Notas iniciais
acrescentei algumas aqui que não coloquei no capitulo 1, espero que gostem

Acordei com alguém batendo na porta do meu quarto. Após as entrevistas, fomos levados ao prédio do Centro de Treinamento. O prédio tinha 12 andares, um para cada distrito, e dois quartos em cada andar. Nos próximos dias, nós teremos as sessões de treinamento para a arena.

Ouvi batidas na porta mais uma vez. Me levantei da cama e quando abri a porta, dei de cara com uma Lara sorridente com um vestido muito extravagante e uma maquiagem que, na minha opinião, deixavam seu rosto parecendo um pimentão.

– Bom dia! – ela disse e me entregou uma muda de roupas. – Vista-se. Vamos descer para tomar o café da manhã e depois começam suas sessões de treinamento.

Sessões de treinamento. Até que seriam úteis para mim, se eu tivesse o que treinar. A única coisa que eu realmente sabia fazer era lutar com a espada, e não era bom nisso.

Após o café, eu e Beatriz descemos para o centro de treinamento.

– Escutem, vocês terão ao todo três dias de treinamento. Os treinos coletivos serão realizados nos dois primeiros dias, e no terceiro, será realizado o treino particular. – Guenn dizia enquanto caminhávamos para o elevador.

– No treinamento particular vocês irão mostrar aos idealizadores dos jogos qual a maior habilidade de vocês. Se já tiverem alguma habilidade, sugiro que não a demonstrem nos treinos coletivos, pois assim os outros tributos saberão como irá se defender. – O elevador parou. Guenn nos disse 'boa sorte' e então, a porta se fechou e eu e Beatriz nos viramos.

Uou. Nunca havia visto nada como aquilo em toda a minha vida. O centro de treinamento era enorme. Era como se fosse um grande galpão sem fim, divido em diferentes alas. As alas eram divididas de acordo com as modalidades. Do lado esquerdo estavam as alas para esgrima, lançamento de facas e lanças e arco e flecha. Ao fundo haviam as alas de luta e camuflagem, e ao lado a ala dos nós, e também a ala da sobrevivência na selva, das plantas e da escalada. Luzes no teto alto iluminavam todas as estações. Nas alas de armas haviam alguns simuladores, que criavam ologramas programados para atacar, e a pessoa presente na estação tinha que usar suas habiliades para defender-se.

Observei Beatriz. Ela olhava assustada para os tributos do distrito 1 na ala do lançamento de facas. Eles eram realmente muito bons. Não erraram nem um alvo.

– Ei, você pode tentar a ala da camuflagem. – eu disse. Ela assentiu com a cabeça, me desejou boa sorte e foi-se.

Ela estava assustada demais. Tinha apenas doze anos, nunca encostara a mão em uma arma na vida, não sabia se defender. Eu também não sabia. Praticar esgrima em uma pequena arena no distrito 4 só por passa tempo não me salvaria dos olhares mortíferos e armas dos outros tributos. E então eu volto a lembrar que Beatriz está assustada. E volto a me lembrar também que eu prometi que ia protegê-la. E isso me deu coragem. Talvez eu conseguisse me manter vivo por um tempo. Talvez eu conseguisse protegê-la. Por um tempo.

Andei pelo centro de treinamento, observando as alas. Lembrei-me do Guenn havia dito sobre guardar o que sei de melhor para o treinamento particular e, no caso, o que sei de melhor é esgrima. Me dirijo a ala do arco e flecha. Pego um dos arcos e uma aljava na parede esquerda. No mesmo instante em que paro no centro da ala, em cima de um quadrado luminoso, um campo de força linhas azuis é ativado em volta da área, e o primeiro olograma aparece, correndo em minha direção. Endireitei a flecha no arco e atirei. E nesse exato momento descobri que sou um péssimo arqueiro, porque a flecha passou longe do olograma, e ele continuava correndo em minha direção. Tive que me desviar para não topar com o olograma.

Peguei outra flecha. Outro olograma fora projetado a minha esquerda. Atirei, e a flecha passou longe de novo. Antes mesmo que eu pudesse me lembrar que teria que desviar do olograma, ele despareceu. O campo de força com linhas azuis também desparecera.

– Tente alinhar o cotovelo na altura do ombro. – disse uma voz.

Me virei e me deparei com a garota do distrito 3. Ela adentrou a área, pegou um arco e uma aljava e se encaminhou para o centro da ala.

– Com licença – disse, e eu me afastei.

Logo o campo de força reapareceu. O primeiro olograma foi projetado a direita da garota. Ela o acertou em cheio. Outro olograma projetou-se acima dela, na diagonal. Ela também ou acertou. Vários ologramas se projetavam seguidamente em direções diferentes, assim que ela detonava um. A garota conseguiu detonar todos eles mais rápido do que eu consegui enxergar.

Então, o campo de força se apagou.

– Pensei que o distrito 3 fosse da tecnologia e...

– Também pensou que não sabíamos usar armas? – ela me interrompeu – Atena também é deusa da guerra.

Não respondi. Fiquei apenas ali, parado e perplexo enquanto ela colocava o arco no lugar e se encaminhava para fora.

…

Durante o resto do dia fiquei na ala do arco e flecha. No dia seguinte, procurei outras alas. Parei um pouco na de camuflagem, junto com Betariz, e depois me encaminhei para a de lanças. Na ala haviam tridentes também. Eu sabia manusear tridentes, porque usávamos essas armas no distrito 4 para pescar. Fiquei girando o tridente entre os dedos por um tempo, e depois tentei lança-lo algumas vezes, até que um garoto parou ao meu lado.

– Você é um bom lançador. – ele disse.

– Obrigado.

– Filho de Poseidon, não é?

– Sim. – respondi. O garoto se virou com um sorriso torto e uma expressão um pouco triste.

– Queria descobrir quem é meu pai, ou mãe. – ele disse.

Foi então que eu me lembrei de algo. Nem todos os semideuses são reclamados pelos pais. Isso acontece porque os deuses, ao contrário das pessoas que moram no distrito, podem ir para onde quiserem. Por exemplo, se um deus do distrito 12 quiser ir para o distrito 2 e ter filhos lá, ele pode fazer isso. E então, depois, ele volta para o seu distrito ou vai para outro, e normalmente deixam seus filhos ainda crianças.

Todas as crianças semideusas nos distritos precisam demonstrar poderes do deus patrono do seu distrito até os 11 anos, porque assim que fizerem 12, já podem ir para a colheita. Por isso que existem sátiros nos distritos. Os sátiros identificam entre as crianças quais delas são semideusas. Porém, os sátiros não conseguem identificar qual deus é seu pai ou mãe. Então, funciona assim; por exemplo: se você está no distrito dois e até os onze anos não apresentou características de um filho de Ares, o deus patrono do distrito, você é mandado para os distritos das deusas virgens. As meninas podem ser mandadas para o 7, para serem caçadoras de Ártemis, para o 9 ou 10. E os meninos podem ser mandados apenas para o 9 ou o 10.

Me virei para o garoto e perguntei:

– De qual distrito você veio?

– Distrito 10, fui mandando para lá com 12 anos. Estou representando o distrito 7 nos jogos.

Também tem outra coisa sobre os distritos 9 e 10. A cada ano, um deles fornece um tributo masculino para representar o distrito 7, porque no 7 só tem garotas, já que é o distrito das caçadoras.

Ficamos em silêncio. Depois de um tempo, o garoto se levantou e saiu.

…

Hoje, enfim, era o dia do treinamento particular. Tínhamos acabado de tomar o café da manhã, e estávamos indo para a sala onde ficavam os tributos.

– No treinamento particular, os idealizadores dão notas de 1 a 12. – Finnick dizia. – Quase ninguém chega a conseguir 12 no treinamento, nem mesmo os tributos do 2. Quero que deem o melhor de si lá dentro, certo?

Eu e Beatriz assentimos. Entramos na sala e nos sentamos na fileira de cadeiras do lado direito. Tinham 12 cadeiras de cada lado. Do lado direito estavam os tributos dos distritos 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Do esquerdo estavam os tributos dos distritos 7, 8, 9, 10, 11 e 12. Pouco tempo depois os nomes começaram a ser chamados. Os tributos do 1 e do 2 entraram confiantes para o treino. Assim que saiu, Clarisse dirigiu um olhar mortífero para mim. O garoto do 3 saiu, e então, foi a vez da garota. Antes de deixar completamente a sala, ela se virou e me dirigiu um olhar de boa sorte, e então, meu nome foi chamado.

Entrei e observei o local. Haviam pequenas janelas perto do teto alto, e algumas luzes iluminavam o ambiente. De frente para o centro do salão, havia uma pequena câmara onde doze idealizadores me observavam atentamente.

Peguei um dos bonecos postos em um canto do salão, o que geralmente usávamos para treinar esgrima. Coloquei-o no centro e peguei uma espada. Instantaneamente, o boneco ganhou vida. Era um autômato. Ele pegou uma espada e veio em minha direção, e por sorte desviei de seu golpe antes que ele fizesse um corte em meu rosto. Me desviei de outro golpe, e desferi um movimento com a espada em sua perna, fazendo o boneco tropeçar. Mas rapidamente ele se levantou e voltou a atacar. Rodopiei uma vez e desferi um golpe com o cabo da espada na cabeça do boneco, o que fez com que ele caísse no chão. E ele se levantou novamente. E num momento de distração, ele pegou minha espada.

Vi de esguelha um tridente, escondido atrás das flechas. Corri até ele com o autômato em meu encalço, e consegui alcança-lo. Me virei a tempo de desviar de um golpe do autômato. Então, rodopiei mais uma vez e finquei o tridente em seu peito, fazendo com que ele caísse e com que saíssem faíscas de onde eu o tinha golpeado.

Olhei para cima. Os idealizadores ainda me observavam. Lentamente, me encaminhei para a saída.

Mais tarde, nos reunimos em uma pequena sala no quarto andar do prédio do centro de treinamento para vermos as notas do treinamento. Clarisse recebeu um 8l. Annabeth, a garota do 3, recebeu um 8 também. Eu, por incrível que pareça, recebi um 10. Não achei que meu treinamento tenha sido nada demais. Mas estava lá. Um 10 luminoso abaixo da minha foto na tela da televisão. Beatriz recebeu um 6. Ela me disse que havia se camuflado com a cor de uma das mesas. E amanhã, era, finalmente, o dia em que iríamos para a arena. Talvez o dia que determinaria quantos dias de vida eu tenho de agora em diante. Talvez o dia que tornaria real toda a angustia que vejo todos os anos na tevê.

Eram cinco da manhã. Eu ouvia leves batidas na porta. Mas de acordo com Lara eu só teria que acordar daqui a duas horas para ir para a arena. As batidas insistiam cada vez mais.

Me levantei e fui até a porta. Quando abri, vi uma Beatriz com lágrimas nos olhos, tremendo.

– É amanhã.

– Eu sei.

– Eu estou com medo. Eu não quero ir, Percy.

Olhei para ela. Eu prometi que a protegeria. Por que eu fiz isso? Eu mal conhecia Beatriz quando a prometi isso. E não a conheço direito ainda. Por que eu prometi?

Porque ela tem uma energia positiva. Ela faz com que eu me sinta bem. Ela faz com que qualquer um se sinta bem. É algo dela mesma.

E também porque aqui, e agora, ela me lembra meu irmão. Meu pequeno irmão, acordando de madrugada com medo de pesadelos, me pedindo para protegê-lo. E eu me sinto no dever de protegê-la também. Pego a mão de Beatriz e a levo de volta para seu quarto.

– Deite-se. – ela me olha, hesitante – Estou aqui com você.

Ela se deita, e volta a me fitar.

– Eu vou te proteger. – coloquei minha mão em sua testa. – Eu te prometi.

….

A viagem até a arena foi mais silenciosa possível. Nem eu nem Beatriz nos manifestamos, muito menos os mentores. Faltava pouco para entramos na arena. Estávamos em uma sala, esperando para subirmos nos círculos que nos levam a arena, quando Beatriz segurou meu pulso.A viagem até a arena foi mais silenciosa possível. Nem eu nem Beatriz nos manifestamos, muito menos os mentores. Faltava pouco para entramos na arena. Estávamos em uma sala, esperando para subirmos nos círculos que nos levam a arena, quando Beatriz segurou meu pulso.

– Lembre do que você me prometeu — disse Beatriz.

– Claro — respondi.

– Muito bem, está na hora. Escutem, quando subirem lá em cima, deem o melhor de si. Mostrem que não estão aqui em vão. — disse Guenn.

– Horem o distrito 4, horem suas famílias, horem o motivo de estarem aqui. Não quero que vençam, apenas que lutem com bravura. — disse Finnick. E eles nos abraçaram.

Era estranho ver como eles agiam, sendo que nos últimos dias trocamos tão poucas palavras. Mas deviam estar acostumados a ver, por anos e anos, seus tributos morrendo na arena. Aquelas palavras deviam ser apenas um consolo, um pedido de desculpas por estarmos aqui, como se eles dissessem "esperamos que você ganhe, mas se não ganhar, sinto muito."

Está na hora. Eu e Beatriz nos encaminhamos para os círculos que nos levarão para a arena.

Sessenta segundos. Em sessenta segundos, toda a minha vida passa pela minha cabeça. Minha monótona vida. Não tenho histórias para contar. Só tenho minha mãe e meu irmão. Minha mãe e meu irmão. Que estarão me assistindo. Que fui obrigado a deixar para trás. Cinco segundos. A plataforma circular começou a subir vagarosamente.

E então eu vejo a arena. A Cornucópia bem no centro. A minha frente havia uma faixa de terra, que começava em duas e poucos metros depois se tornava apenas uma. O campo entre as faixas possuía pequenos montes de terra. Estava completamente minado. Bombas de fogo grego. Pisar ali seria morte certa.

Começou a contagem regressiva para correr até a Cornucópia. Dez segundos. Correr até lá. Pegar uma arma. Matar tributos. Proteger Beatriz. Sobreviver.

Olhei para Beatriz e fiz um aceno de cabeça indicando a floresta. Três, dois, um. Assim que comecei a correr o avistei bem no topo da Cornucópia. Um tridente. Preciso de uma arma. Então percebi outro tributo bem atrás de mim. Corri mais rápido até a Cornucópia, me apoiei em sua lateral e tentei pegar o tridente. Uma dor antingiu meu tornozelo. E então vejo um tributo. Com um impulso com o pé, dou um chute na cara do tributo e agarro o tridente. Caí na lateral da Cornucópia bem a tempo de me salvar da espada que tentara perfurar minha cabeça. Me desviei de outro golpe e, com um movimento rápido, lanço o tridente em direção ao peito do tributo que tentara me matar. Avisto Beatriz de relance correndo pera a floresta. No instante seguinte, tudo parece passar como um vulto. Arrenquei com facilidade o tridente do peito do tributo, tomei sua epsada, peguei uma mochila verde que achei em meio a confusão na Cornucópia, e então corri deseperadamente para a floresta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.