estávamos no salão principal. Depois da aula de Minerva – soou mais como uma reunião. –, Frederico não me chamou para o baile. Não que eu esperasse que ele o fizesse, mas... Seria legal se ele o fizesse. Argh! Do que eu to falando. Não seria legal e pronto!

– O baile de Natal já está chegando... – comentou Rony.

– É. – retruquei ácida. – Ainda falta um mês.

Ele se assustou com a minha delicadeza. Acontece que eu acho que esse não pedido do irmão dele foi uma coisa ruim para mim. Quem ele pensa que eu sou?

– De qualquer forma... – ele resolveu ignorar a minha afronta. – Temos que arranjar uma garota para levarmos ao baile. – é óbvio que ele se referia a ele e a Harry. Revirei os olhos.

– Vocês são fúteis. – Mione comentou monotonamente.

– Psiu. – Frederico jogou uma bolinha de papel em mim.

– Meu nome não é psiu! – resmunguei e voltei a terminar o exercício de venenos que o Morcego havia passado. – Fala logo o que você quer.

Ao olhar para ele, tive que conter a expectativa, mas estava difícil. O que há de errado comigo hein?

– Ok, Catoquine. – argh! – Vocês vão levar quem ao baile, ele já, já bate à porta.

– Quem vocês vão levar? – Rony perguntou na expectativa. – Você poderia ir com a Cathy! – Rony, seu Gordo Sedução², eu te amo.

– Eu. Ir com ele? Imagina? – mente, às vezes eu te amo de paixão, sabia.

Fred pareceu refletir. Ele pegou um pedaço de papel e jogou na direção de Angelina Johnson. Mas... Eles não haviam terminado na semana que se passou? Revirei os olhos e abaixei-os, sem entender por que meus olhos estavam ardendo. Por que eu queria chorar merda?!

– Hey, Angelina! – ela se virou para ele. – Você quer ir “ao baile” comigo? – quando ele falou “ao baile” fez uma dancinha ridícula.

Ela assentiu e seus lábios se curvaram num ok. Eu já havia acabado a lição, agora eu só precisava entregar ao professor, mas queria ver até onde isso vai dar.

– Agora to deprimido. – lamentou-se Harry.

– Poxa! Todo mundo tem par, menos eu! – Rony exclamou aos sussurros e indignado, então ele olhou para Hermione. – Hermione, você é uma menina!

– Bem observado. – ela disse em azedume.

– Poderia ir com um de nós. – ele já sorria em expectativa.

Acontece que, se Hermione pudesse, ela até que iria com Rony e eu sei bem por que. Só que, o famosíssimo Vítor Krum, havia chamado-a para o baile desde a semana passada, quando ela estava comigo na biblioteca.

– Não, não posso. Por que saiba, Ronald Weasley, que algum garoto já descobriu que eu sou uma garota e me convidou para o baile. – ela disse e se retirou, entregando o caderno para Snape e saindo do salão à passos largos.

– Nem me pergunte, eu não direi uma só palavra. – falei assim que vi o olhar de cachorro abandonado que Rony fez para mim. – Uma dica. Se quiserem convidar alguém legal, convide alguém da Grifinória.

Após isso, dei meu caderno para Snape, que me deu um sorriso sínico, eu fiz questão de retribuir e saí de lá pisando duro. Uma coisa ainda estava fixa em minha mente. Por que eu me importava tanto com aquele maldito Weasley. Nós éramos apenas chegados. Ele não iria tão fundo nisso. Para ele, eu era apenas a melhor – ou quase – amiga de seus irmãos mais novos. Ele merecia coisa melhor. Era assim que eu o via também. Ele é o irmão mais velho de meus melhores amigos ruivos. Que porcaria Catherine!

– Catherine? – uma voz suave soou pelo corredor. Era Cedrico. – Desculpe-me incomodar, mas... Por que está chorando?

Eu estava? Limpei as lágrimas na hora e sorri. Um sorriso forçado.

– Oi. Eu não estava chorando por nada. – disse, alargando ainda mais o meu sorriso. – Acho que são coisas de garotas. – ele corou. – O que houve?

– Bem. Depois da crise de vômito que eu e meus amigos tivemos, vim aqui lhe pedir algo. – foi minha vez de corar.

– O que exatamente. Um pedido de desculpas? – arqueei a sobrancelha. – Se for assim. Perdoe-me, eu não deveria ter feito isso. Acho que começamos com o pé esquerdo.

– É isso! Pé esquerdo. – ele estava envergonhado. – Bem... Geralmente eu não sou tão tímido com as garotas, mas... Você quer ir ao baile comigo?

O mundo parou. Neste exato momento, Fred e Jorge iam saindo do salão principal e andavam lado a lado, na mesma direção em que eu e Cedrico estávamos. Revanche.

– Sim. – o loiro sorriu. – Sim. Eu aceito ir ao baile com você Cedrico. – beijei sua bochecha e ele saiu andando, com um sorriso no rosto.

O ruivo me encarou com fogo nos olhos. Eu dei de ombros debochadamente e saí andando, na direção dos jardins, pensando em como o olhar dele soou para mim. Ciúmes? Er... Não, né? Por favor! Qual é? Ele iria ter ciúmes de mim? Sonha alto Catherine.

Mas de uma coisa eu sei. Nunca entenderei estes meninos. Principalmente dois em saliência: Cedrico Diggory e Frederico Weasley.