The Only Exception
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu não escolhi ser assim. Para falar a verdade, diversos fatores contribuíram para este fim deprimente, o que não me agrada nenhum pouco.
Estava frio em Londres. Clima perfeito para um filme com os amigos (ou com o namorado) e um delicioso chá. Mas infelizmente eu não tinha nada disso, nem amigos, tampouco namorado. O que me restava era o chá. Esta era só mais uma consequência do meu jeito de ser.
Me encolhi no sofá e dei um gole na típica bebida. Estava realmente delicioso. Olhei pela janela e a vista era sensacional. A capital inglesa em um começo de noite, luzes começando a se acender nos diversos edifícios, pessoas saindo com a família, era tudo tão lindo. Enquanto isso acontecia, eu estava trancada em meu apartamento, assistindo episódios de 2 Broke Girls na Warner. Minha rotina era basicamente essa há algum tempo.
~Flash-Back On~
–Eu não sei mais o que fazer, mãe! Eu estou sufocada dentro dessa casa e essa bolsa de estudos veio em ótima hora. Não posso me dar ao luxo de recusar, e além disso, vai ser bom para o meu currículo. – joguei toda minha raiva nela, cansada de receber ordens e mais ordens.
–Mas é Londres, Lucy! Outro continente, minha filha.
–Exatamente! Eu preciso ficar longe de tudo isso aqui, preciso cuidar da minha vida. Ter a minha casa, minhas coisas, minhas regras. – expliquei.
–Você vai deixar tudo aqui em Seattle, casa, comida, família e ir para a Inglaterra, sem ter dinheiro e lugar para ficar? – perguntou, indignada.
–Não é bem assim. Eu tenho minhas economias e posso procurar um lugar perto da universidade. E se dependesse de vocês, minha “família” – fiz um gesto de aspas com os dedos. – eu já estaria longe a muito tempo. Nunca fui bem-vinda nessa casa e você sabe bem disso. Só não me mandaram para outro lugar pois ainda sou útil por aqui. Mas para mim já deu. – desabafei, quase gritando.
–Tudo bem então, você já é maior de idade e dona do seu próprio nariz. Vá, mas sabendo que eu sou completamente contra. – disse amargamente. – E quando voltar arrependida, não espere poder morar nesta casa novamente. A partir do momento que sair por aquela porta, não me considere mais sua mãe.
–Eu nunca considerei mesmo. – respondi com uma lágrima escorrendo pelo rosto.
E então, eu estava sozinha.
~Flash-Back Off~
A parte da universidade, agora era a única realmente boa em minha vida. Não que as coisas fossem boas antes, na verdade, vir morar sozinha até me deu um pouco de paz, mas que infelizmente trouxe consigo a solidão.
Espreguicei-me. Era sexta a noite. Ainda teria dois longos dias sem absolutamente ninguém para conversar. Havia se passado tanto tempo desde a última vez em que pude realmente desabafar. Para ser mais precisa, haviam exatos seis anos.
Desde a morte dela. Emily, minha melhor amiga. Ela era quase que como uma irmã para mim. E ela se foi, assim como todos se vão uma hora ou outra.
Pensar nisso ainda me incomodava, e muito. Acho que era a dor da culpa.
Desde então, tenho vivido meio que por obrigação. Não recebia mais sms com aquele “Bom dia, Lucyzinha”, que por mais irritante que fosse, era como uma rotina para nós. Não tinha mais aquele abraço delicado e acolhedor ao chegar no colégio. Não tinha mais minha dupla nos trabalhos. Não tinha mais nada.
Nos primeiros meses, minha família me apoiou um pouco, é claro, mas depois de algum tempo começaram a achar que não passava de frescura da minha parte, e voltaram a ser os mesmos, sempre “pegando pesado” comigo.
O problema é que não era frescura, assim como não é até hoje, ainda dói. Emily era a única pessoa com quem eu podia realmente contar, ela que me acalmava, me entendia e me apoiava em tudo. Era minha única família de verdade, mesmo que não tivesse o mesmo sangue que eu.
Senti lágrimas percorrerem meu rosto. Era bastante comum chorar quando me lembrava dela, o que acontecia com muita frequência. Acabei adormecendo em meio ao choro.
–Você precisa superar, Lucy. – Emily me encarava com seus olhos castanhos. – Volte a ser quem você era antes de todo esse tumulto. Uma garota feliz, extrovertida... – ela hesitou. – Você não tem culpa de nada.
–Eu não consigo, Em. Foi tudo minha culpa, o acidente, sua morte...me perdoe, por favor, foi minha culpa. – respondi chorando. – Sinto tanto sua falta.
–Aconteceu o que tinha que acontecer e eu não quero que se condene por isso.
De repente o cenário mudou e estávamos dentre daquele maldito carro novamente. Eu tentava gritar com todas as minhas forças, mas as palavras me faltaram naquele momento. E tudo aconteceu, exatamente como naquela noite.
Abri os olhos e percebi que minha respiração estava acelerada. Havia sido um sonho. Por um instante cheguei a pensar que havia estado novamente no acidente, o grito de Emily parecia tão real e martelava em minha cabeça como uma sinfonia enlouquecedora.
Notas finais
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