De pé, o Mestre olhou em direção à orla, e apontou para um rapaz um tanto distante, com uma prancha nas mãos e se preparando para entrar no mar.

- Aquele é Jadson André.

Mark piscou.

- O surfista profissional? Que já competiu na WSL várias vezes? O marido daquela jornalista...?

- Sim, o próprio. Alguém o ensinou a surfar, não foi? Quem será que o ensinou?

Agora Mark estava boquiaberto.

- Mas então...

- E o Oscar Schmidt? Quem você acha que o ensinou a jogar basquete?

- Mas...

- E quanto àquele cara da Globo, o Alan Severiano? Quem você acha que ensinou ele a ser tão bom em investigações a ponto de ele sempre ter um bom faro para notícias?

- Ué... mas...

- E o Souza? Quem você acha que o ensinou a jogar futebol? Um cara que passou com sucesso por Corinthians, São Paulo, Atlético Mineiro, Flamengo, Athletico Paranaense, América-RN e seleção Brasileira... Poxa, quem será que o ensinou a jogar?

- M-mas...

- E já que estamos falando de surfe, observando o bom Jadson ali... – O Mestre inspirou e fez uma pausa, como se estivesse numa peça de teatro e fizesse uma pausa dramática para prender a atenção do público, numa toada de suspense. – Já ouviu falar no Ítalo Ferreira? Campeão mundial, campeão olímpico... E poxa vida, com quem será que ele aprendeu a surfar tão bem??

Mark agora não sabia mais o que dizer.

- Então... todas as pessoas que saíram daqui do RN e se destacaram em alguma área, foram ensinados pelo senhor?

- Sim. Todos foram meus alunos. Pense um pouco, Mark... por que você acha que as pessoas me chamam de “Mestre”?

- Ah... eu entendo. Um pouco, eu acho.

O Mestre sorriu de novo daquele seu jeito brincalhão. Em seguida fez sinal para Mark se levantar.

- Agora, vamos. Quero tomar um banho de mar, mas não aqui. Leve-nos de volta para Ponta Negra.

Mark aquiesceu, levantou-se rapidamente, se aproximou do Mestre, fechou os olhos e se concentrou.

No instante seguinte, sentindo novamente um estalo na cabeça, abriu os olhos e viu que estavam em Ponta Negra novamente.

- Bom trabalho – disse o Mestre, dando-lhe um leve tapinha no ombro. – Vou tomar meu banho. E quanto a você, jovem Mark... Divirta-se, mas com responsabilidade. Não prejudique os outros. Não explore ninguém. Não faça mal a ninguém. Afora isso... Use seu dom como bem entender. A qualquer momento, nos vemos por aí novamente.

Ele acenou para Mark levemente e pôs-se a caminho das águas, para seu banho de mar. Mark o contemplou por alguns instantes, e depois seguiu por outro caminho, deixando a praia.

...

...

...

...

De volta ao presente, Mark voltava a contemplar mapas de Maceió, das ilhas e praias, animando-se e se preparando para mais um grande salto, dessa vez, para uma nova viagem, dessa vez, uma viagem a dois e que poderia ser bem emocionante.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.