The Only Exception

1 Minha Exceção


Notas iniciais
Antes de mais nada, quero dizer que tudo nessa história é fictício e foi criado por mim. Inclusive os jogadores que serão citados no decorrer do texto (: É a minha primeira OneShot, e espero que gostem. Boa leitura ♥

Ansiedade era o sentimento que estava dominando o meu corpo. E tudo porque o Brasil iria disputar o terceiro lugar com a Argentina.

Depois do resultado ruim no jogo com a Alemanha eu fiquei um pouco deprimida, mas quando vi que a Argentina também foi massacrada pela Holanda e que o terceiro lugar iria ser disputado por nós, uma súbita felicidade me atingiu. O fato é que se ganharmos da Argentina hoje, vai ser como ganhar o Mundial, pois nada melhor do que ganhar e esfregar na cara daqueles argentinos metidos a nossa vitória. E o melhor, na nossa casa.

Terminei de amarrar a parte superior do biquíni, e logo ouvi o grito da Thainá:

– Anda Bela, o Felipe chegou!

Peguei uma regata verde e amarela em cima da cama apenas por precaução, pois tinha quase certeza de que não iria usá-la, já que o calor que estava fazendo aqui no Rio de Janeiro não permitiria. Ajeitei meu chapéu, peguei meu celular e desci.

Saímos de casa, andamos alguns metros, atravessamos a rua e já estávamos na praia de Copacabana. Um samba tocava ao fundo, e o som das cornetas da torcida estava ensurdecedor. Iríamos assistir ao jogo ali, e esse era o beneficio de morar na orla. Porque só o fato de não precisar andar muito, debaixo desse sol escaldante, pra ir para uma Fifa Fan Fest, já me deixou mais aliviada. Mas por outro lado, quanto mais me aproximava do telão, a tensão ia aumentando. Tinham camisas azuis e brancas pra todo lado, mostrando o tanto de argentino perdedor que eu teria que aturar. Sabe, o Brasil sempre foi conhecido por sua hospitalidade para com os turistas e visitantes, mas pelo menos da minha parte, não existia hospitalidade nenhuma para com os argentinos. Se eu pudesse, trucidaria todos eles sem dó. Mas caso fizesse isso, não poderia esfregar nossa conquista na cara deles. Sem falar que iria para a cadeia. E isso é o que eu menos quero.

Apesar da ultima derrota, eu estava confiante: Rafa Castelli, nosso melhor jogador, se recuperou das dores musculares e entraria em campo hoje; Renan Rodrigues cumpriu sua punição da falta do jogo retrasado, que era ficar fora de uma partida, e hoje já poderia jogar. E não podemos deixar de citar o fato de que o Juan Alvarez, um dos principais jogadores da Argentina, vai ficar no banco de reservas. Só de me lembrar do desespero da torcida deles quando o cara se lesionou, dá até vontade de rir.

Certamente, pelo pouco que falei aqui, vocês já devem ter notado a minha implicância com os “hermanos”. E tudo porque eles destruíram nosso sonho de ganhar a Copa do Mundo de 2002. As piadinhas feitas pelo lado de lá, depois desse triste episódio, só fizeram minha antipatia aumentar. Por isso, quando vi um garoto com aquela camisa ridícula, que por mim estaria no meu banheiro servindo de pano de chão, se aproximando de nós, não consegui conter a expressão de insatisfação que surgiu no meu rosto.

Ele era lindo, porém, era argentino. E isso era suficiente para que eu não gostasse dele logo de cara.

– Poderia me dar licença?

Ele era moreno e tinha perfeitos olhos azuis. O sotaque era totalmente encantador. Mas ele continuava sendo argentino.

– Não, não poderia. Argentinos aqui nessa área não são bem-vindos.

Sua expressão de incredulidade ao ouvir isso foi impagável.

– Como é que é?

– Isso aí que você ouviu! Quer que eu repita? – perguntei com as sobrancelhas arqueadas.

Ele então riu debochadamente.

– Sabe... Eu só queria que você saísse da frente para eu poder comprar uma cerveja pra mim, mas por causa de sua falta de educação, vou ficar por aqui agora.

Agora quem estava incrédula era eu. Estávamos num lugar onde só tinham torcedores brasileiros e agora esse maldito iria ficar aqui. Dá pra acreditar na cara de pau dele?

– Não vai não! Argentinos não podem ficar aqui! – estava praticamente esperneando.

Thainá disse que eu estava sendo infantil – provavelmente encantada com a beleza do infeliz – e o Fê concordou.

Belos amigos eu tenho!

Ele apenas me lançou um sorriso debochado, e num instante, já estava se enturmando com aqueles dois traidores.

Nem percebi quando nós começamos a discutir sobre o resultado do jogo, só sei que ele estava teimando comigo de que a Argentina sairia vencedora.

Pobre iludido...

– Eu aposto que vencemos este jogo. – falou.

– Pois eu aposto o contrário!

Felipe que estava atento a nossa conversa logo perguntou qual seria o pagamento da aposta.

– Simples, se a Argentina ganhar, você beija um de nossos torcedores. E se o Brasil ganhar... – fez uma careta ao dizer. – Eu beijo uma brasileira.

– Não vai ser nenhum sacrifico pra você! – exclamei.

– Eu também não gosto da torcida de vocês, sem falar que corro risco de apanhar.

– Continua fácil.

– Está com medo de perder Isabela?

Aí já é jogo baixo!

– Com medo da sua seleção de merda? – gargalhei. – Nunca! É claro que aceito.

Queria que ele sofresse muito mais ao pagar a aposta, mas nada pude fazer depois dele ter questionado a minha coragem.

Quando o jogo começou, tentei ao máximo esquecer a presença daquela ameba e focar nos resultados. Nossa posse de bola era maior, mas a Argentina contra-atacava mais, o que me deixou preocupada. Porém o nosso goleiro estava parecendo um cadeado, do tanto que trancava nossa rede.

Já se passavam dos 35 minutos de jogo e eu começava a ficar nervosa, quando vi a bola parar nos pés do Rafa Castelli e o garoto ir com tudo em direção ao gol. O suor escorria, não sei se devido ao nervosismo ou ao calor sobrenatural que estava sentindo. Ofeguei, quando a bola voou até a área do goleiro, e quando vi o balanço da rede, o grito de comemoração foi involuntário. A torcida vibrou e eu acabei abraçando sem perceber um cara desconhecido que estava próximo, mas ele não pareceu se importar.

– Chupa seu argentino idiota! – tripudiei sobre ele. – Eu te amo Rafa Castelli! – gritei para o nada.

A felicidade estava me dominando, e quando o apito do juiz soou indicando o fim do primeiro tempo, eu me permiti ficar tranquila ao saber que o risco de beijar um argentino era bem menor.

– Ainda temos o segundo tempo. – Sebastian resmungou.

– Então se prepare para tomar mais gols! – o tom vitorioso era perceptível na minha voz.

No intervalo, aproveitei pra passar mais protetor solar e comprar uma água de coco. Prendi os cabelos e enxuguei um pouco do suor com a blusa.

– Quer um pedaço? – Thainá me ofereceu um espetinho de churrasco.

Neguei, pois não estava com fome, apesar de achar que churrasco deveria ser a oitava maravilha do mundo. Depois de uns minutos, o jogo recomeçou. Dessa vez, resolvi tomar uma caipirinha, pra ver se a tensão aliviava um pouco.

E o suor voltava a escorrer, acompanhado das batidas frenéticas do meu coração. Mas agora eu estava aflita. Por causa de um lançamento mal feito, Javier Fernández, o craque argentino, conseguiu dominar a bola e estava indo em direção à nossa rede.

E infelizmente conseguiu marcar.

Foi a vez de a torcida argentina comemorar, e quando Sebastian estava prestes a gabar-se, no telão apareceu a imagem do bandeirinha marcando impedimento. Não me segurei e soltei uma gargalhada.

– Comemore agora, sofredor! – zombei.

Sua expressão logo se fechou e ele não respondeu. O jogo se seguiu tranquilo, e depois que nosso lateral Diogo marcou mais um gol, foi impossível conter a alegria brasileira. Começamos a cantar o nosso grito de torcida, e dava pra sentir o acanhamento dos argentinos.

– Pronto pra beijar uma brasileira, ameba?

– Cale a boca!

Sua insatisfação era praticamente palpável e eu só ria.

O terceiro gol, marcado pelo Renan, nos últimos minutos de acréscimo, foi o ponto alto da partida. E a torcida brasileira foi à loucura! Meus braços estavam praticamente elásticos de tanto abraçar as pessoas. E depois de toda essa confraternização, corri em direção à água. Meu chapéu e blusa foram jogados na areia, e eu mergulhei com vontade. Uma sensação de frescor me atingiu e continuei lá por um bom tempo. O fato é que o contraste do mar gelado com o sol quente de Copacabana é a melhor coisa que existe.

Saí da água e Thainá veio logo ao meu encontro com minhas coisas na mão, e uma toalha. Ela, o Fê, e o argentino iludido e sofredor, estavam rindo.

– Qual é a graça? A Argentina perder de lavada para o Brasil? – ri também.

– Você é muito implicante!

– E você é um perdedor idiota! Qual o problema de aceitar a derrota da sua seleção?

– Falou aquela que tomou 6x3 da Alemanha.

– E vocês que tomaram 5x1 da Holanda? E hoje perderam de 3x0? Aceite que a seleção argentina é ruim! Aliás, a raça argentina é ruim!

Antes que começássemos a brigar novamente, Thainá e Felipe interviram.

– É o seguinte: o Sebastian já escolheu qual torcedora vai beijar. – ele falou.

– E quem vai ser a azarada?

Riram mais ainda.

– Você. – Sebastian apontou pra mim.

Demorou um pouco para a ficha cair, e quando caiu, simplesmente não acreditei.

Como assim eu? A praia está lotada, cheia de garotas pra lá e pra cá, e ele me escolhe? Só pode ser sacanagem!

– Isso não é justo! Eu ganhei a aposta e não preciso beijar nenhum argentino! Você não pode me escolher! – a raiva transbordava das minhas palavras.

– Na verdade ele pode, porque ele tem que beijar uma brasileira. E você é uma brasileira!

Minha vontade de esfaquear Thainá já era maior do que tudo. Afinal de contas, de que lado ela estava?

– Por que eu?

– Simples. Porque se vai ter que ser ruim pra mim, vai ser ruim pra você também! – o sorriso debochado tomou conta de seu rosto.

Eu não disse que era sacanagem?

– Seu cretino! – gritei.

Logo em seguida tomei a atitude mais madura que poderia: comecei a correr. O que não foi uma boa ideia, já que correr na areia fofa não é nada legal, e com esse sol então, nem se fala. Já estava ofegante nos poucos metros percorridos, e bastou olhar pra trás que pude vê-lo. E foi uma questão de segundos para que ele me alcançasse e nossos corpos serem lançados ao chão.

Rolamos na areia, e quando paramos, ele ficou por cima de mim, empatando os raios solares de me atingirem.

Bom, pelo menos isso ele fez direito.

– Agora você não foge mais! – ele sussurrou e tomou meu rosto com as mãos.

Um nervosismo descomunal tomou conta de mim ao ver que ele se aproximava. Eu queria muito chutá-lo e estapeá-lo até perder minhas forças, porém, meu corpo não respondia aos meus comandos. Depois disso, só pude sentir seus lábios macios nos meus, e um arrepio percorreu toda a minha espinha. Institivamente, abri levemente a boca, dando passagem para sua língua. Ele explorava minha boca com vontade, e eu fazia o mesmo.

Era um argentino, mas um argentino que beijava bem. Muito bem, aliás. Separamo-nos em busca de fôlego e ele sussurrou:

– Mais?

E eu apenas assenti, porque foi tudo o que consegui fazer no momento, e nos beijamos novamente. Nem ligava mais para o fato de que estávamos no meio da praia, que estava lotada. Seu beijo estava me deixando entorpecida, e quando nos separamos, grunhi involuntariamente em protesto. Ele riu e perguntou:

– Ainda acha que a raça argentina é ruim?

– Acho! – gargalhei diante de sua expressão de descrença. – Mas a partir de hoje, você será minha exceção!

Então ele sorriu ao falar:

– Digo o mesmo sobre você! — e voltamos a nos beijar.

Eu achava que hoje não poderia acontecer nada melhor do que ganhar da Argentina. Mas eu achei errado.

Notas finais
Um enorme obrigado para quem leu até aqui ♥ Caso queira, fique a vontade para me dizer o que achou nos reviews :3 ~ Até a próxima ♥ õ/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!