The Perfect Time
2 Capítulo 1
Notas iniciais
5 anos antes em Toronto, Canadá.
– Hey, acorda imprestável! – Gritava uma voz rouca perto de sua orelha. Ela dormiu na rua, novamente, após uma enorme noitada. Seu nariz estava esbranquiçado, e seu vestido preto e curto estava cheirando a uma mistura de vodca, vômito e cigarros. Seus olhos ficaram semicerrados quando ficou de frente a um homem robusto de cabelos grisalhos e pele enrugada. Ele vestia algo que parecia ser uniforme da polícia de Toronto, e um distintivo que mostrava que ele era alguém importante na Província Canadense.
– Fecha essa janela, Alfred. – Zombou a garota, totalmente desnorteada. Seu salto havia quebrado, e sua maquiagem estava borrada. Mechas escuras estavam coladas na sua testa devido ao suor.
– Uma drogadinha qualquer, suponho. – Comentou outro rapaz, dessa vez mais jovem e aparentava ter em torno dos vinte e três anos de idade. No distintivo, estava escrito Oficial Versalhes: — Levante-se, delinquente, e diga o que estava fazendo aqui.
A garota encarou o rapaz com uma expressão confusa, e se virou para o homem de meia idade cujo distintivo dizia Xerife Coben. Com dificuldade, ela se levantou, e sentiu uma leve dor próxima a sua vagina. Será que ela tinha sido violentada enquanto estava altamente drogada? Sem nenhum pudor, levou a mão perto da sua intimidade e tateou, fazendo uma leve expressão de alívio.
– Ufa, não fui abusada. – Brincou sorridente e virou-se para o rapaz novo: — Não sabia que a polícia de Toronto selecionava pessoas de baixo QI para trabalhar com eles.
– Cale-se, sua prostituta de baixa qualidade. – Gritou o oficial, ameaçando bater no rosto da mulher, mas fora interrompido pelo xerife.
– Basta! – Gritou o homem mais velho: — Vamos precisar de seus documentos, e que nos acompanhe para a delegacia.
A morena bufou de raiva e seguiu eles para uma viatura branca e nova. O 14° Departamento de Polícia da cidade de Toronto ficava a alguns metros do local aonde a mulher, agora identificada como Clarisse Solo, fora encontrada. Clarisse era magra, tinha os cabelos curtos de cor escura como o vestido antes dele estar todo vomitado. Seus olhos eram castanhos claros, e seu rosto sempre com uma expressão serena. Desde pequena, ela ficava assim, até mesmo na morte de sua irmã gêmea, Claire. Clarisse tinha 6 anos quando viu a sua irmã ser morta eletrocutada em uma tempestade. Alguns afirmam que ela teria assassinado a irmã. E ela mesma aceita essa versão.
O DPT estava ali próximo, mas a mente da mulher estava em outro lugar. A festa, seus amigos Matt, Elleonora, Alexa e John Nagisa, uma dose de conhaque com vodca. Era tudo que ela lembrava da noite de ontem. Clari, assim como era apelidada, desceu da viatura descalça, e viu seu pai, o bancário Dean Lietchsteiner, na porta do Departamento. A morena olhou em um tom de súplica para os policiais, mas não teve tempo de pensar em uma desculpa.
– O QUE DIABOS VOCÊ TEM NA SUA CABEÇA, CLARISSE? – Berrou o pai, completamente nervoso. A garota se encolheu em seus próprios ombros quando escutou o pai e tentou se justificar, mas não conseguia abrir a boca para falar: — Você sabe o quanto isso mancha o nome de nossa família?
– Claro, papai. Mas sabe o quanto me importo com isso? Pois é, nada. – Deu de ombros e olhou para o Audi prateado do outro lado da rua: — Vai me levar para casa agora?
Dean suspirou pesadamente. Para um homem de quarenta e cinco anos, cuidar de uma adolescente de 17 anos que só sabia de ir para festas e beber, era estressante. E poderia até ser a causa de seus problemas com a idade.
– Sim, minha filha. – Virou-se para os policiais e estendeu a mão: — Me desculpe por toda essa confusão com ela, xerife. Espero que isso não ocorra novamente.
–Assim espero também, senhor Lietchsteiner.
Após a despedida, Dean e sua filha Clarisse entraram no Audi conversível e seguiram para o apartamento deles, localizado na Quinta Avenida com a rua principal. Era uma área bastante rica, e aquilo era entediante para Clari. Não era tão perto do George Brown College, mas era perto da Torre CN.
– Você vai ficar de castigo. Nada de celular, mesada, e fim de semana com os amigos. – Comentou o pai, fazendo a menina bufar de raiva.
– Mas que saco pai! – Gritou ela, entrando pelo saguão do prédio descalça e fedida a vômito. Sua cabeça doía, e ela sentia sua visão ficar meio distorcida algumas vezes. Pensou ser a ressaca, mas não quis comentar nada. Seu pai, Dean, seguia ela com uma expressão extremamente séria, e ela nada se importava. O elevador se fechou, e uma música brasileira começou a tocar. Ela gostava daquele som, pois lembrava de sua viagem ao Brasil. Fechou os olhos por causa da luz que incomodava suas vistas.
– Sem mimimi, Clarisse. – Disse Dean, empurrando ela para fora do elevador e a levando para a suíte aonde eles viviam. Quando entraram, Georgia, a esposa de Dean, e mãe de Clarisse, gritou irritada:
– O QUE VOCÊ ANDOU FAZENDO ONTEM A NOITE, CLARISSE?
– Puta que pariu. Hoje é o dia em que as pessoas vão resolver gritar comigo? Fui a uma festa com meus amigos, bebi demais, e acordei em uma praça. Algum problema nisso?
Georgia tinha 30 anos, e vivia sempre com uma pose arrogante e expressões demasiadamente fechada. Era escocesa, e vivia sempre reclamando de tudo. Principalmente das atitudes de sua filha.
– Você está de castigo, mocinha! – Disse a mulher de cabelos loiros vivos, o que claramente Clarisse via que era uma tintura.
– Fica na fila. Preciso tomar um banho e dormir.
A garota caminhou pela enorme sala e foi para o seu quarto de frente para a Torre CN. Seus olhos ficaram fixos nos raios de sol que banhavam a sua janela, e ela sorriu. Era, realmente, um belo dia para ela. Pelo menos até aquele instante.
ONU, 15:45
Na reunião das Nações Unidas, o clima estava agitado. Nações estavam preocupadas, outras estavam enraivecidas. E a causa de tudo isso era uma mensagem em vídeo de uma organização terrorista que mencionava “iluminar todas as civilizações com a sua verdade. ”
Vários repórteres estavam no local, os embaixadores estavam falando sobre uma possível Guerra. Taylor Acosta, uma repórter norte americana, estava praticamente correndo pelos corredores da ONU. Ela e seu câmera/noivo Robert, estavam atrasados após uma breve pausa no quarto.
– Eu disse que seria uma péssima ideia! – Comentou a repórter, soltando seus cabelos loiros, que caiam em cascata por suas costas. Seus dentes eram meio amarelados devido a quantidades excessivas de café e cigarros. Sua idade era de 38 anos, e tinha um corpo de dar inveja em várias modelos.
– A culpa é sua por ser uma pervertida e viciada em sexo. – Rebateu o homem, seguindo-a com pressa.
O olhar da repórter era ameaçador suficiente para assustar até mesmo o Hittler, mas era ineficaz contra o seu amado. Ela amava os cabelos escuros dele penteados para trás, e gostava mais ainda quando ela mesma fazia isso. Chegaram a sala de reunião. O presidente dos Estados Unidos e a Chanceler da Alemanha estavam em pé, preparando seus comunicados, quando o telão atrás deles ligou. A estática era forte, até aparecer uma tela preta e uma sigla.
– Boa noite senhoras e senhores. Sinto informar que a reunião de vocês está oficialmente encerrada. – A voz eletrônica saia por todas as direções. A apreensão tomava conta de todos, e Taylor estava anotando tudo que acontecia ali: — Receio que vocês já estão muito no poder, e nada estão fazendo. – Uma nova estática na tela arrancou a atenção de Taylor e de seu noivo, que balançava a perna rapidamente: — Mas chegou a nossa vez.
A voz eletrônica deu passagem a uma voz feminina. A voz era jovem, mas demonstrava mais ameaça do que a anterior:
– Vocês são imprestáveis. Chegou a hora de nós, os Cavaleiros da Independência, mostrar a luz para vocês. – A transmissão foi cortada, e o pânico tomou conta de todos. Taylor encarou Robert, que estava pálido.
– Em todos os meus anos como câmera, eu nunca vi isso em minha vida.
– Deixa de ser frouxo. É preocupante? Muito. Mas não devemos ficar abatidos. – Comentou sua noiva, cruzando as pernas e preparando sua caneta: — Hoje, é o dia que somos convidados formalmente para uma guerra.
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