The Only Exception
4 Capítulo 3 - Srta. Watson.
Notas iniciais
–Última caixa. – eu disse, aliviada, terminando de descarregar minha caixas no apartamento de Emma.
–Até que enfim! – ela exclamou. – Vou pegar suco e biscoitos, espera aí. – Em seguida se direcionou a cozinha do enorme apartamento.
Me sentei no sofá enquanto aguardava. O local era bastante agradável. Na sala tínhamos uma televisão grande, rodeada por sofás brancos com almofadas vermelhas por cima. No centro se localizava uma mesa baixa, onde pude notar fotos de Emma quando criança e algumas dela com seus pais. A sacada, que ficava na lateral da sala, tinha paredes inteiramente revestidas por vidro, que trazia claridade ao apartamento, o deixando mais “vivo”. Por motivos de privacidade, foram acrescentadas cortinas ao ambiente.
–Voltei com o “rango”. – ela segurava uma bandeja que continha muito mais que apenas suco e biscoitos.
–Ótimo, meu estômago já estava reclamando. – peguei um pedaço de bolo de chocolate e o levei até a boca.
“Don't try to take this from me
Don't try to take this from me no-o-o-oo-o-o-ow
Don't try to take this from me
Don't try to take this from me no-o-o-oo-o-o-ow”
Meu celular tocou ao som de Now, do Paramore. Antes de atender comecei a dançar loucamente, usando a almofada como guitarra e jogando o cabelo para cima e para baixo, provocando alguns risos em Emma. Finalmente atendi:
–Alô.
–Senhorita Jones? Lucy Jones? – percebi uma voz feminina do outro lado da linha.
–Eu mesma.
–Boa tarde. Estamos ligando para falar sobre sua entrevista de emprego aqui na redação da revista New Style. Infelizmente a senhorita não foi aceita para a vaga proposta inicialmente, porém, nossa editora chefe se interessou muito pelo texto que foi enviado, e está te convidando a ser sua assistente. O que a senhorita acha?
–Eu aceito! É claro que eu aceito. – respondi, um tanto quanto eufórica. – Desculpe o entusiasmo, é que este emprego significa muito para mim.
–Tudo bem, eu entendo. – a moça riu, educadamente. – A senhorita pode começar na próxima segunda-feira. O salário inicial será de 1200,00 e o horário de início do expediente é as 07:00 da manhã.
–Certo.
–Quanto ao contrato e afins, iremos tratar no seu primeiro dia.
–Ta bom, muito obrigada, mesmo.
– Não foi nada.
Depois de desligar, voltei a dançar loucamente, mas desta vez sem música, apenas minha linda voz de “taquara rachada” pairando no ambiente.
–E aí, qual das entrevistas deu certo? – Emma perguntou, animada.
–New Style, baby.
–New Style? Sério? – ela estava perplexa.
–Sim, eu não to acreditando.
–Muito menos eu. Caramba, é a revista mais fodasticamente foda dos últimos tempos. Parabéns, coisa. – ela sorriu. – Agora vamos comer para comemorar.
Terminamos o lanche e passamos o resto do dia colocando cada objeto em seu devido lugar. O dia passou extremamente rápido, pois quando acabamos, já passava de meia-noite. Nos jogamos no sofá e ligamos a tv em um canal qualquer.
–Ainda bem que amanhã é sábado. – eu disse, me sentindo aliviada por poder dormir até mais tarde.
–Né. – respondeu Emma. – Pena que eu não vou poder ficar em casa em um relacionamento sério com a minha cama.
–Por que?
–Por que a lindona aqui tem um encontro a noite e precisa sair para comprar alguma roupa durante a manhã.
–Encontro? Como assim você não me contou? Detalhes sórdidos imediatamente, senhorita Watson.
–Não me chame pelo sobrenome, Jones. – ela fez uma cara de ofendida. – E quanto ao encontro, aquele cara que faz o seu período, o Nathan, me convidou ontem.
–Awn, ele é um fofo. Fora que é super inteligente. A universidade já publicou uns artigos dele e tudo mais, enquanto os únicos que já leram meus artigos foram os tiozinhos legais, vulgo mendigos, que frequentam a esquina do meu antigo prédio.
–Ah, para né. Mas enfim, eu já li alguns dos artigos dele. – Emma respondeu com um sorriso bobo no rosto. – E as fotos então, Lucy, além do jornalismo, ele também é apaixonado por fotografia. Minha área!
–Que lindo você toda apaixonada. Daqui a pouco começa a vomitar arco-íris aqui.
Ambas rimos.
–Ta bom, agora você. O que me diz do bonitão do seu antigo prédio?
–O que tem ele? – respondi, me fingindo de desentendida.
–Como assim “o que tem ele”? Vocês não se viram depois do encontro no elevador?
–Felizmente, não.
–Infelizmente, por favor né.
–Não, felizmente mesmo. Ele é um idiota insuportável.
–Ou ele é legal e simpático e você está arrumando desculpas para não se apaixonar.
–Você acha mesmo?
–É claro que sim. – ela jogou uma almofada em mim.
–De qualquer forma, nós não vamos nos ver mais.
–E você fica feliz ou triste com isso?
–Eu nem o conheço, Emma. Não sei o nome dele, o tipo de cara que ele é, não sei nada.
–E quem disse que você não pode saber? Chame ele para sair.
–Vamos parando com esse assunto? – nós rimos.
–Tudo bem então, mas depois você não me escapa, uma hora ou outra vou te convencer a chamar o gato para sair.
–Veremos, senhorita Watson.
–Eu já disse pra você não me chamar pelo sobrenome, Jones. – ela jogou outra almofada.
–Watson, Watson, Watson. – ela jogou mais almofadas e fez uma cara furiosa.
–Diga mais uma vez e sofrerá a fúria de uma estudante de fotografia em ascensão.
–Estudantes de fotografia são furiosos, Watson?
–Não, não sei, só disso isso pra fazer o drama. – ela fez cara de retardada enquanto falava, mas logo depois voltou com a expressão furiosa. – Espera, você disse de novo. Morra, Jones.
E assim ela me atacou com mais e mais almofadas. Eu saí correndo pelo apartamento, vasculhando os quartos em busca de travesseiros, almofadas e afins. Ficamos nesta guerra por mais alguns minutos.
–Ta bom, chega. Eu me rendo. – eu disse, cansada.
–Fraca! Eu disse que você iria sofrer a fúria de uma estudante de fotografia em ascensão.
–O que não tem nada a ver, mas ta né. – comecei a rir.
–Silêncio aí, Jones. Agora vou ter meu soninho de beleza, por que amanhã preciso estar linda e diva para o Nathan. Boa noite, coisa.
–Sei, sei, sua safadona.
–Já mandei fazer silêncio, Jones.
–Certo, senhorita Watson. – ela me fuzilou com o olhar. – Boa noite, coisa.
E assim, cada uma se dirigiu ao seu quarto.
Notas finais
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