The One With The Birthday Party...
13 Because you're my friend...
Notas iniciais
A batalha não estava nada fácil. Apesar de o grupo estar em maior número e possuir um praticante de magia, as energias de Morgana pareciam inesgotáveis. Cada investida da maga era um desafio e Gold aparava seus golpes como podia. Sua força aparentava sofrer reais mudanças naquela ilha. Após severas dezenas de minutos, a disputa ainda permanecia acalorada. Emma se concentrava em golpes com a espada, enquanto Gold fazia o possível com feitiços. Os Charmings protegiam Henry num canto mais distante, mas o garoto lutava para se libertar. Regina, atônita, assistia a tudo sem poder fazer muito. A cápsula de Gold era poderosa e era sua prisão no momento. Mas foi então que ela percebeu. A esfera flamejante que saiu das mãos da maga quase acertou o homem em cheio. Gold mal conseguiu aparar o ataque.
– GOLD!!! – a morena gritou – Não pode me prender aqui para sempre! Está consumindo sua energia!
O homem lançou um breve olhar para a prefeita enjaulada, focando-se com esforço para não baixar a guarda.
– Não adianta Regina! Não posso permitir que você saia... Sinto muito.
Emma assistia a discussão sem interromper os golpes com a lâmina. A maga se defendia de cada um deles com um simples feitiço de aparar. Parecia inútil. Tudo o que haviam feito até agora só os havia enfraquecido, enquanto que Morgana não esboçava qualquer sinal de cansaço. Ruby ajudava a loira com sua própria espada.
– Ruby! Você precisa tentar de novo! – Emma gritou enquanto desferia um golpe de cima para baixo.
A morena de cabelos longos balançou a cabeça.
– Não consigo! – devolveu, desapontada – Está muito longe!
Emma se lembrou então da explicação de Morgana mais cedo. Avalon possuía quatro luas. Uma em cada canto da ilha, de forma que todas as estações reinassem em conjunto, formando um mosaico de paisagens deslumbrantes por toda sua extensão. Ruby tinha razão. A lua cheia estava a quilômetros dali, mas ainda possuía sua influencia.
– Precisa tentar Ruby! Tem que se esforçar! Precisamos de você!
Morgana, que havia aparado os golpes da loira com a mesma facilidade de antes, aproveitou-se do momento e atirou uma onde de energia sobre Emma. A mulher foi ao chão, protegendo-se como podia. Gold preparou um feitiço, mas no exato instante uma parede de chamas o envolveu, separando o homem da luta. Ruby assistiu à maga se aproximar da amiga caída e reuniu todas as suas forças num ato desesperado de proteção.
– NÃAAO!! – ela rugiu enquanto corria na direção da maga – Fique longe dela!!
Morgana levantou a mão para lançar um encantamento, mas as palavras não chegaram a sair de sua boca. A jovem atirou-se passando por sobre a loira no chão e indo de encontro à mulher de negro. Antes, porém, de chocar-se com a maga, ainda no ar, todos ali assistiram à transformação. Seu corpo se alongou e os pelos escuros desceram por toda sua extensão. Os olhos se estreitaram e os braços esticados não acertaram a maga. Ao invés disso, foram duas patas pesadas, abertas em garras, que colidiram bruscamente contra o peito de Morgana, levando-a de encontro às frias pedras da ponte. Isso deu o tempo necessário para Emma recuperar-se.
Regina assistia a tudo, desesperada. Batia nas paredes de energia, mas não conseguia se soltar. Quando viu Emma ir ao chão um grito de desespero lhe escapou da garganta. Foi ai que Ruby apareceu. Em seus últimos esforços, a jovem finalmente havia conseguido invocar seu espírito selvagem e libertar sua fera. Maga e lobo travavam agora uma luta no chão. Emma conseguiu se levantar. A loira viu o pai dar alguns passos em sua direção, mas o repreendeu no mesmo instante.
– Não!! Fique com Henry!
David relutou, mas acabou assentindo e retornando. Morgana finalmente se desvencilhou do animal que investia sobre ela, atirando o lobo para frente. Ruby caiu aos pés de Emma, mas logo se pôs sobre quatro patas, rosnando de forma ameaçadora. Gold nesse momento também conseguiu se livrar do imenso paredão de chamas que o envolvia e juntou-se às duas.
O grupo estava novamente reunido e favorecido agora com a força extra de Ruby. Morgana podia ser incansável, mas eles também não cairiam assim tão fácil. Um breve olhar de respeito cruzou a face da maga. Foi muito rápido, mas Regina conseguiu notar. Afinal de contas, apesar da situação toda que ela não entendia, Morgana não deixava de ser a amiga que ela conhecera. Mas então aquele sentimento ruiu, dando passagem a um olhar maldoso, carregado de ódio. As pupilas da maga enegreceram-se novamente e um sorriso de escárnio brotou de seus lábios.
– Vocês podem até achar que estão progredindo, mas estão apenas retardando sua derrota... – ela sibilou – Só que já estou começando a ficar cansada dos seus joguinhos que não levam a lugar algum...
A mulher de negro ergueu as duas mãos e as palavras saíram de sua boca num tom espectral. Era como se eles estivessem hipnotizados, pois ninguém conseguiu agir naquele momento. Um medo inexplicável cruzou o peito de Regina e ela procurou conforto no olhar do filho. Henry parecia sentir também. As coisas estavam para piorar.
– Askhan liet donkart Darkhar! – o feitiço foi pronunciado num ritmo frenético, três vezes.
A entonação de Morgana subia a cada nova frase do encantamento e isso aumentava o calafrio em todos ali. De repente, um estrondo abateu a ponte, como um trovão. A estrutura toda se chacoalhou, obrigando o grupo a se apoiar uns nos outros. O sorriso maléfico da maga se intensificou à medida que ela vislumbrava o terror crescer nos olhos de seus adversários. A lava que corria por debaixo da ponte erguia-se agora por detrás de seu corpo e gradualmente foi adquirindo forma. Uma forma terrível, que fez um calafrio percorrer o corpo de Emma. Até o lobo a seu lado pareceu vacilar. O olhar de Morgana, no entanto, era de satisfação.
A imensa cabeça de um dragão de lava aguardava por seus comandos. Os olhos em chamas, as presas se projetando como lâminas, com no mínimo três vezes o tamanho da espada de qualquer um ali. Gold engoliu seco e os Charmings envolveram Henry com mais força. Regina parecia petrificada.
– Sinto muito... – Morgana disse, irônica – Hora de morrer...

Os braços da maga se abaixaram e a fera investiu contra eles pela primeira vez, dividindo-se ao meio ao passar pela mulher de negro, evitando assim que sequer uma gota do líquido fervente lhe tocasse.
– EMMAAA!! – a loira ouviu o grito desesperado de Regina.
Mas era tarde demais. Não havia nada que a morena pudesse fazer ali. Emma cerrou os olhos e se preparou para o impacto. Segundos depois, em meio a uma respiração pra lá de ofegante, ela tornou a abri-los e percebeu que todas as partes de seu corpo ainda estavam intactas. Foi ai então que notou o homem que suava a seu lado. Com um esforço indescritível, Gold sustentava um encantamento de proteção, criando um domo energético em volta deles, mais ou menos como o de Regina.
A força do Senhor das Trevas os havia poupado de uma morte rápida e dilacerante. Henry gritava agora por detrás deles.
– MAMÃAE!!!
Os Charmings assistiam horrorizados, mas mantinham-se na proteção do garoto. Não havia nada mais que pudessem fazer. Ruby uivou de forma amedrontadora, mas de nada adiantaria contra seu atual inimigo. O dragão sobrevoou a ponte e se preparou para uma segunda investida. Emma deu uma olhada no homem a seu lado. Gold já estava começando a ficar pálido. A força do encantamento, as baixas da luta, estavam consumindo sua energia e ela se perguntou se ele aguentaria um segundo assalto. A cabeça da fera os encarou com os olhos vazios e então desceu novamente sobre o grupo.
Morgana sorriu quando o dragão atacou pela primeira vez. Gold havia feito um bom trabalho com a defesa, mas ela tinha certeza de que não duraria. Seus inimigos eram honrados, ela teve de admitir. O que de nada adiantaria contra os poderes da maga, mas ao menos seria uma morte digna. Morreriam lutando por aqueles a quem amam. E até ela admirava essa atitude. Sua besta se ergueu novamente para um segundo ataque. Ela já havia lhe assentido a ordem para investir, quando notou milésimos de segundos depois, uma presença que definitivamente não deveria estar ali no meio.
– NÃAO!! – ela gritou no último instante.
Regina havia corrido e se jogado à frente dos três ali, pronta para receber o ataque da fera flamejante. Com sua própria magia ela ergueu uma proteção, mas no momento exato em que a lava se chocou contra sua parede encantada, o líquido se desfez, explodindo em milhares de partículas brilhantes e inofensivas. Emma demorou a entender o que havia acontecido ali.
– Regina??? Como você..?
Henry aproveitou o momento de distração e se livrou dos dois adultos ali, correndo até as mães. Sem ter o que proteger, os Charmings o seguiram e logo estavam todos reunidos, de frente para a maga. O olhar de Morgana estava agora difícil de decifrar. Emma viu a oportunidade. A mulher havia abaixado a guarda. Era sua chance, talvez a única. Rápida como um raio ela se atirou com todas as forças sobre a mulher de negro e preparou a lâmina afiada para descer de encontro a seu pescoço.
– NÃO!! – desta vez a súplica veio da própria Regina.
E exatamente como havia acontecido com Morgana, a morena conseguiu brecar o golpe de Emma na última oportunidade. Mais um segundo e a espada teria atravessado a maga. No entanto, o metal se desfez naquele momento e a espada que Emma segurava firme nas mãos se desfez, transformando seu golpe mortal num simples banho de água. O líquido respingou de leve no rosto da maga, mas o toque gelado foi a única coisa que a atingiu. Emma ficou petrificada, cara a cara com a feiticeira de negro. Ela cerrou os olhos e se preparou para o contra ataque certeiro que esperava receber agora, mas ele não veio. A loira então se deparou com o olhar confuso de Morgana. A maga permanecia imóvel. Regina então deu um passo a frente, se colocando ao lado de Emma.
– Por quê...? – a maga sussurrou.
Regina suspirou.
– Você pode até negar... Pode não se lembrar de quem era. Não sei o que aconteceu, mas eu me lembro. Me lembro de você e sei que não é assim... – a morena respondeu suavemente.
A calma em sua face, a devoção, era uma coisa que Emma admirou e não se lembrava de ter visto muitas vezes na prefeita.
– Mas... Eu tentei matar todos eles...
– Eu sei... – Regina continuou – Mas você é minha amiga...
Os olhos da maga se umedeceram e ela lutou contra as lágrimas. Morgana deu dois passos para trás e se preparou para dar meia volta.
– Por que você deteve seu ataque?? – a voz de Regina se sobressaiu de repente.
A maga, já de costas, esboçou um leve sorriso e disse antes de desaparecer numa nuvem negra:
– Pelo mesmo motivo...
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