Notas iniciais
Me desculpem pela demora... Tive algumas dúvidas em relação ao capítulo e sobre quem narraria a história.
Mas por fim, decidi que o Edward seria a melhor opção para esse primeiro capítulo.
Espero que gostem ;)
Beijos.

Capítulo 1.

Eu olho em minha volta
Quase tudo faz lembrar você
A música no rádio

Às cenas da TV.
Me dê mais uma chance


Nunca é tarde pra recomeçar
Minha trilha sonora tá pedindo pra você voltar.
Nosso filme – Inimigos da HP.

01 de maio de 2013.

A água fria do chuveiro em minha pele quente me faz estremecer. Mas é exatamente o que eu preciso para despertar desse torpor e me distrair dos pensamentos infelizes do passado que não consigo simplesmente deixar para trás.

Maldita mulher. O que ela tem que me atrai tanto? Porque eu não consigo esquecer a sua existência e me envolver com qualquer outra mulher? Lizzie, minha doce Lizzie. Meu amor, minha princesa, minha vida, minha musa. Quantas noites ficamos até tarde ao telefone sendo tão jovem. Nem seu nome era verdadeiro. Bella. Esse é o seu nome.

Dezembro de 2011. Parece que foi ontem que a conheci. Seu jeito simpático e brincalhão me conquistou logo de cara. Paixão a primeira vista? Não tenho certeza. Mas posso afirmar que meu coração batia mais forte toda vez que a janelinha do meu MSN subia com a frase: “Lizzie acabou de entrar”. Nunca poderia esquecer como nos conhecemos.

~~

Mais uma noite de sexta-feira que eu fico em casa, ao invés de sair com os amigos para beber. Mas quem pode me culpar? São Joaquim* não oferece muitas opções de lazer. Apenas um bar um pouco mais “decente” que os outros e uma boate com atrações regionais e pouco conhecidas.

Com a falta do que fazer, liguei meu computador e entrei em uma sala de bate-papo muito conhecida. É o que eu gosto de fazer quando não há mais nada de interessante a ser feito. Coloquei o que seria meu apelido, Edward, e entrei definitivamente na sala. Muitas pessoas estavam online, em sua maioria apelidos vulgares, indicando características de cunho sexual. Eu ignorava completamente quando pessoas com esses apelidos puxavam assunto. Algumas conversas eram exibidas na tela inicial e me peguei muitas vezes rindo do que escreviam. Cada barbaridade, e que por mais ridículo que fosse, dava vontade de rir. Percebi que entre dezenas de pessoas uma havia mandado seu e-mail e pedia para adicioná-la no MSN, alegando que ali era “cheio” demais para conversar.

Não sei os motivos que me levaram a adicioná-la sem a conhecer ou sequer ter trocado uma palavra com ela. Talvez tenha sido porque seu apelido era simplesmente “Lizzie”, ou porque ela simplesmente pedia para adicioná-la, diferente das outras que acrescentavam algo, como: “Me adicione xxxx@xxxxx.com e teremos uma noite quente”. Adicionei-a e esperei que ela aceitasse o meu convite de amizade, o que foi rapidamente aceito. Aguardei mais um pouco para ver se ela trocava alguma palavra comigo, mas após dois minutos de silêncio, desisti de esperar e eu mesmo enviei uma mensagem:

Edward: Olá guria.

Não mentirei dizendo que aguardei ansiosamente cada segundo de sua reposta. Mal a conhecia, por que ficaria tão ansioso? Continuei na sala de bate papo e conversei com mais algumas mulheres interessantes, não muitas, mas havia uma ou duas que dava para manter uma conversa agradável. Meu MSN tocou e a tela minimizada com o nome “Lizzie” piscou em laranja, indicando que uma mensagem havia sido entregue. Abri-a.

Lizzie: Olá, tudo bem?
Lizzie: Gaúcho, é? Kkkk.

Sorri com sua constatação, provavelmente porque a chamei de “guria”.

Edward: Tudo bem comigo, e você?
Edward: Não sou gaúcho, kkk. Mas sou do sul, interior de Santa Catarina. E você?

Sua resposta não demorou tanto como da outra vez.

Lizzie: Estou bem. Eu sou da capital do Rio de Janeiro.

Hm... Carioca. Imagino que deve ser linda, como a maioria. Percebi que o canto da tela que mostra a imagem estava minimizado por mim, então maximizei para poder ver sua foto. Sorri vendo que eu estava certo. Lizzie é realmente uma mulher muito linda, talvez uma das mais lindas que eu já tenha visto. Rosto fino e emoldurado por longos cabelos escuros e lisos, um belo sorriso e um olhar marcante.

Edward: Cidade maravilhosa, kkk. Sempre quis conhecer o Rio, deve ter coisas interessantes por aí... Festas, baladas, praias...

E aí começamos a conversar sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo. Sua conversa era fácil e inteligente. Simpática e brincalhona, com certeza sorri muito conversando com ela. Descobri que fazia faculdade de medicina e que morava sozinha, pois tinha problemas com os pais. Apenas 20 anos e já muito independente e responsável.

Lizzie: Mas e você? Estuda?
Edward: Faço psicologia.
Lizzie: Isso é ótimo, do jeito que sou, preciso urgente de um psicólogo para me ajudar.

Fiquei em dúvida se foi um flerte e deixei para lá. Ela é bem-humorada, no mínimo está brincando mais uma vez. Conversamos até altas horas da madrugada e de vez em quando ficávamos longos minutos sem falar nada, o que era preenchido por mim conversando com outras pessoas, mas foi realmente um prazer conhecer alguém interessante pelo bate-papo.

~~

Meus olhos arderam com a lembrança. Bons tempos... Como eu queria que tudo fosse verdade, nós estaríamos tão felizes agora. Quem sabe eu não teria realmente me mudado para o Rio de Janeiro e estivéssemos nesse momento tomando café juntos antes de irmos para a faculdade?

Fechei o chuveiro e encostei minha cabeça na parede de box, massageando minhas têmporas para aliviar minha dor de cabeça. Maldita ressaca! Depois de mais uma apresentação fracassada em um bar qualquer, bebi algumas doses de tequila. Nunca me imaginei cantando em bares, afinal cantar era apenas um hobbie, mas ela me encorajou. “Você canta tão bem, seria um cantor maravilhoso!”

Eu não a ouvi até três meses depois de nosso “término”. Eu não conseguia parar de pensar nela um segundo e mal saia de casa. Então decidi cantar para uma plateia, tentando me distrair. Já estava no meio do semestre e eu não conseguiria mais voltar a minha faculdade, que eu abandonei para passar mais tempo com ela, virtualmente. Embora só conversasse com ela a noite e ter tempo de sobra para estudar, psicologia também não era o que eu queria no momento. E ela me dava coragem para arriscar, viver.

Ah Bella... Por que fez isso conosco?

Cantar me faz me sentir um pouco melhor, é como se eu estivesse desabafando o que tenho vivido. Ninguém consegue entender o que estou sentindo, e é bom sentir que estou colocando para fora de alguma forma. A música me proporciona isso, porque cada música conta ou me lembra de um pouquinho do que vivi e senti pela Lizzie. Ou Bella. Quem eu amei, afinal? Ambas são a mesma pessoa, mas não sinto isso.

Saio do chuveiro finalmente e seco meu corpo trêmulo pelo frio. Visto uma roupa qualquer e calço meu par de tênis. Penteio meu cabelo com os dedos mesmo e pego minha mochila com os livros da faculdade de educação física. É, voltei a estudar e em um curso diferente. Nada mais parece igual e de certa forma não está.

No ponto de ônibus enquanto esperava passar o que me levaria até a faculdade, fiquei divagando em mais algumas lembranças... Como pude ser tão burro? Os sinais sempre estiveram ali.

~~

Conversávamos sobre os feriados de final de ano e Lizzie me confessou que sentiu minha falta durante as duas semanas que ficamos sem nos falar. Como eu poderia dizer a ela que passei o ano novo inteiro pensando nela sem assustá-la? De forma alguma que eu arriscaria afastá-la.

Lizzie: Quando poderei te ver pela webcam?

Sorri com sua pergunta. Não sei. Quando? Tudo o que eu mais queria era ver toda a sua beleza ‘ao vivo’, poderíamos ter um encontro virtual dessa forma?

Edward: Sempre que quiser, desde que eu possa te ver também.

Enviei e aguardei impacientemente a sua resposta, que não demorou a chegar.

Lizzie: Poxa, a minha não está funcionando, mas eu queria muito mesmo te ver.

Decepcionei-me imediatamente. Poxa, eu queria tanto vê-la.

Edward: :/

Enviei apenas um emoticon sem ter mais o que dizer. O que eu poderia falar? “Ah que pena, estou louco para te ver. E ah, acho que estou me apaixonando também”¿ É claro que me acharia um louco e me bloquearia/excluiria na mesma hora.

Edward: Eu até poderia cantar para você.
Lizzie: Seria mágico.

~~

Quem não consertaria uma webcam ou compraria outra? Existem algumas de até R$30,00, pra ela isso não seria nada, vindo de família rica como ela mesma me contou. Eu estava tão cego... O ônibus chegou e eu entrei no mesmo, me sentando na última fileira e na janela. Sozinho e com meus fones de ouvido. “Tangled up in you – Staind” começou a tocar e me recriminei pela imagem que veio em minha cabeça.

“And in this world where nothing else is true,
Here I am still tangled up in you...
I’m still tangled up in you.”*

Encostei minha cabeça na janela e suspirei. Um dia de cada vez. Apenas vivendo um dia de cada vez.

Notas finais
*São Joaquim Cidade do interior de Santa Catarina.
* E nesse mundo onde nada mais é verdade, aqui estou eu ainda preso em você. Eu estou ainda preso em você..

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O que acharam? Por favor, me deixem saber!
Beijos