Notas iniciais
Oi coisinhas lindas! Este capítulo ficou mais curto, mas como vi que o anterior não estava grande coisa e era só diálogo, resolvi inserir mais descrição neste. Espero que gostem! Mil e um obrigados à Lady Salieri por favoritar, você é um amor

Gabrielle deu uma volta pela casa, com Belzebu nos braços. A verdade é que era enorme. Não tinha podido observar bem o seu interior no dia em que chegara, mas agora tinha todo o tempo do mundo. A sala onde tinha dormido tinha móveis elegantes em mogno e um sofá cor creme para sete pessoas. A cozinha era o mais moderna possível, com um frigorífico, um forno e um micro-ondas novos e uma “ilha” no centro, onde eles podiam tomar todos o pequeno-almoço sem problemas. Também havia uma sala de visitas, com sofás elegantes azuis-escuros e as paredes pintadas num tom pastel. No piso subterrâneo havia uma sala com instrumentos musicais – uma bateria, duas guitarras elétricas, um piano e uma mesa de misturas – e outra com uma mesa de bilhar, três consolas – XBox, PlayStation 4 e Wii – e uma mesa de ping-pong.

Peter também tinha dito a Gabrielle que eles tinham um jardim com uma piscina, um campo de futebol e outro de basquete.

Grande vida. E eu a mudar de um apartamento nos subúrbios de Paris para aqui. Até a mãe vai ficar com inveja quando lhe contar.

Belzebu não parecia tão contente com a mudança. Infelizmente, neste novo palácio, já não encontrava ratinhos que podia caçar.

Gabrielle não sabia o que pensar dos moradores da casa. Brian – ou Peter, é a mesma coisa – tentava ser simpático com ela, mas parecia já ter suficientes filhos com que se preocupar. Susan era simpática, mas como saber se isso não iria mudar? George e Louis tinham medo dela – não fazia ideia porquê, não tinha nada de estranho, a não ser pelo cabelo vermelho. David era… bem, David. Era o irmão dela, e eles conheciam-se desde sempre, apesar de não se terem visto durante um ano inteiro. Rachel olhava sempre para ela como se lhe fosse arrancar o pescoço. Lily e Finnick pareciam evitá-la e não tinham, ainda, falado com ela – Gabrielle perguntava-se se teria uma doença contagiosa que apenas ela desconhecia. Ou talvez fosse o acento francês. Dean, Joshuel e Gabriel pareciam encará-la como a Rainha Perdida que os ia destronar – e Gabrielle não pensava tirar-lhes nada, talvez só uma hora de duche por dia. A mais simpática era Laya, e tinham conversado durante alguns minutos, mas tudo isso graças à Coco Chanel. No final, não sabia o que pensar deles.

Talvez com o tempo a nossa relação mude.

…

Não, pouco provável.

***

Dean acreditava que tudo acontecia por um motivo. Ele acreditava que todas as ações, fundadas em acontecimentos, faziam evoluir as pessoas, e permitiam-lhes conhecer-se a si próprias e conhecer o mundo. Por isso, ele acreditava que aquela peste gótica sem-sentido tinha vindo para casa deles por um motivo bem forte.

Claramente, ela estava ali para que os irmãos pudessem usá-la como cobaia para as suas partidas.

Infelizmente, Susan e Peter tinham-nos proibido de matar a criatura das trevas. Mas, eles não tinham dito nada sobre educa-la.

Gabriel tinha uma nova lista de partidas. O que também significava que alguém ia sofrer, que cabeças iriam rolar e que as paredes ficariam manchadas de sangue.

E os irmãos já tinham escolhido a vítima deles.

***

– Rachel, há algum produto desses para tirar bichos aqui? – perguntou Gabrielle, aproximando-se a contragosto da cama da sua quase-irmã. – É que eu não quero que as minhas roupas fiquem cheias de…

– Claro – respondeu ela, com um sorriso. – Há na garagem, eu mostro-te onde fica.

Gabrielle estranhou a simpatia súbita de Rachel, principalmente porque ela tinha-lhe sorrido. Um sorriso bastante estranho e suspeito, mas um sorriso mesmo assim. Uau. Gabrielle Duchamp a fazer amigas. Inédito.

A francesa esperou que Rachel acabasse de calçar os sapatos para sair do quarto. Jesus, a garota podia queixar-se dela, mas demorava séculos a escolher umas simples sapatilhas para descer à garagem. Se não tivesse a mandar mensagens pelo telemóvel, talvez fosse menos lenta, pensou Gabrielle, mordaz. Depois olhou para os seus próprios pés, nus sobre o chão de madeira polido. Calçar ou não calçar, eis a questão. Meh. Era só uma descida rápida à garagem, seus pés nem iam notar que deixavam de pisar chão delicado por alguns segundos.

E ainda para mais, as sapatilhas ainda estavam dentro da mala. Preguiça para pegar nelas.

***

Nova mensagem de Rach:

Vou com a francesinha à garagem. Iniciem o plano.

– Águia a postos, suspeita vigiada, início do plano em três, dois…

– Oh, cala a boca, Josh!

***

Rachel e Gabrielle entraram na garagem mal iluminada. Esta última hesitou. Tinha um mau pressentimento a relação a tudo o que se estava passando.

– Onde estão os produtos? – perguntou ela, adentrando mais na garagem.

– Já aqui ao fundo – indicou Rachel, levando-a para o canto mais afastado da porta. De repente, a porta fechou-se com um estrondo e as luzes apagaram-se todas.

Gabrielle gritou, mas pôde ouvir o riso de Rachel.

– Não te preocupes, foi só um apagão e uma corrente de ar – disse ela, continuando a remexer nas prateleiras. Gabrielle aproximou-se mais dela – ou melhor, de onde vinha a voz dela – sentindo-se cada vez mais desconfortável.

De repente, sentiu uns dedos frios e – argh – molhados a percorrerem a nuca dela, enquanto uma voz cavernosa sussurrava o seu nome. Gritou de novo, empurrando a pessoa que se encontrava atrás dela.

– Não tem piada, David – disse ela, ao empurra-lo com força. Virou-se para onde deveria estar Rachel e sussurrou o nome dela. Ninguém lhe respondeu. Sentiu dois pares de mãos tocarem-na – ela ainda tinha de descobrir como eles faziam para vê-la – e empurrou-os, não sem antes ter soltado um gritinho. – O próximo que me toca leva um soco, idiotas!

Aproximou-se mais das prateleiras, mas não calculou bem a distância e a sua mão foi embater-se numa delas. Ouviu-se um estrondo e o barulho de coisas a cair ao chão – e algumas a partirem-se.

– Puta que pariu, o que é que a francesinha fez? – perguntou alguém alto. Gabrielle não conseguia distinguir as vozes. Deu um passo em frente, e o seu pé calcou justamente uns cacos que estavam no chão.

– Merde! – xingou ela, em francês. – Putain de merde, fait chier, merde, merde, merde… Ai!

Caiu ao chão, ainda segurando o pé magoado. A porta da garagem abriu-se e sentiu umas mãos segurarem-na debaixo dos braços e levantarem-na.

– Consegues andar? – perguntou a pessoa que a segurava.

– Achas mesmo, David? – retorquiu ela, irritada, com o seu acento francês mais carregado. – Acabei de amputar o pé com as vossas brincadeiras. Quando conseguir andar, eu…

– Então, ainda bem que eu não sou o David – respondeu ele, levantando-a e levando-a ao colo até ao andar superior. Quando voltou a haver luz, Gabrielle notou que quem a segurava era Dean. Pelo menos, foi o mais bonitinho.

Ele olhou para ela, e riu-se da expressão emburrada no seu rosto. Braços cruzados, boca torta e o seu melhor olhar assassino, bem ao estilo francês.

– Podes continuar a xingar, gostei do “accentô français” – disse ele, rindo. Ela deu um tapa nele mas sorriu levemente.

David chegou e pegou nela, levando-a até ao banheiro. Ela choramingou enquanto ele lhe tirava os vidros dos pés e os seus meios-irmãos assistiam. E depois, como vingança, ficou o resto do dia deitada no sofá de sete lugares com a televisão ligada na MTV, enquanto os outros lhe levavam comida.

Ser uma diva é ótimo. Mas ser uma diva francesa é ainda melhor.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não se esqueçam, todo autor é movido a comentários e bolachinhas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.