The Phantom Of The Opera
5 Quinto Ato
Notas iniciais
OBS: Tentei dar o meu melhor no cartão do Dorian, mas só saiu aquilo ali! =)
POV Christine
Musica: http://www.youtube.com/watch?v=aEL4hY8obIo

Após me entregar aos caprichos e a luxúria de Dorian que se revelou naquela noite como um amante perfeito e gentil, eu acordei na manhã seguinte sobre sua confortável cama coberta por lençóis de seda de cores escuras, e sobre eles no lado onde Dorian deveria estar deitado havia uma rosa com pétalas fechadas de cor amarela, minha favorita. Junto com ela havia um cartão escrito em papel envelhecido, cujo eu peguei e li:
Um milhão de cristais não são suficiente para folhear sua beleza
A Beleza de sua alma
Trezentos dias eu contei
Quase um ano, um lago de sua falta
Penas cobertas de gelo em minha janela
Escondem a vida gelada por dentro
Tempestade de gelo do lado de fora das paredes
Mas eu sinto que meu coração está quente

Ainda atrás do pequeno cartão, estavam escritas as seguintes palavras: “Sou um homem de palavra Christine, as grades que antes a prendiam a mim agora estão destrancadas. Pode voar para sua liberdade! Apenas lhe pedirei que jamais se esqueça da noite em que eu a amei de toda minha alma...”. Algo profundamente melancólico tomou conta de mim naquele momento. Dorian havia cumprido de fato com sua promessa de me libertar e deixar-me regressar a meu noivo, provando assim que era um homem digno como sempre pensei que fosse. Desci da cama e procurei minhas roupas logo as vestindo e depois segui até as escadas me dirigindo até a sala principal daquele lugar, tão solitário. Procurei por Dorian mesmo sabendo que não o encontraria, talvez por que desejasse vê-lo antes de partir. Subi pelas escadas que me levariam rumo a minha liberdade tão desejava sentindo como se parte de mim ficasse para trás. Dirigi-me pelos corredores frios e úmidos do nível abaixo ao teatro logo chegando à parte superior onde encontrei a passagem para meu camarim e passei por ela. Meu coração estava saltitando no peito como se eu estivesse sendo tomada por uma súbita adrenalina de fugir daquele lugar e voltar para o conforto de minha casa. Atravessei os corredores do teatro, corri para as escadas do saguão principal e logo pude abrir as portas da saída, por onde pude finalmente ver a luz do sol brilhando forte quase me cegando. Sorri cobrindo os olhos por um instante depois corri junto a uma carruagem e pedi que a mesma me levasse para minha casa. Ao chegar, todos estavam ansiosos a minha espera, preocupados com meu bem estar. Abracei a todos logo percebendo que Dorian havia mentido sobre ter enviado uma carta para meu noivo, pois Wayne estava bem ali e me tomou em seus braços me segurando com força como um enamorado que ansiava pelo calor de sua amada, no caso eu. Não delatei a eles o local onde estive todo aquele tempo e nem sequer citei o nome de Dorian, pois sabia que meus familiares o caçariam pelo ato desesperado de me raptar e me manter presa contra minha vontade em uma masmorra fria e obscura como aquela.
...
As semanas se passaram e meu casamento com Wayne fora marcado. Passei aqueles dias, envolvida com escolha de vestidos, do buquê, convites e o bufê que seria servido na festa logo após a cerimônia da catedral. Wayne estava animado e ansioso para me ter como esposa, o que às vezes me assustava, pois ele esperava encontrar uma moça casta na noite de núpcias e tudo que encontraria seria uma moça que se negou a deitar-se com ele todo o tempo e em uma noite se entregou a um homem que não era seu amante compromissado. Temi que Wayne me odiasse e me devolvesse a minha família quando constatasse que ele não era o primeiro homem a me tocar, e acabasse sujando meu nome em praça publica assim por única culpa minha envergonhando o nome de minha família. Desejei dizer a ele a verdade antes que ele descobrisse por si, mas fui fraca e não tive coragem.
...
Duas horas antes do casamento eu estava nervosa no quarto onde as amas me ajudaram a vestir meu vestido de noiva, branco com uma longa calda e véu que se uniria a ela, assim dando um ar clássico e nobre a noiva. Mais uma vez a culpa pairou sobre meus ombros por estar vestindo um vestido destinado a uma virgem. As lagrimas tomaram minha face ao constatar que em breve eu teria de enfrentar meu futuro marido e que ele descobriria minha farsa tão erronia, e impensada. Eu estava sozinha naquele cômodo com minhas lembranças da noite em que desrespeitei meu noivo deitando-me com outro... Ao mesmo tempo o rosto de Dorian não saia de minha mente. Seu sorriso de máxima satisfação ao me ter inteira para si fazia voltas e voltas em minha cabeça, e me deixava confusa e tensa. Algo dentro de mim ansiava por voltar a vê-lo, eu sentia que não estava completa sem poder dizer a ele coisas que estavam guardadas secretamente dentro de meu peito.
Enxuguei minhas lágrimas e juntei a calda de meu vestido logo me dirigindo para fora do quarto, atravessando o corredor às pressas e descendo as escadas em passos firmes quase levantando voo. Corri rumo à porta da frente por onde poderia sair sem que ninguém me visse, e me apresentei ao cocheiro da carruagem que me levaria para a catedral onde meu noivo já me esperava. O cavalheiro vestido de acordo perguntou se deveria me levar para a igreja, mas eu ordenei que ele me conduzisse até o teatro. Eu precisar ver Dorian antes de me casar e dizer adeus a ele olhando em seus olhos negros, que me seguiram por tanto tempo devotamente. Estacionamos diante do teatro fechado naquele dia e o cocheiro ajudou-me a descer, e disse que ficaria a minha espera. Adentrei ao teatro pela entrada dos fundos onde sempre havia cinco ou seis atores ensaiando suas peças, e ao me verem perguntaram curioso:
– Você está linda Christine, mas não deveria estar em seu casamento? –disse Millena.
– Eu esqueci algo muito importante no meu camarim, não posso me casar sem isso... –respondi me afastando as pressas.
– Quer ajuda? –disse Beta.
– Não, tudo bem! –respondi sorrindo logo correndo rumo ao corredor principal.
Subi as escadas passando pelo proprietário do teatro.
– Meu Deus Christine, está vestida de noiva!
– Por favor, senhor Gerard eu tenho pressa... –disse parando apenas para lhe apertar as mãos e depois continuei a subir os degraus.
Passei por mais corredores, e eles pareciam imensos e apenas me deixavam mais aflita. Finalmente cheguei a entrada do meu camarim onde adentrei e fechei a porta trancando-a por dentro e afastando a estante que me levaria a passagem aos corredores frios e escuros do teatro a muito tempo abandonados e utilizados apenas por Dorian. Eu desci as escadas de pedra segurando meu vestido para não tropeçar no mesmo, enquanto corria como se minha vida dependesse disso não me importando com a sujeira que ficava grudada nas barras do tecido branco, deixando-o com aparência suja e úmida. Avistei as grades das masmorras onde permaneci com Dorian por tanto tempo que nem soube contar, e me deparei com elas trancadas. Segurei as grades escuras e sacudi as mesmas gritando por ele:
– Dorian? –minha voz saia aos berros. – Dorian você está ai? Por favor, sou eu Christine...
Meu coração parecia querer pular do meu peito, eu ansiava por ouvir sua voz, ver seus olhos sempre tão obscuros, que se revelaram tão puros e doces naquela noite em que nos entregamos um ao outro. Meus olhos não paravam de arder como se a qualquer momento eu fosse me desmanchar em lágrimas mais uma vez.
– Dorian? –gritei mais alto e dessa vez com desespero. – Se está aí venha me ver, por favor... Eu preciso vê-lo... Dorian...
...
POV Dorian

Eu devia estar louco de vez, pois ouvia a voz de minha doce Christine clamando por mim, e a voz parecia tão real, tão próxima me instigando a levantar-me de meu leito onde eu apenas desejava morrer por saber que naquele momento ela estaria se casando com outro homem. Fechei meus olhos apertando-os com força tentando mandar aquela voz embora, mas ela parecia ainda mais nítida e alta. Então irritado me levantei e corri rumo às escadas, logo percebendo que havia alguém tentando abrir as grades das masmorras. Aproximei-me com cautela e a vi, perfeita em um vestido branco digna de uma noiva magnífica.
– Christine? –me manifestei balbuciando seu nome quase que sem som algum.
– Dorian! –ela sorriu com os olhos úmidos.
– Christine... –corri até ela e toquei as grades assim como suas mãos que estavam geladas. – O que faz aqui? Deveria estar na catedral casando-se...
– Eu não podia antes de vê-lo... –dizia com voz rouca por tanto gritar meu nome.
– Christine, não deveria estar aqui...
– Não me mande embora Dorian, eu imploro. Precisava ver você, precisava olhar em seus olhos para ter certeza do que estava fazendo...
– Volte para seu noivo Christine, você tinha razão. Wayne é um bom homem, poderá lhe dar aquilo que eu jamais poderia...
– Me escute Dorian...
– Não seja boba Christine, não jogue sua felicidade fora por um minuto de minha companhia...
– Eu não voltarei àquela igreja sem que me escute Dorian. Abra essas trancas, me deixe entrar, me deixe tocá-lo...
Christine estava invertendo os papeis, geralmente era eu quem implorava por sua atenção, por seu toque, por seu carinho, e agora ela me pedia o mesmo que eu desejei dela por tanto tempo.
– Eu não posso me casar com Wayne Dorian... –ela disse entre lágrimas, me deixando profundamente abatido ao vê-la chorar.
– O que está dizendo Christine? –senti meus olhos nublarem.
– Eu não amo Wayne Dorian. Eu... Eu...
– Você o que?
– Eu o amo... Eu amo você. Não Wayne. –disse recostando a testa contra as grades. – Eu te amo Dorian. Perdoe-me se o magoei me perdoe se não mereci o seu amor, me perdoe por ter ficado tão deslumbrada comigo mesma, que nem percebi que você era a grande majestade desse teatro...
– Christine! –eu aproximei meu rosto das barras e depositei um beijo casto em sua testa, enquanto tocava sua face com meus dedos.
– Perdoe-me Dorian...
– Meu amor, não há nada que eu possa oferecer a você. Veja onde vivo.
– Não me importa... Eu viveria nas ruas se isso fosse necessário para viver com você... Eu troco todo o luxo e todo o conforto, todo o glamour do teatro apenas para estar nos seus braços Dorian. Por favor, entenda...
Eu não poderia exigir que minha adorável amada vivesse daquela forma mas também não poderia insistir para que ela se casasse com aquele homem, sendo que eu a amava muito mais do que ele jamais amaria. Me afastei das grades e retirei as chaves dos cadeados dos meus bolsos logo abrindo passagem para que ela invadisse meu tumulo frio e obscuro e se jogasse em meus braços. Eu apertei Christine contra meu peito com força para que ela soubesse o quanto eu a amava, e toquei seus longos cabelos castanhos, soltos sobre suas costas e que naquele momento encobriam metade do meu rosto.
– Eu a amo tanto Christine... Tanto...
– Me deixe ficar com você Dorian. –disse se afastando e me olhando com os olhos molhados. – É único desejo em meu coração...
– Não desejo privar você das coisas que a fazem feliz meu amor... –disse segurando seu rosto.
– Você me fará feliz. Nada mais importa, além disso... Você disse naquele cartão que seria eternamente meu, então seja!
– Eu serei... Por toda minha vida Christine, eu serei seu...
Tomei minha bela amada em meus braços e beijei seus lindos lábios molhados pelas lagrimas salgadas que percorriam cada milímetro de sua face imaculada, e perfeita. Nunca senti tanto calor em minha vida, quanto nos braços de Christine. Era um calor muito mais forte do que o de dois corpos que se tocam, era mais forte do que a chama das velas que me cercavam, era mais forte do que os raios de sol, e do que o próprio sol, e me aquecia totalmente por dentro. Christine me amava, e minha vida já não era mais uma miséria, pois eu possuía o coração da única mulher que amei em vida, e a única que amaria para todo sempre...
Notas finais
WINTER'S POEM LYRICS - LEAVES' EYES
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