The Only One

7 Cap. VII — Stop the World


Notas iniciais
Oi gente, como estão? Bem, espero que estejam gostando da fic. Talvez eu demore para postar aqui por um tempo por causa da minha outra fic que estou escrevendo (I Feel Pretty Unpretty, podem ir procurar :D) e por conta da minha imaginação, mas enfim... Espero que realmente gostem desse capítulo, e vejo vocês lá em embaixo.

Quinn se remoia dentro do quarto. Não deveria ter mandado aquela mensagem, nunca. Rachel era frágil, se assustaria e jamais voltaria a falar com Quinn — mesmo que tecnicamente elas não tivessem trocado uma palavra depois de seu retorno à sociedade. Agora, pensou a garota amargurada, seria o momento perfeito para que Rachel transasse com Finn.

Ela deu um grito exasperado, caindo na cama com o rosto no travesseiro, as lágrimas descendo sem piedade. Se não tivesse se isolado, se não tivesse sido burra o bastante para perceber que aquele mês poderia mudar tanta coisa... Talvez Rachel estivesse deitada naquela mesma cama com ela, feliz como jamais tinha estado na vida. Rachel pertenceria a Quinn, e finalmente alguma coisa teria dado certo na vida da garota punk.

Ouviu a campainha tocar, mas não deu atenção. Judy saíra com algumas amigas do trabalho e não tinha hora para voltar, o que significava que o visitante morreria ali e não seria atendido.

O barulho se fez ouvir novamente. Quinn bufou, irritada, porém permaneceu deitada. Somente quando os toques se tornaram insuportáveis de se ter durante uma crise depressiva, a garota criou coragem para sair da cama.

Ela desceu as escadas lentamente, tentando limpar o rosto nas costas das mãos, não se preocupando se assustaria ou não a visita com seu lápis borrado. Gritou com a porta, dizendo que já ia lhe atender, fazendo a campainha calar-se. Ao abri-la, seu coração foi parar na garganta.

Rachel estava parada no portal de sua casa com uma expressão melancólica. Aquela Rachel Berry, que Quinn amava, na sua frente depois de tudo que aprontara. A punk levou alguns minutos para reagir, assumindo sua postura agressiva e dizendo asperamente:

— O que foi Berry? O Hudson não deu conta?

Rachel pareceu magoada com a menção de Finn tão acidamente pela outra garota. Quinn não se importou. Qualquer insulto direcionado a Finn Hudson era muito bem vindo.

— Não... Quer dizer, Finn e eu não... — A morena corou até as orelhas ao ter que admitir aquilo. — Nós não... Não transamos, beleza?

Uma tonelada de sentimentos malignos para com Finn pareceu sair do peito de Quinn. Ela quase respirou aliviada se não fosse sua pose de superioridade e desprezo.

— E espera que eu termine o que ele sequer começou? — indagou teatralmente, esperando que Rachel dissesse sim.

Rachel ficou, se é que era mais possível, mais vermelha.

— N-não — respondeu ela, baixando os olhos. — Quinn, e-eu não vim aqui para discutir sobre Finn Hudson.

— E o que quer, então?

— Você.

Rachel falou tão baixo que Quinn poderia ter ignorado. Mas aquela única palavra soprada por aqueles lábios carnudos não passou despercebida. Ela quase não acreditou. Rachel estava ali, pedindo por ela. Quinn deu um meio sorriso sacana, que acabou por arrancar uma risada tímida da morena.

— Entre — convidou Quinn de repente, cheia de segundas intenções. Ela se espremeu na porta para que a outra entrasse.

Quinn sorriu convidativa, e Rachel não teve outra escolha senão entrar na mansão Fabray, ainda um tanto acanhada. Assim que fechou a porta e virou-se para observar a casa, encontrou uma Quinn muito sedutora a centímetros de distância. A morena arfou, se embebedando com o perfume da garota.

— Quinn... — gemeu Rachel.

A Skank sorriu agressivamente, pressionando Rachel contra a porta de entrada. Quando seus corpos se tocaram, Quinn sentiu-se mais viva que nunca. Em razão disso, colou seus lábios nos de Rachel num selinho calmo e demorado. Ela sabia que seria a única coisa lenta da noite.

Rapidamente, elas aprofundaram o beijo. A boca de Quinn sentia falta de Rachel, sentia falta do calor que ela emanava, dos ataques de safadeza que ela tentava conter. Rachel Berry era viciante. E por isso, logo o ar lhe faltou. Quinn buscou o pescoço de Rachel enquanto a morena soltava gemidos fracos, como se esperasse que Judy abrisse a porta em que se espremiam.

Contudo, nenhuma Fabray mais velha apareceu. Eram apenas Rachel e Quinn naquela noite. Ainda entre beijos quentes, Quinn puxou a morena para que subissem as escadas. A expressão de Rachel estava confusa com os movimentos da garota punk, o que a fez tropeçar antes do último degrau. Quinn caiu sentada com Rachel no seu colo. As duas se encararam e riram.

— Talvez seja melhor esperarmos até estarmos no quarto — disse Rachel, distribuindo beijos e mordidas no rosto de Quinn, que riu e concordou.

Quinn agradeceria mais tarde por ainda estar com a fisionomia e a força de qualquer Cheerio mesmo após ter passado tanto tempo da sua saída do grupo. Com agilidade, ajeitou Rachel no colo e se levantou para levá-las ao quarto. A morena se agarrou ao pescoço de Quinn, arranhando-a e mordendo o lábio com desejo.

Finalmente Quinn abriu a porta de seu quarto, que parecia muito mais acolhedor com Rachel nele. Ela desceu a morena, porém voltou a puxá-la para si, continuando a onda de beijos do andar de baixo. A Skank desceu a mão para as coxas de Rachel, apertando sua bunda logo após.

Quinn empurrou Rachel até a beirada da cama, sentando e intercalando as pernas da morena nas suas. A língua de Rachel buscava cada vez mais a da outra, estava insaciável. Os beijos só pararam quando as duas ficaram sem fôlego. Elas aproveitaram para tirar suas blusas rapidamente, Rachel notando o sutiã preto com estrelas douradas de Quinn. Ela não se conteve e riu.

— Sério? — perguntou irônica.

— Para ter você perto do meu coração — riu Quinn. Entretanto, por dentro, morria de vergonha.

Ela direcionou seus ataques vorazes à região descoberta de Rachel. Ouviu a morena gemer e a sentiu puxar seus cabelos róseos com força, o que a deu passagem para depositar uma marca na garota. Quinn conseguiu levantá-las novamente, agora deitando Rachel em sua cama e ficando por cima dela, as pernas da garota se encaixando com perfeição em sua cintura.

Observou a morena fechar os olhos durante uma de suas investidas contra seu tronco. Quinn, então, desviou sua atenção dos seios de Rachel e desceu pelo corpo da garota lentamente, tirando a saia minúscula dela com delicadeza e jogando-a para o lado.

Quinn sorriu predatoriamente, seu rosto voltando a se aproximar de Rachel, murmurando-lhe palavras doces enquanto sua mão afastava a calcinha da morena para poder penetrar no sexo virgem dela dois dedos.

Rachel mordeu os lábios para controlar seus gemidos. Ao finalmente abrir os olhos, encontrou Quinn lhe dando um sorriso maldoso. Os dedos da garota agiam rapidamente e a morena rebolava embaixo dela, suas mãos se agarrando ao lençol com violência.

— Quinn... — Rachel sussurrou com dificuldade, sentindo seu sexo pulsar com as investidas da garota.

Quinn Fabray riu maliciosamente, tirando os dedos do sexo de Rachel e os chupando. Com seus olhos fixos em Rachel, ela desceu até estar dentre as pernas da morena.

A noite das duas seria longa.


Barbra Streisand gritou nos ouvidos de Quinn. Ela acordou desesperada, sentando-se de repente. O que ela pensara ser apenas um sonho, no entanto, era realidade: Rachel continuava deitada ao seu lado, cobrindo-se com seu cobertor, dormindo profundamente. Suspirou aliviada, e então o celular da morena voltou a tocar. Ainda meio zonza, ela pegou-o e atendeu, sem ter idéia de quem era na outra linha.

— Oi, quem é? — perguntou, deitando-se ao lado de Rachel novamente, sorrindo com os roncos fracos da garota.

— Quinn? O que está fazendo com o celular da Rachel?

Quinn despertou totalmente, porém não conseguiu responder. Aquela voz era de Finn. Um Finn colérico e nervoso, mas ao mesmo tempo preocupado com sua namorada. A expressão da garota mudou drasticamente. Seu desejo era de contar que a morena tinha fugido dele para ficar com ela, contudo alguma coisa a deteve. Em vez disso, falou:

— Nada, ela me ligou e disse queria conversar — inventou, deixando pistas para que o garoto entendesse a provocação. — Acabou passando a noite aqui.

O suspiro que Finn deu após a fala de Quinn foi assassino. Ela riu silenciosamente. Rachel se remexeu na cama e virou-se para o outro lado.

— Eu disse! — o garoto exclamou, espumando de raiva. — Eu falei que vocês tinham alguma coisa, aquela promessa de Sam é furada, você levou a Rachel para sua gangue!

— Escuta aqui, Finndiota, não ouse a duvidar da promessa de Sam! — retrucou Quinn, no mesmo tom de Finn. — Ele pediu mesmo para que Rachel cuidasse de mim.

— Obviamente por que você não tem autocontrole sobre esse seu instinto matador!

Finn pareceu notar o que falara e engoliu em seco, esperando uma reação de Quinn que justificasse caso ela o assassinasse pelo telefone. No entanto, a garota apenas passou a língua nos lábios e murmurou irônica:

— Rachel ficou muito interessada no meu instinto assassino ontem à noite, se quiser saber.

Fora um erro dizer aquilo, mas Quinn não se importou. Ela desligou o celular na cara do garoto e riu. Teria de enfrentar Finn na escola, tinha certeza daquilo. Porém, ela apenas largou o telefone da morena no criado-mudo e voltou-se para ela, afastando-lhe os cabelos da nuca e depositando um beijo apaixonado ali.

Rachel ficou imóvel por um tempo, mas logo abriu os olhos, procurando a razão de tanto carinho. Ao fitar Quinn, um sorriso surgiu em seu rosto e seus olhos brilharam.

— Bom dia — murmurou Quinn com a voz rouca, dando um selinho na morena. Apesar de ter começado o dia com uma conversa com Finn e possivelmente tendo arranjado uma briga para mais tarde, ela poderia muito bem se esquecer disso tudo só para observar uma confusa Rachel lhe encarando.

— Oi... — respondeu Rachel sonolenta, se virando para Quinn.

Quinn daria seu quarto enorme, a mansão das Fabray e um estoque inteiro de Johnny Walker apenas para poder acordar o resto dos dias de sua vida ao lado de Rachel. A felicidade por tê-la perto era maior de qualquer sentimento que já havia lhe passado. Naquele momento, sentiu que Rachel Berry era sua, unicamente sua.

— Você fica linda com esse cabelo bagunçado — sussurrou Rachel, passando a mão pelos cabelos róseos de Quinn, puxando-os para que o rosto da garota se aproximasse o bastante para um beijo.

Quinn queria ter ficado beijando Rachel durante toda a manhã e pelo resto do dia, mas não foi isso que sua mãe pensou ao entrar no quarto pela primeira vez em quase um mês. A garota engoliu em seco e se afastou da morena bruscamente, corando furiosamente.

— Lucy Quinn Fabray... — chamou Judy, segurando a maçaneta da porta tão forte que os nós de seus dedos ficaram brancos. — Nós precisamos conversar.

Geralmente Quinn teria ignorado a mãe e voltado a dar seus amassos, mas alguma coisa no tom dela a fez levantar-se rapidamente, pegar a camisa xadrez larga que usara na noite anterior e que Rachel jogara de qualquer jeito no chão e segui-la até o corredor, batendo a porta ao sair do quarto.

— O que Rachel Berry está fazendo na sua cama quase nua?! — indagou Judy sem rodeios e indignada.

A garota arregalou os olhos para a mãe devido à rapidez de sua fala. Quinn abriu a boca para tentar explicar, porém nada saía. Por que era tão difícil mostrar para a mãe que estava apaixonada por Rachel e que, de fato, não era sua culpa de ela estar ali?

Mas então, a expressão de Judy se transformou numa de total compreensão. Ela sorriu, e seus olhos estavam brilhando de expectativa. De repente, Judy começou a rir e Quinn a encarou, pedindo uma explicação silenciosa para a reação.

— É ela, não é? — Judy apontou para a porta do quarto de Quinn. — Ela é a garota que você me disse no dia em que chegou mais bêbada que o normal! Rachel é a garota que você chamou de gostosa!

Quinn franziu a testa para tentar lembrar-se do dia que a mãe estava falando. Ficou surpresa com a memória de Judy, pois aquela noite em que Rachel visitara o Hell House estava a mais de dois meses de distância. Supôs que a mãe lembrava por que era fora uma das últimas vezes em que tiveram uma conversa.

— Como pode ficar tão tranqüila? — perguntou Quinn de supetão. — Quer dizer, você não costuma ser tolerável com homossexuais.

— Seu pai não era tolerante — corrigiu Judy, dando de ombros. — Eu sempre fui indiferente.

A garota queria realmente abraçar a mãe naquele momento. Nunca tinha sentido tanto orgulho dela. Entretanto, também nunca tinha se sentido tão arrependida por tê-la tratado mal durante as férias. Judy jamais tinha merecido sua raiva.

— Eu não a quero aqui enquanto estiver fora e não puder por o olho em vocês — ela avisou agressiva, colocando o dedo no rosto da filha. — As coisas vão mudar a partir de agora, ouviu, Quinn?

Quinn não teve alternativa senão concordar com a mãe. Ela sorriu constrangida, se perguntando se poderia voltar para o quarto e quem sabe beijar um pouco Rachel antes de irem à escola. Quando Judy deu as costas a ela, dizendo que faria o café-da-manhã, a garota finalmente abriu a porta e encontrou a morena que tanto amava quase pronta para sair.

— Sua mãe brigou com você? — perguntou Rachel, terminando de calçar suas sapatilhas.

— Não. — Quinn franziu a testa, ainda confusa com o que acabara de acontecer do lado de fora do quarto. — Ela disse que as coisas mudariam.

Rachel concordou com a cabeça. Parecia ter levado a frase de Judy muito a sério.

— Eu e você contra o mundo — falou num murmúrio, chegando perto de Quinn e a abraçando pela cintura.

— Não estou pronta — retrucou a garota, beijando o topo da cabeça de Rachel. — Podíamos parar o mundo.

Quinn sentiu a risada da morena no seu peito praticamente nu.

— Há tanta coisa para se fazer, Quinn! — Rachel levantou os olhos e ficando na ponta dos pés para beijar a garota. — Temos que nos arranjar, ou melhor, eu tenho que me arranjar. Com Finn.

— Isso quer dizer que eu acabei de ganhar uma chance? — perguntou Quinn com um sorriso maroto nos lábios.

Rachel sorriu também, custando a se separar do abraço quente de Quinn.

— Tem que se arrumar. — Foi o que disse. Sem nada mais.

Quinn tomou aquilo como um sim.


— O que você estava fazendo na casa da Quinn? — indagou Finn assim que localizou Rachel no corredor do colégio e parou ao lado dela. Seu tom de voz era controlado, porém a morena notou uma raiva crescente.

— Precisávamos conversar — respondeu a garota, dando de ombros. — Acabei dormindo lá por que ficou tarde demais para voltar para casa sozinha.

Aquela desculpa havia sido discutida entre Rachel e Quinn durante todo o percurso até a McKinley High. Era muito furada, mas dava brechas para que Finn xingasse as duas e a morena tivesse um bom motivo para terminar com o garoto.

— Que me ligasse — disse ele, ainda irritado. — Como deveria ter feito antes de sair da sua casa. Sabia que eu passaria lá ontem à noite!

Finn parou na frente da garota e desceu os olhos com desprezo. O peito de Rachel inflou de raiva. Só mais um pouquinho e o garoto teria o que estava planejado, pensou para não socá-lo ali mesmo, só mais um pouco...

— Eu estava indo ver uma amiga, não há nada demais nisso!

— Ah, é? Então por que hoje de manhã eu te liguei e ela atendeu dizendo que você “ficou muito interessada no instinto assassino” dela?!

A informação pegou Rachel de surpresa. Quinn não mencionara que Finn havia ligado em seu telefone, muito menos que conversara com ele — a conversa provavelmente sendo apenas de insultos entre os dois. De alguma forma, contudo, não conseguiu ficar chateada com a garota. Ela a tinha defendido, mesmo que tivesse colocado lenha na fogueira ao falar com o garoto.

— De fato, os livros que Quinn tem de gênero terror são ótimos — retorquiu Rachel sarcástica.

A expressão de Finn ficou confusa; ele não tinha notado o tom irônico da garota. Apenas balançou a cabeça e disse:

— Rachel, isso tá ficando muito confuso... Eu não sei se posso confiar em você mais.

Os olhos da morena se arregalaram. Finn estava terminando com ela? Finn Hudson, aquele Finn possessivo e insensível, queria mesmo terminar um relacionamento? Ela tentou manter um semblante triste, porém a incredulidade permaneceu em seu rosto.

— Mas... — tentou argumentar Rachel, apenas para distrair o garoto. — Finn, você vai mesmo levar toda nossa relação por conta de uma noite com a Quinn?

— Não é só uma noite, Rachel! — exclamou o garoto, novamente exaltado. — São todos os dias, desde o começo das aulas! Eu vejo o jeito que você olha para ela, eu não sou burro, não é apenas amizade, eu sei!

Rachel não sabia o que dizer. Finn, o garoto que ela nunca pensara que ia descobrir a relação dela com Quinn, acabara por mostrar a ela o quão apaixonada estava pela Skank. Ela deu um meio sorriso, corando fortemente.

— É... — murmurou, admirando suas sapatilhas — acho que eu gosto mesmo dela.

— Doeria se tivesse admitido isso antes? — perguntou Finn, indignado. Rachel sussurrou um sim contido. — Bem, isso já não é problema meu. Mas é por causa disso que eu declaro nosso namoro terminado.

A morena voltou a olhar para Finn. Ele tinha um sorriso triste no rosto, mas mesmo assim beijou os cabelos de Rachel e saiu do corredor para uma de suas aulas.

Rachel sentiu-se livre. Ela realmente esperava que Finn tivesse entendido que gostava de Quinn e queria apenas ela, para que depois não precisasse agüentar ladainhas vindo dele e coisas do tipo “eu sou o certo para você” e “Rachel, me ame, largue-a”. A garota deu pulinhos de felicidade, pronta para aturar qualquer aula chata que tivesse no dia.


Quinn percorreu o campo de futebol do colégio em direção à parte de trás das arquibancadas quase aos pulos. Ela estava animada com o término do relacionamento que Rachel e Finn, que a morena acabara de lhe contar quando se esbarraram no corredor após o almoço.

Não tinha encontrado com Sam ainda para falar sobre a noite anterior com ele, então, ao ver o time de futebol americano treinando arremessos no campo, Quinn rumou para lá, esquecendo-se que tinha um encontro com as Skanks no mesmo horário.

— Sam! — A garota pulou nos braços do garoto de surpresa, atraindo olhares aborrecidos dos outros jogadores. Finn, um pouco atrás de Sam, virou as costas, parecendo vermelho de raiva. — Como está indo o seu dia?

— Viu a Rachel ontem, não foi? — sussurrou Sam no ouvido da garota. Quinn corou e riu.

— Sim. — Ela balançou a cabeça afirmativamente, mal contendo a animação. — E fizemos algo mais do que apenas conversar.

A expressão de compreensão que passou pelo rosto de Sam fez Quinn rir.

— Quinn Fabray, sua safada! — exclamou o garoto, empurrando Quinn de leve. — Eu não acredito nisso! Espera... — Ele franziu a testa, parecendo preocupado. — Finn e Rachel ainda estão juntos? Ela o traiu?

— Não! Quer dizer... — Quinn coçou os cabelos rosados, pensando — talvez. Mas não importa! Eles terminaram agorinha!

— Uau, Quinn, nunca pensei que você fosse tão rápida em acabar com relacionamentos. Você deve ser muito boa de cama.

Quinn corou com o comentário de Sam, que riu da vergonha da garota. Antes que a garota falasse qualquer outra coisa, Coach Beiste chamou os jogadores para um treino completo. Sam afagou os cabelos de Quinn e lhe deu outro abraço antes de sair. Do outro lado do campo, Finn lançou um olhar mortal, porém ao mesmo tempo incrivelmente compreensivo, a ela.

A garota correu para detrás das arquibancadas, lembrando-se de seu encontro inicial com as Skanks. Ao parar acanhada na frente de Mack, Sheila e Ronnie, o olhar que encontrou delas foi de raiva e indignação.

— Então é isso? — exclamou Mack, tremendo de fúria, se aproximando de Quinn sorrateiramente.

— Isso o quê? — Quinn revidou.

— Vai nos largar por causa daquele Glee Clubezinho idiota? Achei que era melhor que isso, Fabray. Aparentemente pensei errado.

Quinn ergueu a sobrancelha, um tanto chocada. Depois de tanto tempo ao lado das Skanks, ela já acostumara com a maldade delas, mas era apenas com outras pessoas. Vê-las se virando para ela foi confuso e assustador.

— Eles são meus amigos, e cantar me faz bem — respondeu Quinn com tranqüilidade. — Não posso fazer nada contra isso.

— Jack te pagava no Hell House para você cantar todas as noites — justificou Ronnie, tirando um cigarro da cartela e pondo na boca. — No Glee, você custava a pegar um solo, era o que você mais reclamava para a gente.

— Coisas mudam — murmurou Quinn em resposta, olhando para seus pés.

Mack estreitou os olhos. Estava perigosamente perto de Quinn.

— É aquela baixinha judia, não é? — a morena indagou, pegando o queixo de Quinn e a olhando, por mais que os olhos amendoados da garota tentassem se desviar do olhar assassino de Mack. — Você se apaixonou por aquela garota, que péssimo gosto, Fabray.

Quinn engoliu em seco. Seus punhos se fecharam por conta da raiva. Ela não se incomodava quando Santana ofendia Rachel, por que aquele era o jeito da latina de demonstrar que se importava com ela. Porém, quando Mack insultava a morena, alguma coisa passava pelo corpo de Quinn e ela não conseguia segurar sua ira.

Seus olhos se viraram na direção de Mack, que ainda segurava seu queixo possessivamente. Havia tanto ódio no olhar de Quinn que a garota vacilou, dando um passo para trás e a soltando. Quinn ergueu o punho para levar na cara de Mack, no entanto, antes que uma pancada surda fosse ouvida, Sheila se pôs entre as duas.

— Fiquem quietas. Se quiser sair das Skanks, não tem problema, pode ir. Volte ao Hell House de vez em quando. — Ela se virou para Mack. — Se não quisesse ter se apaixonado por ela — Sheila apontou Quinn com a cabeça —, não deveria ter ficado com ela naquela noite, só dizendo. Sabia que ela pertencia à outra.

Ronnie e Quinn ficaram estupefatas, esta principalmente. Em que mundo Mack, a garota que se arranjava com os caminhoneiros na porta do Hell House, tinha sentimentos e poderia se apaixonar, e justo por Quinn?

Mack corou. Obviamente ter seus sentimentos vindos à tona de maneira tão sutil da parte de Sheila não era algo que ela planejara para o dia. Quinn a olhou, compreensiva. Mordeu o lábio inferior, sem saber o que dizer.

— E-eu vou indo, então — falou, esfregando as mãos. — A gente se vê por aí.

Ronnie e Sheila deram um aceno de cabeça enquanto Mack apenas virou as costas. Quinn sentia que deveria dizer algo, mesmo que o estrago já tivesse feito. Queria dizer que Rachel era a quem realmente pertencia, que o sentimento de Mack era apenas uma paixonite boba, que ela iria achar a garota certa para ela um dia. Mas não conseguiu. Controlando suas lágrimas, ela saiu detrás das arquibancadas para mais uma reunião do Glee Club.


As coisas caminhavam lentamente para Rachel e Quinn. Para começar, tinham que agüentar os olhares de raiva vindos de Finn, que mesmo querendo continuar uma amizade com Rachel, quando a garota virava as costas, queria matar Quinn com o que tinha na mão; e Mack, que parecia estar com mais ódio do que amor no coração agora que Quinn sabia sobre seus sentimentos para com ela. E claro, ainda tinham que aturar Santana Lopez como sua protetora feminina (Sam era o garoto que as protegia) durante sua própria corrida para assumir quem realmente era para todos.

— Isso é muito chato — bufou Quinn num dos primeiros dias de novembro, um pouco depois de o New Directions terem ganhado as Seletivas. O frio piorara consideravelmente e Rachel se aninhava nos braços dela, tremendo.

— Se você quiser, eu mudo de canal... — murmurou Rachel ofendida, procurando o controle no sofá.

Quinn revirou os olhos, puxando a morena de volta para si e dando um beijo na testa dela. Estavam na mansão Fabray e a garota sabia que sua mãe se escondia por aí, apenas para pegá-las no flagra durante um beijo mais quente.

— Não estou falando do filme, boba. — Rachel fez uma expressão irritada e afundou ainda mais no peito da outra. — É sobre nós. Quando vamos contar para todo mundo?

Rachel franziu a testa, pensando. Quinn encostou a cabeça no braço do sofá, cansada. Mantinham a discrição do colégio até demais, em sua opinião. Ninguém além de Sam, Santana, Finn e as Skanks desconfiavam que uma das garotas mais rebeldes do McKinley High estava apaixonada pela maior perdedora que já havia colocado os pés naquele colégio.

E os riscos eram poucos, ela pensava. Finn queria assassiná-la por estar pondo suas mãos em lugares indecentes em Rachel, porém não faria nada para prejudicar sua suposta “alma gêmea”. Com Mack era a mesma coisa, a única exceção era que Quinn tinha Sheila e Ronnie para descobrir os planos da líder das Skanks. Santana estava ocupada demais com a campanha de Brittany para a presidência do Grêmio Estudantil para difamá-las por aí. Além do mais, Quinn só queria poder abraçar Rachel nos corredores.

— Nos dê um tempo, precisamos crescer — Rachel sussurrou no pescoço de Quinn, fazendo a garota arrepiar.

— Rachel, nós já crescemos! Eu só... — Quinn respirou fundo, controlando seu instinto raivoso — Eu te amo, sabe? Só quero mostrar isso para todo mundo.

— Amor, eu sei, eu sei! — Rachel levantou a cabeça e fez com que Quinn a olhasse pondo suas mãos do rosto dela. — Mas, sei lá, acho que não agora... Se o mundo parasse, se as coisas mudassem...

— Você mesmo disse que há muito que a gente pode fazer sem parar o mundo — rebateu Quinn friamente.

Rachel ficou desconcertada, porém Quinn sequer se importou. A música que surgira na sua mente naquele momento tampava tudo. Era aquilo que elas precisavam, de um pouco de música. Ela sorriu à morena, que franziu a testa preocupada com a rápida mudança de humor da garota, e lhe deu um beijo.

— O que foi isso? — indagou Rachel assustada, se afastando de Quinn ao ouvir Judy tossindo fortemente na cozinha.

— Irá descobrir amanhã no Glee — respondeu Quinn misteriosa.


— Mr. Schue, eu posso cantar uma música? — indagou Quinn assim que o professor entrou na sala do coral. — Prometo que não irá atrapalhar sua lição.

Quinn havia pedido o mais educado possível, porém sua aparência de garota desocupada e líder de gangue foi o que realmente fez Mr. Schuester dizer sim. A garota se levantou e deu um sorriso a todos. Rachel a encarou, perplexa, como se já soubesse o que a ela iria fazer. Sam e Santana, por outro lado, retribuíram o sorriso intensamente e batendo palmas numa demonstração de apoio.

— Obrigada — ela agradeceu ao pegar um violão e passar as partituras aos membros da banda. — Alguns de vocês já sabem o que irei apresentar aqui e quem eu ando namorando por esses dias. A maioria de vocês, no entanto, descobrirá agora, se a pessoa que eu amo não me interromper neste exato momento. — Rachel murchou em sua cadeira ao ouvir aquilo. Quinn riu e dedilhou o violão, acenando para que a banda começasse.


I don't know why

I don't know why

You're so afraid (so afraid)

I don't know how

I don't know how

To fix the pain (fix the pain)


Ela pensou que escolher uma música de Demi Lovato para tocar seria uma péssima idéia, mas pelas expressões confusas de seus colegas, nenhum deles conhecia a canção. Brittany se balançava no ritmo enquanto Blaine e Kurt sorriam entre si, compartilhando uma piada interna. Rachel se agarrava à mão de Sam com tanta força que Quinn pensou que ela ia se desgrudar do corpo do garoto.


We can't stop the world

But there's so much more that we could do

You can't stop this girl

From falling more in love with you

You said 'nobody has to know'

Give us time to go

And take it slow

But I'd stop the world

If it'd they finally let us be alone, let us be alone


Rachel parecia ter levado uma bofetada quando Quinn cantou o refrão. Os olhos amendoados da garota não saíam da morena, cantava diretamente para ela. Queria que Rachel soubesse de tudo aquilo, que não precisavam se esconder para poderem se amar.


I'm hearing the noise

Hearing the noise

From all around (from all around)

I'm on the edge

I'm on the edge

Of breaking down (of breaking down)


O restante dos garotos do Glee não estava tão impressionado com o pequeno show de Quinn unicamente para Rachel. Puck estava com uma alegria contida no rosto, como se esperasse ser convidado para uma sessão de amassos das duas. Sam sorria e cantava silenciosamente a música junto com Quinn. No fundo da sala, contudo, estragando (ou tentando estragar) a bolha de felicidade da garota e do Glee, estava um mal-humorado Finn Hudson de braços cruzados e observando Quinn com um olhar assassino.


Like Bonnie and Clyde

Let’s find a ride

And ditch this town

To keep it alive

Keep it alive

Don’t make a sound


Lágrimas caíam dos olhos de Rachel. Sua mão sobre a de Sam se afrouxara, o que deu a Quinn a oportunidade perfeita para tirar o violão, jogá-lo para o loiro terminar a canção e puxar Rachel para si, cantando agora exclusivamente no ouvido dela, fazendo a morena apertar o abraço em volta de Quinn e sorrir, envergonhada.


We can't stop the world

But there's so much more that we could do

You can't stop this girl

From falling more in love with you

You said 'nobody has to know'

Give us time to go

And take it slow

But I'd stop the world

If it'd they finally let us be alone, let us be alone


— Viu? Não precisa ter medo — sussurrou Quinn ao terminar de cantar. — Eu estou aqui, por você. Por nós. — Ela levantou o rosto para as expressões animadas dos colegas do Glee e disse: — Estou namorando Rachel há mais de um mês.

— Mais gays para o coral, que maravilha — comentou Mercedes num tom brincalhão.

— É sempre assim na América? — indagou Rory, o intercambista irlandês, um pouco chateado. — Onde estão as garotas héteros?

— Boa pergunta, amigão — disse Puck, batendo nas costas do garoto. — Mas assim é melhor. Ménage a trois.

— Vamos parar por aí! — exclamou Mr. Schue quando Puck começou a explicar para Rory o termo francês. — A nossa tarefa para essa semana é...

Quinn voltou a sentar, dessa vez com Rachel de um lado e Sam do outro. Santana, um pouco atrás, cutucou-a e elas fizeram um cumprimento que sempre faziam antes de qualquer apresentação das Cheerios. Ela não se importou com a careta de Finn. As coisas estavam ótimas, sua vida não poderia estar melhor.


Notas finais
A música que a Quinn canta é Stop The World, da perfeita e maravilhosa Demi Lovato (eu sou apaixonada por ela, então podem ignorar o perfeita e maravilhosa, ok?)
Uma coisa que eu queria pedir: essa é a primeira cena de sexo que eu escrevo na vida, então, por favor, mandem review dizendo o que acharam, o que talvez precisa melhorar ou se já está bom o bastante, por favor.
Obrigada e até o próximo capítulo!