The Nights
6 Frist Day
Notas iniciais
Randy estava na cozinha. Ele havia descido não tinha muito tempo, e procurava onde guardavam o pão.
— Parte de cima do armário, porta do meio. — Disse Howard, entrando na cozinha. — Francamente, Randy. O que deu em você?
— Eu só não tive chance de passar na cozinha direito ainda, calma. — Randy se desculpou, após pegar a sacola com os pães.
— Não é isso! — O gordinho cruzou os braços. — Estou falando lá no quarto.
— O que tem? — Ele fingiu não dar muita importância para isso, pegando a faca e um pão. Sabia o que o amigo queria dizer, mas preferia esquecer aquilo por um tempo.
— Ah! Não se faça de idiota! Você falou com o Nomi, cara! — Ele chegou perto dele, se inclinando para olha-lo. — E ficou tão triste...
Randy não disse nada, se afastando e virando para o armário, pegando a manteiga.
— O que mais aconteceu que você não me contou? — Ele foi até ele de novo, mas o maior se desviou, indo até a mesa. — Para de se esquivar…!
— Eu farei a lição final, Howard! — Interrompeu com a voz um pouco alterada, se voltando para o outro.
Weinerman parou, um pouco surpreso, olhando o amigo por um tempo, enquanto Randy abaixou a cabeça.
— Logo após impedir o Tengu, eu deixarei de ser o ninja… Será que pode deixar esse assunto para lá por um enquanto? Por favor...
O ruivo ficou o encarando, analisando aquela figura cabisbaixa à sua frente, que tentava segurar o desespero, e se sentiu mal por ele. Nunca tinha visto o amigo desse jeito. Randy sempre foi, e principalmente depois do ninja, uma pessoa muito positiva. Vê-lo nesse estado era surreal demais para Howard. — Tudo bem. — Disse após uma pausa, então sorriu fracamente para o menino.
Randy retribuiu com um sorriso melancólico. E quando um silêncio tenso ia dominando o recinto, Zack entrou na cozinha.
— Bom dia! — Cumprimentou alegre, indo até a cesta de frutas sobre a mesa.
— Iae. — Howard ergueu a mão brevemente em cumprimento, indo preparar sua comida.
— Bom dia! — Randy se voltou para o garoto, respirando fundo e sorrindo.
— Randy. — Ele havia pego uma maçã, e parou ao lado do arroxeado. — Não jantou aqui ontem…
— A-ah… Pois é. — O garoto sentiu o rosto esquentar. — Acabei perdendo a hora de novo.
— Uhum. — Zack sorriu de canto, o olhando de um jeito maldoso.
— Deixa o Catninja, que ele não foi o único que fez coisas ontem a noite. Não é? — Disse Alfeu, entrando na cozinha com um certo ego, acompanhado de Spud.
— Me diga você. — O garoto cruzou os braços, o olhando. — Não fui eu que dormi no quarto dos outros.
— Adoraria ter a chance que eu sei. — O loiro sorriu maldosamente.
— Gente, eu não fiz nada. — Randy se defendeu, envergonhado, colocando os pães na torradeira. — Só cheguei tarde.
— E a garota que você não parou de falar ontem? Como era o nome dela mesmo? Jannie? — Howard sorriu de canto.
— Ela é só uma amiga! — Disse rápido e extremamente vermelho.
— Em questão de tempo, meu amigo. — Disse Spud, em tom filosófico, pegando a caixa de cereais no armário.
— Aham! — Ironizou o ninja, preferindo não discutir mais, dando atenção a sua comida.
— Do que estão falando? — Perguntou Mikase, chegando na cozinha ajeitando o cabelo.
— De pessoas que dormiram em outro quarto. — Alfeu se apoiou na bancada, olhando o moreno, que havia ficado muito embaraçado.
— O-o quê? Por quê? Ninguém dormiu em outro quarto nessa república! — Apressou-se até a sacola de pães, indo preparar seu café.
— Tenho certeza disso… — Completou o loiro, soltando um risinho.
— Já eu não tenho. — Zack terminava a maçã.
— Nem eu. — Spud sentou a mesa, colocando leite em seu prato de cereais.
Mikase se encolheu um pouco, envergonhado com aquilo. Será que estava tão óbvio para eles? Ele olhou em volta, e tudo parecia normal, mas os olhares que Zack lançava para si o faziam ter vontade de se enterrar no chão.
Era o olhar que dizia: “Você fez merda. Eu sei. E vai se repetir tudo outra vez, dá pra ver.”. Mikase desviou a visão, pensando em algo que pudesse dizer para se defender, mas não tinha nada. Era a pura verdade. Então abaixou a cabeça, e assim permaneceu por alguns segundos seguintes.
— Mas então… — Começou, tentando mudar de assunto. — Quais são os cursos de vocês?
— Eu vou fazer culinária. — Disse Howard, apagando o fogo e tirando a frigideira com os ovos.
— Vou amar quando você fizer o jantar. — Mikase disse, satisfeito.
— Eu vou fazer filosofia. — Disse Spud, de boca cheia.
— Meu terceiro período é na sua turma. Professor Edmund Turner, não é? — Perguntou Zack, com um grande sorriso.
— Uhum. — Spud engoliu rápido a comida. — Filosofia também?
— Não, história.
— Eu vou fazer Engenharia Mecatrônica. — Disse Randy, se sentando com as torradas já prontas.
— Oi? — Alfeu o olhou confuso.
— Engenharia Mecatrônica é uma área que utiliza as tecnologias de mecânica, eletrônica e a tecnologia da informação para fornecer produtos, sistemas e processos melhorados. — Disse quase como se tivesse decorado aquele monólogo.
— Ah sim… Já eu faço direito.
— O que é bem irônico, para alguém tão irresponsável. — Comentou Mikase, revirando os olhos ao ver que o maior lhe mostrou a língua. — Enquanto a mim, faço Medicina, na área de cardiologia.
— É… — Howard suspirou. — Parece que ninguém terá o mesmo percurso para as aulas.
— Verdade. Jake é administração. — Spud comentou.
— E eu não sei qual é o do Danny. — Zack cruzou os braços.
— Eu o quê? — O meio fantasma entrou na cozinha, ainda com os cabelos meio molhados.
— Qual teu curso?
— Ciências biológicas. — Danny se sentou a mesa, começando a preparar um prato de cereais.
— Realmente, não há caminho junto. Mas eu posso lhe acompanhar se quiser. — Alfeu se apoiou em Zack, que suspirou em irritação.
— Dispenso… — Disse saindo do braço do maior e se sentando ao lado de Spud.
— Bom dia. — Cumprimentou Jake, entrando apressado na cozinha. Os outros o cumprimentaram de volta, e ele se sentou, preparando um prato de cereais.
『。。。 』
Acabou que saíram todos juntos. Afinal, o prédio ainda era na mesma direção, e os calouros iam precisar de certa ajuda. Passaram o caminho todo conversando sobre assuntos diversos e embora estivesse se enturmando, Danny ainda não conseguia parar de pensar em Sam. Não suportava o fato dela parecer chateada.
Ao entrarem no prédio, Mikase falou um pouco sobre os cantos da universidade, onde ficava isso e aquilo, e Danny ficou agradecido por terem placas de orientação nos corredores.
Logo cada um seguiu para sua aula e foi aí que ele a viu. Sam, a alguns passos dele, conversando com uma garota. Ele respirou fundo, a olhando, e ao ver que a garota foi embora, e Sam virou para ele, sentiu seu coração cair no peito.
— Oi Sam! — Sorriu, indo até ela.
— Oi. — Disse com certa rispidez.
— Está tudo bem? — Danny chegou mais perto dela, confuso.
Sam se afastou com a aproximação, olhando para o outro lado.
— Eu fiz algo de errado?
— Engraçado logo você perguntar isso. Tente lembrar.
— Eu não sei o que possa ter te desagradado. Me diga! — Ele se aproximou mais, e quando estendeu a mão até o ombro dela, a fim de deixá-la de frente a si, ela bateu com as costas da mão na dele, a afastando.
— Eu não quero… Falar com você. — Disse com a cabeça um pouco baixo. — Agora, se me der licença. — E virou-se, começando a andar.
— Espera aí! Como assim? — Ele correu até ela, ficando na frente da porta e bloqueando o caminho.
Alguns estudantes, irritados, passaram por ele lhe chocando contra o ombro.
— Quer sair da frente? Ou eu vou fazer como esses aí! — Ameaçou, brava.
— Não! Não saiu! Não antes de me explicar que porra está acontecendo aqui. — Disse decidido.
— Eu não te devo explicações. — Ela cruzou os braços.
— Sam! Você desistiu da faculdade em Nova York para me acompanhar aqui! Como assim não nos falar?
— Você esperava mesmo que eu fosse ficar de boa com aquilo que fez ontem? Se toca Danny!
— E-eu fiz? Mas…
— Eu não sou algo que você pode brincar e que vai ficar por isso mesmo! — O interrompeu rapidamente. — Ou melhor, nem conseguir brincar você vai.
— Sam, eu nunca… — Mas antes que pudesse continuar, foi interrompido por um senhor.
— Bom dia. Os senhores querem ir para a sala de aula, por favor. Já iremos começar. Isso é, se forem de Ciências Biológicas.
— S-somos sim… Desculpe. — Disseram um pouco baixo e sem jeito, entrando na sala logo em seguida.
O local era uma sala descida e com mesas distribuídas em um semicírculo, típico de universidades. Eles desceram um pouco e Danny se sentou pelo meio da sala, enquanto Sam desceu mais, sentando-se entre as primeiras. O garoto ficou encarando-a um pouco irritado e confuso. O que ele fez para ela ontem? Não lembrava de nada. Pelo visto, não conseguiria pensar em mais nada o resto do dia até lembrar-se.
— Bom dia turma, meu nome é Wilson e eu serei o professor de Biologia Molecular de vocês. — A sala foi tomada por aquele silêncio clássico, fazendo o professor suspirar entediado. — Bom, na biologia molecular… — Ele virou-se para o quadro, começando a escrever.
『。。。 』
Zack andava pelos corredores, olhando para as portas e para uma folha de papel em mãos. — 213… 213… — Procurava, olhando para os lados, até que encontrou uma porta. — 213... A? — Ele parou ao olhar a sala. — Não… Tem que ter um B por aqui. — Disse observando ao redor. Todo esse tempo estava no bloco A? Parece que nem adiantou ter feito a excursão pela Universidade. O garoto deu mais uma rápida olhada em volta até que sentiu o braço de alguém cair sobre seus ombros.
— Olá Zack. — Cumprimentou animado. Era Alfeu, que exibia um grande sorriso.
— Ah, oi Alfeu. — Respondeu em pouca importância, olhando a folha e ao redor.
— Não vai me dizer que ainda não encontrou sua sala? Nem com toda essa super orientação que é o número da sala nesse papel, e as placas nas paredes?! — Brincou, com um sorriso irritante.
— Claro que não! São quase dez e meia. Eu tinha que ser muito burro para isso. — Disse ajeitando um pouco atrapalhado o livro embaixo do braço, pois Alfeu começou a andar inesperadamente na direção contrária, o levando junto. — E-eu só… Não estou achando essa sala em particular.
Alfeu olhou rapidamente para a folha, suspirando. — 213 B. Você veio parar literalmente do outro lado do prédio. Por sorte sua, meu professor vai se atrasar um pouco e eu posso te acompanhar! Vamos. — Ele segurou sua mão, o puxando.
Zack abriu a boca para protestar, mas não o fez, tornando a fechá-la. Sabia que não ia adiantar muita coisa tentar rebater comportamentos do Alfeu. Andaram um tempo assim, até que o maior entrelaçou os dedos aos deles.
— Okay. Parou. — Disse o garoto, puxando a mão.
O loiro se voltou para ele, um pouco surpreso.
— Não me inclui nessa, tá bom?
— O-o quê? Zack…
— Não me coloca no meio de vocês dois. — Disse rapidamente, o interrompendo.
— Não, eu não estou “colocando”. Eu…
— Pensa que eu não percebi? Está me usando para fazer ciúmes ao Mikase!
— O quê?! Claro que não! Eu… — Alfeu se mexia nervoso, bufando. — Eu jamais te usaria, Zack…
— Ah! Então é só o Mikase que você gosta de magoar?! — Interrompeu-o, um pouco exaltado.
— Para de me interromper! — Disse um pouco alterado, indo para cima de Zack.
O menor se afastou, assustado, batendo de costas na coluna, perto dos degraus da escada. Algumas pessoas que passavam os olharam de canto, pensando que ia rolar uma briga.
— Pare de se preocupar! Pare de ser tão certinho…! — O loiro apoiou a mão na coluna, suspirando um pouco nervoso. — Pare de achar que o Mikase é a vítima…
Zack, ainda um pouco assustado e com a respiração descompassada, ficou a olhar o amigo. Alfeu havia abaixado a cabeça, e sua respiração lembrava alguém lutando para não chorar. O garoto ficou imaginando o que teria acontecido, mas foi tirado de seus pensamentos pela distância que o outro havia tomado.
— Eu só estou dando o troco… — Disse baixinho, saindo apressado.
— Alfeu! — Se virou para ele, mas o amigo já estava longe. — Dando o troco…? — Repetiu baixinho, pensativo. O que aconteceu afinal? Então suspirou, dando de ombros e começando a andar. Outra hora procurava saber melhor, agora tinha que achar sua sala de aula. Pelo menos o caminho de volta ao pátio ele sabia.
Zack seguiu por mais alguns corredores, até que desceu uma escada, levemente curvada, e quando chegou no pátio, acabou esbarrando em alguém, derrubando os livros que carregava.
— Cuidado! — Reclamou a pessoa, voltando a andar.
— Desculpe. — Ele se abaixou, pegando os livros. — Ah, não precisa me ajudar. — Começou a resmungar, irritado. — “Claro que sim, eu insisto, foi só um acidente não é?”. — Forçou a voz, imitando o outro. — Deveras caro senhor. Muito obrigado! Qual o seu… nome? — Ele hesitou um pouco ao tocando na mão de alguém sem querer, que também ia pegar o último livro do chão.
— Turner. — Sorriu a pessoa. — Meu nome é Edmund Turner. — O rapaz se levantou junto de Zack, o estendendo o livro. Ele era um pouco mais alto, de cabelos ondulados e loiros, e olhos em um verde escuro fascinante. — Prazer, senhor…?
— Zack! M-meu nome... Zack. — Ele pegou o livro um pouco atrapalhado, fechando a cara. Analisou a pessoa a sua frente por um tempo, tentando reconhecê-lo. Do nome já ouviu falar, mas o homem nunca viu.
— Meu Deus! Não sabia que essa Universidade aceitava crianças… Quantos anos têm? Dezesseis? — Perguntou fingindo admiração.
— Vinte e um… — Zack suspirou, revirando os olhos. — E você não deve ter muito mais que isso! Quem sabe até menos!
O homem continuou o olhando com o mesmo sorriso alegre e irritante. O menor não sabia quanto tempo se passou, mas o olhar fixo do outro começou a deixá-lo um pouco incomodado.
— J-já acabou? Tenho que ir para minha aula de filosofia. — Disse tentando impor incômodo, mas estava extremamente vermelho.
— Fofo e destemido. Que doce de pessoa! — Edmund riu, ainda o olhando.
— Pegou meu livro quando caiu como em uma cena de filme clichê. Agora dando em cima de mim. Desculpe, mas não estou interessado.
— Peguei o seu livro porquê “A Ciência da Lógica” de George Wilhelm Friedrich Hegel, é bom demais para se estar no chão. E a julgar pelo seus outros livros, de maioria do George, presumi que era uma pessoa boa de conviver. E eu tenho vinte e cinco, respeito! — Disse sorrindo convencido.
— Nossa! Que grande diferença. — Resmungou, bufando.
— E se não se interessa, por que ainda está aqui?
Zack se surpreendeu um pouco, sentindo o rosto queimar. Ele abaixou levemente a cabeça, confuso, e quando ia passando por ele, Edmund continuou.
— A julgar pela hora e pela sua matéria, também sou seu professor. — O loiro se voltou para ele, a fim de capturar bem a reação do mais novo.
O garoto parou, boquiaberto. Agora lembrou-se do nome. Edmund Turner é o professor que ele tinha em comum com Spud. Mas como alguém tão jovem era professor? Edmund abriu um sorriso maior e mais alegre, e começou a andar.
— Siga-me, estamos atrasados.
Zack ficou sem reação. Apenas concordou com a cabeça e acompanhou o outro pelo prédio. Seguiram em silêncio por um tempo, mas com o loiro sempre a olhá-lo sobre ombro, com um olhar animado. O garoto franziu o cenho, um pouco irritado e desconfortável com aquilo.
— Desculpe se me comporto estranho. — Disse em ar de riso. — É que é a primeira vez que vejo um Lorg Nithean, e ainda sendo meu aluno!
— Oi? Como é que é?! — O menor se aproximou, curioso para saber do que ele o chamou.
Edmund o olhou sério sobre o ombro por um tempo, como se o Zack tivesse dito a pior coisa do mundo. Então continuou o caminho em silêncio.
Não demorou nada para chegarem a 213 B. Quando Edmund entrou na sala, estampou o sorriso de antes e se dirigiu a frente da classe. Zack, por sua vez, deu uma rápida olhada na sala, avistando Spud sentado pelo meio. Infelizmente, a única cadeira vaga por perto era duas vezes atrás dele, o que o obrigava a ter que fazer novos amigos.
Ele suspirou e foi em direção ao assento. Jogou a mochila sobre a mesa de frente e sentou-se, relaxado. Ao seu lado, uma garota ruiva virou o rosto para ele.
— Oi. — Sorriu em cumprimento.
Zack sorriu de volta.
— Eu me chamo Jannie. Qual seu nome?
— Zack. Prazer.
— Igualmente. — Ela riu, se voltando para a frente.
— Espera um pouco. Jannie… Por um acaso não é amiga do CatNinja, é? — Ele se inclinou um pouco para frente, apoiando o braço na mesa e a olhando.
— Sou sim, na verdade, conheci o Randy ontem. Por quê?
— Ah, é que lá na república… O pessoal tirou a maior onda com ele, porque ninguém viu ele chegar. E sabiam que ele estava com uma garota. — Explicou, um pouco vermelho, torcendo para que ela não tivesse ficado chateada.
Jannie começo a rir, tentando fazer isso o mais baixinho possível. — Queria ver essa!
Zack riu também, aliviado. — Não se incomoda?
— Claro que não! Se eu estivesse lá entrava na brincadeira.
Ele balançou a cabeça negativamente, rindo. Até que ela era legal. É quando, de repente, Jannie é acertada por uma bolinha de papel no rosto.
— Hey! — Ela se voltou para frente, onde Edmund os olhava.
— Por favor, Jannie. Oh Jannie. Respeita! — Disse brincando.
— Poh, Ed! Era só falar. — Ela riu, se voltando para frente.
— Professor pra você. — Riu, se voltando para o quadro. — Ed é só pra quem eu gosto. Mas voltando aqui para a aula… — Começou a escrever.
— Vocês parecem já se conhecer. — Sussurrou Zack, olhando para frente.
— Claro, ele é o meu tio.
Zack se voltou para ela, surpreso, arrancando um risinho dela. — Tio?
— É. Meu nome é Jannie Turner. — O olhou, sorrindo de canto.
O garoto continuou a encarando surpreso. “Okay destino. Você é bem engraçado, hein. Mas tá bom de coincidências por hoje.” Pensou, absorvendo a ideia e se voltando para a frente outra vez.
『。。。 』
Jake caminhava no pátio, ao lado de Spud, tentando encontrar algum lugar calmo. Já haviam acabado as aulas, os dois almoçaram na cantina com a Arrow, e depois foram dar uma volta pelo campus. Na verdade, queriam ficar sozinhos para poderem falar com o avô de Jake em paz.
Escolheram então uma árvore, bem mais para o meio da grama, onde iam ficar afastados dos outros. Sentaram encostados a ela e Spud ligou o notebook, fazendo uma chamada de vídeo.
Não demorou muito e o senhor atendeu. — Meninos. O que foi? Nem um dia aí sem minha vigilância e já encontram uma pista?
— Ah… Não é bem por isso que ligamos, senhor Lao. — Spud disse, apreensivo, olhando de canto para Jake. — Aconteceu um probleminha.
— Problema? Que tipo de problema? O que vocês fizeram? — Perguntou já um pouco alterado.
— O problema sou eu, vovô. — Disse Jake, um pouco tenso.
— Como assim?
— Eu fiquei um pouco do lado de fora, conversando com Rosa… — Começou, tentando ao máximo se lembrar dos detalhes. — E após ela desligar, lembro de me sentir um pouco mal e com falta de ar. Depois não me lembro direito o que aconteceu, e acordei na cama.
— Eu saí para falar com ele. Estava demorando demais. — Disse Spud, um tanto determinado. Era inusitado para Jake o ver tão empenhado em alguma coisa assim. Spud sempre foi um tanto desligado. — E encontrei seu celular largado no chão, e mais na frente, as marcas das garras. Quando foi de noite, ele entrou voando pela janela, voltou a forma normal e deitou. Tentei falar com ele, mas estava completamente apagado.
Lao ficou em silêncio por um tempo, olhando para baixo. — Isso é muito estranho…
— O senhor sabe o que aconteceu? — Perguntou Jake, ansioso.
— Claro que sei! Foi o seu lado selvagem de dragão que aflorou para lhe proteger. Só não sei porquê… — O velho ficou a mexer em sua barba, pensativo.
Os garotos se entreolharam confusos.
— Lado selvagem? O que é isso, vô?
— O lado selvagem do dragão, é uma forma primitiva e irracional que nós, dragões, usamos inconscientemente para nos proteger, em estado crítico. — Explicou o senhor. — Desse modo, podemos usar a regeneração e magia do dragão para nos recuperarmos de quaisquer males. Mas para isso, o dragão sempre vai para um local distante e seguro. E ele também tem que ter forças suficientes para que entre nesse estado.
— Mas eu estou bem! Não sofro de nenhum mal.
— Exatamente. Cortando essa possibilidade, o que sobra?
— Magia… — Disse Jake um pouco vago, como se estivesse pensando em tudo e mais um pouco para entender o motivo daquilo.
— Isso! Magia. Você foi atacado por um feitiço ontem.
— Feitiço? Mais de quem?! — Spud olhava de um para o outro, confuso.
Tanto o senhor Lao quando Jake estavam pensando, silenciosos, olhando para um ponto qualquer. Até que o garoto quebrou o silêncio, hesitante.
— O senhor não acha que foi o…
— Besteira! — Cortou rápido e um pouco emburrado. — Ele não sabe que está aí! A anos não sente cheiro de um dragão!
— Mas vovô…!
— Ache o Nomicon, Jake. Logo! Ache o Nomicon e seu portador. O tempo está acabando… — E nisso o sininho de sua loja toca, chamando sua atenção. — Boa tarde, posso ajudá-lo? — Disse ao freguês, desligando a ligação.
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