The One That Got Away.
1 First.
Notas iniciais
Tão leve quanto a brisa do mar que tocava minha pele, tão suave quanto o movimento calmo das ondas na maré baixa, sua primeira face. Tão estrondosa quanto o soar de um trovão em uma tempestade, e tão devastadora quanto as águas de um tsunami, aquilo que guardara para si.
Recebi um sorriso da estranha sentada à beira do oceano, parecia sozinha, porém confortável, arrisquei-me a responder o cumprimento antes que ela pudesse cair seu olhar para as ondas novamente.
Traçava aquele caminho todas as manhãs e nunca havia visto a garota antes, na verdade nunca encontrava ninguém durante o trajeto, diria que o horário influenciava, era uma surpresa que houvesse uma jovem tão bela desacompanhada observando a maré. Gostaria de ter ignorado a curiosidade, lamentavelmente não o fiz.
– Olá. – sentei-me ao seu lado. – Que faz aqui tão tarde?
– São apenas duas da manhã, não diria que é tão tarde. – respondeu ainda com o olhar fixo nas águas.
– Tarde. – insisti.
– Que maneira estranha de iniciar uma aproximação. – abandonou a expressão vazia, fitando-me divertidamente – Está me mandando para casa.
– É o meu território. – Inflei o peito.
– E quem é você? – Cruzou os braços.
– É o meu território, apresente-se você. – Confrontei-a.
A conversa era divertida, diria que parecíamos velhas amigas fingindo indiferença.
– Selena. – Bufou diante da minha insatisfação evidente. – Gomez. Selena Gomez.
– Pois bem, Gomez – Franzi o cenho. – Preciso ver seus documentos.
– Tudo bem, quem você pensa que é?
– Demetria Lovato.
– Belo nome. – Debochou.
– Apenas me chame de Demi. – Estiquei a mão para cumprimentá-la.
– Taylor. – Levantei-me para cumprimentar a loira.
– Como vai, Demi? – Mostrou os dentes em um sorriso soltando-se do abraço.
– O que você acha? Continuo trancafiada nesse hospício. – Voltei a sentar-me na poltrona.
– Logo, logo você vai sair daqui. – Tentou reconfortar-me.
– Não enquanto eu continuar a vê-la.
– Continua com isso?
– Eu não estou louca, Tay! – Subi o tom. – Ela continua aqui.
– Está aqui agora? – Olhou para os lados na expectativa de encontrar aquela que apenas eu conseguia ver.
– Na cama. – Observei a morena deitada na cama com um sorriso debochado. – Está rindo de você.
– É injusto que só você possa vê-la. – Balançou a cabeça em negação.
– Injustiça é que todos me julguem louca por isso. – Cerrei as mãos em punho. – Ela está aqui, e não estou louca ou com saudade, não são alucinações ou qualquer coisa. Selena está aqui deitada nessa cama rindo da situação como ela sempre faz.
– Exatamente como ela fazia quando pregava suas peças. – Sorriu. – Quando ainda estava viva – Sussurrando a ultima parte.
– Selena! – Adentrei o apartamento esperando encontrar a morena jogada no sofá exatamente como estava mais cedo. – Já cheguei, onde você está?
As luzes estavam acesas, a TV ligada, mas ela não estava lá.
– Vai me pregar mais uma peça ou estamos brincando de esconde-esconde? – Cantarolei. – Trouxe pizza, deixe disso, Seles. – Insisti.
Cinco. Dez. Quinze minutos. Selena não resistiria a uma pizza por tanto tempo. Luzes acesas, TV ligada.
Disquei o número de seu telefone. Um, dois, três toques. Nunca passaria disso. Quatro. Estava na mesinha de centro, vibrando incansável. Não sairia sem o celular.
Luzes acesas, TV ligada, sem o celular.
Mandy. O nome de sua mãe veio à mente como um estalo. – Talvez alguns problemas familiares – tentei tranquilizar-me.
Luzes acesas, TV ligada, sem o celular.
Os fatos repetiam-se ao passar dos minutos, nada fazia sentido, onde poderia estar. Disquei novos números no teclado digital.
– Taylor, Selena está com você? – Esperei um “Selena, a Demi quer falar com você”.
– Não. – Gemi em desapontamento. – Algum problema?
– Eu não sei onde ela está, ela deixou o celular em casa e a TV estava ligada, não tem bilhetes e já estou assustada, Tay.
– Quanto tempo?
– Quase uma hora.
– Já tentou ligar pra alguém?
– Pensei em você.
– Está em casa? Espere-me aí. – Desligou antes que pudesse responder.
Apenas uma hora, nada deveria ter acontecido, talvez tenha ido tomar um sorvete, ou... Tentei enganar-me de todas as maneiras.
– Demi, me desculpe eu preciso ir. – Taylor checou a hora no celular. – Venho te ver amanhã. Tudo bem?
– Obrigada por vir. – Abracei-a.
– Sempre soube que a Taylor era uma ótima amiga. – Gomez finalmente pronunciou-se.
– Era sua melhor amiga. – Sentei-me ao seu lado na cama.
– Demi, não fique assim. – Puxou-me para o seu colo.
Eu podia senti-la, vê-la, escutá-la, ainda estava ali.
– Estou presa como uma louca, Selena! – Choraminguei – Como você espera que eu me sinta?
– Feliz por me ter ao seu lado.
– Talvez você não exista de verdade e eu esteja realmente louca. – Retruquei.
– Você pode me sentir. – Tocou minha face – Eu não sou um fantasma
– Diga isso para aqueles que me tratam como uma incapaz. – As lágrimas escorriam pelo rosto. – Eu só queria saber o que te aconteceu aquele dia.
– Não precisamos falar disso. – Apertou-me em seus braços.
– Você não quer, mas eu preciso.
– Ninguém precisa. – Beijou o topo da minha cabeça.
– Estão todos sofrendo com isso, Sel. Todos.
– A dor não iria embora apenas se soubessem como tudo aconteceu. – O olhar vazio novamente.
– A dúvida também dói. – Pensei alto. – Por que apenas para mim?
– O que? – Franziu o cenho.
– Por que só eu consigo te ver? – Remexi em seu abraço.
– Eu não sei, talvez você seja a única que me quer de volta. – Sussurrou.
– Não é verdade. Você sabe disso, todos choram por você todos os dias, sentem sua falta, a vida não prossegue sem você, Selena.
– Então não pergunte a mim o porquê, pergunte a eles.
A porta abriu-se e a figura de branco adentrou o quarto seguido pelas enfermeiras, sequei rapidamente as lágrimas.
–Olá, Demi, como se sente hoje? – Dr. Shepherd abriu um sorriso.
– Por que todos insistem em perguntar o óbvio?
– Mal humorada. – Balançou a cabeça – Não vejo motivos, aqui é um belo lugar, Demi.
– Então por que não trocamos de lugar, você fica trancado aqui e toma remédios os quais não precisa todos os dias e eu dirijo seu belo conversível pelas ruas de Seattle. – Ataquei-o.
– Você não está fácil hoje! – Brincou — Diria que não há nada de errado com você se não fosse pelas alucinações.
– Não há nada de errado comigo o problema está em vocês, se recusam a ver.
– A Senhorita está dizendo que tem um dom? – Deixou a risada escapar pelo nariz.
– Você só deveria vir aqui e me dar os remédios, não precisa abusar da minha paciência.
– Terei que aumentar suas sessões com o Dr. Williams. – Anotou algo no prontuário. – Sem remédios por hoje.
– Ótimo.
– Até breve. – Despediu-se.
– Infelizmente.
– Não se irrite, meu amor. – Novamente fui conduzida ao colo da Gomez. – Tente dormir um pouco.
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