Notas iniciais
Oi possíveis leitores! Então, tive a ideia pra essa história numa aula de Economia e Mercado, comecei a escrever durante uma aula de Física e terminei numa noite de insônia enquanto queimava a língua com chá de cereja. Espero que vocês gostem! Como disse foi baseada na música da Tay, então se alguém quiser ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=8ykwGC0KX0A
Sim, a capa ficou péssima mas não, eu não sei fazer algo melhor. Estou aceitando o fato!
Enjoy!

“Eu te odeio Noah! Por Deus, como você consegue ser tão frustrante?” gritei com Puck que estava sentado na minha frente. Ele abriu a boca pra responder então eu respirei fundo e voltei a falar. “Não importa ok? Não importa porque eu me cansei dessa discussão. Chega. Dessa vez foi o bastante pra mim.”

Bufei alto e me virei deixando a sala e subindo as escadas rapidamente. Meus saltos faziam barulho contra o assoalho de madeira enquanto os passos de Noah tentavam acompanhar meu ritmo.

“Quinn!” ouvi Puck chamar atrás de mim e bati a porta do meu quarto com força antes de trancá-la. “Amor, não faz assim. Abre essa porta.”

“Nem tente me dizer o que fazer Puckerman!” respondi alto enquanto revirava minhas gavetas em busca de um pijama.

“Baby, vamos conversar e resolver isso como adultos.”

“Ah, então agora eu sou infantil? Frustrante Noah Puckerman. Frustrante.” Revirei meus olhos, puxei meu jeans e camiseta e joguei-os no chão irritada antes de vestir a camisola branca.

“Não é isso Q.” o ouvi suspirar e bater contra a porta levemente. “Escuta, você quer que eu vá embora?”

“Faça o que você quiser Noah. Não é assim que as coisas funcionam por aqui?” bufei novamente e me enfiei embaixo dos cobertores desligando o abajur da cabeceira.

“Claro que não princesa, você sabe disso.” Apertei os olhos com força sabendo que irritada como estava eu poderia continuar aquela discussão por horas e depois terminar tudo entre nós, então mordi o lábio inferior e me controlei pra não responder algo do qual me arrependeria depois.

“Se você quer tanto ir então vai Puck. Vá pra casa, pra lua, pro inferno, tanto faz. Ao que parece qualquer lugar é melhor do que ao meu lado mesmo.” Respondi firme sabendo que se ele ficasse ali seria pior.

“Tudo bem Q, eu vou deixar você se acalmar e nós conversamos depois, ok?” ouvi quando ele suspirou e sabia por experiência que ele estava passando a mão nervosamente pelo cabelo. “Boa noite, descanse e não me odeie.”

Levou mais alguns segundos e então eu ouvi seus passos se afastando pelo corredor e descendo as escadas. Saltei da cama e corri até a janela, abrindo-a a tempo de vê-lo entrando no carro.

“É incrível como você desiste sempre tão rápido Puckerman! Mas faça isso, entre nesse carro e vá embora, mas saiba que eu não preciso de você!” gritei sem sequer conseguir vê-lo na escuridão da rua. “Me ouviu? Eu não preciso de ninguém que não queira estar na minha vida!” fechei a janela no exato momento em que os faróis de seu carro foram ligados e enxerguei quando ele lançou um olhar pra janela onde eu estava antes de acelerar e deixar a rua sob a chuva que começava a cair sobre Lima.

Bufei de raiva mais uma vez e voltei pra minha cama, mas batidas na porta foram ouvidas antes que eu pudesse me deitar.

“Quinnie, sou eu.” Minha mãe chamou e eu caminhei até a porta e acendi a luz pra destrancá-la. Minha mãe estava com os braços cruzados sobre o robe preto, os cabelos loiros soltos e um olhar preocupado. Eu estendi uma mão pra que ela segurasse e a puxei comigo até a cama onde me deitei sobre seu colo.

“Você está bem? Eu já estava deitada quando ouvi toda essa gritaria e resolvi vir ver o que era...” Ela começou explicar afagando meus cabelos levemente.

“Eu e Puck discutimos.” Disse sem deixá-la terminar de falar.

“Sim, essa parte eu entendi. O que aconteceu?”

“Ele me disse que está indo pra Los Angeles logo depois da formatura.” Respondi enquanto minha mãe puxava as cobertas sobre nossas pernas nuas.

“E você não quer que ele vá?” eu balancei a cabeça negativamente. “Bem querida, você mesma está indo pra New Haven.”

“Eu quero que ele venha comigo. Eu o chamei pra vir comigo, mas ele está cego demais fazendo planos pra Los Angeles. Planos nos quais não estou inclusa!” apertei os olhos me impedindo de chorar.

“Quinnie, Noah sabe que seu futuro está em Yale. Você está indo seguir seus sonhos e seria injusto demais impedi-lo de fazer o mesmo.” Ela respondeu calma enrolando uma mecha de meu cabelo no dedo. “Eu sei que isso é difícil, eu já passei por isso também! A ideia de ter quem amamos distante é insuportável, mas a gente precisa aceitá-la pra que possamos crescer. Eu já estou sofrendo em antecipação o dia em que você entrará em um avião com destino à New Haven, filha!”

“É diferente.”

“Não, não é. A história é a mesma a única coisa que muda são as personagens. Tudo que vocês precisam fazer é escolher seguir suas vidas separados ou tentar fazer isso juntos de alguma forma. Mas qualquer decisão requer uma conversa séria.”

“Eu queria conversar, mas ele foi embora mamãe!” a primeira lágrima escorreu por minha bochecha em uma mistura de raiva e frustração e os dedos de minha mãe foram ágeis em secá-la.

“Bebê, você consegue ser bem teimosa quando quer e pelo que eu ouvi você era a única gritando pra ele ir para o inferno e dizendo que não precisava dele.” Ela sorriu fraco.

“Eu estava errada.” disse fechando os olhos.

“Eu sei, agora é pra ele que você precisa dizer isso. Mas amanhã, ok? Amanhã vocês vão conversar e resolverão isso tudo da melhor maneira. Agora você vai descansar!” ela bateu o indicador no meu nariz levemente e eu me sentei pra que ela pudesse se levantar, me deitando novamente assim que ela o fez.

"Eu vou ligar o aquecedor porque está muito frio aqui. Vi no noticiário que a temperatura vai cair drasticamente essa madrugada.” Acompanhei com o olhar enquanto ela verificava se todas as janelas do quarto estavam fechadas e então utilizava o controle do aquecedor de ar para ligá-lo. “Durma bem, Quinnie.” Ela arrumou minhas cobertas e beijou minha testa antes de caminhar até a porta.

“Obrigada mamãe. Eu te amo.” Disse abraçando um dos travesseiros.

“Eu te amo mais, Quinn.” Ela respondeu antes de desligar a luz e encostar a porta.

Meu celular piscou ao meu lado e eu o peguei observando surpresa que tinha 12 chamadas não atendidas, 4 recados na caixa postal e 9 mensagens de textos; todos de Puck.

Coloquei o travesseiro sobre o rosto pra abafar o grito de irritação que soltei logo em seguida.



Um barulho baixo mas constante invadiu meu sono e eu me remexi na cama sonolenta sem dar importância, imaginando ser só a chuva. Achei que houvesse parado porém menos de um minuto se passou e o barulho voltou agora mais alto, suspirei irritada e coloquei um dos travesseiros sobre a cabeça antes de deixar o sono dominar meu corpo mais uma vez.

“Quinnie?” a voz de minha mãe era quem me acordava agora e eu bufei. Por que o mundo estava conspirando contra o meu descanso? “Quinn?” ela chamou mais alto chacoalhando o meu ombro levemente.

“Ela nunca teve o sono pesado, acho que realmente estava cansada! Deixe-me tentar, eu passo por isso todos os dias.” Ouvi a voz de Rose, que trabalhava em nossa casa desde que nasci, próxima de mim. “Quinn, acorde menina.” a mulher chamou passando a mão pelos meus cabelos. Agarrei mais o travesseiro ao qual estava abraçada.

“Por Deus, Quinn! Será que dá pra você acordar?” minha mãe falou mais alto agora e eu senti uma gota de irritação em sua voz.

“Hm?” me dei por vencida sabendo que elas realmente não me deixariam dormir. Abri os olhos relutante e peguei meu celular sob os travesseiros pra olhar a hora. “Vocês sabem que são três da manhã, né?” perguntei cobrindo o rosto com os cobertores.

“Ótimo saber, querida!” minha mãe exclamou com sarcasmo enquanto puxava minhas cobertas.

Gemi irritada enquanto sentava na cama passando a mão pelos cabelos “Posso saber o que está acontecendo?” encarei as duas mulheres em seus pijamas paradas na frente da minha cama. Mamãe tinha os braços cruzados sobre o peito enquanto Rose levava a mão até a boca pra cobrir um bocejo.

“Ah, você quer saber o que está acontecendo?” ela perguntou enquanto acendia meu abajur. “Está acontecendo que eu realmente gosto do meu genro, mas se ele não deixar eu e Rose dormirmos eu vou ter o prazer de estrangulá-lo.”

Meus olhos dobraram de tamanho enquanto tentava entender as palavras de Judy. O único genro de minha mãe na cidade era Puck, mas o que isso queria dizer? “Sobre o que extamente a senhora está falando?” busquei uma explicação no olhar sonolento das mulheres e não encontrei nada além de sono. E irritação.

“Sobre isso!” minha mãe caminhou até a janela e eu a segui, automaticamente sentindo falta da minha cama e sua temperatura agradável. Quando parei na janela descobri o que era o barulho que estava me incomodando quando pequenas pedrinhas se chocaram contra o vidro molhado. Desci meu olhar e lá estava Puck sob a garoa, parado ao lado do carro vermelho, atirando pedras à janela do quarto e gritando algo que eu não entendia. “Do meu quarto dava pra ouvir os gritos dele e eu posso jurar que ele até cantou o refrão de alguma música tosca dos anos 80!” mamãe disse.

“Ele só pode ter enlouquecido!” exclamei sem conseguir desviar o olhar do garoto.

“Provavelmente, mas será que você pode, por favor, dar um jeito nisso? Eu preciso ir trabalhar amanhã cedo, Quinn!” ela segurou meu rosto com ambas as mãos e eu tive a impressão de que ela iria chorar a qualquer momento.

“Sim, eu vou tentar.”

“Obrigada! Eu vou me deitar agora. Faça seu namorado calar a boca ou eu vou ligar pra polícia!” ela disse beijando meus cabelos e saindo do quarto. Olhei pra empregada que ligava as luzes e sorri envergonhada como sempre que fazia algo errado. Sussurrei um “sinto muito” e ela revirou os olhos e sorriu de volta, beijando minha bochecha carinhosamente antes de também deixar o quarto.

Abri uma das janelas e senti meus ossos doerem quando o vento gelado invadiu o quarto. Desviei de uma das pedrinhas jogadas na direção da janela e bufei irritada. “O que infernos você tá fazendo Noah?” gritei sabendo que minha mãe não ficaria feliz com aquilo. Ele finalmente me viu e acenou pra mim sorrindo.

“Eu te amo Quinn Fabray!” ele gritou de volta. “Eu estou completamente apaixonado por você então será que tem como você parar de ser má comigo?”

“Você está louco Puck!” gritei revirando os olhos mas sem conseguir evitar sorrir.

“Sim, por você!” ele gritou mais uma vez enquanto dava pequenos pulos no lugar agitando as mãos acima da cabeça. Como se ficar cantando no meio da garoa durante a madrugada mais fria da estação não fosse suficiente. “Eu te amo, quero que Lima inteira saiba disso!” eu ri da ação infantil e fiz um gesto pra que ele esperasse um pouco, então fechei a janela e caminhei apressada até a sala.

“Você demorou amor, estava muito frio lá fora.” Ele disse me abraçando na varanda de entrada assim que abri a porta. Sua jaqueta de couro molhou o tecido leve da camisola e eu gemi com a água gelada em contato com minha pele.

“Eu não estava ouvindo, mas sua sogra ouviu e não ficou muito feliz!” ele deu de ombros envergonhado e eu me afastei pra encará-lo. “O que você está fazendo aqui Puckerman?” encostei contra a porta e cruzei os braços encarando-o séria.

“Você não atendia minhas ligações nem respondia minhas mensagens.” Ele respondeu simples e óbvio como se estivesse dizendo que a Terra é redonda. Ou que biscoitos de manteiga de amendoim são feitos com manteiga de amendoim.

“Bom, porque eu achei que o plano, seu plano, diga-se de passagem, era deixar eu me acalmar e eu definitivamente não estava calma com tudo aquilo!”

“Eu não conseguia dormir. Não consigo dormir brigado com você.” Ele disse depois de algum tempo e eu sorri antes de me render, tomar seu rosto entre as mãos e colocar-me na ponta dos pés pra beijá-lo. Antes que eu me desse conta uma de suas mãos me apoiava pela cintura e a outra se perdia no meu cabelo enquanto sua língua tentava invadir minha boca, o que eu impedia apenas pra ter o prazer de provocá-lo. Sorri entre o beijo pela sua insistência e ele aproveitou o momento pra fazer sua língua encontrar a minha de forma deliciosa. Quando enfim nos separamos ele me sorriu doce e eu arqueei uma das sobrancelhas. “Você não me odeia de verdade, não é?” perguntou cutucando a região das minhas costelas.

“Como eu poderia?” revirei os olhos e o puxei pra dentro de casa. “Vai dar um jeito nessas suas roupas molhadas enquanto eu preparo algo quente pra nós.”

“Posso dar um jeito nas suas também...” ele me sorriu malicioso e eu revirei os olhos mais uma vez.

“Você é inacreditável!” ri me dirigindo até a cozinha.


“Mas Quinn, foi você quem me mandou embora!” Puck acusou rindo.

“Eu sei, mas não era pra você ter ido!” tomei outro gole do chá quente. “Eu não queria que você fosse!”

“Vocês mulheres são tão complicadas!” disse enquanto se encostava melhor aos travesseiros e me trazia pra mais perto.

“Eu achei que você me conhecia depois de todo esse tempo juntos, Noah!” bebi o último gole do chá e depositei a caneca no criado mudo onde a de Puck já estava.

“Eu te conheço melhor do que ninguém, conheço seu corpo melhor do que você mesma, sou um expert em tudo que diz respeito a Quinn Fabray!” eu ri mais uma vez e ele passou um braço pelos meus ombros fazendo com que eu me deitasse sobre seu peito.

“Eu juro que se vocês não calarem a boca agora eu não vou deixar que se vejam pelo resto do mês!” minha mãe gritou do outro quarto fazendo eu e Puck rirmos ainda mais.

“Vamos dormir, ok? Essa é a terceira ameaça que elas faz e as duas anteriores envolviam sua morte e sua prisão!” eu disse arrumando as cobertas enquanto Noah riu e esticou o braço sobre mim pra desligar o abajur. “Durma bem amor.” Selei nossos lábios rapidamente e grudei meus braços em sua cintura buscando me aquecer mais.

“Boa noite Quinn.” Ele disse depositando um beijo em meus cabelos. "Boa noite Judy!" ele gritou rindo e eu revirei os olhos.

"Que seja, Puck!" ela gritou de volta e eu sorri fechando os olhos quando tudo ficou em silêncio. Ou não.

“Quinn?” Puck chamou novamente quando eu já estava quase dormindo.

“Sim?” respondi sem abrir os olhos.

“Eu estava pensando e... eu não vou mais pra Califórnia. Eu quero ir pra New Haven com você. Se você quiser, é claro.” As palavras me fizeram despertar totalmente e eu levantei a cabeça pra poder olhá-lo.

“É claro que eu quero, Puck! Mas eu também pensei e não quero que você desista dos seus planos por mim. Nós podemos achar outras formas e...”

“Se você também quer então minha decisão está tomada. Nós vamos fazer isso. Juntos.” Ele se apressou em dizer antes que eu pudesse terminar.

“Eu te amo Noah.” Me inclinei e beijei-o novamente sentindo-me de repente tão feliz e tão segura como nunca. “Posso saber o que te fez mudar de ideia?” perguntei hesitante.

Ele acariciou meus cabelos levemente. “Bem, eu decidi que a cidade das estrelas não vai ser tão interessante se eu não tiver a estrela mais linda e a que eu mais amo ao meu lado.” Respondeu e então levou os dedos até a lateral do meu rosto, acariciando a pele levemente. “Los Angeles pode ter o céu mais estrelado sobre mim, mas somente o brilho dos seus olhos é capaz de me fazer sentir em casa.”

E antes que pudesse evitar senti as lágrimas quentes escorrerem por minhas bochechas. Puck limpou cada uma e depois beijou as bochechas molhadas antes de me abraçar mais forte contra seu corpo. Escondi meu rosto em seu pescoço e fiz uma promessa silenciosa a mim mesma: por mais brigas que houvesse, porque sempre haveria, eu nunca deixaria Puck sair do meu lado, pois, caso contrário, eu estaria incompleta.

"Ei, não quero que você chore. Eu estou aqui." ele sussurrou esfregando as mãos na lateral do meu corpo.

Sim, ele estava. E desde que ele estivesse nada mais importava. Noah Puckerman era tudo o que eu precisava.

Notas finais
Então, o que acharam? Eu sei que não é nada grandioso mas me diverti muuuuito escrevendo então espero que tenha feito vocês sorrirem tanto quanto a mim! Me escrevam com suas opiniões, combinado?
E se você chegou até aqui, palavra por palavra, eu já me sinto imensamente agradecida e meio que já sou apaixonada por você! Meu muito obrigada!
Estou escrevendo uma short também Quick (ou Puckinn!) que se passa na década de 40, durante a II Guerra Mundial (mas não é ambientada na guerra)e estarei postando em breve e isso é tudo que posso dizer por enquanto! Espero ver vocês aqui novamente!
Obrigada, mais uma vez.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!