The Olympians Game
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma manhã quente de verão. Minha mãe acordou bem cedo para preparar o café da manhã, já que hoje é o dia da colheita. Ela separou minhas melhores calças, o melhor par de sapatos e a melhor camisa. Não entendo porque devemos nos preparar tanto assim para a colheita, já que nela, dois nomes serão sorteados para um jogo de vida ou morte.
Na verdade, a colheita é feita para escolher dois jovens para os Jogos Vorazes. Jogos Vorazes é, digamos, a diversão para quem mora na Capital. O país em que vivemos é subitamente divido nisso: os distritos e a Capital. São 13 distritos, e os moradores de cada distrito são designados devido a sua origem olimpiana. Isso mesmo, eu disse olimpiana. Pois é, sabe os deuses do olimpo? Eles são reais, sim, e também descem ao distrito que os pertence para, digamos, conhecer as mortais. Eu sou um fruto desse suposto conhecimento. Em cada distrito existem deuses e mortais, e jovens semideuses e mortais, também. Porém, a colheita dos Jogos Vorazes é feita apenas entre os jovens semideuses. Antes, a colheita era feita entre mortais e semideuses, e os mortais escolhidos raramente sobreviviam ao primeiro dia na arena.
Meu nome é Percy Jackson, tenho 16 anos e vivo no distrito 4. O deus patrono do meu distrito é Poseidon, e o distrito 4 foi feito distrito da pesca.
Quando Zeus subiu ao poder, juto com seus irmãos, ele designou um tributo para cada deus. Cada um dos olimpianos receberia um pedaço de terra, onde poderiam criar sua prole de heróis e filhos superpoderosos, e, em troca, a população que habitava cada terra teria que dar uma oferenda ao deus patrono. Nós, aqui do 4, pescamos. O pessoal do distrito 1, cujo a deusa patrona é Afrodite, produz artigos de luxo. O distrito 2, o distrito de Ares, tem minas de pedras, e treina soldados para a Capital. O distrito 3 pertence a Atena e seu forte é a tecnologia. A educação no distrito 3 é realmente mais aprimorada que as dos outros distritos, já que lá se formam super cérebros para trabalhar com tecnologia de ponta. O distrito 5, da energia, pertence a Apolo. O 6,distrito de transportes, pertence a Dioniso. O 7, que trabalha com extração de madeira, pertence a Ártemis, o 8, indústria textil, a Hermes, o 9, produtor de grãos, pertence a Héstia. O 10, distrito da pecuária, pertence a Hera, o 11, distrito da agricultura, pertence a Deméter, o distrito 12 pertence a Hefesto, e por fim, o 13, distrito de usinas nucleares, que pertence a Hades. E a Capital, claro, pertence a Zeus, o rei dos deuses.
Porém, desde a ascenção de Zeus ao poder, os deuses entram em conflito constante, e isso devido a uma antiga briga, que se desencadeou entre os três irmãos que derrotaram Cronos, e por isso, Hades foi banido, e sem o auxílio dos outros deuses, Zeus acreditou que o distrito não fosse sobreviver. Desde então, existem conflitos internos entre os deuses, e eles nos usam para lutar por eles nesse conflito. Os Jogos Vorazes são a diversão deles, eles usam os seus filhos para competir e mostrar qual deus tem mais poder.
…
Enfim, hoje é o dia da colheita. Dois nomes serão chamados,dois nomes escolhidos entre jovens de 12 a 18 anos, e esses dois nomes irão para dentro de uma arena, lutar até a morte com mais outras 22 pessoas. Um desses nomes, supondo-se, irá morrer, e outras 22 pessoas também. Apenas uma pessoa sai viva da arena.
Eu, minha mãe e meu irmão mais novo fomos para a praça, onde acontecerá o sorteio.
Dois. Dois jovens ali serão escolhidos. Talvez um deles vença. Talvez os dois morram.
Um calafrio percorre a minha espinha, uma sensação ruim toma conta do meu corpo. Sou tirado do transe quando o sino toca, sinalizando que já são 13 horas, e a colheita irá comçar. Os mentores sobem ao palco. O primeiro a subir é Finnick Odair, vitorioso dos Jogos Vorazes a dez anos atrás. Depois, sobe ao palco Guenn Isabel, uma garota nova, vitoriosa a mais ou menos 4 anos. É seu primeiro ano como mentora.
Uma moça com roupas rosas estravagantes, tatuagens prateadas pelo corpo e um cabelo com pontos dourados sobe ao palco logo depois. Seu nome é Lara, e ela é da Capital. Ela é responsável por sortear os nomes na colheita.
Aquela péssima sensação toma conta do meu corpo de novo. Lara está parada em frente ao microfone, a praça está em total silêncio, nada parece estranho, mas meu corpo me diz para sair correndo agora. Sim, todos tem medo de ter seu nome tirada na colheita, mas não é só medo que eu
sinto. Estou inquieto. Algo de muito errado está para acontecer. Meu irmão apeta forte a minha mão, e olha para mim, passando silenciosamente a mensagem: fique calmo. Mas não dá para ficar calmo.
Lara está remexendo a bola que contém o nome das meninas. Ela tira um papel e lê:
– Betariz James.
Uma garota de cabelos castanhos claro e olhos verdes sobe ao palco. Ela está tremendo. Posso ver que ela está segurando para não chorar. Ela parece ter uns 12 anos, é seu primeiro ano na colheita.
Então, aquela sensação fica mais forte dentro de mim. Lara remexe os papéis dentro da bola onde estão os nomes dos meninos. Ela abre o papel, e a ouço ler em alto e bom som:
– Percy Jackson.
Eu. Meu nome havia sido sorteado. Meu coração parou. Meus olhos fitavam o palco, mas meus pensamentos estavam distantes. Eu estava em transe. Tudo que eu podia fazer agora era subir ao palco. Eu mal conseguia andar. Estava apavorado.Subi as escadas e parei ao lado de Lara.
– E estes são os tributos do distrito 4.
De longe, vi o rosto da minha mãe coberto de medo, desespero e lágrimas. Ao lado dela, meu irmão de 4 anos, gritando impotente para que eu voltasse, mas eu não podia. Meu nome foi sorteado. Eu vou para os Jogos Vorazes. E posso não voltar para casa. Nunca mais.
...
Eu estava na sala do Edificio da Justiça, esperando que liberassem as visitas. A porta de abriu e meu irmão entrou correndo. Minha mãe entrou logo atrás dele. Suas mãos tremiam de tanto que ela chorava. Eu a abracei. Não poderia dizer para ela que ia ficar tudo bem, porque não ia mesmo. Não podia dar falsas esperanças a minha mãe e meu irmão de que eu ia vencer os Jogos Vorazes e voltar para casa. Existia uma chance mínima de eu ganhar esse jogo. Não sabia o que dizer. Sentia as lágrimas de minha mãe molhando minha camisa. Meu irmão abraçava minha perna, e pedia para que eu não fosse. Ele chorava tanto quanto minha mãe. Então, eu comecei a chorar. Nós três chorávamos, abraçados.
De repente, os guardas entraram e disseram que o tempo de visita havia acabado. Fomos separados do abraço, e eu olhava nos olhos de minha mãe enquanto ela era arrastada para fora da sala.
A vida inteira eu sempre ajudei minha mãe a cuidar do meu irmão. Ela trabalhava 10 horas por dia para que eu e meu irmão tivessemos comida em casa, para que nós três tivéssemos uma casa. E agora eu a estava deixando. Sozinha. Quem iria cuidar do meu irmão enquanto ela trabalhava? Se eu não voltasse, ela não teria mais ninguém.
Dois guardas entraram e me acompanharam até a saída. Na porta do Edifício da Justiça, encontramos os dois mentores, Beatriz e Lara, e junto com um esquadrão de guardas, fomos para a estação de trem. Dei uma última olhada para trás. Aquela poderia ser a última vez que eu veria meu distrito de novo. Poderia ser a última vez que eu veria minha família de novo. Tentei não pensar nisso.
O trem que ia nos levar para a Capital era simplesmente fantástico. Cortinas douradas pendiam da parte de cima das janelas. Lustres brilhantes iluminavam o interior do trem. No centro do vagão havia uma pequena mesa rodeada de enormes sofás de veludo azul. Do lado esquerdo do interior do trem, estava uma enorme tela de TV. Fomos conduzidos até os sofás. No maior deles, sentaram-se os mentores e Lara, e no outro, sentamos eu e Beatriz.
Assistimos as colheitas dos outros distritos. Os tributos do distrito 1 mais pareciam bonecos de porcelana do que pessoas. Seus rostos eram perfeitos, sem nenhuma falha. Os do distrito 2 tinham olhos cruéis e pareciam estar sedentos de sangue. Mas foram os tributos do distrito 3 que realmente me chamaram atenção. Um garoto alto de olhos cinzentos, e uma garota loura de olhos cinzentos também. Mas aquela garota era especialmente incomum, e não sei porque, mas ela me chamou atenção. Seus cabelos louros brilhavam a luz do sol. Seus olhos cinza tempestade tinham uma intensidade severa. Era impossível ler sua expressão, mas ela parecia determinada. Olhando aquela garota na tela da TV, tive o breve sentimento de que ela seria uma inimiga mortal.
E então veio a colheita do distrito 4. Me vi subindo no palco impotentemente. Vi Beatriz se esforçando para não chorar. Olhei para o lado, e vi que ela ainda estava contendo as lágrimas. Ela
olhou rapidamente para mim e baixou a cabeça. Vimos as colheitas dos distritos 5, 6, 7 e assim por diante. Quando a colheita do 12 terminou, Lara desligou a TV.
– Muito bem, crianças – disse ela. – assim que chegarmos a Capital, vocês irão conhecer seus estilistas e sua equipe de preparação para as entrevistas. Agora, vamos jantar e logo depois vocês terão um tempinho para conhecer melhor seus mentores.
Jantamos mais um dos pratos típicos da Capital. Era tanta comida que nem eu e nem Beatriz aguentamos comer de tudo.
Depois do jantar, nos reunimos de novo na pequena sala de TV. Eu, Beatriz, os mentores e Lara. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que Guenn disse:
– Bem, crianças, eu sou Guenn, e este é Finnick, e seremos os seus mentores a partir de agora. Escutem, assim que chegarmos, vocês serão preparados para sua primeira entrevista. Então, vamos começar com o básico: treinar o que vocês devem dizer durante a entrevista.
– Tentem parecer mais vocês mesmos o possível, mas também tentem coisas para encantar o público, isso pode fazer com que vocês consigam patrocinadores. – completa Finnick.
Nem eu nem Beatriz sabíamos o que dizer. Ficamos encarando os mentores por um tempo.
– Olha, eu sei que vocês estão assustados. Mas não podemos ficar sem nos comunicar pra sempre.
Continuamos em silêncio. Ou estávamos simplesmente assustados demais para falar, ou não tinhamos nada para falar. Eu acho que eram os dois juntos.
Os mentores se levantaram e foram embora. Por fim, Lara disse:
– Seus aposentos são as duas portas ao fundo do vagão. – e foi embora deixando eu e Beatriz sozinhos.
Beatriz estava encolhida no canto do sofá, com a cabeça escondida nas mãos.
– Ei. – chamei. Ela ergueu levemente a cabeça. – Você está com medo?
Ela balançou a cabeça.
– Olha, você está com medo da Arena, mas não precisa ter medo de mim. Na verdade, eu também estou assustado com tudo isso. – Ela me olhava intensamente, mas não se movia. Aos poucos, ela foi se endireitando no sofá, e chegou mais para perto de mim. – Por que você está com medo?
– Eu quero voltar para casa. O que eu vejo dos jogos na tevê. As pessoas morrendo. Eu não tenho a menor chance de sobreviver ali dentro.
– E você acha que eu tenho?
– Claro que você tem. Você sabe manusear armas, já te vi lutando com espadas. Você pelo menos tem chances.
A única arma que eu sabia realmente manusear era o tridente. Eu o usava para pegar peixes. E sim, eu lutava com espadas. No distrito 4 tinha uma pequena arena de esgrima. No meu tempo livre, eu sempre ia até a arena praticar. Mas nunca fiz nada demais. O máximo que fazia era destroçar um boneco com a espada, e nem era tão bom nisso.
– Tenho chances de sobreviver por dois dias, eu acho.
– Eu não tenho chance de sobreviver nem no primeiro minuto. Não poderei nem mesmo tentar correr para pegar um suprimento ou arma sem que me matem.
Olhei para Beatriz. Ela tinha apenas 12 anos. Parecia ter mais ou menso 1, 50 de altura e era magra e miúda. Se ela tentasse correr até a Cornucópia, seria morta até antes de chegar lá. A Cornucópia é onde ficam as armas e suprimentos que os tributos precisam. Quando o gongo soa, todos vão correndo até a Cornucópia para pegar o que precisam, e acabam sendo mortos pelos outros tributos.
– Escuta, é só você não correr até a Cornucópia.
– Mas como eu vou sobreviver?
– Eu vou proteger você. Você será minha aliada.
Um pequeno sorriso se forma no rosto de Beatriz.
– Você promete?
– Prometo.
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