Notas iniciais
A partir desse cap, vou começar a colocar as ideias da musica na fic.
Espero que gostem..
XD

"No verão, depois do Ensino médio

No nosso primeiro encontro

Nós nos beijamos no seu Mustang

Ouvindo Radiohead

A gente roubava o licor dos seus pais

E subíamos no telhado

Falamos sobre o nosso futuro como se soubéssemos

De algo

Mas nunca planejei que um dia

Eu perderia você"


The one that got away — Katy Perry





Décadas atrás, por volta nos anos 80...

Eram umas quatro e meia da manhã. Havíamos acabado de sair de nossa festa de formatura a qual nos conhecemos. Estávamos passeando em seu Mustang preto ouvindo música. Enquanto ele dirigia, eu o observava atentamente a fim de marcar essa imagem em minha mente para que ela nunca mais saia. Bill estava com seu terno cinza totalmente mal vestido, gravata solta e seus olhos estavam maquiados de preto olhando atentamente a rua a qual não havia ninguém. O vento vazia seus longos cabelos também pretos voarem e o seu perfume fazia-me ficar hipnotizada.

–Ei, Katheryn – disse ele – dá pra parar de ficar me olhando? Assim não consigo prestar atenção na estrada.

Desviei o olhar rapidamente e comecei a fitar meus sapatos de boneca. Até que tinham combinado com meu vestido rodado cor-de-rosa que eu estava usando.

Eu e Bill havíamos acabado de nos conhecer. Eu o conheci praticamente há três horas. Ele me pareceu diferente dos outros garotos, tanto fisicamente quanto internamente. Não sei dizer. Só sei que tinha gostado dele, e não estava gostando do silêncio que havia se fixado no carro.

–Bill? Posso te fazer uma pergunta?

–Pode.

–Para onde estamos indo?

–Para a minha casa.

–Para a sua casa? Bill, por favor. Meu pai não vai gostar de eu ir à casa de um estranho a essa hora.

–Não vai demorar, eu prometo. É que eu queria te mostrar uma coisa.

–O que? – perguntei confusa.

–Não vou contar. Vai estragar a surpresa. E já estamos quase chegando. Não vou voltar agora. Se não queria vir comigo era só ter dito antes.

–Não, não é isso. É que...

–O que?

–Deixa pra lá.

Encolhi-me no banco macio um pouco nervosa. O que ele queria me mostrar? Mal o conhecia e eu já estava com sinais de medo. Tomara que ele não perceba.

Minutos depois, já estávamos em frente a sua casa. Era simples, porém bonita. Havia uma escada apoiada na parede, alta o suficiente para chegar ao telhado.

Ainda não estava gostando da ideia de entrar lá. Provavelmente ele mostraria seu quarto e coisas indesejáveis iriam acontecer. Precisava impedir isso.

Já com o carro estacionado, porém ainda dentro dele, comecei a dizer:

–Bill, por favor, leve-me pra casa.

–Não. Já disse que quero te mostrar uma coisa.

–Mas nem te conheço direito. Somos como estranhos e...

–E daí?

–E daí que eu não...

Não lembro se consegui terminar a frase, só me lembro de sentir seus lábios nos meus impedindo-me de dizer mais alguma coisa. Esse foi nosso primeiro beijo, ao som de Radiohead que tocava naquele momento no rádio. O beijo dele era tão doce e calmo, que me fez sentir vontade de ficar com ele, e não ir embora como planejava segundos atrás.

– Katheryn – disse ele com uma de suas mãos acariciando meu rosto com delicadeza – Confie em mim, minha linda. Você vai gostar do que tenho para te mostrar.

Concordei com a cabeça, ainda sem condições de dizer algo direito. Ele saiu do seu carro e após dar a volta no mesmo, abriu a porta para mim, sorrindo. Pegou as chaves de sua casa e me pediu para que eu esperasse um instante que ele já voltaria. Pouco tempo depois, voltou segurando uma garrafa e mais algumas coisas.

–O que você quer me mostrar afinal? – questionei olhando para suas mãos.

–Olha, aqui eu tenho Licor, um estilingue e um saco de pedras, mas não é isso que quero te mostrar.

–Licor? Aonde você conseguiu isso?

–Peguei escondido dos meus pais. Eles nem vão perceber uma garrafa a menos.

–Você sempre rouba bebida dos seus pais?

–Às vezes – respondeu sorrindo como se tal ato fosse normal – Vem.

Ele me levou para perto daquela escada alta que estava encostada na parede. Será que ele queria que eu subisse nisso?

Sim, ele queria.

Segurou firme para que eu não caísse e lentamente subi até o telhado. O que ele pretendia com isso? Não podia demonstrar que tenho medo de altura.

Em seguida, ele apareceu segurando suas coisas e ajudando-me a sentar naquele amontoado de telhas. O meu vestido que era de uma cor clara certamente iria ficar manchado pela eternidade. Mas não estava me importando.

A vista de lá de cima era incrível. As luzes da cidade estavam todas acesas, enquanto no céu ainda predominava a escuridão, embora alguns sinais de luz solar já estavam começando a ganhar vida. O horizonte mostrava apenas algumas elevações na terra, que fazia a paisagem parecer o paraíso.

–Posso te chamar de Katy? – perguntou sentando-se ao meu lado.

–Claro.

–E então, agora que acabamos o colegial, o que vai fazer da vida, Katy? – indagou bebendo um pouco de seu licor roubado.

Qualquer um que passaria pela rua acharia que éramos dois malucos ou retardados bebendo em cima do telhado em plena madrugada.

–Bom... eu pretendia fazer faculdade, mas ainda não tenho certeza. E você?

–Não sou inteligente o bastante para uma faculdade. Meu pai quer que eu vá ajudar na loja de música dele, mas não era bem o que queria para a minha vida. Eu queria ser um artista.

–Que tipo de artista?

–Eu gosto de desenhar. Pintar quadros e tudo do gênero – ele disse dando uma outra golada em sua bebida.

–Então quer ser um pintor?

–Sim. Meu pai diz para eu desistir, e que isso é só um sonho doido que não gera lucro. Ele está pensando em comprar uma pequena casa para mim, para que eu possa começar a vida.

–É uma boa ideia.

–Discordo.

Bill continuava bebendo e de vez em quando oferecia para mim. Novamente aquele silêncio longo e incômodo nos atingiu. Eu apenas olhava a paisagem em minha frente. Lá longe, por trás das baixas montanhas, parte do céu já começava a ficar alaranjado, fazendo com que a base das nuvens ficassem da mesma cor.

Todo esse tempo quieta, fiquei pensando em algo para dizer. Aquele silêncio já estava me deixando constrangida de algum modo. Mas Bill se manifestou primeiro.

–Você acredita em amor a primeira vista?

–Mais ou menos – disse sem perceber a indireta – acredito em amor verdadeiro. Não importa se é a primeira vista ou não, desde que a pessoa goste de você também.

–E já encontrou essa pessoa?

–Em parte. Por que?

–Bom... é que ela pode estar mais perto do que se imagina, não é?

–Como sabe?

–Por que essa pessoa está te olhando agora – disse fitando-me. Algo me dizia que estava vermelha – Katy, eu não sei o que deu em mim quando te vi. Você é tão bonita e... e... Droga, não sei o que dizer.

–Não precisa dizer nada.

Como dois imãs próximos um do outro, seus lábios pousaram-se nos meus tão delicadamente como da outra vez. Ele estava mexendo comigo. Ao sentir seus braços envolvendo minha cintura, um arrepio correu instantaneamente pelo meu corpo. Ele estava me enlouquecendo. Tão ingênuo e amável, nunca pensei que um dia conheceria alguém assim.

–Bill – disse ainda abobada – o que queria me mostrar afinal?

–Olha.

Aquela imagem da cidade escura já não estava mais presente. O que prevalecia agora era o lindo nascer do sol vindo de trás das montanhas ao fundo. Com aquilo, percebi que Deus era perfeito por fazer algo tão belo assim e uma pessoa tão incrível quanto Bill.

Enquanto admirava o dia nascendo, Bill pegou seu estilingue e uma das pedras dentro do saquinho. Mirou em um fio de eletricidade onde havia várias pombas pousadas nele e atirou em uma delas. As outras, assustadas, voaram para qualquer direção, fazendo a minha visão ainda mais bonita: o nascer do sol mais os pássaros voando em céu aberto.

Fiquei maravilhada, literalmente de boca aberta. Olhei para Bill e ele estava sorrindo vitorioso. Acho que ele conseguiu o que queria, enfeitiçar-me.



Notas finais
mereço reviews ????????????????????????
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.