The Only One
1 Brown Eyes
Notas iniciais
— Você ta atrasada! – resmungou Laila, saindo de traz do balcão e vindo em direção a garota.
- Não enche Laila! – ela disse correndo em direção a ruiva, tirando seu sobretudo, e entregando a amiga.
- se troca logo... o lugar ta cheio hoje! – ela disse, seguindo a loira pra dentro da cozinha, e logo em seguida para o vestiário.
— Bom dia Charlie! – Quase todas as meninas de lá diziam juntas.
— Bom dia meninas! – ela respondia sorrindo, indo ate seu armário e o abrindo pegando seu uniforme, uma blusa branca polo, com 5 botões ate o peito(deixando, como sempre, 3 desses botões abertos), uma saia xadrez azul e amarela. Como estava frio, pegou também a jaqueta grossa, parecida com a dos garotos do futebol de sua antiga escola. Ela era branca. na barra da blusa, na ponta das mangas e na gola da jaqueta, haviam três listras, duas azuis e uma amarela ao meio delas, e na parte esquerda da jaqueta, bem no peito, haviam as iniciais C.M. que se referiam ao nome completo da garota. Charlie Magolly. Soltou seu cabelo, liso e de um tom loiro bem claro, arrumando sua franja que era um pouco menor que seu cabelo, enquanto ele passava de sua cintura, sua franja chegava somente ate um pouco abaixo do queixo. Ela a jogou para traz, fazendo com ela caísse levemente, e com que uma parte dela, cobrisse um pouco o canto de seu olho direito. Tirou sua bota e colocou uma simples “sapatilha” azul marinho, do mesmo tom de seu uniforme. Depois se olhou no espelho, passando uma leve sombra rosa clara sobre seus olhos azuis safira, e depois um batom bem claro. Se olhou um pouco no espelho e então saiu de la, indo em direção ao balcão, onde Laila a esperava segurando uma badeja preta em mãos.
— Foi rápida! – ela disse sorrindo.
— é um dom! – disse a loira sorrindo.
Laila e Charlie eram melhores amigas desde que a garota começou a trabalhar ali no café a três anos atrás... em seus 16 anos de idade. Desde aquela época, as duas são inseparáveis! Laila é um pouco mais alta que Charlie, devia ter seus 1,70 de altura. Tinha cabelos longos e levemente enrolados, que iam ate sua cintura, repicados e de um tom bem vermelho. Uma franja que chegava ate em baixo de suas sobrancelhas. Olhos cor de mel. Ela usava o mesmo uniforme de Charlie, porem sem a jaqueta, e com uma tiara amarela no cabelo.
— você vai na mesa 7, ou eu vou na mesa 7? – perguntou a loira segurando a badeja assim como a ruiva.
-hm... vai voce! To com preguiça! – disse ela se apoiando no balcão.
— voce sempre ta com preguiça Laila! – disse Charlie olhando sua amiga.
— Fazer o que neh!? Agora vai la pegar os pedidos vai... – disse Laila a empurrando. Charlie simplesmente revirou os olhos, já estava acostumada com isso. Laila sempre foi assim, louca, engaçada, folgada e preguiçosa! Mas era por isso mesmo que as duas eram melhores amigas!
O dia no café foi rápido, na realidade sempre era! Charlie adorava trabalhar ali! Fora ter todas as suas amigas com você o dia todo... ainda usava um uniforme lindo, e podia ficar observando os lindos garotos entrando e saindo do café.
16:00, o relógio marcava. “uma hora pra ir pra casa!” pensou a loira.
— Charlie! – chamou Emily Mobietty, uma senhora de cabelos grisalhos, já em seus 60 anos de idade, esperando pelo café que Charlie trazia em sua bandeja. Emily conhece Charlie desde pequena, e sempre cuidou dela como se fosse sua própria filha, afinal, antes do acidente, a mãe da Charlie quase nunca estava em casa, por trabalho ela sempre viajava, e Emily como amiga da família, sempre cuidava da garota!
— Já vai! – gritou Charlie parando de encarar o relógio e indo em direção a mesa. – aqui esta senhora Mobietty... – disse ela, colocando o café na mesa.
— Charlie, quantas vezes já disse para me chamar de Emily? – ela falou sorrindo.
— me desculpe... mas é impossível! Passei tempo demais da minha vida te chamando de senhora Mobietty, simplesmente não consigo te chamar de Emily agora! — Charlie confessou sincera.
— tudo bem querida... – a senhora disso olhando carinhosamente para Charlie, que sorria realmente feliz. – e sua mãe... como esta? – a expressão da loira mudou no mesmo momento, sua mãe havia sofrido um acidente de carro a 2 meses atrás, e ainda estava em coma no hospital. Os médicos diziam a Charlie que não sabiam se a mãe dela acordaria logo ou não, simplesmente pedem a garota que se acalme e que somente, espere!
— indo... – respondeu ela, voltando o sorriso no rosto.
— Ela não deu nenhum sinal de que iria...
— não... ela continua... igual! – disse Charlie encontrando os olhos castanhos escuros de senhora Mobietty.
— desculpe-me querida... fiz você lembrar de sua mãe, não deve estar sendo fácil pra você.
— não, tudo bem, eu estou bem! – mentiu Charlie sorrindo, então desviou seu olhar para a grande vitrine em frente da loja, e se deparando com uma mesa, bem em frente a ela, a mesa numero 1, ou melhor, no garoto que estava sentado nela, ele tinha uma expressão triste no rosto, e olhava atento o por do sol de Londres pela vitrine do Café. – com licença senhora Mobietty, tenho que continuar meu trabalho! – disse simpática.
— Va La Charlie! Melhoras para Lauren! – disse ela carinhosa como sempre. – Charlie somente sorriu, e então começou a andar em direção ao balcão, ate que parou no meio do caminho, e olhou novamente o menino, que agora encarava os guardanapos em sua Mao. Ela respirou fundo, então indo ate ele.
— ei... – chamou uma vez, mas ele pareceu não ouvir. – ei... – ela disse novamente, e ele também não escutou. Charlie então se inclinou bem, chegando bem perto do rosto do garoto, que por sinal, era bem bonito. – Ei! – chamou, assim fazendo o garoto a olhar confuso, e ficar com o rosto muito próximo do dela. – Tudo bem?
— ah... hã? – ele parecia muito confuso.
— tudo bem com você? – ela perguntou falando lentamente, fixando os olhos castanhos do garoto.
— sim... eu to bem... porque? – ele pergunto ainda confuso.
— ah... porque você ta ai olhando os guardanapos, com uma cara que voce não faria se estivesse bem! – Charlie disse, finalmente se distanciando do garoto, e colocando uma das mãos no bolso da jaqueta.
— ta tão na cara assim? – ele perguntou olhando agora a garota.
— na verdade... ta sim! – ela disse sorrindo. Ele então sorriu também.
— tem razão, eu não estou nada bem! – ele disse voltando a olhar a janela.
— quer conversar? – perguntou ela. Ele a olhou confuso.
— você não esta trabalhando?
— você é meu ultimo cliente do dia, então... você tem toda a minha atenção! O que te aconteceu? – perguntou Charlie colocando a bandeja na mesa e se apoiando, olhando atenta o menino, de curtos cabelos castanhos um pouco bagunçados, que usava uma calça jeans, um tênis, e uma camisa xadrez marrom. Ele riu.
— ok... a minha, minha namorada terminou comigo! – ele disse parecendo triste.
— isso faz quanto tempo?
— 2 dias... e ela nem me contou o porque... – ele disse ficando mais triste ainda, ou pelo menos parecendo.
— você gostava muito dela? – Charlie perguntou .
— muito... acho ate que amava ela! Mas, acabou... –ele disse voltando a olhar a loira.
— não fique assim por causa dela... se não foi ela, tenho certeza de que será alguém bem melhor! – Charlie disse sorrindo, fazendo assim o garoto sorrir logo em seguida. Charlie entao pegou sua badeja e suspirou. – vai querer alguma coisa?
— não... – ele disse sorrindo também.
— ok... – disse ela saindo de La, e indo ate o balcão, onde Laila a olhava atentamente.
— quem é o deus grego? – perguntou a ruiva sem desviar o olhar do moreno.
— não sei...
— como não sabe? Não perguntou o nome dele? – Perguntou Laila com olhos arregalados para Charlie.
— e porque perguntaria? Ele é so mais um cliente Laila! – disse Charlie.
— So mais um Cliente muito lindo! Loira, olha so pra ele! Ele é tipo... meu deus!- dizia Laila se abanando com a Mao. Charlie riu.
— Laila.. faz ai um capuchino bem caprichado! – disse a loira.
— ué, pra que? – perguntou a ruiva, já pegando o copo.
— você vai ver! – somente disse isso.
Quando o capuchinho ficou pronto, Charlie o pegou, e o levou ate o garoto, ainda com a mesma expressão triste de antes. Deixando ele em cima da mesa e fazendo o menino a olhar confuso.
— eu não pedi isso... – ele disse.
— eu sei!
— entao porque você...
— você continua triste... e nosso capuchinho é um dos melhores da região, ele deixa as pessoas felizes, e você ta precisando de um pouquinho de alegria! – ela disse sorrindo mais ainda. – Gosta de Capuchino neh?!
— gosto... – disse ele ainda olhando atento a garota.
— que bom... entao beba e melhore essa carinha, ok?! – disse ela saindo, mas parou no meio do caminho e o olhou novamente. – ah... é por conta da casa! – ela disse ainda sorrindo, quando ia começar a andar novamente, pode ouvir ele a chamando.
— ei... – ele gritou. Ela entao se virou, o encarando.
— o que foi? – ela perguntou simpática.
— qual seu nome? – ele perguntou agora sorridente.
— Charlie! – ela disse, entao saindo dali.
A uma hora passou, as garçonetes que restaram no local começaram a limpar as mesas do café. Charlie já havia limpado duas mesas, então chegando na mesa na qual o garoto de antes havia sentado. E encontrando exatos seis e vinte dólares do capuchino de antes.
— teimoso... eu disse que era por conta da casa! — sussurrou Charlie para si mesma, entao notando um uncio guardanapo em baixo do dinheiro, ela entao o pegou, e abriu.
“Charlie,
Voce realmente me ajudou... aqui tem o dinheiro do capuchinho de antes, eu sei que era por conta da casa mas, eu insisto em pagar! Pense que é como uma gorjeta pra você! (:
Obrigado por tudo...
Liam.”
Charlie terminou de ler o papel, e entao o dobrou, segurando firme em suas mãos.
— Liam... – disse ela baixinho.
— Charlie, você vem ou não vem? – perguntou Laila, esperando a loira com seu sobretudo nas mãos.
— to indo! – disse a garota, pegado o dinheiro na mesa e indo em direção a amiga. “Liam... quero vê-lo outra vez...” essa era a única coisa na qual a garota conseguia pensar naquele momento.
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