The Pain In Between
15 Stand By Me
Notas iniciais
Finn teve uma ideia quando a tarde caía no Alabama. Ele estava quase conseguindo passar para a base 2 com Quinn, mas aquilo era mais importante. Burt precisava saber de tudo da casa! Talvez ele pudesse ver o filho de certa forma antes de partir... O grandão arrastou a loira com ele para o hospital, e os dois rapidamente puderam entrar no recinto e direto para o quarto andar, aonde ficava o quarto do padrasto.
Burt estava escrevendo alguma coisa e chorando baixinho, e aquilo quebrou o coração do par, que ficou parado na porta. O homem os viu e guardou suas coisas, secando suas lágrimas e fungando um pouco. Quinn sentiu seus olhos ficarem úmidos com lágrimas próprias ao ler o título daquele papel: Testamento.
— Oi, meninos, tudo bem? — Ele perguntou, forçando um sorriso no rosto. — Eu estava... uh, colocando algumas coisas no papel. Só para tirar da cabeça, só isso. — Burt tentou enrolá-los, mas Quinn arrastou a mesa de hospital para longe e abraçou forte o homem, chacoalhando com soluços. — Ah, Quinn, querida, não chore.
— Quando- Quando meus pais me expulsaram de casa, você me acolheu, e quando e-eu quebrei a p-perna, você m-me ajudou a a-andar de b-bicicleta de n-novo. Você é como um p-pai para mim. — Ela chorava, e Burt apenas continha mais lágrimas. Quinn era muito querida, sempre disposta a ajudar e sorrindo.
— Vai ficar tudo bem, eu vou parar de sofrer, e vou me encontrar com Kurt e Elizabeth. — Quinn chorou ainda mais e Burt estranhou, ainda mais depois de ouvir Finn fungar. — Meninos, o que houve? Tem alguma coisa que vocês não estão me contando?
— B-Burt, escute, é sobre Kurt, e você precisa ouvir até o final. — O homem assentiu às palavras do enteado, e Quinn se soltou dele com um beijo carinhoso na bochecha, sentando-se na beira da cama. — Kurt pulou na frente de um tiro por Blaine. — Os batimentos cardíacos no monitor aumentaram. — Calma, calma. Deixe-me começar de novo... Bom, a casa de Blaine aparentemente guarda os espíritos de todos que morrem lá. Desde 1922 até 2014, todos os donos da casa morreram lá. Se não me engano, Cooper Anderson foi o único que se salvou, por ir para uma faculdade na Inglaterra. De qualquer forma, Blaine morreu lá, mas ele não se matou nem matou a família. Quem fez tudo isso foi Sebastian Smythe, e depois armou uma cena do crime. O cara é louco, acredite em mim. — Finn pedia, ele tinha medo que ele falasse tanta coisa e Burt não acreditasse no final... — E algumas semanas atrás, Sebastian retornou a casa com o propósito de torturar Blaine, e ele planejava dar um tiro no garoto, assim como fez quando o matou. Mas Kurt teve o azar de chegar na hora do tiro, e se jogou na frente para que Blaine não passasse pela mesma dor. Ele tem essa cicatriz agora, é um furinho pequeno, mas dói tanto olhar para aquilo...
— Espera, vocês falaram com Kurt? — Burt perguntou. Ele ainda estava se decidindo se acreditava ou não. — Isso- Eu não sei se acredito, Finn. Mas o médico falou que vai me liberar, já que não tem o porquê de eu ficar aqui. — O homem suspirou e Quinn não conseguiu reprimir um soluço.
— Eu- Eu posso falar com Kurt hoje e assim que você sair eu te levo lá. — Finn sugeriu.
— Pode ser, claro. Isso é tão estranho... tem certeza que você não está tentando me passar a perna? — Burt perguntou, estranhando toda a situação. Finn deveria estar mais triste se o irmão dele tivesse morrido, não é?
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— O que está havendo? — Tate perguntou, ao ver Kurt imóvel nos braços de Blaine e Violet boquiaberta, parecendo confusa. — Alguém pode me responder? — Ele insistiu, e sua namorada sacudiu a cabeça e andou até ele, puxando o loiro para fora da sala e para dentro do banheiro apertado que havia no primeiro andar.
— O pai de Kurt vai morrer, Tate. Nós temos que fazer alguma coisa! — A menina insistia, seus olhos claros sendo molhados por lágrimas. — Eu perdi meu pai, Tate, eu o perdi para essa droga de casa. Eu não quero ver Kurt assim, não quero vê-lo depois que seu pai se for.
— Você tem um coração grande demais para seu próprio bem, Vi. — Ele disse, abraçando a menina que chorava em seus braços. — Eu lembro quando você me disse que não tinha medo de nada e andava por aí fingindo que não sentia dor.
— Eu era uma menina imbecil. Você me ajudou a crescer, Tate, e me mostrou que tudo isso é uma bobagem – parecer legal. Eu te amo.
— Eu também te amo, pequena. Mas como vocês sabem que o pai de Kurt vai morrer? Foi aquele cara alto, não foi? Como é o nome dele, Edwin, Robin...
— Finn. E não foi ele, foi Addy, ela só- ela só apareceu aqui, falou “Seu pai vai morrer” e foi embora.
— Achei que Addy não pudesse entrar aqui.
— Bom, pelo visto ela pode. Ou pôde, talvez. — Violet deu de ombros, levantando a cabeça levemente para que seu olhar se encontrasse com o de Tate.
— A gente não pode fugir da morte, Vi, e você sabe disso. — A loira assentiu, suspirando. — O que podemos fazer é tentar ajudar Kurt.
— Se Blaine se desgrudasse dele por um segundo... — A menina brincou, sorrindo. Tate afagou gentilmente os cabelos longos dela e os dois se beijaram rapidamente antes de saírem do banheiro.
Kurt e Blaine estavam enroscados, e os olhos azuis do castanho estavam focados no peito de Blaine, aonde seus dedos brincavam lentamente. O moreno tinha os lábios conta os cabelos do namorado e suas mãos afagavam as costas e o braço do mais alto. Violet sorriu e Tate apertou sua mão de leve.
— Blaine, se importa se eu pegar Kurt emprestado por alguns minutos? — Tate perguntou, aproximando-se do casal. Blaine lançou ao namorado um olhar como se perguntasse “Tudo bem?”, e Kurt assentiu, beijando a bochecha e saindo do abraço do moreno.
— Você vem comigo, Blaine. — O moreno concordou com a cabeça, levantando-se do sofá sem uma palavra e acompanhando a amiga para a cozinha.
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O calendário marcava vinte e cinco de novembro, significando dois dias distantes do dia de Ação de Graças, e o lar dos Hudmels era o único que não estava enfeitado para tal evento. A rua toda estava iluminada ao final da tarde e início da noite, alaranjada com as luzes das casas e os pisca-piscas do lado de fora. Carole não tinha tempo para nada desde que Burt fora diagnosticado, tendo que fazer orçamentos e cuidar da papelada do hospital, e se Finn tocasse em algum pisca-pisca, com certeza a iluminação iria para o espaço.
— Quinn, eu já disse que não precisa, você pode dormir no quarto de Kurt. — Carole insistia para a menina ficar, pois estava tarde e o carro de Brittany estava sem gasolina.
— Carole, eu não quero ser um incômodo para vocês, está tudo bem, eu tenho dinheiro e posso pegar um táxi. — Ela dizia, certa de que a mulher precisava passar um tempo com o filho.
— Q, durma aqui. — Interviu Finn, que até o momento estava jogando no celular. Carole viu aquilo como sua deixa e subiu às escadas para seu quarto. — Eu não quero que nada te aconteça.
— Eu te ligo assim que chegar em casa, Finn, não se preocupe. — Ela insistia, incessante. Naquele momento, a mulher retornou à sala e ligou a televisão.
— Quinn, querida, você não pode ir para casa hoje. Tem uma tempestade de neve chegando aí, está aqui perto. — Ela disse, numa voz calma. — No Mississipi.
— Oh, se é assim, você poderia me dizer aonde tem roupa de cama?
— O quarto de Kurt está pronto, querida. Você pode dormir lá. — Carole disse, e a loira assentiu. — Eu vou preparar o jantar, vocês vão querer algo?
— Não precisa cozinhar, mãe, a gente pode pedir alguma coisa. — Disse Finn, e tirou uma nota de cinquenta dólares da carteira. — E eu tenho dinheiro, então não se preocupe. — Carole sorriu e deu um beijo molhado na bochecha do filho.
— Eu vou ler um pouco em meu quarto, crianças. Vocês podem fazer o que quiserem se não saírem de casa. Quinn, venha cá, deixe-me falar com você um instante. — A loira seguiu a mulher até o início das escadas. — Finn não percebeu que o estado deve estar em alerta, então não dá para pedir comida. Tem macarrão instantâneo no primeira armário perto da geladeira, está bem?
— Certo, Carole, pode deixar. — Ela disse, e abraçou Carole antes da mesma subir as escadas.
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Tate fechou a porta do quarto e sentou-se na cama, na frente de Kurt. O castanho o olhava com uma expressão completamente neutra enquanto o loiro tentava animá-lo com piadas absolutamente sem graça.
— Podemos acabar logo com isso? — Kurt perguntou, e Tate levantou as mãos no ar em moção de se render. — Me desculpe, é que se eu não agir assim eu vou começar a chorar.
— Kurt, eu perdi meu pai também. Ele me deixou com a minha mãe quando eu tinha cinco anos, e era horrível. Ela passava o dia com diversos homens e-
— Eu ainda não perdi meu pai. Eu não... eu não quero perder meu pai. — Kurt respirou fundo e se encolheu levando os joelhos ao peito, assustado. — Merda, merda, merda! Isso é tudo minha culpa. Eu quero estrangular a porra do Sebastian, merda! — Desabafou o castanho, escondendo o rosto nas mãos.
— Você pode, Kurt. Podemos trazê-lo aqui e depois a gente joga ele na rua e você atira nele! Não é uma ótima ideia?! — Tate disse, sorrindo. — O negócio é o seguinte, Kurt, eu sou um psicopata. Se você me propor assassinar alguém, eu estou dentro.
— Eu- eu não sabia. Ok... eu acho que não haverá nenhum assassinato, me desculpe. — O castanho sorriu e Tate comemorou. — O que foi?
— Você sorriu! Eu te fiz sorrir e eu não sou Blaine! Viva!
— ...Eu sou tão grudado em Blaine assim?
— É, sem ofensas. — O castanho abanou a mão e Tate continuou. — Bom, eu acho que você precisa saber que há outras pessoas aqui dispostas a te ajudar, como eu, Violet, a sra. Harmon... Não que eu ache que Blaine está cansado de você – pelo contrário! Blaine sempre vai te ajudar, acredite, mas tenho certeza que eu sempre vou te ajudar, por mais doce e gentil que você seja. Eu fiz Violet parar de se cortar. — Ele admitiu. Ao longo dos anos, Tate havia crescido e percebido que não havia porquê se fingir de durão quando ele gostaria de ficar deitado no chão lamentando seu destino trágico. — Quando ela chegou aqui, eu via a dor por seus olhos, eu via tudo. E eu entendia, mas quando peguei ela com uma lâmina nos pulsos... doeu tanto, ver aquela menina tão inocente e frágil sangrando... — Kurt assentiu, ele compreendia cada palavra que Tate falava. — Então eu a fiz prometer e eu nunca me senti melhor, sabe? Então, por um lado, eu entendo Blaine e a necessidade de te ajudar, de te fazer se sentir melhor, mas eu acho importante termos amigos, entende? Por mais que vocês dois sejam melhores amigos, sei que ele te entende e vice versa, mas o pai de Violet só consegue conversar poucas vezes por semana, meu pai foi embora, e... bom, o pai de Blaine não falava com ele. Não fala.
— Você está falando demais, Tate. — Kurt disse, sorrindo. — Eu aprecio muito e entendo o que você quer dizer. Você e Violet me entendem e eu preciso me comunicar com as pessoas. Não estou ofendido nem nada, muito pelo contrário... fico feliz que tenho pessoas em quem confiar pela primeira vez.
— Sério? Deus, eu pareço uma mariquinha, me desculpe. É só que... eu nunca tive amigos, nem nada. Oh, céus, somos todos problemáticos nessa casa.
— C’est la vie, mon chère*... — Kurt murmurou. — Se não fosse problemático, não seria eu. Então fico feliz.
— Que bom. Et moi aussi, je parle le français**. — Tate respondeu, e o castanho sorriu. — Se você quiser falar sobre alguma coisa, Kurt, sobre seu pai ou sobre você... estou disponível. Não hesite em me procurar! — O loiro deu um tapinha no ombro de Kurt e saiu do quarto.
— Kurt? — Era a voz de Blaine agora. — Kurt, eu vi Tate descer as escadas. — Disse o moreno, abrindo a porta do quarto e sorrindo docemente ao ver o namorado sentado na cama. — Oi.
— Oi. Senti sua falta. — Kurt falou, emitindo um som que era entre um gemido e um grunhido. — Vem cá. — O moreno andou até o castanho e sentou-se na cama ao seu lado, beijando sua bochecha.
— Espero que você não esteja fazendo coisas com Tate aqui no quarto. — Zombou Blaine, abraçando o namorado.
— Nem em seus piores pesadelos, querido. — Kurt disse, e esqueceu tudo o que o preocupava, enquanto Blaine estivesse ao seu lado, tudo estaria bem.
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