The Pain Inside Of Me

1 The Pain Inside Of Me


Notas iniciais
História feita com todo amor e carinho para minha querida amiga secreta das Dalton Girls!
(Caso tenha caído de paraquedas aqui, também é muito bem vindo!)

Blaine não tinha certeza de quando isso tinha começado, talvez logo que Kurt se mudou para outra cidade e ele foi deixado sozinho, apenas com sua saudade e algumas caixas de bombons. Ou então quando chegou em Nova Iorque e conheceu todos os tipos de iguarias imagináveis, e até aquelas que estavam fora de sua capacidade de fantasiar. Na verdade, ele não precisava mentir para si mesmo, Blaine sabia que tinha sido algo bem anterior a tudo isso, ele não se lembra de alguma época de sua vida na qual ele não tinha problemas com os alimentos. Não é como se ele fosse um obeso ou algo assim, mas ele gostava muito de comer, até ele conhecer Kurt não existia nenhum prazer comparado a um tablete de chocolate derretendo lentamente em sua língua.

Quando Blaine apenas uma criança e via seus pais brigando quase diariamente, ele sempre se trancava em seu quarto com um pacote de salgadinhos e fingia não estar ouvindo nada, enquanto ignorava as lágrimas escorrendo pela sua bochecha. Um pouco mais tarde, quando contou para sua família sobre sua sexualidade e sua primeira paixão e teve a reação de total reprovação e desprezo, apenas os flocos de milho açucarado estavam lá para consolá-lo.

Já fazia cinco meses que Blaine estava vivendo em Nova Iorque frequentando NYADA e morando na mesma casa que Kurt, e tudo estava maravilhoso. Ao menos as duas primeiras semanas foram. Blaine sempre seria feliz ao lado de Kurt, acontece que logo que chegou ele percebeu que seu noivo mesmo com pouco tempo já era admirado por todos os colegas de trabalho, tinha uma banda com seus novos amigos, era um dos melhores alunos de NYADA e estava a cada dia com o corpo mais perfeito, como se fosse possível ser mais e mais bonito do que já era antes.

Não é que ele queria as coisas dando errado para o seu noivo, ou qualquer coisa assim. Blaine só se sentia um pouco... abandonado. Até pouco tempo atrás os dois caminhavam juntos, comemorando suas pequenas vitórias, e sonhando sobre seu futuro após uma noite de amor. No entanto, agora aparentemente eles estão em realidades diferentes. É como se os dois estivessem em uma corrida, Kurt lançando-se lindamente sobre todos os obstáculos e a cada minuto mais longe, bem próximo a linha de chegada, e Blaine mal conseguia dar a partida sem escorregar na lama ou algo assim.

Ele não quer parecer deprimido ou negativo sobre as coisas, é só que... NYADA era tudo o que ele não imaginava. Parecia muito com um concurso de egos, para ver quem era o melhor, o mais bonito, o mais talentoso. Blaine sempre se sentiu confortável num palco, no entanto agora, ele se sente julgado em cada um de seus movimentos e ele mal consegue acompanhar as rotinas de dança sem parecer um pato desengonçado.

Agora, afogado em seus pensamentos ele está em uma de suas aulas de defesa pessoal, ou qualquer coisa assim. Era apenas mais uma aula onde ele não conseguia fazer as coisas e Kurt se dava maravilhosamente bem, enquanto era admirado e cobiçado por todos os outros alunos.

- Agora pessoal, peguem seus bastões e vamos treinar mais algumas técnicas de defesa. – Pediu o professor da sala, recebendo a atenção de todos os alunos, inclusive Blaine que até então estava totalmente distraído. – Vamos dividir em dois grupos, sem camisa e com camisa, por favor. – O rapaz mal terminou de falar quando Blaine reparou com o canto de sua visão que seu namorado já se livrava de sua camiseta. O moreno só tomou o cuidado de prontamente se juntar ao seu noivo, antes de qualquer outro idiota tentar fazer uma dupla com ele.

— Essa não é a melhor aula extra de todas?! – Perguntou Kurt animado, enquanto rodava um bastão com uma das mãos.

Talvez um ano atrás Kurt fugisse de qualquer oportunidade de deixar os outros verem qualquer parte de seu corpo, porém agora, ele não perdia a oportunidade de exibir os resultados de toda a sua malhação.

- Tanto faz, eu acho... – Murmurou o moreno sem graça.

- Qual é a do mau humor? – Perguntou o castanho, enquanto o professor explicava os exercícios em segundo plano.

- Eu não estou de mau humor, Kurt. – Respondeu secamente, sem encarar o noivo nos olhos.

- Oh, claro, de onde foi que eu tirei uma coisa dessas? – Questionou ironicamente. – Honestamente Blaine, é irritante ter que aguentar essa sua indiferença todos os dias.

- Talvez você só devesse achar alguém menos indiferente... – Murmurou o moreno, não tendo certeza se seu noivo havia escutado, provavelmente não.

Então os dois caíram em um silêncio cheio de tensão por alguns segundos, até o professor ordenar as duplas a iniciarem o combate de acordo com as regras. E como sempre Kurt desenvolvia lindamente todos os golpes enquanto Blaine mesmo com todo o esforço se atrapalhava em todos os movimentos, e não conseguia nem mesmo executar uma defesa.

A aula se arrastou lentamente, e Blaine a cada segundo ficava mais cansado e irritado, até que na última série de golpes seu noivo, por acidente, acertou o bastão com força em sua mão, fazendo com que o moreno soltasse o bastão no chão.

- Porra Kurt, qual é o seu problema?! – Queixou-se o menor irritado.

- Eu sinto muito, pensei que você iria se defender... – Respondeu o castanho indiferente. – Você se machucou?

- Claro que não... – Zombou o moreno. – Será que você tem ideia da força que você coloca nesses golpes? É só um treino...

- Me desculpe, eu não sabia que você não podia nem mesmo se defender de um ataque simples. – Retrucou Kurt, irritado. Blaine apenas bufou e deu as costas para o namorado, indo se sentar no canto da sala.

Depois de alguns minutos a aula já estava chegando ao fim e o professor dispensava todos os alunos, quando Kurt se aproximou do namorado novamente.

- Olha Blaine, eu sinto muito, de verdade. – Disse arrependido. – Eu estou cansado dessas nossas brigas sem importância, será que podemos ir para casa conversar, sair para fazer algo? – Perguntou esperançoso.

- Sim, claro... Sinto muito por ser um idiota, eu amo você e eu detesto nossas brigas, vou apenas pegar minhas coisas. – Respondeu o moreno com um sorriso.

Assim que Blaine deixou seu noivo, dois garotos da sala se aproximaram de Kurt:

- Poxa Kurt, você está a cada dia mais incrível! – Exclamou o mais alto dos dois. – É sério cara, ninguém é tão bom quanto você nessas aulas...

Blaine arrumava suas coisas na bolsa rapidamente, escutando todo o dialogo cuidadosamente.

- Você anda malhando, não é? Seus braços estão incríveis. – Suspirou o outro menino.

- Bem, um pouco. – Respondeu com um sorriso confiante, enquanto flexionava um dos braços para exibir aos colegas que o admiravam.

Blaine honestamente odiava isso, há uns dois anos atrás ele protegia Kurt, cuidava dele para ter certeza que ele ficaria seguro, fazia de tudo para que ele se sentisse bonito e confiante, e agora seu noivo era apenas... Apenas um objeto de admiração de outros caras, isso deixava-o louco, essas pessoas não mereciam ver o seu menino assim.

- Sério Kurt, você precisa entrar para um time profissional, parar de fazer dupla com perdedores e treinar com gente boa de verdade. – Comentou o mais baixo sorrindo, sendo imediatamente ignorado por Kurt. Claro, o comentário não passou despercebido por Blaine, que optou por fingir que não ouviu nada e se dirigir até seu namorado.

- Então Kurt, já está pronto? – Perguntou se metendo no meio da roda.

- Claro, meu amor, vamos! – Respondeu, vestindo sua camiseta rapidamente, e enganchando seu braço no do noivo.

~K&B~

A viagem do casal para sua casa foi tranquila, os dois conversaram assuntos sem importância, e evitaram qualquer tema que pudesse gerar alguma outra briga desnecessária. Uma vez que estavam lá dentro, Blaine sentou-se no sofá, sendo seguido por seu noivo, que deixou a camisa e a mochila pelo caminho.

Kurt deixou seus dedos longos passearem pelos braços completamente cobertos de seu noivo, enquanto se inclinava para sussurrar algo em seu ouvido.

- Eu sinto tanto a sua falta . – Ronronou o castanho, deixando uma mordida no lóbulo da orelha do menor. – Já faz tanto tempo que não fazemos nada, Blaine. – Pediu sem fôlego.

O moreno rapidamente segurou as mãos do namorado e afastou-as de seu corpo, antes que ele pudesse levantar qualquer parte de sua blusa.

- E-eu, eu não estou no clima hoje. – Gaguejou o mais novo.

- Blaine já vão fazer três semanas que você não está no clima! – Bufou o castanho irritado. – Já faz algum tempo que você está com essa fobia de mim, nós nem dormimos abraçados mais... O que eu te fiz de tão ruim para você se desesperar só de eu chegar perto? – Perguntou inflexível.

— Você não fez nada Kurt, sério, eu só... – O moreno buscava palavras enquanto era assistido pelo noivo. – Você é perfeito. – Kurt era perfeito, Blaine não.

- Existe algum problema, Bee? Você sabe que pode contar tudo pra mim. – Disse Kurt compreensivo, sentando-se ao lado do noivo, apenas segurando sua mão. – Só... Por favor me diga que você não me traiu de novo. – Falou em um tom mais baixo, coberto por pânico.

- Não, não Kurt, eu jamais faria isso outra vez! – Argumentou o moreno desesperado. – Eu bem, eu acho que talvez esteja acontecendo alguma coisa... Já faz algum tempo, será que nós podemos conversar? – Blaine perguntou em voz baixa, sem ter coragem de encarar o noivo.

Logo em seguida o som do telefone de Kurt preencheu toda a sala, fazendo com que os dois meninos esquecessem do que estavam fazendo.

- Eu preciso pegar essa. – O castanho disse, dando um tapinha no joelho do namorado.

Blaine apenas assentiu calmamente, evitando que qualquer tipo de pensamento ruim vagasse por sua mente agora, Kurt o amava. Ele só tinha coisas que estavam o ocupando...

- Oh meu deus, isso é sério? – Exclamou o castanho no telefone, sem poder conter a alegria. – Eu mal posso acreditar, eu não tenho certeza se eu já acordei ou se é um sonho.... Dá pra acreditar? – O volume da voz de Kurt aumentava a cada segundo, fazendo com que Blaine se sentisse sufocado, o que pode fazer uma pessoa assim tão feliz? – Sim, sim, claro! Eu já estou indo, você é com certeza minha fada madrinha, não vou me esquecer... Não, de jeito nenhum, um beijo!

- Quem era? – Perguntou o moreno sem a devida importância.

- Blaine você não vai acreditar! – Exclamou animado. – Se lembra daquele projeto que eu sugeri na última reunião com a Isabelle e com a Anna?

- Claro... – Respondeu, sem ter certeza sobre o que seu noivo estava falando.

- Ele foi aceito Blaine!! Eles vão utilizar o meu projeto na próxima edição, você consegue imaginar o quão incrível é isso?! — Perguntou animado, chacoalhando seu noivo pelos braços.

- Puxa Kurt, eu estou tão orgulhoso. – Disse sinceramente o moreno, dando seu melhor sorriso para seu noivo, abraçando-o rapidamente, sem perceber a tensão de Blaine.

- Eu sou o homem mais sortudo do mundo... – Comentou. – Vamos lá, meu amor, Isabelle vai pagar um jantar de comemoração, coloque a sua melhor roupa para podermos sair! – Pediu Kurt, animado.

Já fazia algum tempo que Blaine não saía de casa além da faculdade, mas Kurt estava tão feliz que era impossível negar algo ao amor de sua vida.

Quando o moreno subiu as escadas ele vasculhou seu guarda roupa em busca de algo digno para acompanhar Kurt Já fazia algum tempo que ele não se vestia para parecer bonito, suas calças de moletom sabiam disso... Nada supera o conforto e a segurança dos elásticos.

Primeiro ele encontrou um conjunto azul marinho que Kurt amava, quando provou a blusa ele rapidamente percebeu que não poderia levantar o braço pois estava muito apertado, mas a pior parte foi ver que a calça não fechava de jeito nenhum. Blaine esvaziava seu ar do corpo e apertava com as duas mãos mas o botão não fechava, não era possível, da última vez que ele tinha usado ela caía perfeitamente.

O moreno jogou as roupas de lado e respirou fundo, e tentou outra calça, com mais sorte ainda o jeans não passava nem mesmo de suas coxas. Foi somente na terceira peça de roupas que ele conseguiu fechar o botão. Porém, para seu pesadelo, quando ele abaixou em busca de um sapato sentiu as pregas da roupa estourando. Ele tinha virado um monstro.

Blaine encarou seu reflexo no espelho e sentiu nojo de tudo o que via, nojo de suas coxas gigantes, cheias de celulites, nojo de sua barriga patética explodindo com estrias, nojo daquela calça maldita que não fechava, e nojo da sua cara, com os olhos já marejando com sua fraqueza.

Não fazia tanto tempo assim que Blaine não usava essas roupas, talvez ele realmente estivesse exagerando nas calças de moletom, o suficiente para esquecer como era utilizar outro tipo de tecido... De qualquer forma ele não podia ter engordado tanto assim em um mês.

Blaine encarou novamente seu reflexo no espelho, e a imagem só ficava maior e maior, tantas coisas ruins sobre seu corpo, como ele nunca tinha reparado antes? De repente o ar era pouco para ele no ambiente. Ele não podia fazer isso com Kurt, seu namorado era lindo e incrível, e ele precisava levar alguém a altura na reunião, Blaine seria somente o perdedor na sombra dele. O moreno deu de costas para o espelho e pegou a calça e a blusa mais largos que tinha, não era justo com o mundo fazer com que vejam a coisa horrível que ele era.

Depois de cobrir todo seu corpo com o tecido grosso e folgado Blaine vestiu sua melhor expressão indiferente e desceu para encontrar seu namorado ainda impecável escovando os dentes. Kurt não conseguiu nem disfarçar a estranheza em seu rosto ao ver as roupas do namorado.

- Blaine o que é isso? – Perguntou em tom de julgamento.

- E-eu não vou hoje Kurt, sinto muito. – Disse na defensiva.

- Como assim?! É um momento muito importante para mim, você precisa estar lá!- Pediu exigente.

- Você não precisa de mim lá... Kurt, é o seu momento, com seus chefes, ou algo assim.

- Blaine, eu quero você lá, será que você não pode ficar feliz por mim? – Perguntou sentido.

- Eu estou Kurt, muito feliz, eu sou a pessoa mais orgulhosa... – Respondeu dolorosamente. — Mas você não precisa de mim lá pessoalmente. Você sabe, eu sempre fico meio perdido, vou te atrapalhar lá.

Blaine amava Kurt tanto, ele odiava ser um peso morto para o seu namorado agora. Ele queria que seu noivo pudesse ser tão orgulhosos dele quanto ele era do castanho.

- Você está dizendo que fica entediado no meio dos meus colegas de trabalho? – Perguntou, tentando processar.

- Não é isso é só... Lá não é lugar pra mim. – Terminou rápido, já dando as costas antes de quebrar na frente de seu noivo e arrumar ainda mais problemas para ele.

- Tanto faz, Blaine. – Bufou o castanho. – Eu vou indo, e você fica aqui, resolvendo suas coisas mais importantes do que eu.

Sem falar mais nada, o castanho saiu da casa, batendo com força a porta, deixando seu noivo angustiando para trás. Por que Blaine tinha que estragar as coisas com Kurt também?

Meia hora depois que Kurt tinha saído a casa parecia gigante e fria, e a tristeza se agarrava ainda mais ao moreno. Blaine ligou a televisão tentando sentir-se menos sozinho, mas ele ainda sentia um vazio gigante.

Quando ele abriu a geladeira para pensar mais claramente viu um belo cheesecake na geladeira. O moreno pegou uma fatia e se sentou na frente da televisão enquanto via um programa qualquer. As frutas vermelhas lembravam os lábios de seu amado, a textura daquele doce descia perfeitamente por sua boca, Blaine se sentia no céu. E então ele pegou outro pedaço, e depois mais um, na quarta vez ele optou por pegar a bandeja toda, comendo desesperadamente, em busca de mais e mais daquela sensação maravilhosa.

Depois que comer tudo, quando ele estava passando o dedo sobre a embalagem para não perder nada, Blaine conseguiu parar e ver seu reflexo na janela. Ele estava enorme e nojento, e não parava de comer. O que ele iria fazer?!

Blaine correu até a cozinha e jogou o prato descartável fora, ele não queria mais ver essas comidas, o que estava acontecendo com ele? O moreno correu até o banheiro para lavar seu rosto e pensar com clareza, mas tudo o que ele podia ver eram suas bochechas enormes, a cada segundo mais gordas, e então finalmente ele deixou suas lágrimas caírem... Por que ele era tão fraco? Tão incompetente...

Blaine continuou com seu surto de lágrimas e se jogou no chão, como se chorar fosse resolver algo. Até que olhando para o vaso sanitário ele teve uma ideia genial, claro, ele ouvia falar de pessoas que faziam isso e que não eram saudáveis... Mas não ele, certo? Era só uma situação emergencial, para perder essa camada flácida o mais rápido possível, depois ele continuaria o resto com dieta e exercícios.

O moreno lentamente se arrastou até a borda do vaso, se ajoelhando e encarando a água, antes de levar dois dedos para o fundo de sua garganta. Droga, ele era muito bom com seu reflexo de vômito, demorou algum tempo antes de encontrar o ponto certo. Uma vez que ele conseguiu induzir seu vômito ele tentou se livrar de tudo o que conseguia, até se esgotar.

Blaine encarou sua derrota por alguns segundos antes de pressionar a descarga e lavar sua boca, evitando o olhar de julgamento no espelho. O moreno sentou-se novamente no chão frio dos azulejos pensando em como ele tinha sido derrotado tão facilmente. Mas, ainda assim... Era uma coisa boa, certo? Ele tinha e livrado de todo aquele bolo, ele estava mais leve agora. Talvez, só talvez, se ele pudesse sempre apenas se livrar das coisas ele podia ficar um pouco mais magro. Um pouco mais bonito para Kurt. Será que seu noivo poderia ter orgulho dele?

~K&B~

Blaine passou as horas seguintes da noite enrolado em seu cobertor no sofá, nenhum programa na televisão parecia bom, ele não conseguia dormir, para que tentar se nada podia fazê-lo se sentir melhor?

E então ele ouviu o som das chaves tilintarem na portam e logo em seguida seu noivo entrando, ainda lindo, com seus cabelos bagunçados devido ao suor, e suas roupas meio amaçadas, com os dois primeiros botões desfeitos.

Kurt olhou seu namorado no sofá, Blaine parecia um pouco doente. A situação entre os dois estava ruim já fazia algum tempo, eles não eram bons em conversar sobre os problemas, nem em se desculpar na maior parte do tempo.

Os dois ficaram se encarando por um tempo que pareceu muito longo, até Kurt sentar-se próximo ao pé de Blaine no sofá e ensaiar para dizer algo.

- Foi incrível... Você devia ter ido. – Sussurrou.

- Eu fico feliz por você. – Disse depois de encarar o noivo por alguns segundos.

- Você parece um pouco doente, está tudo bem?

- Só cansado... – Respondeu agora, deixando de encarar os olhos do noivo.

- Vamos dormir, está ficando tarde. – Falou, indicando para ir até o quarto.

- Eu vou ficar aqui esta noite. – Disse ainda inexpressivo, ouvindo um suspiro de frustração de Kurt.

- Blaine... eu sinto a sua falta. Você está aqui do meu lado, mas parece que você não está realmente aqui. Nem quando morávamos em estados diferentes as coisas eram assim. – Discursou tristemente. – N-nós vamos nos casar e eu sempre vou querer você comigo, por favor, se qualquer coisa acontecer você precisa me contar.

- Eu vou. Mas está tudo bem. – Disse virando o rosto para o outro lado do sofá e se cobrindo totalmente com manta. – Agora vai dormir, Kurt. Estou cansado.

Kurt assistiu tristemente seu namorado antes de se dirigir ao seu quarto, em sua cama grande, sem ninguém com quem dividir.

~K&B~

Já fazia uma semana desde o jantar com Isabelle, e Kurt estava a cada minuto mais ocupado. Eles precisavam fazer os desenhos das coleções, escolher os tecidos, as modelos, o local da apresentação... Era fundamental que tudo fosse perfeito, era a chance de Kurt finalmente receber sua tão aguardada promoção.

Tudo estava maravilhoso, as pessoas no trabalho confiavam nele, ele estava com notas perfeitas na faculdade, encerrando o semestre com louvor. Tinha tudo para ser perfeito, exceto que tinha Blaine, seu noivo maravilhoso que ele pretendia casar o quanto antes.

Quando eles começaram a morar juntos tudo era incrível, no começo os dois viviam como um casal de idosos que passou uma vida inteira juntos, somente de amor e alegria. Mas então Blaine começou a mudar, e aquele rapaz que salvou Kurt da escuridão estava a cada dia mais fechado e isolado, ele não tinha feito amigos na faculdade (tudo bem, Kurt sabia que as pessoas de lá podiam ser insuportáveis), desistiu em menos de dois meses do seu emprego na cidade e principalmente a relação entre os dois passava por uma forte crise.

Sempre que os dois tentavam uma conversa eles começavam a brigar, sobre qualquer coisa, com qualquer coisa isso inclui limpar a paste de dentes com a toalha do banheiro. Mas então, quando Kurt achava que não poderia piorar, a situação piorou, nessa última semana eles nem conversaram, Kurt apenas contava sobre trabalho e algum colega de faculdade e Blaine escutava, na verdade fingia, ele não discordou de mais nada, sempre dizendo que Kurt estava certo.

E para o horror do menino castanho, já fazia quatro semanas e três dias que eles não tinham sido íntimos, (talvez Kurt estivesse contando) isso se claro, Blaine dando um boquete em Kurt contasse como intimidade. Kurt estava vivendo em contato de constante excitação, e Blaine nem mesmo deixava ele tocar sua perna sem se afastar drasticamente. O moreno agora dormia a maioria das noites no sofá, e quando eles estavam na mesma cama parecia uma distância colossal, o que fazer quando seu consolo de borracha te dá mais atenção que seu namorado?

Kurt tinha medo de saber o que passava pela mente de Blaine, e se ele simplesmente não gostava mais do castanho? Será que ele se arrependeu do noivado? Será que ele está o traindo novamente?

Ele não se sentia mais como se eles fossem namorados, eram apenas colegas de quarto, na verdade colegas de quarto tem um bom relacionamento. Eram como estranhos compartilhando um ambiente em comum.

Kurt afastou os pensamentos de sua mente, e engoliu o restante de seu café. Deixando apenas um copo na pia, e recolhendo seus materiais, pronto para ir trabalhar, antes de deixar a casa ele pressionou seus lábios na bochecha de seu namorado adormecido no sofá.

— Eu amo você, Blaine. – Sussurrou enquanto seus dedos trilharam alguns cachos do cabelo de seu noivo.

Depois de ouvir a porta sendo trancada, Blaine abriu seus olhos, parando de fingir que estava dormindo, olhando com tristeza a cadeira que há pouco seu namorado ocupava. Ele sentia falta de Kurt como um louco, mas o que seu noivo pensaria quando

visse que ele tinha virado um mostro tão de repente? Ele iria largar Blaine, e se Blaine não tem Kurt ele não tem nada.

Ao menos Blaine conseguiu ser persistente esta última semana, ele estava comendo apenas duas bolachas de água e sal pela manhã, na hora do almoço ele jogava a comida de seu prato no lixo, sempre enrolando para Kurt sair e não perceber nada, quando a fome era muito intensa pela tarde ele tomava um copo d’água e ia se deitar. A noite, ele comia um mingau de aveia, e ia fingir dormir antes de seu noivo aparecer novamente. Caso acontecesse alguma coisa e ele tivesse que comer algo diferente, ele tinha aquele pequeno truque de sempre que nunca o deixava na mão.

Blaine se sentia fraco a maior parte do tempo, ele não aguentava ficar em pé muito tempo, seu estomago roncava dolorosamente a maior parte do dia, mas ele precisava ser forte, ele precisava ficar bonito novamente para o seu noivo.

Blaine se sentou no sofá enquanto dobrava a coberta em que estava escondido, e levantou-se para ir tomar um banho, escolhendo rapidamente uma de suas roupas largas, que fossem esconder seu corpo.

Blaine odiava a hora do banho, ele tinha que ficar olhando o seu corpo, e tocando, e era neste momento que ele percebia que mesmo com toda a sua dieta ele não podia se livrar daquela massa de gordura que tomava conta dele. E então o moreno se sentou no chão do banheiro, já tão familiar, encostando suas costas no boxer enquanto a água quente escorria nas suas costas, no ritmo em que as lágrimas deixavam seu rosto.

O moreno tentou induzir o vômito, mas agora era tudo tão difícil, aparentemente não tinha nada para sair, Blaine apertou fortemente sua barriga com as duas mãos, cravando suas unhas em seu corpo, ele precisava se livrar disso. E então ocorreu sua segunda ideia genial, quando ele viu a lâmina da gilete de Kurt brilhando na prateleira acima dele. O rapaz pegou a lâmina como se fosse uma tábua de segurança que alguma força celestial enviou para ajudá-lo.

Blaine passou o primeiro risco da lâmina um pouco abaixo de seu umbigo, sentido uma dor deliciosa, como se fosse a pena por ser alguém tão horrível. E então a sensação melhorou quando viu a quantidade de sangue que escorria de seu corpo e se juntava a água no chão. Será que ele conseguiria fazer com que a sua gordura descesse pelo ralo também? O moreno continuou uma sequência de cortes, até que a dor era demais e ele se obrigou a parar.

Depois de se livrar de todo o sangue de seu corpo e do chão do banheiro ele deixou a lâmina de Kurt exatamente onde estava, enrolando-se em sua toalha, e vestindo novamente suas roupas. Blaine dormiu o resto do dia, se sentindo fraco e incompetente, porém um pouco mais leve.

~K&B~

De noite Kurt chegou mais cedo do que o habitual, trazendo uma pizza, o sabor favorito de Blaine, para que eles possam finalmente ter uma conversa e colocar um ponto final em tudo isso. Quando ele viu seu namorado deitado no sofá, no mesmo lugar em que ele estava antes de ele sair. Blaine não estava acostumado com Kurt chegar neste horário, ele não pode fingir que estava dormindo.

- Blaine... Por que você não foi para a faculdade esta semana? – Perguntou com o tom mais calmo de voz, enquanto colocava a caixa de pizza na mesa.

- E-eu... Eu não sei. – Respondeu envergonhado.

- Eu conversei hoje com uma psicóloga, marquei uma consulta para você daqui a três dias. Pensei que talvez seria bom conversar com alguém se você não pode se abrir comigo. – Disse sentando-se ao lago de Blaine. – Você me parece muito deprimido esses dias.

- Por que você acha que pode marcar qualquer médico sem antes falar comigo? – Perguntou com raiva. – Eu não te pedi nada, Kurt.

- Eu me preocupo com você! – Argumentou. – Eu não aguento mais ver você assim, nós vamos nos casar, eu tenho certeza que isso incluiu ajudar a decidir o que é melhor para você.

- Talvez então só não devêssemos nos casar, eu não preciso de você decidindo o que é melhor para mim. – Zombou Blaine. – Eu posso decidir o que é melhor para mim.

- Qual é o seu problema? Tudo o que eu quero é te ajudar! E-eu não quero terminar com você, Blaine, se é o que você quer não jogue isso contra mim. Nós vamos nos casar, eu pensei que você me amava...

- E-eu te amo, eu te amo muito, Kurt. Eu te amo tanto que eu juro, ás vezes até dói. – Persistiu o moreno, agora com a voz embargada, sem poder controlar as lágrimas. – Eu te amo, mas não venha me dizer que você não prefere alguma outra pessoa como namorado, você estuda com pessoas tão talentosas, e trabalha com aqueles modelos magros e com corpo todo definido, e tem que voltar para casa e encontrar... isso. – Terminou fungando, enquanto era assistido pelo seu noivo, com uma expressão confusa.

Kurt se odiava agora, Blaine então estava todo esse tempo... Inseguro? Como ele não percebeu isso antes? Tudo o que ele fazia era pensar que Blaine o estava traindo, Kurt era um péssimo namorado.

- Blaine... O que você quer dizer com isso? Você é lindo, mais do que qualquer idiota da faculdade e do trabalho, eu sou a pessoa mais feliz do mundo por voltar para casa e encontrar você todos os dias. – Disse docemente, sentando-se ao lado de seu namorado, e segundando uma de suas mãos.

- Kurt... E-eu, eu não sei o que dizer, eu sei que eu estou péssimo esses dias. Eu não quero sair de casa, eu odeio aquela faculdade, e.. e-eu não quero que você me veja assim do jeito que eu estou agora, eu tenho medo de você de repente perceber que não me ama mais. Porque Kurt... com um estalo de dedos você sabe que pode ter qualquer homem. – continuou, choroso.

- Blaine eu não estou entendendo, não existe ninguém no mundo melhor do que você pra mim. Quem vai aguentar todo meu drama? Eu amo cada pedacinho de você. – insistiu com a voz falhando.

- Deus, Kurt... O que eu quero dizer é... Você é um homem lindo, e a cada dia fica mais impressionante, e eu de repente virei um monstro gordo, por que você iria me querer ao seu lado?

- Blaine, para com isso, eu não vou admitir que fale do meu noivo dessa forma. Você não é um monstro, e está muito longe disso. – Falou sério, encarando no fundo dos olhos de Blaine, desesperado para o namorado acreditar nele. – Tá, você ganhou uns quilinhos... E daí? Eu faço isso sempre, é muito difícil resistir a tantos sabores de bolo diferente. E da mesma forma que você me ama com esse quadril gigante de pêra eu te amo e todas as gordurinhas também.

- Kurt você é perfeito... Eu não consigo mais nem ficar nu perto de você, seus quadris são a coisa mais fantástica do mundo, e pelo menos você cabe em todas as suas calças. – Disse triste.

- Blaine, isso é sério, não discuta comigo, eu estou falando que você é perfeito então você é. Tudo bem, você engordou, podemos fazer uma dieta juntos, inclusive na vogue vi que fazer sexo é uma das melhores formas de queimar caloria, tem até as posições mais intensas e tudo mais. – Disse dando uma piscadela, fazendo seu noivo corar. – Ou você vai manter essa barriguinha linda que eu amo, e nós apenas compramos um número maior de seus jeans.

- Você é o melhor. – Sussurrou com um sorriso aguado, finalmente se inclinando para dar um abraço apertado em seu noivo, que encerrou com um beijo.

- Mas me prometa que você vai na psicóloga, por favor, eu não quero que isso volte a acontecer! – Pediu suplicante.

- E-eu vou, mas eu prefiro que você vá comigo.

- Eu sempre vou estar com você, enquanto você me quiser. – o castanho completou dando um outro beijo na bochecha do noivo.

Os dois se abraçaram por um tempo no sofá, antes de Kurt retornar a falar.

- Eu estou morrendo de fome, trouxe sua pizza favorita, vamos comer. – Disse se levantando e pegando dois pratos no armário,

Blaine assistiu o namorado cortar um pedaço de pizza gigante para cada um deles, enquanto se sentava na mesa, Kurt sem cerimônia começou a devorar a sua parte, enquanto Blaine encarava aquele queijo derretido coberto de molho esticando... Quantas milhões de calorias tem isso? Tantos dias tomando água e comendo bolacha, para então estragar tudo por uma pizza? Ele não podia fazer isso. O moreno começou a sentir o ar faltar em seus pulmões, desesperado só de pensar em ter que comer isso. Kurt notou o desconforto do namorado e rompeu o silencio.

- Blaine eu não vou sair daqui até te ver comer isso. – O moreno se sentiu pressionado, e novamente assistiu aquele óleo escorrendo do queijo derretido.

Ele cortou um pedaço pequeno e colocou em sua boca, mastigando lentamente, primeiro ele queria chorar, era tão bom, ele tinha quase esquecido porque comia tanto, mas então depois que ele engoliu ele podia jurar que viu sua barriga crescer alguns milímetros, sentindo um pânico correr por seu corpo. Blaine terminou tortuosamente toda a refeição, depois ele e Kurt limparam toda a cozinha e os dois foram dormir na mesma cama, já fazia uma semana que isso não acontecia.

Blaine deitou-se e rapidamente se protegeu com o cobertor, enquanto Kurt se despiu quase totalmente, deixando apenas sua cueca azul marinho. Quando o castanho deitou ao lado de Blaine ele tentou deixar suas mãos passearem no menor, deixando alguns beijos pelo caminho. Porém, Blaine estava inflexível como sempre, e retirou as mãos do namorado.

— E-eu ainda não estou pronto para isso. – Disse em voz baixa.

Kurt deixou claro hoje mais de uma vez que amava Blaine de qualquer jeito, mas e se agora ele visse toda a flacidez dele e ficasse com nojo? E ainda tinham todos os cortes, Kurt ficaria tão decepcionado... Não era um risco que Blaine iria correr agora.

O castanho ficou um tanto chateado, mas não disse nada, os dois apenas adormeceram, ao menos agora eles tinham conversado e tudo ficaria bem... Certo?

~K&B~

Blaine não aguentou passar a noite depois de ter comido aquela pizza, e teve novamente que se livrar da comida do seu estomago durante a madrugada, sorte que Kurt tinha um sono pesado. Além disso, os dois dias seguintes passaram relativamente calmos.

Kurt acompanhou Blaine na psicóloga pela manhã, no começo o moreno estava retraído, mas conseguiu se acalmar ao longo da consulta, foi muito melhor do que ele imaginava, ele conseguiu sair se sentindo ao menos um pouco mais calmo.

Ele contou sobre não comer nada, sobre a indução do vômito, sobre o ocorrido com a lâmina de barbear, e tudo o que tinha acontecido nos últimos meses. Kurt estava lá para secar todas as suas lágrimas e internamente se reprimir. Como tudo isso aconteceu com Blaine e ele não tinha percebido?

As semanas seguintes começaram a ser ajustadas, os dois estavam trabalhando juntos no problema de Blaine, visitando a psicóloga uma vez por semana. Blaine poderia dizer que ele já se sentia mais leve, e em breve ele poderia realmente se sentir feliz. Kurt esperava para poder ter a vida deles de volta, ele sentia falta de Blaine. Foi só pouco mais de um mês depois que chegou o dia fatídico.

Kurt estava preparando os últimos detalhes para o desfile, ele e Isabelle trabalharam duramente, e o resultado de todos os ensaios não estava menos do que maravilhoso. Ele deixou a casa no dia pela manhã, somente para verificar como estava a iluminação no local, se despediu de Blaine com um beijo casto, enquanto moreno tomava o seu café, que felizmente era muito mais do que duas bolachas.

Blaine limpou a casa, enquanto ouvia o rádio, era uma maravilha ouvir música depois de tanto tempo. Pela tarde, Blaine recebeu a visita do correio. Após verificar os valores das contas, e separar as correspondências que eram de Kurt ele percebeu que tinha uma única carta para ele, sendo enviada de NYADA.

Blaine reparou no selo formal da carta, e nas letras douradas e abriu com cuidado, a cara era simples e objetiva, contendo apenas um único aviso. Após todas as formalidades do remetente, a carta dizia que ele estava sendo expulso da universidade pelo péssimo rendimento. Naquele instante o mundo de Blaine caiu, ele não conseguia nem mesmo se manter em uma faculdade? O que ele iria fazer agora? O que Kurt diria quando soubesse que seu namorado era de fato um completo perdedor?

Claro, Blaine não gostava de NYADA, mas isso significava que ele tinha perdido, ele não conseguiu vencer de nenhuma daquelas pessoas, ele não conseguiu vencer da sua falta de vontade... E agora ele provavelmente tinha virado uma piada na faculdade. O que ele faria agora? Tanto esforço para nada, logo no primeiro semestre ele foi dispensado.

Com um peso enorme nos ombros o moreno não sabia o que fazer, se Kurt estivesse aqui ele saberia? Ou ele ficaria desapontado? Ele não podia estragar o dia mais importante de Kurt. Blaine correu desesperadamente para o banheiro, em busca da sua lâmina, ela nunca o deixava só.

Desta vez ele tentou um corte experimental no braço, em um ponto onde podia cobrir com a camisa. A dor era boa, sempre boa. Ele merecia isso, ele merecia sentir cada milímetro de dor por ser tão patético. Ele se sentou em no chão frio do banheiro, parecia anos que ele não fazia isso, por que ele tinha parado?

Em êxtase Blaine mal percebeu os passos de Kurt pela casa.

- Blaine, querido? – Chamou em busca do noivo pela casa. – Vamos, eu vim te buscar, não podemos nos atrasar! – O grito ecoava por toda a casa, até que Kurt viu a porta do banheiro entreaberta e foi rapidamente verificar se seu namorado estava lá.

Blaine só percebeu a chegada de seu noivo quando ele de fato abriu a porta e já estava o encarando no chão de banheiro.

- B-blaine... Blaine, o que é isso?! – Perguntou desesperado.

- Kurt... O que você está fazendo aqui? – Retornou a pergunta com a voz tensa.

- Oh meu deus, querido. – Kurt se ajoelhou e pegou cuidadosamente o braço ferido do namorado com suas mãos, examinando o estrago. O pânico no olhar de Kurt fez Blaine desejar que ele não tivesse feito isso. – Vai ficar tudo bem. – Sussurrou. – Eu prometo.

E foi tudo o que precisava para Blaine romper em lágrimas desesperadas, se agarrando em Kurt como se ele fosse sua tábua de salvação.

- Eu sinto muito, Kurt. Eu sinto muito. – suspirou. – Eu não queria te desapontar, mas eu não sabia o que fazer...

- Blaine vai ficar tudo bem, nós vamos passar por isso. – O castanho sussurrava palavras calmantes enquanto se levantava em busca de uma gaze para fazer um curativo no braço do noivo. – O que aconteceu? Você quer falar sobre isso?

- E-eu fui expulso de NYADA... – Disse envergonhado, enquanto encarava o chão.

Kurt passou a gaze cuidadosamente para limpar o excesso de sangue, e pressionou firmemente o ferimento para tentar estancar o sangue.

- Que se dane, Blaine. Eles que estão perdendo de não terem alguém tão talentoso como você. – Disse sem pestanejar. – Porém, se você quiser eu posso conversar com a Madame Tibideaux, com o seu quadro clínico eles não tem o direito de te expulsarem.

- Não... Eu, eu me sinto péssimo, e um total perdedor... Mas, eu realmente odeio aquele lugar. – disse lentamente com respirações profundas. – Pensando agora pode ser um sinal para recomeçar em algum outro lugar.

- Você pode entrar em qualquer universidade que você queira, eu tenho certeza. Eu só quero que você fique bem agora. – Depois de estancar o sangue, Kurt preparou um curativo e envolveu seu namorado nos braços. – Deus Blaine... Sempre que você precisar, a qualquer momento deve me ligar. — Falou sério.

- Eu não queria te incomodar, hoje era a grande noite do desfile, e... Kurt!! O desfile, corre, você vai se atrasar! — Exclamou desesperado.

- Blaine, você está louco se pensa que eu vou à um desfile e te deixarei aqui sozinho. – Respondeu calmamente, ainda apertando Blaine em seu abraço.

- Mas Kurt, é uma das noites mais importantes da sua vida! Não pode estragar tudo por mim. – Suplicou.

- Tenho certeza que Isabelle pode cuidar bem de tudo, sempre terão outros desfiles... Além disso, não existe nada nem ninguém mais importante para mim do que você.

Blaine apenas sorriu, um sorriso sincero depois de muito tempo. E tomou os lábios do seu namorado tentando expressar todo o amor que extravasava de si agora.

- Eu vou melhorar, eu prometo. Um dia eu vou estar curado e você vai ficar muito orgulhoso de me ter por perto. – Prometeu o moreno, olhando Kurt diretamente nos olhos.

- Eu sei que vai, e embora você não acredite, eu já tenho muito orgulho de te ter. – assegurou Kurt, com lágrimas em seus olhos, acariciando o braço do noivo.

- Eu te amo.

- Eu te amo mais

Notas finais
Puxa, foi isso.
Primeiro sinto muito por todos os erros de escrita e concordância. Eu sei que acabei "amassando" o conteúdo no final, prometo que ainda reescrevo melhor hahahaha
Me deixe saber tudo o que achou!! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!