The Person Who Matters The Most
2 The Truth
Notas iniciais
“Sala do coral, agora!” Rachel ordenou não dando nem chance do rapaz dar um bom dia se quer, a postura e o tom de voz o lembrou de uma professora, o que na tecnicamente, ela era e ele se sentiu como um aluno que foi pego colando em um importante teste, mas logo se recuperou, afinal não tinha feito nada de errado para receber tal comportamento da morena.
Pelo menos não que ele se lembrasse.
“Olha o que diabos você acha que fui eu, não fui eu, juro.” Sam tratou de se defender, mesmo não sabendo do que aquilo se tratava, mas a expressão de Rachel continuava brava.
“Então você não disse ao Mr. Schue que eu te mandei roubar as correspondências dele?” Ela foi direto ao assunto, cruzando os braços e cerrando os olhos. Quando seu ex-professor lhe contara, ela ficou surpresa e desapontada que ele realmente acreditara nisso, depois ficou magoada com Sam. Como ele pode fazer algo assim? Ele sabia mais do que ninguém o enorme esforço que ela estava tendo para trazer o glee de volta e ele ajudava Sue a trapacear em seu nome?
“E-eu acho que não.” Sam gaguejou nervosamente. “Eu lembro estar conversando com Mr. Schue e por algum motivo eu estou segurando as correspondências dele nessa lembrança, mas eu não lembro o que a gente conversou.”
“Ah claro! Convenientemente você esqueceu ter mentido para ele? Assim como convenientemente você não lembra o nosso beijo na sala do coral ou de tentar me beijar novamente lá depois de dizer de uma forma extremamente machista que vai ser meu futuro marido e que exigia que eu usasse músicas ridículas para o glee?” Rachel ironizou, sua vontade era estapeá-lo com todas suas forças, mas respirou fundo e continuou. “Você se uniu com a Sue por quê? Está com ciúmes que eu assumi o glee? Não gostou porque eu possa estar assumindo o lugar do Finn? Só, por favor, me explique porque você me apunhalou pelas costas.”
“Rachel, não é nada disso! Eu estou feliz que você tenha assumido o Glee, não acho que tenha ninguém melhor para trazer as artes pro McKinley do que você, mas eu realmente não lembro nada disso!” Sam explicou em tom suplicante. Sua mente estava uma bagunça nos últimos dias e Rachel já era a terceira pessoa que falava que ele estava agindo de uma forma estranha. Bem, mais estranho do que o normal.
“Sam, eu realmente quero acreditar, mas está impossível.” Rachel admitiu. Aquela história que nem era realmente uma história, apenas incontáveis ‘eu não lembro’, estava muito mal contada para seu gosto. “Eu realmente não sei no que acreditar.” Ela caminhou para uma das cadeiras e sentou, tentando assimilar as coisas.
“Rach, eu realmente queria te contar mais, mas como eu disse antes, eu realmente não sei o que está acontecendo. Eu te disse antes, eu tenho esses enormes espaços em brancos na minha memória, maiores que o normal e não importa o que eu faça, eu não consigo preenchê-los.” Sam também caminhou para as cadeiras e arrastou uma para que ficasse frente a frente com Rachel, também fez questão de encará-la nos olhos para que soubesse que ele não estava mentindo.
“Sam eu já disse que quero acreditar, mas você tem que entender que essa história é absurda.” Rachel tentou explicar sem fazê-lo se sentir mal, mas foi algo impossível já que o rapaz abaixou a cabeça e soltou um suspiro frustrado. “Eu pretendo chegar ao fundo desse mistério e você precisa me ajudar.” Ela pediu, colocando a mão no queixo dele e levantando para que voltasse a encara-la. “Qual a última coisa que você lembra antes desses espaços em branco?”
O loiro fechou os olhos e tentou repassar os últimos dias em sua cabeça, a primeira vez que isso aconteceu foi na segunda, então ele repassou cuidadosamente tudo que fez naquele dia.
“Sue.” Ele respondeu indeciso e então mais firme. “Definitivamente, eu estava no vestiário e ela chegou pergunto quão manipulável eu era, eu respondi que não sabia e perguntei o que ela achava, ai ela respondeu que achava que eu era bastante manipulável e eu concordei.”
Mesmo tentando segurar, uma risada escapou por seus lábios e Rachel fingiu tossir para cobrir. Só Sam para ser tão inocente e concordar com Sue em algo tão obvio.
“Ok, depois?”
“Depois veio o espaço em branco.” Sam respondeu desanimado, ele queria ajudar mais, mas a droga de sua mente não cooperava. Vendo que o rapaz estava se batendo internamente, Rachel colocou a mão sobre a dele chamando sua atenção.
“Eu te prometo que vou chegar ao fundo disso e se você for inocente, eu vou provar.”
“Se eu for inocente?” Ele questionou tentando esconder a tristeza de sua voz. Entendia o lado dela, era realmente bastante suspeito, mas ainda torcia que ela pudesse confiar nele.
“Desculpea Sam, mas por enquanto você é suspeito até que eu prove ao contrário.” Rachel explicou sentindo-se mal, ela realmente queria acreditar em Sam, mas aquela historia era louca demais.
“Não seria inocente até que se prove o contrário?” Ele fez um beicinho esperando uma resposta que não veio, ela apenas olhava-o impassiva. “Wow, eu até me sinto em um episódio de Csi ou Criminal Minds.” Sam brincou tentando aliviar o clima. “Será que a detetive Berry não deveria me algemar ou algo do tipo?” Ele flertou, erguendo os pulsos juntos e piscando para a morena.
“Talvez eu te prenda no pé da minha cama até ter meu veredito.” Rachel flertou de volta, mordendo o lábio e sorrindo para Sam. Não lembrava quando a relação deles passou de amizade para flerte nas mais diversas ocasiões, mas não se incomodava e na verdade, até ansiava por esses momentos.
E por isso ela estava tão empenhada em descobrir a verdade. Sam estava se tornando alguém que criava sentimentos muito mais profundo que apenas amizade nela e precisava ter certeza que podia confiar nele.
i.
“Kitty!” Rachel praticamente gritou, chamando atenção da loira... e de noventa por cento das pessoas que estavam no corredor, mas essa ela ignorou correndo na direção da cheerio.
“Geez Rachel, não precisava alertar a toda Lima que eu estou andando pelo corredor.” A loira ironizou, parando e esperando a morena lhe alcançar.
“Cale a boca, eu preciso de um favor.” Rachel informou séria, desde que Kitty se juntou ao ND, as duas se derem surpreendentemente bem ao ponto de se mandarem calar a boca entre outras coisas normalmente, exceto na sala do coral, ai a loira tinha que respeita-la como professora.
“Belo modo de pedir.” A loira brincou. “Ok, manda bala.”
“Eu preciso que você consiga umas informações com da Becky, provavelmente não são tão importantes quanto aquela seleção de músicas secretas, mais algo que também é importante.” Rachel tentou explicar em murmúrios, já que Sue tinha ouvidos por toda a escola, mas acabou notando que se embolara toda e não explicara nada.
“Ok, se não é tão importante, por que você mesma não tenta? É só dar uma caixa de chocolates para a Becky e ela abre o bico facilmente.”
“Becky me odeia, no meu primeiro dia aqui como professora ela me deu um banho de slushie e minhas roupas são caras demais para gastos extras com removedor de manchas.” Rachel explicou rolando os olhos. Não que pudesse falar muito, ela também não ia muito com a cara da loirinha que se transformara numa versão quase insuportável de Sue.
“Ok, o que eu preciso descobrir e o que eu ganho com isso?” A loira questionou. Se for arriscar seu pescoço tinha que ser por algo bom.
“Um solo no glee.” Rachel arriscou.
“Bom, mas você podia melhorar a oferta. Três solos no glee e você deixa a gente escolher as próximas duas lições.” Kitty propôs erguendo a sobrancelha.
“Feito.” A morena aceitou de uma vez, criar aquelas lições era bem mais difícil do que achava e ficar duas semanas sem ter que se preocupar com isso era o paraíso.
“O que você quer saber?” A loira questionou sua curiosidade começando a se atiçar.
Rachel explicou tudo o que sabia e Kitty acabou concordando com o plano.
“Eu preciso de dinheiro...” Kitty disse pensativa.
“De quantos você precisa?” Rachel disse solicita.
“50 pratas.” Kitty disse sem rodeios.
“Uma caixa de bombom não custa tudo isso!” Rachel declarou indignada.
“Eu sei.” Kitty falou com um sorriso travesso, Rachel de mal humor abriu a carteira e deu a quantia determinada.
~~
“Sue queria que você desistisse do glee, por isso hipnotizou o Sam para te dar uns pegas e depois não lembrar nada, consequentemente te dando um fora e você acabar de coração partido e largar o glee para lá.” Kitty explicou a história sem noção que Becky lhe contara. Por um momento acreditou que a loira estivesse de brincadeira com sua cara, mas ela lhe mostrara o diário de Sue em forma de vídeo em que ela admitia ter feito isso e que aparentemente seu plano estava sendo um sucesso, atingindo até Mr. Schue. “Essa é a história mais estranha que já ouvi e pra mim, Sam apenas pegou a oportunidade para se aproveitar e depois fingir que esqueceu, como um perfeito cafajeste.”
Enquanto a loira ofendia o rapaz com mais nomes, Rachel estava no mundo da lua. Concordava com Kitty, aquela era a história mais estranha do mundo, mas também fazia bastante sentido. Sam realmente era bastante manipulável e Sue fizera de forma certa, usando aquilo contra o pobre rapaz.
“Obrigada Kitty.” Rachel murmurou ainda perdida em pensamentos, tantas coisas passavam por sua cabeça que não conseguia focar em apenas uma. Sem esperar por resposta, virou-se e começou a andar de volta para a sala do coral.
Naquele dia não teria que dar aula e como prometido, deixaria que os alunos escolhessem a lição, mas ainda queria organizar algumas partituras e esperava que pelo menos ali pudesse se distrair da confusão que estava em sua mente.
Estava tão distraída que não respondeu o cumprimento de Kurt e passou reto por Beiste e Sam sem nota-los.
Chegara ao fundo do mistério, mas o que ele significava?
ii.
“Pumpkin, o que a Streisand tem?” Beiste perguntou preocupada. A morena passara tão avoada que ela questionava-se se sabia até para onde estava indo.
“Eu realmente não sei, mas eu vou descobrir.” Sam respondeu, despediu-se rapidamente da treinadora e seguiu a morena, curioso para ver onde ela estava indo.
Sala do coral.
Ele entrou no local e fechou a porta aliviado que ninguém iria os interromper,e teve que chamar Rachel umas cinco vezes, mas finalmente ela saíra de seus devaneios e o encarara.
“Eu descobri o que aconteceu.” Ela começou. “Na verdade, Kitty descobriu.”
“E?”
“Sue te hipnotizou.” Rachel então tratou de explicar toda a história se sentindo cada vez mais triste, mas deixando tudo de lado ao ver a feição desolada do rapaz. Com certeza não deveria ser fácil descobrir que por quase uma semana estava sendo feito de boneco por uma louca que beirava a sociopatia.
“Eu realmente não consigo acreditar, mas ao mesmo tempo eu consigo porque é algo que a Sue faria.” Sam falou, caminhando para um das cadeiras e se sentando. Diferente do dia anterior, Rachel foi quem dessa vez sentou na frente dele. “Eu me sinto um imbecil, sendo manipulado dessa forma.”
“Você não é um imbecil Sam, você é uma pessoa de bom coração.” Rachel segurou a mão dele e sorriu reconfortantemente. “E às vezes pessoas como a Sue vão tentar te controlar para fins maléficos, mas agora que você teve uma experiência ruim, pode saber distinguir e não aceitar outras.”
“Obrigada Rachel, você é incrível.” Ele respondeu, usando a frase dela de alguns dias atrás quando ele a ajudou com as lições de piano, e sorrindo. Por alguns minutos a morena sorriu de volta, mas então seu sorriso murchou e ela puxou sua mão de volta. “Ei, o que houve?”
“Eu te devo desculpas, estava te cobrando por algo que nem foi real.” Ela respondeu escondendo o rosto nas mãos, envergonhada, mas Sam notou que tinha bem mais do que o ela estava contando.
“Algo que nem foi real?” Sam questionou surpreso. “Rach, nem tudo foi real, porque em uma parte eu estava na droga da hipnose, mas pelo menos noventa por cento foi real sim.”
“Ah claro.” A morena ironizou, levantando da cadeira e caminhando pela sala. Desde que soubera da hipnose começara a questionar todos os momentos e questionar a veracidade de cada um deles.
“Rachel.” Ele a chamou, também se levantando e ficando na frente dela, colocando suas mãos no queixo, fazendo com que ela o encarasse. “Eu lembro a gente dividindo aquele pretzel e você limpando mostarda do meu queixo, lembro quando te ajudei com o piano e do ‘Sam, você é incrível’, a gente ouvindo o CD do David Guetta, lembro nossos jantares e lanches no Breadstix. Eu posso não lembrar de tudo, mas eu lembro diversas coisas. Rach, nem tudo foi só a hipnose.”
“O beijo foi.” Ela murmurou a última parte envergonhada. Apesar do ângulo estranho, afinal estavam um ao lado do outro, aquele tinha sido um agradável beijo e ela estava triste que tinha sido verdadeiro só de sua parte.
“Que bom que esse aqui não vai ser.” O rapaz murmurou de volta e antes que ela pudesse questionou o que ele estava falando, os lábios dele estavam contra o seu.
Se ela acreditava que o primeiro tinha sido bom, aquele estava sendo maravilhoso. Estavam frente a frente, então não tinha o desconforto no pescoço e Sam estava mais ‘alerta’ que da última vez e a beijava com vontade.
Sua vontade era aprofundar o beijo e explorar cada centímetro da boca de Sam com sua língua, mas seu subconsciente gritava que ela tivesse paciência e fosse com calma, afinal ele disse ainda ter sentimentos pela Mercedes e não falou se sentia algo por ela.
Separou-se relutante do loiro e sorriu.
“Definitivamente não foi nada falso.” Brincou, piscando para o rapaz e dando um passo para trás. Precisava de seu espaço pessoal novamente antes que pulasse em Sam e voltasse a se perder naquela maravilhosa boca que de truta nada tinha.
“Bem Srta. Berry, o que você acha de amanhã á noite irmos comer algo no Breadstix? Dessa vez prometo estar presente.” Brincou e era notável que a hipnose seria motivo de graça entre os dois. Rachel até gostava, uma piada interna que apenas eles dois conheceriam.
“É um encontro.”
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