Notas iniciais
Mais um capitulo pra vocês. Boa leitura e espero que gostem.

Mais um dia de vida.

Acordei cedo, um vento forte entrava pela janela do meu quarto. Ás 05:43 da manhã levantei e fechei a janela, pude ver a forte neblina que parecia querer esconder a rua. Peguei um casaco e desci as escadas em direção a cozinha. Preparei um café bem forte e quente, arrumei a mesa como de costume. Já ás 6:10, meu pai descia as escadas pronto pra mais um dia de trabalho.

– Lexi, já não disse que não precisa acordar cedo pra preparar o café da manhã?!

– Faço questão pai.

– Teimosa. – Sorriu dando-me um beijo na testa. – Vá se arrumar, deixa que eu termino isso aqui. – Completou tomando-me os talheres ensaboados na pia.

– Pode deixar que ...

– Não Lexi, eu faço questão. – Sorri e logo em seguida subi as escadas.

Enfiei-me de baixo do chuveiro, aquela água quente que ao mesmo tempo me livrava do frio, me trazia dor. A água quente penetrava como uma espada de fogo nos cortes da noite passada, cuja eu jurei nunca mais me martirizar.

Sei que já fiz essa promessa ontem, e anteontem, e antes de anteontem, e antes de antes de antes de antes, mas hoje seria diferente! Não iria deixar aquele vazio dentro do meu peito me consumir, nem aquela voz que atormentava meus ouvidos e minha alma ao dizer “Tire sua vida” me enlouquecer!

Saí do chuveiro, meus braços e pernas já não doíam tanto. Coloquei minhas roupas intimas, no meio do caminho do banheiro ao guarda-roupa, pude ver no espelho meu corpo martirizado, cheio de cortes e cicatrizes. “Isso não vai mais acontecer”, disse em um suspiro.

Balancei a cabeça, tentando me livrar das cenas da noite passada, meu banheiro ensangüentado. Felizmente foi uma tentativa vitoriosa.

Vesti uma roupa qualquer e segui até o banheiro. Olhei no espelho e o que vi?! Uma garota deprimida, que se cortou a noite inteira e quando decidiu dormir a insônia se manteve, e ás 04:55, quando finalmente conseguiu pregar os olhos, após a ajuda de um belo comprimido pra dormir, um tempinho depois acordou com o frio invadindo seu quarto.

– Preciso dar um jeito nessas olheiras! – Suspirei.

Corretivo, muito corretivo. Finalmente pronta pra mais um dia que eu esconderia lagrimas atrás de sorrisos.

– Lexi, desce aqui. – Meu pai gritou da sala. Peguei minha mochila e minhas chaves do paraíso, também conhecidas como celular e fones de ouvido. Desci.

– O que foi pai?

– Quer carona pra escola?

– Não, não. Vou de ônibus com o Pietro e a Luh.

– Tudo bem.

Saímos, meu pai trancou a porta e entrou no seu carro.

– Tem certeza que não quer que eu te leve? – Perguntou.

– Sim, eu tenho.

– Bom dia Lexi.

– Bom dia pai.

Vi a caminhonete do meu pai se distanciar, peguei meu celular e fones, coloquei uma boa música pra me distrair.

Um tempo depois já podia avistar o ponto de ônibus, e Pietro e Luana as gargalhadas.

– Sério que o capitão da equipe de futebol estava pegando a professora de história ontem, no fundão da biblioteca? – Luana perguntou incrédula.

– É o que dizem, mas eu não duvido nada. – Respondeu Pietro morrendo de rir juntamente com Luana. Assim que me viram, Luana disse:

– Já ta sabendo na novidade?

– Não, o que houve?

– O Rick tava pegando a senhorita Rodrigues na biblioteca!

– Isso é só mais um boato. Não acho que seja verdade. – Respondi.

– E porque não? – Pietro perguntou.

– Qual é?! Um boato igual a esse já rolou uma vez, e pelo visto era mentira. E outra, se isso tivesse mesmo acontecido a senhorita Rodrigues já nem trabalharia mais na escola ... CAMERAS!

Já na escola ...

Prezados alunos, informamos que a senhorita Rodrigues, antiga professora de história da maioria de vocês já não trabalho conosco. Já estamos providenciando um professor substituto. Obrigado pela atenção.

Por favor, senhor Rick Cooper, compareça na direção.

O diretor Cooper anunciou.

Sim, o diretor Cooper era parente do Rick, tio especificamente. Provavelmente seja por isso que o Rick aprontava tanto e não leva nada.

– Falei! Sabia que isso não era apenas um boato. – Falou a Luh.

– Uau! – Eu disse surpresa.

Fomos pra aula de biologia, sentamos nos mesmos lugares de sempre. Eu e a Luana nas penúltimas mesas do lado esquerdo da sala, e Pietro e uma menina de roupas discretas, óculos e cabelo preso – acho que o nome dela era Caroline – atrás de nós.

Acho que aquela foi a aula mais chata da minha vida, tivemos que analisar uma cebola. Depois desses dois períodos de bióloga, fomos pra mais dois de física, intervalo e por último dois de espanhol.

Já em casa ...

Peguei as chaves de dentro de um bolso da minha mochila, abri a porta, e joguei-a no sofá. Corri até a cozinha, peguei um copo de água e um comprimido anti-depressivo escondido na gaveta dos panos de prato.

“Essa é a última vez, a última!”. Tomei-o, jurando a mim mesmo, mais um vez, que aquela seria a última.

Respirei fundo e subi as escadas em direção ao meu quarto, troquei de roupa e como estava sem fome – como de costume – me joguei na cama e peguei um livro de muitos, cujo eu fazia coleção, pra tentar me distrair. A grande maioria sobre vampiros, os de mais de suspense.

“A morte é calma, pacifica. A vida é mais difícil.”

Por mais viciada que eu seja em Twilight, ler o livro pela 9ª vez se algo um tanto cansativo. Joguei-o na cabeceira e coloquei os fones de ouvido, música no último volume. Acabei adormecendo ali mesmo. Acordei a noite, com o meu celular tocando.

Ligação onn.

– Alô. Quem fala?

– Oi filha, aqui é a mamãe.

– Ah. Oi mãe.

– Oi meu amor, tudo bem?

– Sim, tudo ótimo.

– Não pude ligar mais cedo, desculpe.

– Imagina, sem problemas.

– Então, como estão as coisas por aí? Tudo certo? Você está precisando de algo?

– Está tudo correndo muito bem, mãe. Sim, tudo certo e não, não mãe. — Sorri.

– Okay. Então, as aulas estão acabando e será que você não quer vir passar as férias aqui conosco?

– Não sei, talvez.

– Promete que vai pensar?

– Sim, prometo.

Mamãe, mamãe. Quero falar com a Lexi. – Ouvi a Kate falar.

– Bem, querida. A Kate quer falar com você. Te amo, se cuida.

– A senhora também.

Pega Kate, fala com sua irmã. – Minha mãe passando o telefone pra Kate.

– Oi Lexiiiiiiii...

Para de pular Kate. – Ouvi Andrew falar.

Não paro, não paro. – Kate revidou.

– Alô? Kate?

– Ah, oi. Desculpa.

– Imagina.

– Quando você vai vir visitar agente? Tô com saudades.

– Não sei Kate, em breve talvez.

– Que ótimo. Tô louca pra pintar os cabelos das minhas barbies e fazer tatuagens.

Que tatuagens Kate? – Ouvi minha mãe perguntar espantada do outro lado da linha.

As que vem no chiclete, mamãe.

Toc, toc, toc.

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– Entra.

– Lexi, vem jantar.

– Já vou, pai.

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– Bem, tenho que desligar Kate. Manda um beijo pra todos aí, beijo especial pra você. Tchau.

– Tchau Lexi, beijos.

Ligação off.

Terminei de falar com a Kate e joguei o celular na cama, desci as escadas.

– Hum, que cheiro bom. Quem preparou o jantar?

– Claro que foi eu, Lexi. – Meu pai disse convencido.

– Pai, pedir comida italiana e colocar em tigelas bonitas não é bem “preparar um jantar”. – Rimos. – Enfim, como foi no trabalho hoje? – Completei sentando-me na mesa.

– Hoje o dia foi um pouco corrido.

– Por quê? Aconteceu algo?

– Bem, só tive que resolver alguns casos mais sérios que de costume.

– É confidencial?

– Não. Três corpos foram encontrados esquartejados na floresta.

– Nossa.

– Parece que foi um animal, ainda estamos investigando.

– Espero que não se aproxime da cidade.

– Eu também.

No dia seguinte ...

Ás 03:07 da madrugada, eu olhava pro teto tentando me livrar dos pensamentos de suicídio. Eles entravam em minha mente como o ar entrava em meus pulmões. Sei que jurei não me martirizar, mas eu não agüentava mais. Aquela voz, aquele vazio. É como se me obrigassem a fazer tal coisa. Uma navalha e toda a dor que eu sentia, ia direto para fora. Aquele sangue frio, gélido, que eu sentia escorrer pela minha pele pálida parecia levar com ele toda a dor, todo o peso.

Mais uma promessa que não cumpri. Que não consegui cumprir.

Tudo parecia ser mais forte que eu. Talvez porque tudo fosse mais forte que eu.

Peguei um pano úmido e fui limpando bem de vagar o sangue em minha pele, o sangue daqueles cortes, cortes cada vez mais profundos. Limpem o banheiro e guardei as navalhas em uma gaveta trancada a 7 chaves em meu banheiro.

– Lexi, Lexi. – Ouvi uma voz me chamar, era apenas meu pai.

– Oi. – Disse saindo do banheiro.

– Não está conseguindo dormir?

– Não, não. Eu estava dormindo, só que me deu uma vontade de ir ao banheiro, enfim. O que houve?

– Bem, recebi um chamado, preciso ir. Ah, e não se esqueça que hoje é sábado e que eu vou ficar direto no trabalho, lá mesmo eu tomo meu café da manhã. – Sorriu. – Volte a dormir Lexi. Boa noite. – Completou dando-me um beijo na testa e me cobrindo com o cobertor.

– Tchau, pai. Bom trabalho e se cuida, viu?!

– Pode deixar. – Sorriu.

Já ás 04:00 da madrugada, eu não conseguia dormir. Não havia mais aquele vazio, nem aquela voz e sim o silencio que era tão ruim quanto.

Um comprimido e logo adormeci.

Notas finais
Reviews são bem vindos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.