The Pain In Between
24 Christmas Parte 1
Notas iniciais
Algumas semanas depois – 23 de Dezembro
Kurt parecia feliz com o natal. E ele estava, sim. As coisas iam bem, a casa estava animada, com árvore de natal e luzes coloridas. Larry, o cara que ainda trazia mantimentos para a casa, havia falado para Ben Harmon que os vizinhos andavam pensando que outra família sofreria nas mãos da casa. Ele e uma senhora, Constance Langdon, sempre fofocavam sobre os vizinhos no terraço da casa da frente.
Era, porém, o primeiro natal de Kurt sem os dois pais, então quando Blaine o deixava sozinho ele começava a ficar cabisbaixo. Mas seu namorado não parecia ter a menor intenção de terminar, deus, não. Então tudo ficaria bem, desde que os dois tivessem o amor do outro.
Blaine havia visto, pelo Facebook de Quinn, que Cooper estava no Alabama. O que significava uma provável visita do irmão, que levaria à confusão e gritos e uma briga entre Cooper e seu pai sobre por que diabos o mais velho dos Anderson não havia protegido Blaine quando ele precisava, ao invés de ficarem conversando com os outros defuntos no porão. Eventualmente, Blaine separaria os dois e então ele e Cooper teriam uma conversa séria e profunda antes do irmão ir embora.
Mas a manhã antes da véspera do natal não era hora de pensar naquilo, especialmente quando Blaine sentiu a ponta do nariz gelado de Kurt contra seu pescoço. O moreno apertou o abraçar que tinha em volta do namorado e beijou-lhe a testa. Ele ajeitou as cobertas grossas protegendo os dois do frio que entrava por diversas frestas que haviam debaixo da porta e por entre as janelas.
— Bom dia, meu amor. — Blaine sussurrou quando sentiu Kurt se espreguiçando e soltando um barulho adorável.
— Mmm... já é natal? — Kurt perguntou, estremecendo e colocando o braço para dentro dos cobertores.
— Não, baby. — Blaine riu baixinho. — É dia 23. Não se preocupe.
— Temos que ir no mercado para comprar as coisas para a ceia. — Kurt disse, bocejando. Blaine congelou, sem saber o que falar. — Ah meu deus, Blaine, me desculpe, eu não percebi.
— Não tem problema. — Assegurou o moreno. — Fico feliz que você esqueça disso, significa que você está relativamente bem. — Kurt enterrou o rosto no peito do namorado. — Ei, não, não fique assim. Está tudo bem, baby. — O moreno beijou o emaranhado macio e castanho, acariciando-o logo após o toque dos lábios.
— Vamos... vamos levantar. — Decidiu Kurt, após olhar a hora. — Quinn deve estar nos esperando há umas duas horas e você sabe como ela fica quando a deixam esperando. — O castanho jogou as cobertas para fora de seu corpo e se levantou, dando uma vista de seus músculos definidos para Blaine, que involuntariamente lambeu os lábios, levantando-se e abraçando o namorado por trás carinhosamente.
— Hmmm, eu amo como a sua pele é macia. — Blaine beijou o ombro pálido do castanho e depois descansou o queixo na curva aonde o ombro de Hummel se encontrava com o pescoço do mesmo. — Eu amo você.
— Eu também te amo, B. — Naquele momento, houveram três batidas insistentes na porta. — Merda. — Blaine correu para o banheiro e Kurt colocou uma blusa e uma cueca boxer que ele não sabia de quem era. — Entra!
— Os membros do New Directions vêm aqui para prestar um tributo natalino a você e Blaine! — Exclamou Quinn, sem fôlego. — Sam é o único que não vem por... uh... por saber, você entendeu.
— Calma, vamos por partes, Quinn. Bom dia, como vai você? — A loira revirou os olhos e sentou-se na cama.
— Eu vou bem, obrigada.
— Agora sim. — Kurt respirou fundo. — Você não pode deixar eles virem aqui! Não com a casa quase inteira! Pelo menos Mercedes e Brittany vão saber que tem algo errado. Sem falar no nosso quarto. — Do outro lado da porta do banheiro, Blaine sorria ao ouvir o namorado chamando o cômodo de “nosso quarto”. — Quinn, você tem que avisar à todos. Especialmente a Finn, ele convence os garotos e você as garotas.
— Kurt... Rachel chega amanhã, e Finn vai busca-la no aeroporto. Você não acompanha o grupo no Whatsapp? — O castanho olhou para os pés. — Você se deu bem que eu consegui convencer a todos que deixar você e Blaine no grupo era apenas um jeito de deixar você vivo. Agora, você tem que acompanhar, né! — Kurt pegou o celular. — Agora não, babaca!
— Alguém está atacada hoje. — Kurt murmurou.
— Estou mesmo, você sabe que estou uma pilha de nervos desde quando Rachel disse a Finn que me contou que ela chegaria amanhã. Deus, e se eu me apaixonar?
— Então tudo bem, daremos um jeito, Q. — Assegurou Kurt. A loira suspirou.
— Me desculpe. Bom, você quer fazer o quê então? Eles sabem que eu sou a favor a manter você vivo em nossas mentes de todos os jeitos, então eu não posso falar tipo “Não, galera, que isso. Pra quê?”, entendeu? — Kurt assentiu.
— Não podemos contar para eles, Q. O segredo vai se espalhar. — O castanho engoliu em seco.
— Não tem outro jeito, Kurt. — Blaine interviu, saindo do banheiro. — Temos que confiar neles.
— Eu confio ...na maioria. Não confio em Tina, ou Santana. — Admitiu Hummel para Quinn, e Blaine sabia muito bem porquê. No primeiro baile de verdade de Kurt e Blaine juntos – muito embora como amigos, apenas – Tina tramou com Santana para espalhar para todos que votassem em Blaine para rei e em Kurt para rainha. Deus, o moreno não se lembrava de dia de escola no qual Kurt havia chorado tanto em seus braços.
— Kurt, sinto muito. Eu concordo com Blaine. — Quinn disse, levantando da cama e indo até o moreno. Kurt respirou fundo e olhou para os pés, derrotado. — Preparem todos da casa, será amanhã às seis da tarde. Finn provavelmente virá ...com Rachel.
— Tudo bem, vamos ver um filme. Ou cozinhar, tanto faz. Preciso tirar minha mente disso agora. — Kurt disse entre dentes cerrados. Blaine interligou seus dedos e os dois desceram.
— Vão ficar aí de cueca? — Questionou Quinn, e o par deu de ombros. A loira os seguiu e afundou no sofá enquanto Mamma Mia começava pela quinquagésima vez naquele inverno. Pelo menos não era Moulin Rouge.
— Não é da sua conta, Quinn. — Kurt resmungou, puxando o namorado para sentar em seu colo carinhosamente.
— Vai ficar tudo bem, Kurt. Não se preocupe, está bem? — Assegurou Blaine, beijando a bochecha do castanho.
— Eu não posso fazer nada se não me preocupar, baixinho.
— Ok, primeiro, eu não sou baixinho. Segundo, você pode fazer muitas coisas se não se preocupar. Eu te ajudo, até. — Blaine ofereceu com um sorriso sacana. Kurt deu um tapinha brincalhão em seu ombro, rindo de leve.
— Babaca. Fique quieto e veja o filme. — Blaine sorriu e se recostou no peito do namorado.
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Quando o filme acabou, Kurt e Quinn foram fazer o jantar na cozinha enquanto Blaine jogava um pouco de videogame com Tate, para descontrair. A casa parecia estar em harmonia, pelo menos por alguns minutos, e deus, era uma ótima mudança para variar. Haviam muitas outras almas perdidas pela casa, ajudando com a decoração de natal ou apenas saindo do esconderijo para variar. Era bonito, até.
— Kurt. Ai meu deus, Kurt. Olha isso. — Quinn disse, puxando o braço do castanho para que ele visse algo em seu celular.
— Quinn, a não ser que você queira ser apedrejada por espíritos porque a comida deles está queimada, espere um pouco. — Kurt disse, com um sorriso no rosto. Ele mexia o macarrão que cozinhava com calma e concentração. A Fabray, porém, estava incrédula e impaciente, continuando a puxar gentilmente a manga da camisa do amigo. Finalmente, ele desligou o fogo e tampou a panela. — O que foi?
— Rachel está aqui. — Ela mostrou a tela do celular com uma selfie da menina (que havia visto por foto e vídeo a partir de Finn) com o irmão do castanho.
— Ah, Quinnie, fique calma. Nós vamos te ajudar, ok?
— Como vocês vão me ajudar?! — Explodiu a menina. — Como, Kurt, se vocês não podem dar um passo fora de casa?! — Kurt deu um passo para trás, se encostando no balcão da cozinha.
— Escuta, Quinn, eu estou tentando aqui! E eu sei que Blaine também está, ok? Se você nos acha tão inútil assim, por que não disse antes? — Kurt respirou fundo enquanto Quinn levou uma mão à boca entreaberta em choque.
— Eu- Eu não acho- Kurt, me desculpe. — Ela pediu, e o castanho fechou os olhos e engoliu em seco. — Vamos lá, eu não quis dizer isso, Kurtie...
— Mas se você disse, deve ser verdade não é? Você é tão poderosa, Q, com um abanar da mão você tem o mundo aos seus pés. Você não precisa de um casal gay de mortos e um caçador de bruxas que está viajando pelo mundo para se dar bem. — Kurt contradisse a loira, que o olhava assustada.
— É claro que eu preciso, Kurt, e você sabe disso. Sam é mais do que importante para mim, não só como amigo, mas como uma espécie de irmão mais velho. E Blaine é incrivelmente paciente e sempre diz a coisa certa no momento certo. Quanto a você... deus, Kurt, eu não sei onde estaria sem você. — Ela suspirou, passando uma mão pelos cabelos loiros.
— É que... é que não dá para evitar. Me sentir assim. — Kurt disse, a voz meramente acima de um sussurro. — Eu não posso ligar para essa tal de Rachel ou visitar a droga do túmulo de meu pai. Eu não posso falar com Carole ou ir para a escola, faculdade. Eu não posso ter filhos, Quinn, e você sabe como eu queria isso. — Fabray viu que ele engolia o nó na garganta com determinação.
— Ah, Kurt, me desculpe, eu vou ficar com minha boca fechada a partir de agora. — Quinn dizia, pegando as mãos do melhor amigo, que secou uma lágrima.
— Tudo bem, esqueça isso. Não é como se eu pudesse fazer nada. — Kurt suspirou e fungou de leve. Ele se voltou à panela tampada. — Você pode chamar os outros para mim, Q? O jantar está pronto.
— Claro. Eu já volto. — Ela disse, e Kurt assentiu. Quinn podia ver pelo amigo, enxergando todo o sentimento que estava preso dentro dele, e que alguma hora seria descontado em algo ou alguém.
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— Tate, fique quieto e engula esse macarrão antes que eu te obrigue. — Violet dizia, batendo no namorado na nuca. Todos à mesa riam. — Ninguém precisa saber de quando você descobriu que eu não podia ter filhos e saiu gritando pela vizinhança.
— Ah, filha, deixa, olha como todos estão felizes. — Vivien disse, olhando em volta. Tate estava com refrigerante saindo pelo nariz de tanto rir, Ben estava finalmente sorrindo depois de muito tempo. Kurt e Blaine sussurravam doces nadas no ouvido um do outro e riam baixinho entre si. Moira e Nora falavam sobre como a casa estava linda. Quinn conversava com Hayden e gargalhava alto de tempos em tempos.
Violet sorriu. Não era o que ela havia esperado, mas certamente era sua família. E tudo ia bem, de verdade.
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Kurt e Blaine foram dormir cedo naquela noite, visto que teriam um dia cheio na manhã seguinte para os preparativos de natal. Não que houvessem presentes a serem comprados ou feitos, era apenas a busca por conforto em uma casa aquecida e iluminada assim como ela fora não muito tempo atrás, alguns natais atrás: um dos melhores da vida de Kurt.
— Kurt, querido, você tem certeza que vai ficar bem? — Carole perguntava, era o primeiro natal que ele passava sem seu pai e a mulher. Não era o primeiro na casa de Blaine, porém. O castanho torceu o nariz enquanto Carole apertava sua bochecha manchada por sardas.
— Fique tranquila, Carole, eu vou ficar bem. É Blaine de quem estamos falando, você e papai adoram os pais dele, e vice versa. — Assegurou o mais novo, sorrindo e ajeitando a mochila nos ombros. — A propósito, eu ligo para vocês à meia noite, não esqueça, está bem? E não deixe Finn dormir, eu quero falar com ele.
— Dormir ele não vai, Kurt, mas você sabe que agora ele está namorando aquela menina, como é seu nome... ah, sim, Marley. Ainda acho ela muito nova... — Ela balbuciou, mais para si mesma do que para Kurt, que sorria. — De qualquer jeito, eu o arranco do quarto quando você ligar. Agora vá, divirta-se.
— Até mais, Carole. — O adolescente beijou-lhe a bochecha. — Vejo você daqui a dois dias, papai! — Ele gritou para as escadas, e ouviu um “Te amo” vindo do quarto do pai. Não deram nem dez minutos e Kurt já estava entrando na casa de Blaine.
— Ei, você sabe o que chegou hoje? — Blaine dizia, animado. Kurt riu de leve a sacudiu a cabeça. — Minha caixa de DVDs do Woody Allen! Com os filmes mais românticos e melosos do mundo! — Anunciou o moreno, e Kurt não pôde evitar se não corar ao pensamento de ficar abraçado com o menino de quem gostava durante um filme romântico. — Vamos lá, Terra para Kurt? — Blaine estalava os dedos na frente do melhor amigo, e, quando o castanho sacudiu a cabeça, como se voltando para o presente, Blaine o guiou escada acima para seu quarto.
— Carole ficou muito preocupada que você quebrasse meu coração nesse natal. — Kurt disse, sorrindo. Ele se lembrava muito bem da conversa que ele teve com a madrasta em meio a goles de leite quente na madrugada, quando contou à ela que gostava de Blaine.
— Ela está certa. Eu vou quebrar seu coração, ma chère, com o site que eu achei para ver P.S. Eu Te Amo e Porto Seguro. — Blaine lançou uma piscadela para o melhor amigo, que sentiu seus joelhos querendo desistir de ficar em pé, então ele se sentou na cama macia do melhor amigo, que remexia o armário. — A ha! Achei o violão velho de Cooper, e eu pensei que pudesse te ensinar alguns acordes.
— Eu sempre quis tocar violão. — Kurt olhou para as mãos de Blaine segurando o instrumento. — Quer dizer, que sempre quis ser serenado com um violão.
— Eu posso te serenar. Vamos, endireite-se na cama. — Kurt levou um tempo para processar o que aconteceria depois, o que foi um clássico de Blaine, música que ele sabia tocar em vários instrumentos: Teenage Dream, Katy Perry. O castanho corou da cabeça aos pés e Blaine beijou sua bochecha no final. — Pronto para começar nossa sessão de cinema? — Sorriu Blaine, estendendo Kurt uma mão.
— Com você, sempre.
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Kurt abriu os olhos devagar, lembrando-se do sonho (que na verdade era uma memória) que o ocorrera. Depois, ele olhou o moreno adormecido em seu peito, e sorriu. Por incrível que pareça, Kurt Hummel estava bem feliz.
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