The Pain In Between
18 Father
Notas iniciais
Finn bocejou e se espreguiçou, estranhando o peso em seu braço. Ele olhou para o lado e viu Quinn dormindo pacificamente em seu peito, e sorriu. Sinceramente, se ele tivesse de escolher entre a loira e Rachel, provavelmente escolheria Quinn. Tinha algo em Rachel que o impedia de fantasiar sobre encontrá-la ao vivo, ou beijá-la mais uma vez depois de seus encontros secretos nos banheiros para cadeirantes do Paul High, em Washington.
— Finn! Finn! — Ele ouviu Burt chamar, aos berros. Rapidamente o mais alto havia pulado fora da cama e corrido o curto caminho até o quarto do padrasto, aonde o mesmo estava deitado na cama, olhando para a porta. — Finn, eu estou morrendo.
— O-O quê?! Você não pode morrer, Burt, não! Fique calmo, deixe eu te dar seu remédio, vamos lá, se apoie em mim! — Disse o enteado, oferecendo seu braço para que Burt se apoiasse no mesmo. — Pegue a droga do meu braço, Burt!
— Não, garoto, eu estou morrendo. Meu testamento- ele está embaixo de meu terno, que está dobrado no armário. P-por favor, deixe o dinheiro que está escrito para a casa, dê vida aquele lugar novamente. — Burt pediu, lágrimas se formando nos olhos tão parecidos com os de seu filho. — Eu só- eu não sei se você estava falando a verdade daquela porcaria de casa, mas siga o que o testamento diz. Por favor. E... se for verdade, diga a Kurt que eu entrarei em contato... Eu o amo tanto. — E assim o homem fechou os olhos, e Finn pegou seu pulso.
— Burt, não, por favor, por favor, não! Merda, merda, merda! — Nesse momento, seu celular tocou e ele imediatamente atendeu, reconhecendo a voz de sua mãe. — Mamãe.
— Finn? Finn, você está chorando? O que houve?
— ...Mãe, Burt morreu. — A mulher desligou. Finn não precisava ouvir mais nada para colocar uma roupa e se aprontar para buscá-la no hospital onde trabalhava.
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Kurt e Blaine comiam o café calmamente, roubando olhares eventuais e davam as mãos de vez em quando, sorrindo. O castanho tinha um sanduíche de pão francês com queijo e presunto nas mãos, e o moreno comia um pouco de cereal com leite. Violet e Tate ainda dormiam e Vivien já tinha preparado seu café, então tudo estava quieto e silencioso, com o barulho do tintilar da colher de Blaine no fundo da tigela, às vezes.
Porém, de repente, Kurt sentiu uma falta de ar tremenda, derrubando o sanduíche no prato e soltando a mão da de Blaine para levá-la ao peito. O moreno imediatamente estava a seu lado perguntando o que estava acontecendo, e Kurt tentava responder em meio a seus pulmões vazios. O castanho estava começando a ficar roxo quando suas tentativas por ar cessaram e sua cabeça caiu para trás. Blaine via o peito do namorado voltando a se mexer de leve.
— Kurt? — Ele chamou, cuidadoso. — Kurtie, fale comigo.
— Eu- Eu... — O castanho respirou fundo, ajeitando-se na cadeira de madeira. — B-Blaine...
— Shhh, acalme-se. Está tudo bem, eu estou aqui. — O moreno o abraçou o mais forte que pôde, beijando carinhosamente sua bochecha. — Vamos lá, respire... isso. — Blaine o assistia inspirar e expirar lentamente.
— Eu não sei o que houve... — Kurt disse, com a voz rouca. — Deus, eu tive medo.
— Tudo bem, não tem problema ter medo. Eu tive medo, eu não sei... talvez você estivesse indo embora?
— Eu- eu também pensei isso. Mas ainda não estou pronto, eu não vou dizer adeus à você, querendo ou não. — Kurt disse, e puxou o namorado para um abraço apertado em meio à lágrimas e beijos desesperados.
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Quinn secou as lágrimas com a barra do casaco. Burt havia morrido... era tudo inacreditável. Ela ainda pensava em Rachel, mas tentava ignorar. Doía saber que Finn gostaria de estar com ela enquanto abraçava-a... Quinn!, ela se reprimia. Deus, Burt estava morto e ela pensava em sua vida amorosa?! Ela precisava parar de pensar naquilo.
— Não! Não, meu Burt! — Carole soluçava no ombro de Finn, que chorava silenciosamente. — Eu nem pude me despedir! — Ela exclamava, vendo o corpo coberto por um plástico preto e paramédicos estudavam a casa.
— Vai ficar tudo bem, mãe, ele vai para o céu agora, não se preocupe. — Finn tentou confortá-la, mas, deus, ele não queria que o padrasto morresse, Burt era uma das melhores pessoas do mundo! Ele não deveria deixa-los, por mais que o mais alto soubesse que era o que ele precisava. Ele secou as lágrimas de suas bochechas e abraçou a mãe uma última vez antes de soltá-la. — Eu estava pensando, se, uh... não poderíamos fazer uma limpeza? Digo, as coisas de Kurt ainda estão todas aqui e as de Burt ficarão aqui também se nós não as retirarmos.
— Você tem razão, Finn. — Quinn pronunciou-se pela primeira vez, entendendo o que o mais alto queria dizer. — Carole, você não precisa se preocupar com as coisas de Kurt, e eu te ajudarei a arrumar as de Burt. Eu as deixarei em algum abrigo ou algo do tipo com Finn hoje mesmo.
— Vocês se incomodam em levar apenas as roupas de Kurt para o tal abrigo hoje? Nesse final de semana ainda eu arrumarei as de Burt, mas agora eu não consigo. — Ela suspirou, sentando-se no sofá enquanto o último paramédico saía do local. Finn assentiu e Quinn se segurou para não começar a chorar novamente.
— Claro, mãe. Eu só não aguento mais ver tudo de Kurt por aqui. Dói demais. — O grandão disse, e a mulher abanou uma mão enquanto acendia um cigarro. — Pode vir conosco se quiser, mas acho que você optaria por ficar aqui. — Carole assentiu e os dois subiram. — Deus, isso vai doer tanto...
— Nós conseguimos. Afinal, Kurt está a uma rua de distância. — Quinn tentou confortar Hudson, falhando.
— É, ele está a uma rua de distância... morto. — Ele disse, porém se arrependeu no momento seguinte. — Me desculpe. Eu só... não estou muito bem depois da morte de Burt.
— Tudo bem, Finn, eu entendo. Agora, vamos acabar logo com isso. Podemos carregar o celular dele enquanto arrumamos as roupas, tenho certeza que elas não são poucas, e a bateria vai durar se Kurt usá-lo com prudência. — A loira concluiu, ligando o iPhone do castanho em um carregador assim que eles chegaram no quarto.
— Tem até o cheiro dele... droga, eu realmente o queria de volta aqui. Eu faria tudo de novo, como se pudéssemos começar de novo. — Finn disse, sentando-se na cama e pegando um livro que estava jogado no chão. — “O Apanhador No Campo De Centeio”, Kurt adorava esse livro. Sempre que estava triste ou nervoso ele lia e relia.
— Vamos levar para ele. — Sugeriu Quinn, e Finn assentiu. — Ali em cima tem uma mala. — Ela apontou para o topo do armário. — Você acha que alcança?
— Acho que sim. — O mais alto se levantou e ficou na ponta dos pés até conseguir pegar a mala pela alça, colocando uma mão embaixo do objeto para dar suporte. — Pronto. Vamos começar pelo armário perto da porta, eu já vi tudo e sei que ali é aonde tem menos coisas penduradas.
— Vamos fazer o seguinte: eu dobrarei as roupas dos cabides e você coloca as que já estão dobradas na mala. Feito?
— Feito. — E os dois começaram o trabalho em silêncio.
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— Deus, essa casa está mais triste do que o habitual. — Violet disse, ao entrar na sala e encontrar Kurt e Blaine folheando um livro que havia na casa do moreno, Tate conversando em sussurros com as vozes em sua cabeça e Moira espanando aqui e ali, mesmo sabendo que toda aquela sujeira parecesse eterna, como suas vidas dentro daquela casa. — Precisamos de uma festa. Com todo o mundo. — Concluiu a menina, e todos pararam o que faziam para olhar para ela.
— Mais da metade desses espíritos odeiam ver a luz dos dias, como você espera que eles saiam por causa de uma festa infantil? — Perguntou Moira, espanando o corredor da escada.
— Viu? É disso que estou falando. — Violet apontou para a ruiva. — As pessoas perderam toda a esperança e, de verdade, eu não os culpo. Mas, porra, as bocas deles devem estar enferrujadas de tanto tempo que eles não sorriem um pouco. — A loira disse, e todos sabiam que era verdade. — Kurt e Blaine, vocês não se lembram de quando ficaram bêbados nessa casa pela primeira vez? — Violet perguntou, e de repente os meninos lembraram-se que a loira estava lá há muito mais tempo do que eles. — Céus, eu não me lembro de rir tanto com alguém se não Tate desde aquele dia.
— Mas nós ficamos só zanzando pela casa e comendo o bolo de aniversário da mãe de Blaine a noite toda. — Kurt disse, um pouco corado.
— Eu me lembro dessa noite. — Tate interviu. — Vocês se beijaram várias vezes. — Kurt e Blaine se olharam, de olhos arregalados. Eles não se lembravam daquele detalhe.
Tate e Violet estavam deitados na cama de Blaine, aonde uma vez havia sido a cama deles, no quarto que um dia havia sido deles, depois de uma transa. A menina tragava num cigarro e uma música qualquer que nenhum dos dois conhecia tocava no rádio que estava no quarto do garoto. Eles eventualmente roubavam olhares um do outro e sorriam, até que ouviram a porta abrindo e saíram da cama, pegando suas roupas no chão e desaparecendo aos olhos humanos, vestindo-se enquanto observavam o morador da casa e seu amigo entrando no quarto.
— Blaaaaaine. — Kurt, o melhor amigo de Blaine, dizia, arrastando as palavras. — Eu já disse que estou com fome! Vamos ver um filme de terror! — Sugeriu o castanho. — Melhor, vamos xingar Adam e falar mal dele e como ele não deveria ter me traído!
— Fique quieto, Kurt! Meus- — Ele soluçou, e Tate e Violet sorriram um para o outro. — Meus pais estão dormindo. Mas acho que podemos ver alguns filmes de terror.
— Podemos comer alguma coisa?
— Claro. Merda, essa festa foi boa! — Blaine exclamou, porém não aumentou o tom de voz. Ele sabia que estaria encrencado caso seus pais descobrissem que Kurt dormiria lá, ou que ele estava bêbado.
— Foi, principalmente depois que terminei com Adam. Muito obrigado, B. E obrigado pelo banheiro, também. — O castanho lançou uma piscadela para o moreno e Violet olhou para o namorado, sorrindo maliciosamente. O loiro riu baixinho e beijou os lábios da menina carinhosamente. — Podíamos repetir aquilo qualquer dia. — Blaine corou furiosamente e Violet gargalhou: eles eram adolescentes atrapalhados e confusos, o mesmo que ela havia sido não muito tempo atrás.
Os dois desceram para a cozinha sendo seguidos pelo casal de espíritos, e deram de cara com um bolo de dois andares coberto por chocolate na cozinha. Os dois se olharam, sorrindo, e atacaram o bolo com alguns talheres que havia do lado. Kurt soltou um gemido ao provar o primeiro pedaço e Blaine engoliu em seco, olhando o amigo com atenção.
— Podemos apenas juntá-los? Pegar os rostos dele e só juntá-los! — Perguntou Violet, frustrada. — Eu vou explodir com a tensão sexual desses moleques!
— Seria uma das melhores coisas de minha vida ver esses dois começarem a namorar. — Tate sonhou acordado, olhando enquanto o par ria baixinho de algo que Blaine havia dito. — Quem sabe Blaine fica com a casa quando seus pais morrerem? E se casa com Kurt e-
— Tate, gay demais para mim. Se for continuar assim, junte-se a eles. — Caçoou Violet, ganhando um tapinha brincalhão do namorado. — Lei Maria da Penha! — Ela exclamou, e Tate revirou os olhos antes de puxá-la para um beijo. O par estava tão envolvido no beijo que por segundo ficaram visíveis, mas apenas um milésimo de segundo, roubando a atenção do par de amigos, que apenas deu de ombros e continuou a comer o bolo de chocolate.
Bem mais tarde, lá para as quarto da manhã, Tate e Violet pegaram Kurt e Blaine se beijando no sofá enquanto uma mulher era esfaqueada em um filme de terror qualquer. Infelizmente, pela manhã, os dois não se lembravam de nada.
— Bom, acho que éramos realmente feitos um para o outro. — Blaine disse, escondendo o rosto nas mãos enquanto ele e Kurt coravam mais do que nunca.
— Vamos lá, se beijar aos quinze anos não é nada comparado a o que vocês fazem no quarto, não tem nada para se envergonhar aqui! — Provocou Tate, e os dois soltaram um gemido de constrangimento. A porta de abriu e imediatamente todos os cinco espíritos da sala ficaram invisíveis.
— Kurt? Blaine? — Era a voz de Quinn, e o quinteto suspirou enquanto deixavam-se visíveis novamente. — Deus! Que susto! — Exclamou a loira. — Finn está no carro, eu trouxe isso para você. — Fabray jogou o celular de Kurt para o mesmo, que apertou o botão no topo do aparelho, soltando um suspiro aliviado quando viu seu plano de fundo novamente.
— Eu senti tantas saudades de você, celular! — Ele exclamou, levando o eletrônico ao rosto e passando as mãos por ele. — Obrigado, Quinn, será bom enquanto ele tiver bateria. Eu lembro que a internet aqui sempre foi melhor do que lá em casa. — Ele suspirou, e a loira sorriu estranhamente. — Aconteceu alguma coisa?
— Bom, digamos que logo, logo, você vai poder carregar seu celular aqui. — Ela disse, não sabendo como contar para o castanho que seu pai havia morrido.
— Como assim? — Blaine perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Você já contou para eles? — Finn perguntou, entrando na casa com uma mala. — Foi mal a demora, caras, tivemos que vir de carro e não tinham vagas na porta.
— Contou o quê, Quinn? — Kurt perguntou, nervoso. Finn levantou o olhar da mala que tentava trazer para dentro da mansão pelos degraus da entrada.
— Kurt, Burt morreu.
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