The One With The Birthday Party...

5 The beast and the maiden fair


Notas iniciais
Demorei um tempinho pra postar um cap novo maaaaas...Sabe como é ne..Sem internet é foda -.- Espero que gostem...

A cidade estava em alvoroço. Expedições de resgate estavam se tornando quase que uma rotina para o pessoal de Storybrooke. Não que isso tornasse o fato menos desagradável. A reunião foi ali mesmo, na loja de Gold. Após definir algumas tarefas, boa parte da população se retirou, deixando mais espaço para os escolhidos estabelecerem um plano de ação. Quando as coisas já estavam basicamente acertadas começou a fase dos preparativos.

– Henry! – Emma acenou para que ele de aproximasse – Toma, quero que você fique com isso e... – ela começou a depositar um punhado de coisas nas mãos do garoto, incluindo as chaves da casa e sua carteira.

–Woooow, espera, espera... – Henry fez um movimento defensivo e jogou tudo de volta à loira – Vocês não estão pensando em me deixar aqui, né??

Emma procurou o olhar de Regina por ajuda. A mulher deu de ombros.

– Olha, filho...

–MÃE, eu NÃO sou mais uma criança! – Emma se assustou um pouco com o tom impositivo que ele usou. Não rude, apenas firme. Henry realmente estava disposto a mostrar que não era mais aquele garotinho de dez anos que ela conhecera – Minha irmã está lá e não vou permitir que partam sem mim.

Henry cruzou os braços e Emma percebeu que era fim de papo. Realmente a teimosia era uma coisa que ele havia puxado dela.

– Muito bem, — Gold começou a falar – estamos todos aqui e assim que Mary Margaret voltar com os feijões para o portal nós partiremos. Se tiverem mais alguma coisa para buscar é melhor andarem logo. Belle,será que você poderia... – O homem procurou pela mulher a seu lado e só ai se deu conta de que não havia visto Belle desde que haviam se separado a caminho da casa de Regina.

Gold vasculhou o aposento na esperança de encontra-la em algum canto, mas nada.

–Não...

Tudo tinha sido tão rápido e ele havia pensado que ela estava no meio da multidão que havia se juntado um pouco antes. Mas não se via a mulher em lugar algum. Regina tocou se ombro.

– Gold...?

Quando ele se virou ela pôde notar pelo seu olhar que a situação acabara de piorar. Mais.

– É Belle... Ela também desapareceu.. – a voz do homem já era quase um sussurro.

Bae colocou-se a seu lado.

– Pai, tem certeza de que ela não está aqui? Quem sabe ela só não está com alg..

O olhar de Gold disse tudo. Ele não precisava continuar falando, e no fundo, também sabia que numa situação dessas Belle não estaria em nenhum outro lugar a não ser ali. Gold começou a remexer as prateleiras e papéis voavam pelo aposento. Quando encontrou o que desejava, estendeu a folha sobre a bancada. O pessoal, que agora se resumia nos Mills, David, Ruby e Baelfire, se amontoou em cima do balcão uma segunda vez. O que Gold havia aberto era uma espécie de mapa. Para ser mais exato, o mapa da cidade. Com um encantamento, ele tocou o papel e esperou. Todos olharam ansiosos, mas nada aconteceu.

– Como eu imaginava... – murmurou desapontado.

– O que é isso, afinal? – perguntou Emma.

– Coloquei um rastreador no anel de Belle.

– Você colocou um rastreador na sua mulher?? – Emma prosseguiu incrédula.

– Já tentaram roubar Belle de mim duas vezes se não se lembra Srta Swa.. – ele se corrigiu antes que Regina lhe lançasse um olhar zangado – Sra Mills.

Gold agora só usava aqueles termos formais quando estava nervoso. Emma percebeu que talvez tivesse sido melhor manter a boca calada. Para a sorte dela algo no mapa começou a tomar forma e desviou a atenção do Senhor das trevas.

– Como eu havia suspeitado.. – murmurou, batendo com o punho no balcão.

A mesma palavra de antes no globo jazia escrita em vermelho no papel.

–É... Ou alguma coisa aconteceu, ou parece que alguém realmente o quer lá – Bae completou mais para si mesmo do que para o pai.

Nesse exato momento Mary entrou porta adentro (ou melhor, vão adentro). Ela trazia na mão um saquinho de couro, que provavelmente continha os feijões. Após a volta de Neverland, e as coisas acalmadas com Regina, eles haviam recomeçado a plantação para casos de emergência. E aquilo acabara de se tornar uma dupla emergência.

Gold estava tentando controlar seus nervos. Haviam pisado direitinho no seu calo. E a julgar por sua reputação, as coisas não iam ficar assim. Emma tocou seu braço numa tentativa de acalma-lo.

– Nós vamos trazê-las de volta – ela prometeu – Ambas.

Ele assentiu com a cabeça e tentou se endireitar.

–Muito bem... Parece que já estamos todos aqui.. – disse.

Regina interrompeu de repente.

– Espera...

Com o evento decorrente ela havia se esquecido de uma coisa.

– Ainda tem algo de que eu preciso...

Gold olhou ainda mais furioso, como quem diz “eu não lhe dei esse tempo antes??!”.

– Eu já volto.

Dito isso, ela sumiu em sua nuvem roxa sem deixar espaço para mais perguntas.

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A prefeita apareceu diretamente em seu quarto. Ao contrário de Gold minutos antes, ela sabia exatamente onde encontrar o que procurava. Os tempos haviam mudado há muito, mas ela não se esquecera daqueles dias. Não mesmo.

Assim que tocou o envoltório de veludo as memórias irromperam em sua mente.

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(Passado)

Já fazia alguns dias desde o encontro, um tanto trágico, com Tinkerbell. Regina se sentia sozinha, incompleta e pela segunda vez, após a morte de Daniel, completamente perdida. Ela havia enxotado a fada e uma suposta chance de felicidade de seus aposentos naquela noite. Havia aprendido que o amor era uma forma de fraqueza. Mas mesmo depois de tanto tempo sem seu único amado, ela se sentia mais forte? Mais focada? Não tinha certeza. Na verdade a única certeza que ela possuía agora era a de que vinha se tornando algo que havia repudiado toda sua vida. Mais amargurada. Isso. Era exatamente assim que conseguia se enxergar através do espelho. Se este fato estaria tornando-a mais forte ela já não sabia dizer.

Regina olhava pelo parapeito de sua sacada. O mesmo que a havia derrubado naquela noite. A floresta adiante trocava limites com seu enorme castelo. Era bonito ver como a paisagem se dividia entre o verde selvagem e as brancas pedras da civilização. De certa forma era assim também que ela se sentia. Dividida. Largada naquela fortaleza. Nem o rei tentando agrada-la ela tinha mais. E por sua própria culpa. Se ela o amara? Claro que não. Mas pelo menos não se sentia tão sozinha. COMPLETAMENTE sozinha. De impulso, decidiu ir até lá. Qualquer coisa que a afastasse nem que fosse por algumas horas daquela prisão.

Assim que chegou aos portões, dois guardas se prostraram a seu lado. Ela fez um aceno negativo.

– Não. Eu vou sozinha.

– Mas minha rainha... – começou a protestar um dos guardas.

– Exatamente. EU sou SUA rainha e ordeno que fiquem aqui – Regina continuou com um de seus olhares penetrantes – Não vou demorar. Só... Preciso dar uma volta.

Meio que a contragosto os dois homens assentiram e deixaram-na passar.

A floresta era bem embrenhada em alguns pontos. Tão fechada que fez com que ela se sentisse quase que em um cômodo. E ainda assim é melhor do que o meu quarto, pensou. Regina nunca fora também do tipo “menina da cidade”. Ela amava seu cavalo, os campos e o ar livre. Mas isso tudo estava de certa forma no passado. Entrar novamente em contato com a natureza fez com que ela se sentisse um pouco melhor e não levou muito tempo para acostumar-se a andar por ali.

Após alguns minutos de caminhada ela deparou-se com uma clareira. A luminosidade cortava caminho pelas copas das árvores penetrando o chão como flechas. As partículas de poeira brilhavam no ar dando ao lugar um aspecto quase surreal. Regina ficou encantada. Encontrou um tronco por perto e sentou-se, admirando o cenário. Até o aroma ali parecia diferente. Parecido com... Ela já havia sentido esse cheiro antes. Brisa do mar? De fato. Era essa impressão que ela tinha. Regina riu sozinha com o pensamento. E como poderia ser? Estava à centena de quilômetros de qualquer praia ou até mesmo rio.

Um ruído atraiu sua atenção. Parecia vir de um grupo de arbustos do outro lado da clareira. Ela não queria dar importância àquilo, porém, quando o som se intensificou ela prostrou-se de pé, na defensiva.

– Quem está ai? – foi a única coisa que lhe veio à cabeça.

Como esperava, não obteve resposta. Já estava se preparando para sentar novamente quando alguma coisa irrompeu clareira adentro. De costas, Regina sentiu o chão tremer e pôde ouvir o som dos arbustos se arrebentando em milhares de pedaços. Ela nem precisou se virar para ter certeza de o que quer que fosse, era grande. Foram milésimos de segundo e quando ela conseguiu colocar os olhos na criatura era quase tarde demais.

Seu instinto a salvou momentaneamente, quando conseguiu por um triz se jogar para o lado. A fera passou tão perto do corpo da rainha que, após seu primeiro movimento, a própria rajada de vento que o corpo enorme produziu contribuiu para jogar a mulher para fora do caminho. Regina empalideceu e arregalou os olhos. O animal voltou-se novamente contra ela, colocando-se agora sobre duas patas. “Grande” era pouco. Ele era imenso e aterrorizante. Tranquilamente tinha mais de dois metros. A besta rasgava o ar com as patas gigantes e Regina tentou esquivar-se novamente. Mas desta vez, não foi rápida o suficiente.

Ela sentiu uma das garras perfurar seu braço como uma navalha. A rainha não conseguiu evitar e caiu contra o chão. O urso negro, ainda de pé, elevava-se sobre a mulher, paralisada demais para tomar qualquer atitude. Sua sombra daria pra cobrir duas Reginas e ela se arrependeu de não ter trazido os guardas consigo. A fera preparou sua última investida. Então este é o meu fim – pensou ela – “Nadar, nadar e nadar... Pra morrer numa clareira, que tem aroma de praia, devorada por um urso. Que irônico”.

Regina fechou os olhos. Sentiu o tempo mais lento e o peso do corpo enorme que se aproximava cada vez mais. Um zunido cortou o ar, seguido de um urro de dor. A rainha, ainda com os olhos apertados, se perguntou se não havia sido ela. Levou algum tempo até finalmente conseguir encarar a cena. A primeira coisa que fez foi apalpar toda extensão do seu corpo. Um filete de sangue escorria farto por um de seus braços, mas não parecia sentir dor em nenhum outro lugar. Porém, ao percorrer o vestido branco com os olhos, vislumbrou a enorme mancha rubra em seu tórax.

Por um segundo ela pensou que estava morta. Quando reuniu coragem para conferir, constatou, entretanto, que o sangue não era seu. O urso negro jazia deitado a seu lado, ainda vivia, mas respirava com dificuldade. Uma poça de sangue havia se formado logo abaixo da flecha cravada no lado esquerdo de seu peito. A rainha ergueu-se lentamente e percebeu que não estava sozinha. Quando se virou, sentiu um misto de surpresa e desconfiança, talvez até medo.

Uma figura encapuzada e totalmente coberta por uma capa negra a fitava de cima de um amontoado de troncos velhos logo à frente. O arco em sua mão confirmava que havia sido ela a salvá-la. Regina encarou aquela imagem por mais alguns segundos. Tinha porte atlético, com certeza, mas não parecia um homem muito robusto. Com a vestimenta era praticamente impossível visualizar quem estava por detrás do manto e o medo deu lugar à curiosidade. O ser ainda permanecia imóvel e em silêncio, parecendo divertir-se com a inspeção visual da mulher. Um novo urro do urso fez com que ambos se voltassem para o animal no chão.

– Você está bem? – finalmente disse a pessoa de preto.

Ouvir a voz daquele ser misterioso pegou Regina de surpresa por um instante. Tinha um tom suave e diferente de qualquer voz que ela já havia escutado e mais, não parecia ser masculina. A rainha conseguiu assentir um “sim”. Numa fração de segundo, a figura pulou tronco por tronco até atingir o solo ao lado da mulher. Eram movimentos graciosos e precisos, quase como se flutuasse sobre o chão.

– Sente-se ali – a figura indicou o tronco em que Regina estava anteriormente.

Só após sentar-se e decidir que a situação estava pelo menos controlada foi que ela sentiu a dor de seu ferimento em toda sua extensão. A adrenalina havia amenizado seu sofrimento em detrimento de sua necessidade de viver. Regina tocou o braço e estremeceu ao sentir o rasgo que agora brotava de sua pele. Controlou-se para não gritar. O ser encapuzado aproximou-se e tirou um pedaço de tecido de dentro da capa.

– Pegue – disse estendendo o pano para ela – Aperte no ferimento. Eu já volto.

As ordens foram claras e a rainha decidiu que não era hora de protestar. Após enfaixar de forma bem rudimentar seu braço ela observou a figura de preto se colocar ao lado do urso. Ele quase já não respirava e alguns de seus membros sofriam espasmos. A figura ajoelhou-se e tocou-o suavemente. Com um movimento rápido ela quebrou o cabo da flecha, deixando apenas sua ponta cravada no pelo negro. O animal ainda conseguiu grunhir de dor. Diante daquela cena, Regina conseguiu até sentir pena da fera. Afinal de contas, os humanos conseguiam feri-la com muito mais intensidade. O animal só estava seguindo seus instintos.

O urso agora tinha os olhos fechados e o vai e vem fraco de seu peito diminuía cada vez mais. Parecia aceitar seu fim. Foi então que o ser de preto surpreendeu Regina. De suas mãos que pairavam a poucos centímetros da ferida da flecha emanava agora uma luz azul. O brilho fraco no começo foi ganhando intensidade, assim como o batimento cardíaco do urso. A rainha assistia admirada o animal voltar à vida como num passe de mágica. Mágica.. – pensou ela.

Uma vez cicatrizado, o imenso urso abriu os olhos e lentamente se colocou sobre quatro patas. Regina levou a mão à boca para gritar quando ele virou-se na direção do ser encapuzado, mas deteve-se quando assistiu a figura tocar a cabeça do animal. O olhar da besta de anteriormente deu lugar a uma expressão serena. A mesma fera que tentara mata-la minutos antes trocava um afago com a pessoa à sua frente. Ela proferiu algumas palavras em um idioma que Regina não reconheceu e o urso começou a caminhar tranquilo de volta à mata. Antes, porém, de se embrenhar na floresta, o animal se virou e encarou a rainha. E Regina pôde jurar ver o urso dirigir-lhe um leve aceno com a cabeça antes de desaparecer.

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Agora já estavam todos prontos e preparados para a viagem. Ficara combinado que Bae (Neil havia decidido que depois de tudo, já era hora de voltar a usar o nome verdadeiro. Afinal, todos os seus vínculos com o passado nesse mundo haviam sido deixados pra trás, inclusive a possibilidade de ter Emma) permaneceria em Storybrooke para cuidar da loja de Gold e ser um elo com eles do outro lado, uma vez que Belle também estava desaparecida. Leroy, os anões e Archie o ajudariam. Com os cargos de prefeita e xerife vagos, eles teriam muito trabalho a fazer para manter a ordem na cidade. Os protagonistas da expedição estavam reunidos na rua principal e o portal já ia ser aberto. Antes de embarcarem para o outro mundo, Emma se virou para Regina.

– O que é que você foi pegar? – indagou.

Regina deu de ombros.

– Não sei muito bem o que é... – ela jogava o saquinho de veludo pra cima e pra baixo na palma da mão – mas devo levar isso de volta.

– De volta?? – Emma disse um pouco preocupada.

A palavra atraiu Gold que estava ali perto, e logo todos os outros. Regina agora estava cercada pela curiosidade alheia. Ela suspirou e começou a falar.

– No passado, antes de eu me tornar a Evil Queen... Eu conheci uma pessoa. – ela fez uma pausa – E essa pessoa, era de lá.

Mary Margaret arregalou os olhos, e Emma não fez muito diferente disso.

– De lá?? Avalon? Você quer dizer conheceu alguém de Avalon? – Emma estava quase atropelando as palavras, incrédula.

– Mais do que isso Emma... – Regina suspirou novamente – Quero dizer que eu já estive em Avalon.

Notas finais
O próximo ja vem em seguida...=)) demorou mas eu escrevi e guardei algumas coisas o// Hope u like it