The Pain In Between
33 Together
Notas iniciais
Kurt estava sozinho. Seu braço estava esticado do mesmo jeito que estivera para segurar a mão de Blaine. Blaine. Deus, onde estaria Blaine?
Ao olhar em volta à procura de seu namorado, Kurt percebeu que estava numa ruela, o clima era agradável e algumas nuvens faziam o céu parecer neve. Nessa ruela, haviam casas e prédios, todos muito bem cuidados e bonitos de se ver. Kurt começou a chamar por Blaine, e algumas janelas se abriram.
— Gente nova! — Uma mulher apontou. Seus cabelos eram brancos e ela sorria de orelha à orelha. Sua janela foi fechada e em poucos minutos ela estava ao lado de Kurt. — Como é seu nome, querido?
— Kurt Hummel. — O castanho respondeu automaticamente, e viu os olhos da mulher brilharem com lágrimas.
— O que aconteceu, querido?
— E-Eu- minha casa foi demolida. — A mulher assentiu, puxando Kurt consigo para o final da ruela.
— Eu sou Lúcia, por sinal. — Informou ela. — Eu conheço sua mãe. Muito gentil, aquela moça. Seu pai também é um cara muito legal. — Kurt arregalou os olhos.
— Eles estão aqui?! O-onde eu estou? — Questionou ele, respirando rapidamente.
— Shhh, respire, Kurt. Você está no céu, por mais clichê que isso soe. — Lúcia riu para si mesma. — Sua mãe vai te explicar tudo melhor, está bem? Não se preocupe. — O castanho assentiu.
— Você viu um menino da minha idade, baixinho, com gel nos cabelos e olhos dourados? — Perguntou Kurt, começando a entrar em pânico. — Seu nome é Blaine Anderson.
— Não, querido, eu não o vi. Ele estava com você? — Hummel afirmou com a cabeça. — Fique tranquilo, tenho certeza que vocês vão se encontrar novamente, ok? Tudo dá certo aqui, você não tem nada a temer. — Kurt abriu a boca para responder Lúcia, mas ela puxou seu braço com entusiasmo. — Olha! Oi, Elizabeth, Burt! — Ela apontava para uma pequena casa amarela, a mesma em que os Hummels haviam previamente morado, no final de uma rua sem saída. Kurt viu seus pais casualmente conversando no quintal, sentados em cadeiras de praia. — Olha quem chegou!
— Kurt! — Ambos gritaram ao mesmo tempo, correndo para encontrar o filho. Burt o abraçou primeiro, e Kurt respirou fundo contra a jaqueta do pai, sentindo seu cheiro familiar.
— P-Pai. — Kurt choramingou, as mãos se fechando em punhos agarrando a camiseta de Burt. — Eu senti tantas saudades.
— Eu também, kiddo. Mas você vai adorar aqui, eu te prometo. — Kurt sentiu alguma coisa puxando seu braço, e viu sua mãe com lágrimas nos olhos. Ela estava igualzinha a quando era viva: os cabelos castanhos num coque frouxo e cacheado, a pele branca e macia, usando seus vestidos floridos com aventais brancos. Kurt imediatamente se lançou nos braços de Elizabeth, permitindo-se soluços e lágrimas gordas descendo suas bochechas.
— Meu deus, Kurt, você está enorme. Você batia na minha cintura quando era menor, e agora está mais alto do que eu. — Comentou Elizabeth, com os olhos molhados e a voz abafada pelo ombro do filho. — Eu vou te explicar tudo, eu prometo. Vamos entrar, tem café fresquinho na cozinha. — Os três foram seguindo o caminho de volta para a casa.
— Mãe, você viu Blaine?
— Blaine veio pra cá também? — Kurt assentiu tristemente. — Vocês dois eram tão novos. Vocês não mereciam ter a vida arrancada de vocês e ainda terem que esperar para vir para um lugar melhor.
— A Brasfield & Gorrie LLC comprou a casa. Eles- eles acharam nossos corpos. — Explicou o castanho, entrando na casa.
— Eu soube, bebê, eu soube. — Elizabeth suspirou, fechando a porta enquanto Burt já voltava com uma xícara de café para o filho. A mulher estava sentada no sofá, e colocou a mão em seu lado para que Kurt também se sentasse. — Blaine vai chegar, confie em mim. Eu conheço a avó dele, e ela tomava conta de Blaine. Se ele demorar muito, ela vai lá buscar ele.
— Lá aonde?
— Ninguém sabe o nome. É como se fosse o caminho para cá, entendeu? — Kurt assentiu, tomando um gole de seu café. — Eu vou esperar Blaine para explicar as coisas para vocês dois, ok? — O castanho ofereceu um pequeno sorriso junto com seu aceno positivo. — Vem cá, meu bebê, que saudades suas. — Elizabeth abriu um braço, e Kurt se aproximou do abraço dela.
— Ei, vocês nem iam me chamar para um abraço? — Quis saber Burt, sorrindo. Kurt nunca havia visto o pai tão feliz, nem mesmo com Carole. Elizabeth riu e gesticulou para que o marido se juntasse a eles. — Agora sim. Vamos ver o que tem na TV. — Kurt sorriu, espremido entre os pais. Talvez ele devesse estar mais preocupado com o que diabos era aquele céu e o que tinha de tão importante para explicar. Ou com Blaine. Mas naquele momento, sentido sua mãe pressionada de um lado e seu pai de outro, ele não tinha forças para fazer nada. Kurt deitou a cabeça no ombro de sua mãe e prestou atenção na televisão.
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— Kurt! — Blaine chamava, desesperado. Ele estava numa espécie de praça, a grama era incrivelmente verde e havia um lago não tão longe de onde o moreno estava. Era uma área aberta, com pássaros e esquilos, como se viesse direto de um filme. Estava nublado, mas não o tipo de nublado que aparece antes de uma tempestade. Apenas nuvens brancas cobrindo o céu, soprando uma brisa agradável e gelada. Blaine se esbaldaria ali se ele não estivesse sozinho e assustado. — Kurt! — Ele continuava gritando pelo namorado. — Oh, deus, e se eu nunca achar ele? — Blaine perguntava à si mesmo, tomado pelo desespero.
— Blaine? — Uma voz o chamou, e ele se virou para ver sua avó ali. — Blaine, querido, venha cá, não entre em pânico. — A senhora estendeu a mão para o neto, que a tomou sem pensar duas vezes. Ela puxou o mesmo num abraço apertado, engolindo o nó em sua garganta por ver o neto de novo, depois de tanto tempo. eles ficaram abraçados por alguns minutos, falando tudo através do contato em seus corpos, até que Blaine a afastou gentilmente e quebrou o silêncio.
— Vó, a senhora viu Kurt? Meu namorado? Ele é mais alto que eu, tem cabelos castanhos, a pele pálida e-
— Blaine, respire. Eu vim te buscar aqui porque a casa de Kurt é logo depois daquela ruela. — Natalie Anderson apontava para uma rua onde definitivamente não caberiam carros. Era uma fenda feita de prédios e casas bem cuidados, sem ninguém fora de casa ou com a janela aberta. — Kurt já chegou, ele estava procurando por você igual louco. Eu até teria ido te buscar, mas a política aqui é só depois de três horas. Então eu tive que esperar, mas agora você está aqui.
— Como Kurt está?
— Ele está bem, menino. Acalme-se, por favor. Uma amiga minha, Lúcia, o levou para os pais dele e ele está em casa até agora. — Nesse ponto, os dois já estavam passando da metade da ruela. — Elizabeth vai explicar tudo para vocês dois, está bem?
— Sim, claro. Me desculpe, vó, eu sei que parece que eu não ligo para nada além dele, mas eu estou preocupado com Kurt. Aconteceu tudo tão rápido e-
— Shhh, Blaine, eu entendo. Eu fiquei do mesmo jeito quando cheguei aqui. Me disseram que seu avô estava aqui e então minha irmã me deu a mão e eu mal conversei com ela. Eu entendo, está tudo bem. — Ela assegurou, passando o braço por seus ombros e acariciando o local. Blaine suspirou aliviado. — Estamos aqui. — Anunciou Natalie, parando em frente à casa de Kurt. Blaine correu até a porta, batendo três vezes na mesma.
Kurt a abriu sem prestar muita atenção, seu rosto estava virado para o lado enquanto ele ria de alguma coisa. Então ele viu quem era e- Deus, Blaine. Kurt se lançou em seus braços, respirando fundo. Blaine sorriu, apertando o segurar que ele tinha na cintura do namorado.
— Meu deus, Blaine, eu estava tão preocupado. — Kurt disse, a voz abafada devido às roupas do moreno. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
— Eu também te amo, Kurtie. — Blaine os afastou antes de conectar seus lábios apaixonadamente. Os olhos de Elizabeth encontraram os de Burt, depois os de Natalie, que observava os meninos da porta. Quando os dois finalmente acabaram o beijo, com sorrisos estampados no rosto, Elizabeth puxou Blaine para um abraço apertado.
— Blaine, eu senti tanto sua falta. — A mulher disse, afagando os cabelos do namorado do filho. Ela se virou para a avó do menina. — Natalie, eu vou ficar com eles alguns segundos. Você pode tê-lo pela noite, sim?
— Claro, Lizzie. Você faça o que tem que fazer, deixe esses dois juntos. — A moça mais nova assentiu, e todos acenaram para a velhinha enquanto ela ia embora. Blaine e Kurt entraram na casa e sentaram-se no sofá onde Kurt estivera até poucos minutos atrás, imediatamente se ajustando pressionados um contra o outro.
— Meninos, vocês estão no céu. — Blaine olhou para Kurt com uma sobrancelha arqueada, mas o castanho apenas assentiu, gesticulando para sua mãe com a cabeça. Elizabeth continuou. — O negócio do céu é que ninguém sabe se tem um deus. Nós todos vivemos nessa sociedade perfeita, sem capitalismo, bolsa da valores ou problemas ambientais. Não temos prefeitos, presidentes, políticos... as pessoas produzem e trocam a produção pelo jornal, enfim, eles conseguiram, há muito tempo, achar um jeito que é semelhante ao mundo, mas extremamente melhorado. Não existe dinheiro, só trocas amistosas. Não existem dívidas, nem mesmo a possibilidade delas. as melhores pessoas são promovidas a anjos. Geralmente, eles tomam conta de seus amigos e família, e podem ou não tomar a responsabilidade de ter suas vidas em mãos. Eles estão nessa função simplesmente por serem bons e involuntariamente transmitirem sua bondade para os outros, independente de onde está. Kurt, seu pai é um anjo. — Elizabeth informou, e os olhos de todos na sala caíram em Burt, que sorriu e deixou que um par de asas saísse de suas costas. Elas eram grandes, azul-claro. Kurt estava boquiaberto, e Blaine mal conseguia processar tudo. — Quando nós chegamos aqui, recebemos uma pessoa para vigiar. Apenas para ver, e nós escolhemos essa pessoa. Eu escolhi você, Kurt. Natalie te escolheu, Blaine, e Burt foi escolhido pela própria mãe, mas ela estava cansada demais para ficar a maior parte do tempo observando o filho, então ela me passou a tarefa. Amanhã mesmo nós vamos até Gabriel, o primeiro anjo a ser promovido, e ele vai oficializar a escolha de vocês. Vocês podem ter um trabalho, se quiserem, e também podem escolhê-los. — Os meninos assentiram.
— Mãe, deixa ver se eu entendi. — Kurt disse. — Nós basicamente vivemos numa sociedade perfeita, onde tudo dá certo, alguns de nós são anjos, mas todos tem uma pessoa especial na terra para vigiar? — Elizabeth assentiu. — Por quê? Qual a diferença de ser anjo e ter uma pessoa para tomar conta?
— Primeiro, não é tomar conta, querido. — Ela corrigiu, gentilmente. — Você apenas vigia a pessoa, vê como ela está. E um anjo pode intervir na vida das pessoas. Claro, de forma súbita, que passe despercebida, mas eles, sim, tomam conta dos humanos. Se eu visse você ou seu pai fazendo alguma burrice, eu chamava Pietro, o anjo vizinho, e ele intervia na estupidez de vocês.
— Nós temos formas diferentes de intervir. — Burt se juntou à conversa. — Podemos espalhar um pressentimento na pessoa, podemos fazer alguém falar com elas, etc. Sua mãe me contou que ela fez Pietro me fazer ficar gripado um dia para que eu não fosse no primeiro dia de reunião escolar, só no segundo, e então eu conheci Carole.
— Como você sabia que papai e Carole iam se conhecer? — Perguntou Kurt. Elizabeth deu de ombros.
— Foi de repente. Eu disse que Burt não podia ir na reunião escolar de jeito nenhum, eu tinha um pressentimento muito ruim.
— Anjos são responsáveis por um monte de coisas em nossas vidas. — Explicou Burt, tomando um gole do chá que bebia. — Bom, eu vou tomar um banho, guardem suas perguntas para mais tarde, sim? — O homem fez uma reverência para agradecer os meninos e a esposa, fazendo-os rir antes de subir as escadas da casa.
— Mãe, você não tem noção do sufoco que passamos nas últimas duas semanas. — Kurt suspirou, encostando sua cabeça no ombro do namorado. — Ou talvez você tenha.
— Eu tenho, meu bebê. Eu sofri tanto vendo você assustado daquele jeito. Blaine, — Ela se virou para o genro, sorrindo. — obrigada por proteger meu bebê. Mesmo que você também seja meu bebê.
— Kurt é a coisa mais importante do mundo para mim. Eu não conseguiria me aguentar se alguma coisa acontecesse e eu não pudesse protegê-lo. — Afirmou o moreno, sem sombra de dúvida. Kurt o olhava com um sorriso sonhador nos lábios. Ele se inclinou e beijou a bochecha do namorado carinhosamente.
— Eu achei que eu nunca mais fosse ver nada, nem sentir nada. Eu não estava- não estou pronto para isso. — Os dois presentes na sala assentiram. — Mesmo assim, mesmo com esse susto e tanto, eu não trocaria esse lugar por nada. Quero dizer, você, papai, Blaine, e uma sociedade perfeita? Eu não trocaria isso. — O castanho disse, sorrindo.
— Ah, Kurtie. Eu não trocaria vocês por nada, também. — Elizabeth disse, puxando seus dois meninos para um abraço de urso. — Nós estamos juntos nessa, ok? — Os dois assentiram enquanto Elizabeth secava uma lágrima. Eu vou fazer um lanche. Vocês vão querer alguma coisa?
— Pode ser. — Blaine aceitou, pegando a mão do namorado. — Nós podemos dar uma caminhada por aqui?
— Ok, mas estejam de volta para o lanche. — Os dois assentiram, e Kurt se deixou ser levado para fora, sentindo a mão do namorado na sua, mas dessa vez, eles não estavam desaparecendo.
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