The Portrait of Rose Weasley
3 A Calmaria Antes da Tempestade
Notas iniciais
— Isso não é justo! — Scorpius choramingava para meus preciosos ouvidos, encostado em uma das árvores dos jardins de Hogwarts, ao lado do Lago Negro. Eu, por outro lado, estava deitada na grama, extremamente confortável em minha posição. O loiro comentava sobre uma prova inesperada de Runas Antigas, aplicada mais cedo pela nossa mais excêntrica professora, Jalama Kadney. Ela usava enormes brincos de argola, xales coloridos e uma maquiagem pesada, além de falar com um forte sotaque australiano.
Era manhã de sexta-feira, horas antes da festa que, segundo fontes quentíssimas, promete abalar as estruturas de Hogwarts (tudo bem, isso não foi dito por ninguém, mas não deixa de ser verdade).
— Meu Merlim, Scorpius, só aceite que a Prof. Kadney achou meu trabalho superior ao seu. — Dei uma revirada de olhos enquanto falava. Malfoy, além de provar ser um péssimo "perdedor" (de qualquer maneira, não é uma competição, já que só existe na cabeça do loiro), ainda subestima minha inteligência e duvida da minha capacidade. — Enfim, você merece, quem sabe diminui esse seu ego. — Completei, debochando de sua cara de bravo.
A verdade é que não estou nem me importando com esse bendito teste surpresa, que era um exercício de traduzir símbolos das Runas para o espanhol (aparentemente, sem qualquer motivo). Eu obviamente saí na frente por ter primos trouxas por parte de mãe que moram no Paraguai, um país da América do Sul.
— Tudo bem, vamos mudar de assunto. — Scorpius disse, recebendo um sinal de agradecimento e comemoração de minha parte. — Por enquanto. — Continuou, enquanto eu não contive um muxoxo. — Já sabe que horas você vai para a festa? Posso te esperar na frente do Salão Comunal da Sonserina para irmos juntos. — Deu de ombros.
— Não pensei nisso ainda. — Respondi sua pergunta, distraída. — E não precisa me acompanhar, minha Casa fica nas masmorras enquanto a sua fica no sétimo andar ao lado da Sala Precisa, não é necessário que você faça essa caminhada toda só por mim. — Expliquei o óbvio, o que me gerou surpresa, pois o Malfoy que eu conheço já teria pensado nisso.
— Eu sei, mas você sabe não gosto de tumultos e realmente queria ir com alguém para não ficar sozinho. — Me olhou, pidão. — Juro que não vou te atrapalhar.
Dei risada de seu pedido. Não me julguem, mas esqueço do grande desconforto do loiro em eventos sociais, principalmente aqueles que incluam pessoas fora do seu pequeno círculo familiar e de amizade.
— Eu pensei que você estava perguntando isso por educação, Scorpius. — Esclareci. — Se é sua vontade, é claro que você pode ir comigo, deixa de ser bobo. — Dei um tapa em sua testa. — Para de se tratar como um peso-morto. — Ralhei, estressada com a sua falta de autoestima.
— Certo, não irei. — O olhei, desconfiada. — Obrigado. — Completou, oferecendo um sorriso sincero, que me fez corar por alguma razão.
O assunto se perdeu com a chegada afobada de pessoas atrás de mim.
— Rose! Há quanto tempo! Que agradável te encontrar por aqui. — Virei o rosto de lado com uma careta para encarar a dona da facilmente reconhecível aguda voz, acompanhada de meu irmão.
— Meu Merlim, Lily, o que foi que vocês aprontaram dessa vez? — Levantei meu corpo, sentando. Estava me preparando para ouvir sobre mais uma confusão causada por essa dupla.
Para esclarecer, a amizade entre eles é muito única (e estranha). Suas personalidades são paradoxos do modo mais escrachado. Ela parece uma criança que cresceu cedo demais, um doce de pessoa, ama jogar Quadribol e gosta de comer de forma saudável. Hugo, por outro lado, é muito maduro, a grosseria em pessoa, não suporta qualquer esporte (sua verdadeira paixão são os livros — meu pai reclama, enquanto Hermione agradece todos os dias que pelo menos uma de suas tentativas alcançou sucesso) e seu vício são guloseimas com muita caloria.
Não é surpresa imaginar, então, que essa mistura resultasse em brigas na maior parte do tempo. Seja pelo cardápio do almoço, pelas atividades nos dias livres, pela forma de cumprimentar alguém — qualquer coisa é motivo de discussão.
Porém, há algo que faça Hugo e Lily se unirem como nunca: a busca pela desordem. Enxeridos, irritantes e inconvenientes são uns dos muitos carinhosos adjetivos dirigidos a meus primos.
Acima de tudo, o porquê de serem famosos pela escola é a incrível capacidade da dupla em safar alunos (e si mesmos) de detenções. Eu não compreendo como eles fazem esse tipo de serviço (e nem quero), mas sei que são profundamente bons em tal trabalho. Entretanto, não se enganem ao pensar que eles não cobram por essa atividade ilícita — muito pelo contrário, exploram os pobres estudantes estabelecendo preços absurdos.
Entretanto, é claro que, de vez em quando, alguns desses planos infalíveis fracassam. Quando isso acontece, os dois diabinhos me procuram. A justificativa? Eu sei ser bem convincente, principalmente com minha mãe e meu pai, que (quase sempre) acabam aliviando para o lado do Hugo e, consequentemente, conversam com Harry, o que ajuda Lily. É preciso ressaltar que eu faço isso sem qualquer vantagem, pois não é feitio de minha pessoa pedir algo em troca por um pequeno favor concedido com tanto amor para membros da minha família — só que não. Esses folgados precisam aprender que a vida é cruel, e quem seria melhor para ensiná-los do que eu?
— Antes que vocês respondam, o preço será alto. — Apontei para a mini-Potter, que me fitou, irritada.
— Você nem sabe a motivação pela qual viemos falar com você. — Franziu o cenho, com rispidez.
— Ah, sim. — Um sorriso debochado escapou de meus lábios. — Foi para falar sobre o lindo dia? — Junte esse comentário com uma expressão de fingida curiosidade.
Scorpius, excluído da conversa, riu ao meu lado.
— Você é muito chata, Rose. Detesto seu tom irônico. — Hugo é um poço de delicadeza, herança de meu pai. — Vamos ser diretos ao ponto: preciso que fale para mamãe que eu não fiz nada de errado. — Lily deu um pisão em seu pé. — Nós não fizemos. — Completou, com uma careta.
— Sabia, suas pestinhas! — A ruiva menor empinou o nariz, sem se abater. — Conte o que aconteceu e eu posso pensar no seu caso. — Deitei novamente, esperando o relato.
Reparei no olhar de preguiça de Hugo, que começou a narrar com uma voz monótona:
"Eu e Lily, acidentalmente, pois procurávamos por um banheiro, entramos na sala da Zeladora Goty e fomos pegos, supostamente, já que a única prova é a palavra da velha caduca, vasculhando pelas gavetas da sala da funcionária. Fim. Eu vos declaro inocentes."
Revirei os olhos para essa versão totalmente manipulada pelo garoto. Continuei a fazer o negócio, porque o importante é meu lucro.
— Deixem eu adivinhar: vocês querem que eu confirme essa história idiota para mamãe? — Eles acenaram a cabeça, em concordância. — E os lindos realmente acreditam que Hermione Weasley, com toda sua inteligência, vai acreditar nisso? — A burrice dessas pessoas me assusta.
— Obviamente ela não vai acreditar. — Lily respondeu, com um levantar de lábios sarcástico, enquanto eu não entendia até onde ela queria chegar. — Mas, ao mesmo tempo, tia Mione não vai querer desmerecer o ponto de vista de seus dois queridos filhos, que representam o cúmulo da sensatez e honestidade no mundo. Isso tudo aliado com seu poder de convencimento. — Fiz cara de choque com a dissimulação das duas crianças. Fica difícil acreditar quando digo que Luna, na maior parte do tempo, é um amor de pessoa. Só que esqueci de completar que ela assume uma nova personalidade quando está em problemas ou com raiva. — Por isso é um plano perfeito: tão simples, que é quase impossível de dar errado. — Finalizou, orgulhosa de sua suposta genialidade. Hugo ostentava um sorriso mínimo.
— Merlim. — Scorpius expressou, também surpreso com a forma maquiavélica pela qual eles conduziram a questão.
Quanto a mim, retiro o que eu disse. Eles realmente são inteligentes, é uma pena que usem esse dom para o mal.
— Entendi. — Pisquei, atordoada. — E o que pretendem me oferecer em troca? — Retomei, objetiva. Hugo e Lily torceram o nariz.
Os queridinhos acharam que eu iria fazer o serviço sujo por nada? Sinto muito, mas luto pelos meus direitos.
— O que você quiser, Rosie. — Minha prima suspirou, esperando a bomba.
— Fiquem tranquilos, não tenho nada em mente no momento. — Os dois soltaram o ar, aliviados. — Porém, não esquecerei desse trato. — Dei ênfase na última palavra.
— Ok. Enfim, eu e Hugo temos outras coisas para fazer. Até Rose, adeus Malfoy. — Lily saiu contente, acompanhada silenciosamente pelo castanho.
— Eles são sinistros.
— Eu tenho medo desses acordos, na verdade. — Expus, levantando. — Bom, tenho aula de Feitiços agora. Te vejo mais tarde, Scorp. — Me despedi, enquanto ele continuou sentado.
— Até mais tarde. — Ouvi quando já havia dado alguns passos adiante, em direção ao quarto andar, onde ficava a sala do Prof. Flitwick.
x
Eu poderia mentir dizendo que o dia fora perfeito, com aulas incríveis e práticas, que me deixaram animada. No entanto, nada disso aconteceu. Os pedagogos hogwartianos (sim, eu inventei essa palavra) pareciam saber que alguns alunos planejavam algo diferente, distribuindo grande quantidade de matéria teórica, com imensos conceitos e muitos deveres.
Dessa forma, não é surpresa que, no fim da tarde, eu já me sentia esgotada.
— Albus vai me perdoar, Laurie. Eu não vou para outro lugar que não seja minha confortável cama. — Argumentava no final das minhas aulas, apoiada numa parede, ao lado de uma escada.
— Nem pense nisso. — A garota me atormentava, impedindo que eu caindo em um sono profundo e relaxante, querendo mandar em minha vida. Eu não mereço isso.
— Por favor, Lau. Eu estou tão cansada. Eu nem gosto tanto assim de Severus. — Fechei os olhos, aninhando-me ainda mais contra a mureta fria. Metcalf riu pelo nariz.
— Para de graça, Rose. Se eu não te encontrar nessa festa até ele chegar, eu juro que vou até as masmorras te arrastar por esses cabelos sebosos. — Ameaçou-me com suas ofensas, enquanto eu revirei os olhos. — Você tem que me ajudar a montar tudo, inclusive. — Lembrou-me. Fiz um som irritadiço com a boca, levantando de supetão
— Argh, sua insuportável, eu não quero ir e nem ajudar. Perdi minha paciência. — Distanciei-me pisando duro, esquecendo do sono por um tempo.
Ainda pude ouvir um "Te vejo mais tarde" da nascida-trouxa, ignorado por mim. Segui meu caminho até o Salão Comunal da Sonserina, esperando encontrar meus aposentos quentinhos.
Ao chegar na entrada do lugar, encarei sua proteção, que era um quadro de Salazar Slytherin, que me avaliou com superioridade.
— A senha, mestiça. — A pintura disse, com asco. Murmurei a resposta ("Poção Polissuco", no momento), menosprezando o mau-humor do velho morto.
— Olá, Srta. Weasley. — Mal tinha pisado na sala, quando fui cumprimentada por Brandon, sentado em um dos sofás, com inúmeros pergaminhos espalhados ao seu redor.
— E aí, Brandon? Firme? — Adorava usar gírias para falar com o menino, que não entendia quase nenhuma. Me joguei em uma poltrona que parecia aconchegante.
— Presumindo que "firme" seja uma coisa boa, sim. — Ri, divertida. — Então, ansiosa para hoje mais tarde? Laurie me procurou ontem para que eu pudesse confirmar minha presença. — Terminou, achando graça. — Ela é muito maluquinha.
Fechei a cara. A menção de Metcalf relembrou-me de como a menina era inconveniente e insistente até com praticamente desconhecidos.
— É, maluca e intrometida. — Ryder reparou no clima tenso que se formou, tendo a educação de mudar de assunto.
— E você? O que me conta? — Questionou, sem pensar em nada mais original. — Nossa aula para amanhã de tarde continua de pé? — Fez expressão de dúvida.
— Claro que sim. Se prepare, vou te transformar no maior pocionista que Hogwarts já viu. — Fiz graça, gerando uma risada do menino. — Sobre minha vida, nada de extraordinário, só muitas aulas estressantes e fatigantes mesmo. E, agora que você me perguntou, estou com fome também. E sono, é claro. — Fui enumerando, afundando cada vez mais no assento.
Brandon acenou, complacente.
— Eu entendo, é complicado. Mas pense pelo lado positivo: você vai relaxar hoje à noite. — Retomou o assunto que eu estava tentando evitar.
— Ah, sobre isso, não sei se vou. — Contemplei o Lago Negro pela janela do Salão, distraída.
— Que pena, eu só iria para que pudesse passar um tempo com você. — Brandon comentou, sem notar a profundidade de suas palavras. Fiquei atônita, não sabendo o que dizer em retorno. Ele fez cara de assustado, quando reparou no que havia dito. — E de seus amigos também. — Acrescentou, constrangido, após observar como eu estava corada.
— É claro, eles são ótimos. — Sorri, envergonhada, olvidando de meu ranço momentâneo com Laurie. — Acho que vai ser uma noite agradável mesmo sem minha presença. — Tentei encorajá-lo, que deu de ombros. — Talvez eu vá também, sou muito indecisa. — Me esforcei, recebendo uma expressão de animação do garoto.
— Eu estarei lá. — Brandon replicou, tímido.
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— Vamos, Weasley, que enrolação. — Scorpius me apressava, parado na porta do quarto destinado para garotas do sexto ano da Sonserina (no caso, só eu mesma e a nojenta da Frey).
— Scorpius, você está fazendo com que eu me arrependa de ter dito que tu poderias esperar por mim aqui, não enche o saco. — Respondi, passando rímel. — Além disso, foi você que implorou para que eu fosse. — Argumentei, venenosa.
O loiro soltou uma risada debochada.
— Eu só perguntei o motivo pelo qual você não iria, que não soube me responder adequadamente. Ou seja, você queria, mas precisava de um empurrão. — Esclareceu, recebendo um soco fraco na barriga de minha parte.
— Tanto faz, seu imprestável. — Ri sozinha de sua cara de dor. — Pronto? Odeio atrasos. — Olhei o relógio trouxa na parede do quarto, que indicava que Albus chegaria na festa daqui poucos minutos, segundo o horário combinado entre mim e Laurie anteriormente.
Malfoy fez cara de indignado.
— Da forma que você falou isso faz parecer que é minha culpa que nós estejamos aqui até agora. — Rebateu, ficando irritado.
— Mas todos sabemos que é a verdade. — Dei de ombros, saindo do quarto. — Vamos logo, reclamão. — Ouvi um xingamento, que me provocou uma risada.
— Seu irmão estava certo. — Ele disse, quando chegou ao meu lado. Minha expressão deve ter demonstrando que eu não entendi a sentença. — Você é realmente muito chata. — Terminou, rindo.
— Seu ridículo, eu te faço um favor de permitir que você tenha a honra de estar em minha presença e é isso que eu recebo em troca? — Falei, mentirosamente indignada. — Só não te largo aqui por pena. — Continuei, apressando o passo.
— Sei. — Ele ainda sustentava um sorriso sarcástico, que morreu ao reparar que havia mais uma pessoa no corredor que nos encontrávamos nas masmorras. Acompanhei seu olhar.
— Brandon? — Perguntei, com o cenho franzido em questionamento. O garoto se assustou com nossa presença, nos encarando com um ar de surpresa.
— Ah, sim, sou eu, boa noite para vocês. — Respondeu após acalmar-se.
— O que está fazendo aqui parado? Não sabe onde fica a Sala Precisa? — Perguntei, curiosa. Ele me pareceu perdido por um tempo.
— Claro, é isso mesmo. — Ele replicou-me, meio confuso.
— Caso queira, pode nos acompanhar. — Ofereci, convidativa. Scorpius deu um pisão em meu pé, do nada. — Por que você fez isso, seu idiota? — Inqueri, revoltada com sua atitude.
— É que... o combinado era irmos só nós dois. — Declarou, ríspido.
— Eu não quero atrapalhar. — Ryder pronunciou, com polidez.
— Você não vai nos perturbar de maneira nenhuma, Brandon. Scorpius só está brincando, não é? — O contemplei, enfurecido com sua falta de educação.
— Pode ser. — Malfoy retrucou, infeliz.
— Bom, se é assim, eu adoraria. — O castanho sorriu, jubiloso.
Concordei com a cabeça, seguindo o caminho, acompanhada pelos dois meninos, que ficaram em silêncio. Por um momento, me questionei se algo havia acontecido entre a dupla que justificasse esse comportamento hostil de Scorpius, que, no momento, parecia rude em sua expressão firme, enquanto Brandon aparentava tranquilidade.
Fugi das divagações de minha mente quando notei que chegamos ao nosso destino, um corredor específico do sétimo andar do castelo de Hogwarts, que aparentava normalidade, mas escondia um dos maiores truques de magia que eu já conheci.
— Não esqueçam de pensar na festa. — Comentei, andando de um lado para o outro em frente à parede. Malfoy e Ryder fizeram o mesmo.
Após dez segundos, uma porta preta, grande e rústica surgiu onde antes não havia nada. Sorri com a simplicidade e genialidade do "ritual".
— Vamos? — Sorri para os dois, que afirmaram com a cabeça.
Mal tinha entrado no local quando fui agarrada por um emaranhado de cabelos azuis.
— Eu sabia que você viria. — Soltou-me do abraço, com um sorriso grande.
— Sobre isso, desculpa minha infantilidade de hoje mais cedo, você teve que pensar isso tudo sozinha. — Observei o local, decorado com as cores vermelha e dourada, com o máximo estilo grifinório. Havia uma pista de dança espaçosa, um bar com inúmeras bebidas, mesas pequenas no canto. — Está incrível, a propósito. — Elogiei, impressionada com o trabalho da garota.
— Ah, não foi nada. Eu tomei sua falta de apoio como um voto de confiança na minha capacidade de realizar grandes coisas. — Ela disse, ainda muito contente. Estranhei.
— Você bebeu? — Scorpius perguntou, com uma expressão de dúvida. Brandon também parecia notar o mesmo.
— Um pouquinho. — Respondeu, abraçando o loiro agora. — Você está lindinho hoje, Scorp. — Virou seu rosto para Ryder. — Você está lindo sempre. — Ela disse, rindo sozinha.
Gargalhei com seu comportamento.
— Então, Lau, Albus já está vindo com Roxanne? — Questionei, ganhando sua atenção de volta.
— Sim, ele estará aqui em... — Olhou para seu relógio, fazendo uma careta de confusão. — Na verdade, é agora.
No instante em que disse isso, Albus entrava pela Sala Precisa, com uma cara de genuína perplexidade com a festa.
— Surpresa! — Todos gritaram ao mesmo tempo.
Albus mudou sua expressão para uma de alegria, recebendo abraços de inúmeras pessoas. Acompanhei toda a algazarra em silêncio.
— ROSE! LAURIE! SCORPIUS! — Entoou, quando captou nossa presença, vindo em nossa direção.
Abraçamos o aniversariante. Brandon havia se dispersado pelo ambiente, percebendo que era um momento íntimo para nós.
— Como vocês fizeram isso sem eu perceber? — Severus perguntou, com uma mistura de choque e dúvida.
— Podemos ser imperceptíveis. — Laurie fez mistério, gargalhando em seguida.
— Ignore a bêbada. — Al e Scorp riram de meu comentário. — Qual foi a desculpa de Rox para te trazer até aqui? Ela não quis contar o que ia dizer. — Não contive minha curiosidade.
— Ela começou a gritar no meio do Salão Comunal da Grifinória que tinha descoberto uma coisa na Sala Precisa, e que as pessoas precisavam ver o que era. — Contou, rindo. — Ninguém ligou, é claro. — Riu mais ainda. — Eu vim para apoiar a coitada.
— Meu Deus, Roxanne é um caso à parte. — Minha prima é muito dramática, não se assustem.
— Realmente. — Scorpius concordou, sorrindo.
— Vou cumprimentar os outros convidados agora, mas muito obrigado por isso, eu amei, mesmo. — Albus falou com um sorriso, afastando-se em seguida.
— Eu vou com você, Al, me espera. — Laurie correu atrás do garoto, tropeçando em algumas pessoas pelo caminho.
Eu e Malfoy nos entreolhamos, rindo.
— A amizade de vocês parece tão honesta. — Brandon surgiu silenciosamente ao nosso lado, assustando o loiro.
— Cuidado, Brandon, você vai matar meu amigo com essa sua aura de mistério. — Zombei de Scorpius, que fechou a cara novamente.
— Não foi minha intenção, perdão. — Ryder deu de ombros. — É que não conheço mais ninguém aqui além de vocês. — Seu olhar vagou pelo ambiente, entediado.
— Ainda não fez amizades na escola? — Questionei, curiosa, porque ele era uma boa companhia.
— Só colegas. — Rebateu, indiferente.
— Eu posso imaginar que tenha um motivo para isso. — Scorpius comentou, rude. Dei outro soco em sua barriga.
— Pare de ser estúpido com Brandon. — Apontei para o garoto, que parecia desconfortável. — Ele não te fez nada, você está agindo como um idiota. — Repreendi, já irritada com seu comportamento.
— Não tem problema, Rosie, ele pode não gostar de mim. — Brandon comentou, segurando meu braço, com um sorriso fraco.
— Tem problema, Brandon, porque existe uma coisa chamada educação e os pais de Scorpius ficariam muito decepcionados caso vissem uma coisa como essa. — Tudo bem, fui baixa ao trazer à tona o ponto fraco do loiro, que me olhou chateado e bravo.
— Não fale de meus pais. — Scorpius soou ríspido.
— Você sabe que é verdade. — Continuei firme em minha expressão.
Malfoy desdenhou de minha sentença ao virar o corpo e sair de perto de mim e Brandon sem dizer nada. Suspirei, derrotada.
— Me desculpe por isso, eu não queria causar atritos entre vocês. — Ryder assumiu a "culpa" pela briga.
— Você não fez nada, Brandon, é apenas um assunto que eu tenho sempre com Scorpius. — Dei de ombros, aborrecida com o clima. — Esqueça esse assunto e vamos dançar.
Segurei sua mão, indo até a pista, movimentando-me animadamente.
O moreno era muito duro e não conseguia se soltar. Para auxiliar nessa tarefa, comecei a fazer passos engraçados, como imitar um robô, uma dançarina do ventre, entre outros.
O menino gargalhou, me acompanhando nos divertidos passos.
Sorri, a noite estava indo bem.
O que eu não sabia é que, mais tarde, minha vida toda mudaria.
E, definitivamente, eu não estava preparada.
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