The Only Exception

1 Capítulo único


Notas iniciais
Eu não pretendia postar esse especial de Valentine's Day (tanto é que eu escrevi e postei outra fanfic), mas seguindo o conselho de uma amiga, resolvi postá-la hihi A fanfic é curtinha e meio bobinha, mas enfim, espero que vocês gostem :3 Boa leitura!

You've got me feeling like a child now

'Cause every time I see your bubbly face

I get the tingles in a silly place

Colbie Cailat – Bubbly

Apesar de todo o alvoroço causado pelo dia 14 de fevereiro, as atividades escolares não poderiam ser interrompidas. As aulas ocorreram normalmente durante o período da manhã, e o sinal que marcava o início do intervalo para o almoço foi responsável por despertar os monstros adormecidos de algumas meninas do colégio. Elas andavam eufóricas por salas e corredores procurando por seus respectivos namorados, ou futuros, dependendo da resposta que seria recebida.

Murasakibara estava sentado fielmente em seu último lugar da fileira, observando a bagunça com uma expressão que transmitia um enorme desinteresse. Eu não entendo, era o que Murasakibara costumava pensar, entretanto, sua atual situação era completamente diferente.

‘’Atsushi.’’

A voz despertou o Pivô de seus devaneios. O timbre já era conhecido, mas Murasakibara jamais cansaria de escutar aquela voz. Seus olhos que até então comtemplavam ao céu nublado, foram direcionados à sua mais nova companhia. Himuro vestia o habitual conjunto de uniforme do colégio Yosen, porém, um cachecol preto adornava seu pescoço, protegendo a pele pálida do frio rigoroso. O acessório estava impecavelmente arrumado e parecia destacar ainda mais o brilho nos olhos de Himuro. Os olhares.

‘’Vamos?‘’ O moreno incentivou-o, oferecendo um meio sorriso.

Os sorrisos. Murasakibara sentiu o coração bater mais rápido, e assentiu sem dizer uma única palavra, pegando seu almoço e seguindo sua companhia em direção ao largo corredor.

‘’Onde vamos almoçar, Atsushi?’’

As pequenas gentilezas.

‘’No terraço.’’ A escolha estava na ponta de sua língua, e Himuro concordou com a decisão.

Aos olhos de leigos, aquelas atitudes poderiam ser simples e rotineiras, mas em Murasakibara elas causavam um impacto tão forte que chegava a ser assustador. As atitudes de Himuro eram como inofensivas sementes plantadas em seu coração, sementes que criaram raízes fortes, que não mais poderiam ser arrancadas.

Durante o trajeto até o terraço os jogadores conversaram sobre triviliaridades, como o tempo frio ou o restante das aulas que teriam no dia. O gélido vento os atingiu em cheio, levando um arrepio ao corpo de Murasakibara. Só de se observar o céu poderia se dizer que não tardaria a nevar, mas os dois rapazes não pareciam incomodados, e sentaram-se lado a lado em uma das extremidades do local, distantes de possíveis olhares curiosos.

Como de costume, o almoço trancorreu silencioso, a ausência de palavras sendo quebrada uma ou duas vezes quando Murasakibara tentava roubar algum ingrediente da refeição alheia. Himuro apenas fugia das insistentes investidas, rindo baixo ao perceber a crescente irritação do rapaz de cabelos roxo.

Tudo parecia igual, mas ao mesmo tempo diferente.

O ar em torno se tornou um pouco mais frio, e os pequenos flocos de neve não supreenderam Murasakibara, que limitou-se a soltar um baixo ‘’Oh’’, enquando degustava de uma das suas diversas guloseimas. O pirulito sabor cereja foi devorado em poucos minutos, deixando seus finos lábios com uma coloração levemente avermelhada. Distraído, o Pivô foi pego de surpresa ao sentir os lábios de Himuro preensados aos seus, iniciando um carinhoso beijo. O arrepio que percorreu seu corpo não era devido ao frio, e seus olhos fecharam-se enquanto aquela gostosa sensação percorria cada fibra de seu ser.

Era sempre assim. Palavras não ditas, beijos inusitados e sentimentos incertos.

Gentilmente, suas mãos acariciavam os cabelos negros, sentindo a textura macia brincar entre seus longos dedos. A necessidade por ar se fez presente, e os lábios se separaram a contragosto. Murasakibara aproveitou a deixa e retirou do bolso de sua calça um pequeno embrulho, o desconhecido fazendo seu coração bater absurdamente acelerado.

‘’Muro-chin~’’

‘’Hm?‘’

‘’Aqui. Pra você...’’

Himuro segurou a caixa de bombons com olhos incertos e mãos trêmulas, reações que não passaram despercebidas pelo Pivô. O pensamento de que sua companhia não havia gostado do presente o deixou levemente desapontado, mas tal sentimento dissipou-se quando a mão do moreno pousou sobre a sua. Murasakibara desviou seu rosto à direção contrária, sentindo seu rosto tornar-se estranhamente quente.

Atitudes hesitantes que não condiziam com sua personalidade, mas que não poderiam ser evitadas. Quando o assunto era um certo moreno, tudo saía de seu eixo comum.

‘’Obrigado.’’ Himuro sorriu sincero, seu único olho visível transbordando felicidade.

Mas ainda não era o suficiente.

‘’Ehh~ nós somos namorados agora, Muro-chin.’’

As reações pelo qual Murasakibara tanto ansiava deram o ar de sua graça. Himuro desviou o olhar, o rosto sempre composto exibindo um tom adoravelmente rosado. Apesar dos anos vividos na América, o moreno não parecia ser uma pessoa acostumada à demontrações diretas de afeto, principalmente quando vinham do Pivô.

O rapaz de cabelos roxo reparava em tudo vindo daquela pessoa, cada gesto, cada minímo detalhe. Aos poucos ele foi conhecendo as peculiaridades de Himuro, e quando ele percebeu já estava completamente perdido e apaixonado.

‘’Sim...’’ O Lançador segurou a mão entre a sua com mais afinco antes de confirmar sua sentença, assim como seus sentimentos em relação ao rapaz de cabelos roxos. ‘’Nós somos, Atsushi.’’

A tensão no ar chegava a ser palpável, o embaraço tomando conta dos dois rapazes, agora, oficialmente amantes. Partiu do rapaz de cabelos roxo a iniciativa para um outro beijo, sua língua percorrendo os lábios alheios lentamente, como se quisesse decorar cada pedacinho daquela região.

E o que antes era uma suspeita, havia se tornado uma certeza.

Murasakibara jamais provaria algo tão doce e saboroso quanto os lábios do moreno.

FIM.

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