The Pact

2 Capitulo II - Vampire?


Meu sono foi extremamente pesado, sem sonhos, apenas escuridão. Será que é assim a morte? Vagar pelo nada, pelo silencio e escuridão para sempre?

Abri meus olhos devagar, meu corpo estava um pouco pesado e cansado, me sentei e olhei ao redor, eu estava em cima de uma grande cama, estavam dentro de um quarto muito espaçoso e bonito, com tapetes, janelas altas cobertas por cortinas, havia muitos moveis por ali, mas o que me chamou a atenção foi um espaço em frente à grande lareira, entre esta e os sofás via-se um tapete estranho, era claro e felpudo, era um pelego, me levantei e segui em direção a lareira, olhei o pelego, estava sujo de sangue e aquele cheiro forte me causou um tipo de tontura, me sentei no sofá fitando o pelego com o sangue já seco, lembrava daquele lugar, e aquele sangue era meu. Como num baque todas as minhas lembranças voltaram me lembrei que eu corria pela floresta que fui atacada e que depois encontrei com um demônio, então isso realmente aconteceu. Olhei para baixo e percebi que eu estava vestida, era um vestido simples de verde musgo escuro, poderia jurar que era de uma empregada, de tecido simples, sem mangas, duas alças caiam ao lado dos ombros, um espartilho apertado embaixo dos seios, e uma saia de corte simples descia sem detalhes, sem babados.

Senti uma pontada de dor dentro de mim, não sei o que aconteceu, mas eu sentia sede, muita sede, e por estar tão sedenta cada pedaço de meu corpo começou a doer, isso trouxe um pequeno desespero, já não estava em mim quando senti um aroma desconhecido, parecia vir além das portas fechadas do aposento onde eu estava não sei o que aconteceu, mas pareceu que meu corpo tinha vida própria, num piscar de olhos eu estava escancarando as portas e já estava nos corredores prensando uma empregada contra a parede do lugar, foi possível ouvir o som da bandeja com um lindo conjunto de chá cair ao chão e se espatifar antes que eu tampasse a boca na empregada e a prensasse contra a parede com meu corpo, foi tudo muito rápido, eu só sabia que era dali que vinha aquele aroma, parecia que eu precisava daquilo que estava naquela mulher, precisava daquilo para saciar minha sede, uma sede muito intensa que me fez sair de mim, que fazia meus ossos doerem. O que eu precisava estava dentro dela, eu sabia que estava tudo fora muito depressa quando percebi já estava cravando meus dentes na pele da jovem, senti quando meus caninos afundaram na carne macia do pescoço da jovem, vi quando a pele cedeu e eu pude sentir um liquido entrar em minha boca, suguei um pouco para que o líquido saísse mais depressa, tudo acontecera depressa, quando vi havia uma jovem inerte entre meu corpo e a parede, dei alguns passos para trás fazendo o corpo muito pálido cair pesadamente no chão já sem vida, agora eu voltava a mim, já não tinha dor, estava um pouco assustada, não sabia o que estava acontecendo, levei a mão a minha boca e vi sangue, me limpei depressa, passei a língua pelos dentes e vi que havia caninos finos e longos que aos poucos voltaram a ser de tamanho pequeno. Agora eu me sentia saciada e revigorada, mas estava um pouco assustada, o que eu fizera? Fitando aquela mulher inocente sem vida no chão entrei em desespero, eu matei um inocente? Não pude conter e um grito desesperado saiu de minha garganta, dei meia volta e sai correndo pelo corredor, lágrimas já escorriam por meu rosto, eu sabia que eu estava toda suja de sangue, sangue de alguém inocente que nunca me fizera nada. Assim que dobrei um corredor bati contra alguém mais alto um pouco que me envolveu em um abraço firme e aconchegante, uma mão acariciava meus cabelos tentando de alguma forma de acalmar.

Um chá fora servido no escritório do estranho loiro, o demônio. Assim que a empregada entrou no ambiente não consegui fita-la eu sabia que ela não era aquela mulher do incidente no corredor mesmo assim me sentia culpada. O chá fora servido e a mulher saiu nos deixando a sós. O loiro mexia com as brasas que queimavam dentro da lareira, eu estava acomodada em um sofá em frente à lareira. A única coisa que eu sabia era que aquele estranho morava em um castelo, mas não sabia em que região nem se era perto de alguma cidade.

O loiro serviu duas xícaras de chá e me alcançou uma, beberiquei devagar afinal pela fumaça que saia do liquido deveria estar muito quente, não sabia do que era, mas me agradou, era doce e leve. O demônio sentou-se ao meu lado no sofá, mas não muito próximo.

- Acho que não nos apresentamos. – Disse ele me fitando.

- Lady Isabella Baker.

- Chamo-me Duque Melchom Russell. — Disse ele pegando minha mão e dando um beijo nas costas desta, dei um leve sorrisinho para ele, era um pouco estranho sentir o toque dos lábios de um homem em minha pele, geralmente usamos luvas.

- O que aconteceu no corredor a algumas horas? – Indaguei bebendo meu chá, ainda estava um pouco nervosa pelo acontecimento, mas um banho quente e roupas novas e mais belas foram essenciais para que eu me acalmasse.

- Temos um trato não é? O único modo foi transformar a donzela em uma vampira. – Disse o Duque Russell tranquilamente.

- Vampira? — Refleti um pouco. – Terei que matar inocentes cada vez que precisar me alimentar? – Indaguei incrédula, não poderia matar sempre que tiver fome, pelo menos não inocentes.

- Não. Pode se alimentar sem causar mal as pessoas, mas tem que saber controlar-se, também pode se alimentar de animais, todo o sangue sacia a sede, mas cada tipo é um gosto diferente, e o melhor deles posso garantir que é o sangue humano. – Disse ele com um leve sorrisinho de canto.

Respirei fundo e bebi mais do meu chá.

- Agora tenho um contrato com a senhorita, deves me dar ordens que eu as cumprirei, e assim que sua vingança estiver realizada eu pego minha recompensa. – Tive um leve calafrio mas não deixei que ele percebesse.

- Onde estamos? Em que mundo? – Indaguei o fitando fixamente.

- No mundo real. – Respondeu ele. – E então quais serão suas primeiras ordens?

- Queria rever minha família, pelo menos minha irmã Charlotte, mas não sei explicar onde eu estive todos esses anos, afinal eu fora seqüestrada. Acho que quero rever mesmo minha irmã, nunca tive uma boa ligação com meus pais.

- Por quê? – O duque parecia interessado em minhas palavras.

- Queriam me obrigar a me casar com um homem que nem ao menos conhecia, vivemos em pleno século XIX, acho isso ridículo e antigo, eu acredito no amor.

Ele deu um sorrisinho parecia rir do que eu acabara de dizer, bufei e bebi meu chá.

- Quer voltar e aparecer na sociedade? – Assenti com a cabeça. – Se acredita no amor não acha que seria uma boa explicação para a sociedade que fugiu por amor? Para se casar? E apenas agora resolveu voltar?

- E eu estaria casada com quem? – Indaguei bebendo o resto de meu chá e colocando a xícara e o pires na mesinha de centro.

- Eu. — O fitei quase rindo. – Estarei ao seu lado sempre para cumprir nosso acordo, que cargo melhor do que seu marido?

- Eu havia pensado em um mordomo, mas sua explicação será a melhor que encontrarei, então preciso de um ‘marido’.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.