The Pain In Between
13 A Tad Of Fun
Notas iniciais
Naquela madrugada, Kurt acordou com falta de ar. Ele se lembrava de ouvir o tiro, ele se lembrava do que sentiu e do que pensou – se é que ele havia pensado na hora. O castanho sentou-se na cama e sentiu o braço de Blaine o envolvendo. Ele sentia sua cicatriz ali, apenas... existindo. Era uma parte dele agora.
Kurt suspirou aliviado ao não encontrar ninguém na sala, como a empregada que havia trabalhado na casa de Blaine por tantos anos, ou Charles, que insistia em ler o mesmo jornal do dia de sua morte no sofá toda a manhã. O castanho subiu as escadas e sentiu um clima estranho, e imediatamente ele soube que algo estava errado.
Blaine não estava em seu quarto nem no de Violet. Ele ouviu alguns sons de dor e simplesmente reconheceu a voz do melhor amigo. Ele seguiu para o quarto de seus pais e viu Sebastian com um revolver apontado para Blaine. Ele imediatamente se jogou na frente do amigo.
Blaine não podia passar por toda aquela dor! Não, de novo não. Então Kurt viu o dedo de Sebastian se mover milimetricamente e ele apenas... foi. Ele sentiu tanta dor, tanta dor... era inexplicável. Kurt quis levar uma mão ao peito, mas não podia mais. Porque, entendeu Kurt, ele estava morto. E aquela coisa de que sua vida passa diante de seus olhos? Mentira. As coisas ficam pretas e você se perde em um vazio inexplicável.
Hummel saiu da cama e secou o suor da testa, ajeitando a camisa que grudava no corpo. Eram duas e quarenta da manhã e ele não queria que Blaine acordasse sem ele. Mesmo assim, Kurt precisava de água, de ar fresco. Infelizmente, ar fresco era a única coisa que o castanho não podia ter.
Ele desceu as escadas rapidamente e pulando alguns degraus, e foi direto para a cozinha. Kurt abriu a geladeira para pegar a garrafa, e sentiu lágrimas querendo cair de seus olhos. O castanho encostou a testa no móvel frio, sentindo o contraste das temperaturas aliviar um pouco da tensão.
Kurt relaxou os ombros e suspirou, levantando a cabeça pesada para encontrar Violet parada ali, as mãos na cintura e os cabelos levemente ondulados do travesseiro, provavelmente. Ela gesticulou para a mesa com as duas cadeiras, e o castanho deixou um respiração escapar de seus lábios.
— Você sentiu a dor? — Ela perguntou, colocando uma mecha dos cabelos loiros para trás da orelha. Kurt assentiu. — Não é fácil, mas aposto que várias pessoas já te contaram isso. — Outro aceno positivo. Violet suspirou. — Tate me ajudou bastante nas primeiras noites, era quando eu desmoronava. Ele me entendia, e eu ele. Nós já terminamos e voltamos várias vezes, mas no final sempre voltamos um para o outro. — Ela riu de leve. — Lembro quando terminamos pela primeira vez e ele me pediu em namoro novamente com o estofado do sofá. Ou você achou que aquelas almofadas sempre foram mixurucas, vazias?
— Eu não quero terminar com Blaine...
— Vocês têm a eternidade toda, Kurt. Não fará mal dar um tempo de vez em quando, mas não se preocupe, do jeito que vocês são, não aguentam nem um segundo separados um do outro. — Ela piscou para Kurt, que corou. — Eu vou voltar para a cama. Você também devia.
— Eu vou... Eu gosto de você, Violet.
— Obrigada, você é bem legal. Mas não conte à ninguém que eu disse isso.
— Seu segredo está a salvo comigo. — Ele deu uma piscadela e levantou-se, pronto para dormir nos braços de Blaine.
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Na manhã seguinte, Blaine acordou com os lábios de Kurt nos seus, e imediatamente sorriu, correspondendo ao beijo. Não era nada sexual ou algo do tipo, apenas um beijo. Uma carícia boba de casal, porque era o que eles eram, apesar de tudo: um casal, duas pessoas que se amam.
— Bom dia, Blaine.
— Bom dia, Kurt. — Blaine respondeu, sorrindo enquanto olhava nos olhos azuis do namorado. — Eu te amo, eu poderia falar isso o dia todo.
— Hmmm, eu poderia ouvir isso o dia todo. — Kurt suspirou, e uniu novamente sua boca à de Blaine. — Mas eu queria fazer alguma coisa diferente hoje.
— Podemos jogar Twister. Esse jogo e Jenga são os únicos daqui de casa.
— Eu vou pensar no seu caso. — Kurt sorriu, seus narizes se tocando docemente. — Mas antes... eu acho que essa camisa não te cai bem. — Blaine arqueou uma sobrancelha. — O que está esperando? Tire-a. — Pediu o castanho, e o mais novo imediatamente jogou sua camiseta no chão, conectando seus lábios aos do namorado novamente.
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Finn se encontrou com Quinn no final da manhã. Ele não conseguia parar de pensar em sua reação quando os meninos lhe contaram toda aquela informação... Ela pareceu tão frágil, uma pessoa tão distante de quem ela aparentava ser. Ele beijou sua bochecha de leve e os dois caminharam até um parque no bairro quando se encontraram.
— Como você está, Q? Sabe, depois daquilo tudo. — Ele perguntou, preocupado com a loira.
— Eu estou bem... quer dizer, claro que ainda estou processando tudo. É tão estranho, surreal, eu não entendo. Digo, por que diabos uma casa mantém tanta gente presa nela? Existiam bruxas antigamente, não existiam? Talvez alguma delas jogou algum encantamento. Eu preciso descobrir. Eu vou descobrir. — Finn estava surpreso com o interesse da Fabray na coisa, mas resolveu não perguntar. Ela deveria ter seus motivos. — Quer dizer, eu me formarei em literatura daqui a alguns anos, adoraria escrever sobre isso! Imagine só, um romance durante a eternidade... — Ela suspirou.
— Se você quiser, podemos ir até lá hoje. Mas não vamos demorar, mamãe pediu para que eu estivesse no hospital às cinco, daqui a... três horas. — Quinn sorriu e assentiu, enquanto o par se instalava na grama, forrando o chão verde com uma toalha de piquenique. Eles tiraram os lanches das mochilas – ninguém mais tem cestas de piquenique, muito embora as mesmas fossem úteis, então Finn e Quinn combinaram de levarem tudo em potes dentro de bolsas ou mochilas.
— Então, algum cara sortudo em Yale, Quinn? — Finn perguntou, receoso de não se sabe o quê. Afinal, ele gostava de Rachel, não Quinn. Deveriam ser apenas alguns resquícios do amor de colegial... Ou talvez algum fruto do sentimento renascendo com cada olhar que eles trocavam e- Finn, isso é tão gay, reprimiu-se o mais alto mentalmente enquanto olhava nas esferas douradas que eram os olhos de Quinn.
— ...Finn? Finn, você não ouviu nada do que eu disse, não é? — Ela perguntou, estalando os dedos na frente do amigo.
— Uh- eu- me desculpe, eu me distraí.
— Tudo bem. Enfim, resumindo, eu estou solteira e todos os caras de Yale ou são gays ou preferem morenas. — Ela bufou, revirando os olhos. — Mas não tem problema, eu tive essa ideia para um livro e estou realmente pensando em investir nela. É assim, dois caras são inimigos, e aí... — Finn parou de ouvir. Como uma menina tão bela quanto Quinn estava solteira? Mas não era hora para aquilo agora. Ele se concentrou no sanduíche de geleia que comia e ouviu atentamente a doce voz da loira contando-lhe... contando-lhe aquilo que ela estava falando. É.
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Kurt pegou um copo de suco enquanto observava Blaine retirar uma peça de madeira do meio da torre que eles haviam construído no chão da sala pelo o que parecia a milésima vez naquela manhã. Os dois acordaram cedo e estavam jogando até aquela hora, quando o sol batia no chão da sala – aonde eles estavam jogando – fortemente, assim como fazia todos os dias ao meio dia.
— B, vamos jogar outra coisa. — Pediu Kurt, por mais adorável que a ponta da língua do moreno para fora enquanto ele se concentrava fosse. Blaine levantou os olhos brevemente e voltou sua atenção aos pedaços de madeira empilhados. — Você disse que tinha Twister aqui, podemos jogar.
— O que eu ganho com isso? — Quis saber, uma vez que tinha conseguido tirar a porcaria de peça da torre. Ele a colocou cuidadosamente no topo da construção e olhou para o namorado atentamente.
— Não sei... deixe-me ver. — Pensou Kurt, olhando em volta. Ele viu uma lata de leite condensado, um tablete de manteiga que estava derretendo e uma lata de chocolate em pó. — O perdedor tem que fazer brigadeiro para o outro até semana que vem, na hora que eu quiser.
— E o que te dá tanta certeza que você será o vencedor? — Caçoou Blaine, sorrindo. Kurt deu de ombros e se apoiou no balcão da cozinha, na divisão da sala com a mesma. O moreno andou até ele e passou um braço por sua cintura, beijando seus lábios em um beijo rápido e suave. Kurt sorriu no ato. — Vamos lá e, logo, logo, você estará preparando um belo de um brigadeiro para mim, Kurt Hummel.
— Ooh, está bem, Blaine Anderson, vamos lá. — O castanho piscou para o namorado, deixando-o fascinado e boquiaberto, apoiando-se no balcão da cozinha. Kurt subiu as escadas e parou no topo delas. — Eu não sei aonde tem Twister, B. Ou você espera que eu saiba aonde você guarda um joguinho de criança?
— Estamos prestes a jogar o joguinho de criança! E foi o primeiro jogo que jogamos quando você veio aqui em casa, Kurt. — Lembrou Blaine, e Kurt sorriu, lembrando-se do dia. Eles acabaram colocando gelo um no outro, Blaine na cabeça – ele tinha sido brutalmente golpeado por um calcanhar furioso – e Kurt nas costelas, depois de um esbarrão forte demais do cotovelo do moreno.
— É verdade... está bem, vamos ser crianças! — Exclamou animado, pegando a mão de Blaine e deixando que o moreno o guiasse até o armário de jogos do corredor quando o mesmo terminou de subir as escadas.
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Quinn e Finn andavam calmamente com o barulho dos potes vazios batendo uns nos outros nas mochilas. Eles estavam nervosos como os calouros do ensino médio que foram um dia, com as mãos dadas molhadas de suor. Quinn estava insistindo que os dois fossem à casa de Blaine, e Finn acabou desistindo, por mais que quisesse ficar na sala beijando a loira.
Na porta da mansão, os dois sorriram constrangidamente enquanto Finn fazia força para empurrar a porta pesada da casa. Quinn entrou primeiro, agradecendo Finn por ter levantando as faixas de polícia para ela. Eles viram as velas acesas, visto que começava a escurecer, e ouviam risadas do andar de cima. Eram de Kurt, Blaine e mais algumas pessoas.
O mais alto sentiu Quinn apertar sua mão em uma mistura de medo do que eles poderiam encontrar e ansiedade por saber o que os esperava. Ela sorria de orelha à orelha e era completamente adorável. Finn queria beijá-la, e muito. Eles chegaram ao topo das escadas e seguiram as gargalhadas.
Kurt e Blaine estavam em um quarto vazio, se não por um berço, e Tate e Violet estavam rolando no chão de rir enquanto o castanho e o moreno tentavam não cair um em cima do outro de tanto rir. Hummel tinha o rosto enfiado na virilha de Blaine e não dava para tirar, e Blaine estava suando dos cachos na barriga de Kurt, fazendo o líquido escorrer até suas calças de moletom. Era basicamente uma posição sexual que tremia com as risadas dos dois.
A expressão no rosto de Violet rapidamente ficou séria enquanto ela reprimia mais risadas do olhar horrorizado que Finn lançava ao irmão e, ao cutucar Tate gentilmente com o cotovelo, o loiro apenas riu ainda mais, causando Kurt a olhar e tentar sair debaixo de Blaine ao ver Finn parado ali, e Quinn vermelha de tanto prender o riso. Contudo, o castanho se atrapalhou e passou sem querer o pé pela mão de Blaine, fazendo o moreno cair e, consequentemente, derrubando o castanho também.
Kurt olhou para o rosto do irmão mais velho e se levantou, corando furiosamente. Blaine estava sentado no que fora um pano de Twister, agora enrolado num emaranhado de cores primárias... e verde. O moreno endireitava o cabelo, ajeitando ao máximo o gel, mas apenas formando um topete estranho.
— Eu abraçaria vocês dois, mas estou suado demais para fazer qualquer coisa. Ugh! Eu preciso de um banho. — Alegou Kurt, suas bochechas vermelhas agora pelo calor que sentia.
— Tudo bem. Uh, vocês conhecem alguém daqui especializado na história da casa? Tipo, desde a construção e tal? — Perguntou Finn, olhando entre o irmão, Blaine, e o outro casal de loiros do cômodo. — Quinn está interessada em saber o porquê dessa casa guardar tantas almas.
— Eu conheço um cara. — Tate disse, se pronunciando. — Ele é quem construiu e morou nesse lugar pela primeira vez, até ser assassinado por sua mulher. Detalhes a parte, certo? — Todos assentiram, menos Violet. Ela já estava acostumada e não se incomodava mais com coisas do gênero. — Ele sempre está meio alto e desligado dde tudo o que acontece a seu redor, mas ele deve ter algumas respostas. Seu nome é Charles Montgomery.
— Obrigada! — Exclamou Quinn, guinchando. — Eu só quero tirar vocês daqui, gente. — Ela disse, colocando uma mão no ombro de Kurt. — Confie em mim, eu sei o que estou fazendo.
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Era tarde quando Quinn saiu, bem depois de Finn. Ele disse que precisava estudar, mas Kurt percebeu que não era aquilo. Nenhum de seus amigos estava na cidade e Rachel não morava no Alabama, então... ele deveria estar indo ver Burt. Eram cinco e quatro quando ele saiu. Kurt suspirou e chegou mais perto do Blaine no sofá aonde os três sentaram para conversar, e o moreno beijou carinhosamente sua testa.
Eles conversaram sobre a escola, a faculdade, feriados e como cada um passaria eles – no dia de ação de graças, Quinn visitaria seus pais na velha casa em que morara antes de ir para a faculdade, Kurt e Blaine pediriam a Larry, o homem que entregava-os leite e outras comidas, um peru e o assariam na noite do feriado para todos na casa, e no Natal, eles enfeitariam a casa com alguns charmes que achassem pela casa. A loira comeu uma salada de frutas antes de ir embora, pegando um táxi ali na rua e partindo para a casa de Brittany, aonde estava ficando, às nove e meia.
Kurt abraçou Blaine, puxando o namorado para ainda mais perto de si. Ele estava com vontade de chorar, mas sentia como se derramar lágrimas e beijar Blaine fossem as únicas coisas que ele fazia ultimamente.
— Ei, o que foi? — Blaine perguntou, levantando o queixo de Kurt com a ponta dos dedos. — Está tudo bem, meu amor, está tudo bem. — Sussurrou o moreno, enquanto via a batalha do namorado contra as lágrimas. — Você pode chorar, não tem problema.
— Eu- Eu só queria ver meu pai. Eu q-queria saber c-como ele está e- e abraçá-lo e falar que t-tudo vai ficar bem... m-mas eu estou aqui, entende? N-não me entenda mal, e-eu te amo e a-amo passar todos os dias com você mas eu s-só queria dar um abraço nele... um- um último abraço, sabe?
— Eu entendo, baby, eu entendo. Fique calmo, eu estarei aqui, nem que você me coloque para fora, eu voltarei. Tudo bem? — Kurt assentiu. — Vamos lá, pare de chorar e me mostre seu sorriso. — O castanho secou suas lágrimas e olhou para o namorado como se dizendo “quantos anos você acha que eu tenho?”, e Blaine rolou os olhos. — Eu só quero te ver bem, K, não me venha com esse seu olhar!
— Você me deve um brigadeiro. — Lembrou-se Kurt, se controlando para não abrir um sorriso para Blaine.
— Você me deve um sorriso. E eu não perdi! Você me derrubou!
— Eu estava com a cara enfiada entre suas bolas e sua coxa na frente de Finn! — Blaine corou à linguagem, mas sorriu. — E você atingiu o chão primeiro!
— Vamos lá fazer a droga do seu brigadeiro. — Resmungou, levantando-se e estendendo uma mão para Kurt, que finalmente deixou seus dentes aparentes em um sorriso largo.
— Só se lembre de checar se temos os ingredientes, senhor “Você Me Derrubou”. — Zombou o castanho, e Blaine revirou os olhos pela terceira vez antes de puxar o namorado para a cozinha.
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