The One With The Birthday Party...
11 Marching toward battle
Notas iniciais
A luz trêmula da chama iluminava os degraus à medida que ela descia. Como sempre a câmara era dominada pela escuridão e pelo frio, mas naquela visita particularmente, Morgana sentiu que o local estava mais gélido do que de costume. A tumba de Arthur. Dentre todos os outros pontos magníficos de Avalon aquele era para ela, sem dúvida, o mais sagrado. Após descansar a tocha num apoio Morgana se aproximou do sarcófago central. A câmara circular era preenchida por várias estruturas parecidas com aquela.
– Mesmo depois de tudo Arthur... Você nunca os abandonou não é? – ela sorriu — Trouxe seus cavaleiros, um por um, para descansarem junto de ti...
Ela tocou o sarcófago de gelo. Aquilo havia sido obra dela própria em conjunto com Merlin. Bons tempos. Assim seria possível admirar o cavaleiro em seu sono perpétuo, eternamente conservado da forma que ela se recordava.
– Você era um bom irmão, Arthur... – com um tom carregado de tristeza ela deixou uma lágrima percorrer sua face — Me ajude... Preciso de sua orientação...
Assim que ela deixou a tumba, a escuridão reinou novamente. Os cavaleiros em seus leitos de gelo repousavam com nada além do silêncio a sua volta.
Alguns segundo depois, porém, uma esfera de energia surgiu no centro da câmara. Pairava a poucos centímetros do sarcófago de Arthur. O cavaleiro petrificado descansava com a espada em seu peito. O brilho da esfera se intensificou, absorvendo as sombras e envolvendo o local em uma imensidão azul clara, quase branca.
As paredes se abalaram e sem sinal algum ela desapareceu, devolvendo ao local a aparência de sempre. Tudo voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. Pelo menos exteriormente. No centro da tumba, no leito de Arthur, o cavaleiro ainda repousava, as mãos junto ao peito. Mas desta vez, elas estavam vazias.
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– Já é hora – Morgana anunciou retornando ao salão principal.
Todos aguardavam reunidos próximos à mesa. Eles vestiam agora trajes de guerra. Cada uma das armaduras havia sido projetada para eles por Morgana, de forma que se encaixavam perfeitamente. A única que não era feita de metal era a de Ruby. Morgana havia moldado pra ela algo diferente, numa espécie de couro. Desta forma, a mulher não teria problemas caso precisasse se transformar. Espadas pendiam dos cinturões da maioria e Mary Margaret trazia um arco de prata nas costas.
– Muito bem... Vamos lá – disse Emma embainhando sua espada – Vamos salva-las.
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O homem andava de um lado para o outro. Sua aparência era a de um senhor de idade já um pouco avançada, mas seu porte físico não era frágil. Muito menos era o olhar em seu rosto. Sua expressão era gélida e compenetrada. O choro de um bebê preencheu o silêncio. A mulher que estava amarrada sobre a mesa de pedra despertou com o barulho. A face do homem se transfigurou num sorriso perverso. Passos ecoaram do outro lado do aposento atraindo sua atenção.
– Estão prontos, mestre – disse uma figura envolta por uma capa.
– Finalmente... – o sorriso se intensificou em seu rosto.
– Nãaaao!! O que é que você vai fazer com eles?! – gritou Belle.
Ele voltou-se para ela que tentava desesperadamente se soltar.
– Já não passamos por isso antes? – ele gesticulou para Belle que se contorcia na mesa – Sabe que não vai adiantar de nada, não é?
Ele deu uma risada sinistra.
– Abra o portal. O jogo vai começar.
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– Então... Onde é que fica esse “covil do mal”? — Emma perguntou assim que eles deixaram o castelo de Morgana.
– Não faço à mínima idéia... – Morgana respondeu.
Henry arregalou os olhos – O que?? – ele soltou sem querer.
– Não entenderam ainda? – ela, que liderava o grupo, parou e se virou para eles – Ele quer vocês lá. Se isso aqui fosse a Terra, ele teria praticamente mandado uma limusine para apanha-los.
O pessoal pareceu refletir sobre o assunto.
– Além do mais, se ele não quisesse, seria praticamente impossível para nós acharmos.
– Quer dizer então que ele vai nos... Buscar? – indagou Ruby ainda um pouco receosa – Não é fácil demais assim?
Antes mesmo que Morgana pudesse assentir um portal surgiu à frente. Eles já estavam ficando acostumados com essa ideia de portal, mas aquele, ao contrário de todos os outros que já haviam visto, era totalmente preto... Parecia um buraco negro e veio sugando toda luz que havia em volta. As tochas que estavam fixadas na parede do castelo foram consumidas e a fumaça que delas saiu se espalhou pelo ambiente, envolvendo tudo numa névoa. As árvores começaram a se balançar e o chão tremeu com o vento intenso que começava a soprar agora. Regina segurou Emma em uma mão e o garoto em outra.
– Ai está – Morgana disse – Essa é nossa passagem.
Antes que todos entrassem ela ainda se virou para uma última frase.
– E Ruby... – disse — Isto está só começando. E com ele, nada vai ser “fácil demais”...
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Quando o portal os deixou, Regina teve que se apoiar em Emma para não ir ao chão. David segurava Mary Margaret com a mão em volta de seu ombro e Ruby aterrissou com as mãos apoiadas no chão. Quem realmente se surpreendeu foi Gold. Estava usando antes a espada como apoio, mas quando tocou o chão não sentiu dificuldade de se equilibrar.
– É encantada – disse Morgana.
– Perdão? – respondeu Gold sem ter certeza de que ela falava com ele.
– A armadura. Não vai precisar se apoiar nisso enquanto traja-la – ela indicou a espada – Alterei o equilíbrio do metal para compensar sua perna.
Ele deu mais uma olhada no trabalho da maga. Realmente parecia funcionar e a sensação de andar livremente outra vez o fez sentir um pouco melhor. Gold assentiu com a cabeça um “obrigado”.
Eles se viraram então para encarar seu destino. A torre à frente era a maior estrutura que Emma já havia visto. Construída com pedras negras, ela se fundia com o manto da noite e por mais que ela erguesse o olhar não dava para enxergar o topo. Não perecia ter janelas e a única entrada visível era o portão imenso a alguns metros deles. Uma caveira sinistra estava esculpida nele. O crânio tinha boca escancarada e Emma teve a estranha sensação de que ele a encarava com seus imensos olhos vazios, pronto para devora-la.
Ela engoliu em seco – Bom... Acho que é agora.
– Espera! – gritou Ruby de repente – A lua... – ela apontou para o astro acima deles – Quando saímos do seu castelo eu vi... Ela estava cheia. E agora...
A lua acima era apenas um risco em forma de “C”. E ao contrário da outra prateada, aquela tinha um tom rubro e a luz que ela refletia gerava na paisagem o mesmo efeito. Era como se tudo estivesse mergulhado em sangue.
– Isso não vai ser problema – disse Morgana – Temos quatro luas em Avalon. Por isso temos várias estações bem definidas em cada canto. E por isso vocês saíram de uma floresta e deram de topa com um deserto de gelo. Estamos do outro lado da ilha... Aqui a lua é nova. Mas não se preocupe... Todas elas têm influencia em Avalon, de certa forma.. Não vai ser um problema pra você.
A jovem pareceu se aliviar parcialmente, mas ainda continuava com o olhar congelado no céu.
– Quanto ao tom... – Morgana continuou – Uma batalha se aproxima e de uma forma ou de outra, sangue será derramado.
Regina puxou Henry e Emma de forma protetora.
– Já chega de conversa – ela disse – Vamos cortar logo esse mal pela raiz.
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O ar estava insuportavelmente quente. Apesar do exterior da torre ser descomunalmente grande, o interior parecia ainda maior. Era como se as paredes fossem infinitas. Não dava pra ver um fim, nem para frente, nem para cima. Apesar de estar boquiaberta, Emma não se espantou de todo. Magia…– pensou. Já estava se acostumando a não pensar nessas situações da forma lógica comum. Nada ali era comum. Logo que puseram os pés dentro da torre eles se depararam com uma ponte de pedra. Era a única passagem para o outro lado e era extremamente longa. Henry se aproximou da borda.
– Wooow! – ele exclamou boquiaberto.
Um rio de lava corria por debaixo da ponte e, vez ou outra, bolhas de vapor estouravam respingando o material incandescente para cima.
Regina começou a se aproximar também, mas deteve-se quando a ponte chacoalhou. Ela puxou Henry de volta para o restante do grupo. A lava que corria se elevou numa onda por cima da ponte e pouco a pouco foi tomando a forma de um rosto. Morgana teve um calafrio.
– Merlin... – ela sussurrou.
O rosto do homem tinha uma expressão marcada. Os olhos parecidos com os de um predador e sua boca estava contorcida num sorriso de escárnio. Era a própria face do mal esculpida. Quando ele falou, a voz ecoou pelas altas paredes de pedra num tom gutural.
– Não, minha querida... O velho está morto e você tem que aceitar o fato de que nunca mais vai tê-lo de volta.
Morgana fechou a mão e estava para dar um passo a frente, quando foi detida por Emma. Ela segurou seu braço firmemente, mas num gesto de conforto.
– Calma. Nós vamos pega-lo – a loira disse.
Emma sentiu que a mulher cerrou mais os punhos, porém acabou anuindo.
– Eu tenho alguns testes para vocês – a voz tornou a falar – Se passarem elas serão suas de novo...
O rosto flamejante se transfigurou mostrando Belle que estava amarrada sobre uma mesa de pedra e Helena que flutuava presa em uma esfera de energia. Regina deu um passo à frente com a mão pronta para lançar um feitiço.
– Seu filho da mã.._
Henry foi quem a deteve desta vez. Ele puxou Regina pelo braço e se colocou na frente dela.
– Não mãe! Não vai adiantar!
– O garoto tem razão — gritou Morgana — Guarde suas forças, Regina. Vamos precisar.
A lava se transformou novamente no rosto do mago. A risada macabra que ele soltou preencheu a imensidão da construção e ecoou o que parecia ser milhares de metros à frente. Mary Margaret segurou a mão de David que já empunhava a espada. Gold apertava o cabo da sua se controlando para não surtar como Regina.
– Você vai pagar por isso…– ele se limitou a sibilar.
O olhar do mago percorreu todos os integrantes do grupo e pousou em Gold.
– Ahh eu já estava quase me esquecendo de você… — Ele sorriu de forma ameaçadora – O Senhor das trevas… — ele encarou Gold olho no olho.
– Não tem ideia de com quem se meteu– Gold retribuiu no mesmo tom.
– Ahh sim… Então creio que não há problema nenhum na minha oferta, não é? Já que confia tanto em si mesmo…
Cada palavra do homem, se é se que podia chama- lo assim, fazia um calafrio percorrer o corpo de Emma. Ruby estava a seu lado com a mão no ombro da amiga. Seus olhos já começavam a esboçar os traços da fera que ela guardava dentro de si.
– Muito bem.. — disse Regina — Chega de enrolação Merlin.. Ou Mordok, ou o diabo que você seja, eu não dou à mínima. Quanto antes formos a diante com isso — ela fez uma pausa olhando a figura diretamente nos olhos — Mais rápido eu chutarei o seu traseiro “divino” de volta ao lugar de onde nunca devia ter saído.
O mago pareceu se divertir com a ameaça.
– Ora, ora… Até que você merece a fama de que tanto ouvi falar depois que deixou Avalon pela primeira vez… Você teria me servido razoavelmente bem nos meus planos anteriores... Mas analisando a situação, você será muito mais útil agora. E a sua filha... Bom, não tenho nem palavras – Regina agora o fuzilava com o olhar, e era isso que ele queria — Pois bem.. Vocês têm minha palavra, diante dos Poderes. Se passarem por todas as tarefas, vocês as terão de volta. Se falharem… Bom, creio que já sabem o resto. — ele sorriu — Que os jogos comecem.
Assim que terminou a frase a lava retornou a correr por sob a ponte, porém desta vez num ritmo muito mais acelerado e as explosões fumegantes eram agora ininterruptas. A imensidão voltou a ficar em silêncio, somente o estalo das chamas eram ouvidos.
– Como sabemos que ele está dizendo a verdade? — disse David finalmente.
– Ele se comprometeu diante dos Poderes… — explicou Morgana — Não se pode quebrar um juramento assim. Nem mesmo um deus…
– Então o que ele ganha com isso?? — perguntou Mary Margaret.
– É simples… Ele quer que tenhamos esperança em salva- las. E tem certeza de que não vamos sobreviver no caminho.
– Bom, acho então que vai ser um prazer desaponta- lo – disse Gold.
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