The One That Got Away
1 Primeiro Encontro.
Notas iniciais
Espero que gostem e isso me dê motivação para continua-la.
^^
Quando paro e olho meu passado tudo me parece tão distante e diferente, que penso que se trata de outra pessoa em outra vida. Mal me reconheço no espelho, às marcas profundas do tempo estampadas em minha face e minha vitalidade que se dissipara há muito. Esse Jung Yunho de fato não é o mesmo de 65 anos atrás. O jovem rebelde que desafiara o mundo e prometera nunca olhar para trás não existe mais. Porém, quando levo minha mão ao peito e sinto as batidas descompassadas, percebo que aquele ainda é o coração que carrega um amor que nem mesmo o tempo é capaz de dissipar.
–x-
65 anos antes.
E que se foda o mundo.
Não se importava com que seu pai fosse pensar ou fazer. Estava cansado de agir como um bom moço. Estava longe de ser um exemplo para qualquer um e nem mesmo queria ser, só queria era pegar seu carro viajar e viver. Viver longe de regras, ordens, paradigmas. Queria dirigir sua própria vida e, era isso que iria fazer.
Estava decidido. Mas, por enquanto tudo isso não passara de um simples pensamento. Ainda precisava terminar o ensino médio, que estava atrasado por causa de suas repetições, mas pelo menos dessa vez já tinha a certeza que foi a ultima. Estava ansioso para o ritual final, a formatura e, depois, fazer o que tanto desejava. Sumir no mundo.
A garrafa de cerveja em mãos já estava chegando ao fim e o maço de cigarros já havia acabado. Hora de reabastecer. Levantou-se da areia fofa da praia e limpou a calça Jean antes de se dirigir a movimentação de jovens ao redor de uma fogueira.
– me dá uma cerveja aí, Brother.
Pediu, se abaixando ao lado de um colega de classe. Esse, logo pegou em uma caixa de isopor abastecida com muito gelo e garrafas e entregou uma ao garoto moreno.
– Tem cigarro?
–Vai morrer cedo, hein. – disse, antes de entregar alguns cigarros para ele.
– fica tranquilo que antes eu te pago. – riu, se levantando para sair.
– assim espero! – gritou o garoto, enquanto ele se afastava.
Iniciou uma caminhada pela beira da praia. A água gelada tocava seus pés descalços, enquanto abria a garrafa com os dentes e cuspia a tampa que foi logo levada pela corrente do mar. Dois goles foi o máximo que pode dar antes de algo chamar sua atenção. Vindo em direção contraria a sua um garoto que estava demasiadamente bêbado e isso era de fácil percepção já que seu andar era bambo e longe de ser linear e claro trazia na mão uma garrafa, mas diferente de Yunho, a dele era de vodca.
Yunho simplesmente parou e ficou o olhando, com um sorriso cômico estampado no rosto vendo o jeito “autista” do outro e os passos desengonçados. Mas, seu divertimento inocente à custa do bêbado durou poucos minutos, já um menino se aproximava dele e também, era de fácil percepção a intenção não tão inocente quanto a sua.
Viu o garoto agir de forma grosseira com o menino bêbado, ele ria alto enquanto o tocava contra sua vontade e puxava seu cabelo que era razoavelmente longo a fim de tentar beija-lo. Mas, ele era resistente e se defendia como podia, mas não o suficiente para fazê-lo ir embora. Aquela visão era irritante.
Sem saber exatamente o por que, talvez algum senso profundo de proteção, Yunho se aproximou a passos rápidos e firmes.
– Pare com isso! – disse em tom de ordem levando a atenção a ele.
– Olha o cara, aê! – disse, em zombaria. – tá afim da frutinha aqui também, é?!
Puxou o cabelo do garoto, o causando uma expressão de dor.
– Solta ele. – voltou a dizer, ignorando as palavras ditas anteriormente.
– ah, cai fora cara!
Foi apenas uma fração de segundos, apenas isso que se passou entre essas palavras e o forte soco que Yunho proferiu no nariz daquele garoto.
–aaahhhhh...
O grito de dor pode ser ouvido a metros de distancia.
– que foi frutinha? Tá doendo, tá? – provocava Yunho, se aproximando do garoto meio curvado e que tinha as duas mãos sobre o nariz que sangrava. – acho que quebrei, né?
– viado! – sussurrou em meio à dor.
Yunho ignorou a ofensa sem importância e procurou com os olhos o bêbado o encontrando a poucos metros de distancia, caminhando do mesmo modo desengonçado de antes. Deu uma breve corrida até ele se pondo em frente ao mesmo, o fazendo parar.
– Você tá bem?
Perguntou, se mostrando preocupado. O garoto bêbado, o encarou com as íris ônix e olhar perdido. Tinha cabelos castanhos avermelhados que cobria sua nuca e uma franja caindo diagonalmente sobre sua face que era angelical e de traços femininos. Voltou a perguntar quando a resposta não veio. – está bem?
– uhum... – tomou um gole da vodca e voltou a tentar caminhar, mas acabou tropeçando em si mesmo e para não ir ao chão se apoiou no ombro do moreno, que o segurou.
– acho que já tá na hora de parar de beber! – riu segurando o garoto pela cintura.
– vai quebrar meu nariz se eu desobedecer... – disse, meio enrolado, mas podendo se facilmente compreendido. Yunho apenas riu mais alto, o olhando mais atentamente em seguida. Era bonito, muito bonito por sinal.
– não. Até por que, eu gostei dele. – sorriu.
– uhn, mais um... – ralhou.
Afastou-se dos braços que o segurava, e o empurrou, mesmo sem grande força.
Continuou a caminhar, Yunho ficara confuso com a reação do garoto. O olhava caminhar com uma expressão de interrogação. A poucos passos depois ele se virar em sua direção.
– vocês são todos iguais! – pronunciou meio embolado em suas próprias palavras. – e...
Não pode terminar o que dizia já que acabou mais uma vez se desequilibrando e caindo sentado. Yunho riu, indo em seguida de encontro ao garoto.
–arght, esse chão que fica se movendo! – reclamou.
– eu to dizendo, tá na hora de parar de beber! – disse, estendendo a mão para ajuda-lo a se levantar.
O garoto olhou para cima, vendo a expressão descontraída do outro e em seguida olhando para a outra mão, a que segurava a garrafa.
– você também está bebendo.
– Sim, mas não acho que o chão está se movendo. – riu. – vamos, se levante.
Aceitou a ajuda, pegou a mão do moreno e se levantou.
– por que está sendo legal? – perguntou, enquanto tentava se manter parado.
– estou? Bom, talvez eu seja assim! – sorriu.
– ou talvez você queira me levar para um motel! – disse o garoto, sem delongas. Yunho o olhou surpreso.
– Não. De jeito nenhum. – tentou se defender rapidamente.
– hãn, e por que não? – seu corpo ia para frente e para trás.
– por que, não acho certo.
– papo furado. – ralhou. Deu um longo gole na garrafa deixando um pouco de derramar. – já ouvi isso antes... – limpou a boca com a mão. – é sempre a mesma historia. Gentilezas e depois eu acordo em um lugar estranho, numa cama estranha e com um ser mais estranho ainda roncando no meu lado.
Apesar de perplexo, Yunho não pode deixar de rir. A forma como ele falava era demasiadamente engraçada.
– Ta rindo do que?
– do seu jeito. – disse. – olha, fica tranquilo, okay? Não vou te levar para lugar algum.
– hum... Sei. Algum problema com garotos?
– hã?
– garotos? Curte?
– nada contra...
– ah, já vou avisando que eu curto! – interrompeu. – então, caso me veja olhando para sua bunda não venha querer me bater.
– tudo bem. – riu. – Mas, acho que não tem muita coisa aqui para se olhar. – brincou, virando o tronco tentando olhar sua própria bunda. Nesse ato não esperava acontecer o que o garoto fez para a sua surpresa.
– e aqui? – se aproximou perigosamente de Yunho, e sem o menor pudor afundando a mão livre entre as pernas do outro. Yunho o encarou sem reação, enquanto um sorriso maldoso se moldava nos lábios vermelhos e cheios do outro. – humm... – mordeu seu lábio inferior sussurrando em seguida. – parece que por aqui, não há do que se reclamar.
Yunho não disse nada, por que não conseguiu. Sentiu seu sexo ser apalpado e acariciado. Depois de ser “solto” o garoto riu de sua expressão pasma. – desculpa, não resisti.
– c-certo. – pressionou os lábios, tomou um longo gole de sua cerveja que já estava meio quente.
– parece que eu deixei alguém envergonhado. – cantarolou, se divertindo com o jeito tímido do moreno.
– um pouco. – riu nervoso. – você é sempre assim?
– não, só quando to acordado!
– ah. – gargalhou. – entendi.
Um barulho vindo da multidão de jovens a alguns metros mais afrente, chamou a atenção dos dois. Haviam colocado uma musica para tocar e algumas pessoas, já altas pelas doses alcoólicas, dançavam.
– Está com eles?
Quis saber o garoto. Yunho o olhou e concordou com um aceno de cabeça.
– é aniversario de um amigo. – disse.
– hum... Tem muitos amigos?
– não. Para falar a verdade, ele não é exatamente um amigo é só um colega de escola.
Suas palavras trouxeram duvida ao garoto.
– quantos anos têm?
– 20.
– e por que ainda está estudando?
– por que eu repeti o oitavo ano, três vezes! – riu. – eu sei, sou uma vergonha.
– relaxa, eu também repeti algumas vezes!
– sério?
– sim, por isso parei de estudar. Estudar é um saco! – declarou, bebendo mais da vodca.
– concordo! – sorriu. – olha, por que você não para de beber. – sugeriu, tirando delicadamente a garrafa da boca do outro. De repente, sentiu uma vontade enorme de continuar a conversar com ele. Sentia que tinham muito em comum.
– Não, Não, Não – recusou, balançando o dedo indicados em sinal de não. – isso me custou meus últimos centavos. – tomou mais um gole. – seus amigos tem cigarro? – perguntou de súbito, e nem ao menos esperou uma resposta e já ia saindo andando em direção ao grupo, mas logo Yunho o segurou pelo pulso o fazendo parar.
– eu tenho. – disse, pegando um cigarro que havia guardado no bolso da calça.
– ow. – sorriu, pegando da mão dele e se sentando na areia em seguida, em posição de lótus. – senta ai!
Yunho se sentou ao lado do mesmo, também com as pernas dobradas.
– então, quando você vai me dá um isqueiro?
– ah... é – procurou o objeto no outro bolso e acendeu o cigarro, acendendo um para si em seguida.
Um silencio se instalou entre eles, enquanto fumavam o único barulho ouvido era os das ondas quebrando na praia e as pessoas que ainda dançavam e riam ao redor da fogueia.
– no que está pensando? – Yunho o perguntou, vendo a forma fixa que ele olhava para o horizonte onde o céu e o mar se unia.
– nada.
– certeza? – tombou a cabeça para olha-lo melhor. – me parece concentrado em algo?
– apenas reflexões de bêbado. – deu de ombros, tomando mais um gole da vodca que estava chegando ao fim.
– também costumo pensar sobre minha existência quando bebo demais – riu, soltando a fumaça do cigarro lentamente. – quais são seus pensamentos mais comuns?
– que minha vida é uma merda! – disse, tragando em seguida. – e que eu gostaria de sumir no mundo. – soltou a baforada.
– Acho que temos muito em comum! – declarou Yunho, sorrindo furtivo para o outro quando esse o olhou. – parece que nada faz sentido aqui. Que não é onde devo estar que há algum lugar nesse mundo guardado pra mim...
– apenas me esperando... – completou a frase do outro. Seus olhos se cruzaram tirando qualquer palavra de suas bocas.
– exatamente. – murmurou Yunho, ainda com o fio invisível que unia seus olhares um no outro. – estamos conversando há tanto tempo e eu nem sei seu nome.
– é Kim JaeJoong, e o seu?
– Jung Yunho. – sorriu. – é um prazer te conhecer, JaeJoong.
– guarde as formalidades! — disse JaeJoong acabando com o liquido da garrafa que tinha em mãos.
– só queria ser educado.
– você pode ser educado dividindo essa sua cerveja ai!
Yunho olhou para a garrafa ao seu lado. Havia até se esquecido dela. Que irônico Aquele garoto pode o fazer esquecer daquilo que ele geralmente usava para esquecer.
Rindo, entregou a cerveja ao garoto.
– rindo sozinho, e depois eu que sou o bêbado! – disse, pegando a garrafa da mão do moreno.
– desculpe.
Naquele clima entre silencio e poucas palavras às horas se passaram rápidas, tão rápidas que quando se deram conta, eram os únicos naquela praia. A fogueira havia sido apagada, a música havia acabado e eles nem haviam percebido que não havia mais ninguém rindo e dançando pela areia. Simplesmente vazia.
– estamos sozinhos! – anunciou Yunho, olhando brevemente para trás onde antes havia a agitação de pessoas. JaeJoong também olhou brevemente, logo depois dirigindo sua atenção a Yunho.
– isso te dá alguma ideia?
– sobre?
– nós!
Yunho piscou algumas vezes ainda o encarando, sem entender onde ele queria chegar.
– você é o primeiro cara com que eu converso por mais de dez minutos e que não dá nenhuma indireta de que quer me levar pra cama. – confessou JaeJoong, esperando para ver alguma reação em Yunho, mas nada veio a não ser o mesmo olhar. Calmo e compreensivo. – obrigado.
Sorriu, sentido que devia isso a ele.
– não há por que me agradecer! – disse, retribuindo o sorriso.
– gosto do seu sorriso, Yunho. – declarou sem pensar, palavras que escorregaram tão naturalmente por sua boca em uma sinceridade que o assustou.
Yunho sorriu ainda mais.
– E eu do seu, JaeJoong.
O mais claro se aproximou sentando bem ao lado colando seu corpo ao do moreno e apoiou sua cabeça no ombro do mesmo que de forma receptiva abraçou-o, passando seu braço sobre o ombro de JaeJoong.
– Sabe... – iniciou JaeJoong. Logo após um bocejo, continuou... – eu queria muito ter um barco para poder entrar nesse mar e sumir para nunca mais ser encontrado. Mas depois acho que morreria de tédio. – riu. – por isso não compro nenhum barco.
Falavam com seus olhos fechados, suas pálpebras pesavam em demasia.
– Há uma forma mais fácil de aventurar! – disse Yunho, encarando a lua, e apreciando em silencio o peso da cabeça do outro em seu ombro e no calor que a aproximação de seus corpos proporcionava naquela noite que se esfriava rapidamente. – Logo depois da formatura eu vou pegar meu carro e cair na estrada. – riu sozinho, imaginando o momento. – mal vejo a hora. Criar um destino completamente diferente para mim e... oh... – ideias invadiram sua mente. – Você gostaria...
Quando olhou JaeJoong, percebeu que ele havia adormecido em seu ombro. A imagem tão inocente e angelical chegou a tirar-lhe o ar em admiração. Tombou a cabeça sobre a dele e o apertou mais em um abraço, querendo aquece-lo da brisa fria.
– não vou te fazer mal. – sussurrou. – eu prometo.
Notas finais
Essa história surgiu meio do nada, então só continuo a postar se tiver um bom retorno de vocês, e aí... reviews?
POSPOSPO' chata eu! XD
ah, leitores, me desculpem pela demora de Hot Boss e principalmente de Promiscuous Boy. estou trabalhando nelas ainda, provavelmente postarei Hot Boss primeiro, estou meio enrolada em PB, mas fiquem tranquilas que não foram e nem serão abandonadas. ^^
bjos.
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